terça-feira, 28 de julho de 2015

Aliás

1. A Igreja do Bonfim não fica no alto de um morrão e a escadaria não tem 37543 degraus. Fiquei meio decepcionada, viu! A igreja não foi feita pra me agradar, eu sei, mas,sei lá, esperava... Ah, não sei... Desculpem, baianos!

2. Aliás, baianos!!! Ah, os baianos... Antes, eu achava que os mineiros eram as melhores pessoas. Agora, tô sendo obrigada a rever minha opinião e dividir o título com os baianos. 

3. Aliás, comida baiana! Como é que eu vou viver sem acarajé? E nem venha me dizer que tem acarajé no Rio, porque, né, amiguinhos, não, não, não. Quero acarajé da Cira na esquina da minha casa já. Quando eu chegar no Rio, tenho fé de que uma barraquinha estará montada bem pertinho do meu portão. Acarajé que faz crec na hora que a gente morde e com muita pimenta.

4. Aliás, pimenta! Maeve e Emily, baianas legítimas, já atestaram que posso requerer minha cidadania soteropolitana. Passei no teste de baianidade: pimenta, pode botar pimenta. Ai, pimenta! Também fui aprovada com certa moral no outro teste de baianidade: o dendê pesou no estômago, mas não me desarranjou. Desculpa, mas tenho que dizer: arrasei, nem!

5. Aliás, eu já nasci aprovada nesse teste aí. Eu amo farofa, tenho um ranking de farofas favoritas, como farofa com macarrão, só de falar a palavrinha a boca enche d'água. Soteropolitanos comem tudo com farofa. Soteropolitanos comem uma das minhas comidas favoritas da galáxia, bobó, com farofa. Eu achei que estava morta e tinha chegado ao paraíso quando misturei a farofinha de manteiga num bobó escandaloso.

6. Aliás, na minha infância, havia duas comidas recorrentes. Uma era fantástica, o bobó. A outra não nada fantástica: angu à baiana. No Rio, no nosso inverno fake, as pessoas tomam caldos pra esquentar. Você pode chegar numa barraca de caldos e pedir angu à baiana tranquilamente. Passei toda a vida achando que angu era comida baiana, aí chego em Salvador e Maeve nem sabe o que angu. Ontem, no caminho pro Bonfim, conheci Seu Roque. Perguntei o intinerário do ônibus pra ele e, pronto, ganhei companhia pra viagem todas. Seu Roque morou uns meses no Rio e queria saber que embuste é esse de angu à baiana. 

Quem mais aí não sabe o que é angu? É um creme salgado de fubá, é a polenta antes de endurecer. Se for à baiana, a gente come com sarapatel, que no Rio a gente chama só de miúdo mesmo. 

7. Eu ia dizer " aliás, nome de comida", mas taí assunto que merece um post, três livros,  quatro artigos sobre variação linguística. Vou dizer então: " aliás, Rio!"porque nascer no Rio é uma credencial e tanto por aqui. Eu abro a boca e as pessoas sorriem. Querem saber em que bairro eu moro, pra que time torço. Conhecendo ou não conhecendo a cidade, as pessoas já dizem que amam e meio que te amam também. Tenho vontade de dizer que o Rio nem é tão legal assim, mas fico só na vontade porque ser amada gratuitamente é muito bom.

8. Aliás, amor! Tô indo hoje pra outro lugar lindo da Bahia que todo mundo duz que vou amar. Eu acredito, mas meu coração tá aos pedaços. Não vai ser fácil  viver sem Salvador.

Acho que conheço lugares tão ou mais bonitos quanto essa cidade; não se trata só de beleza... Ai, ai... Salvador, ó, é puro amor. Não encontro outra definição.

Como sempre, Caetano tem razão: "quem vem de lá/ sente saudade"

Mas eu volto! 

domingo, 26 de julho de 2015

Diário de viagem

* escrevi esse post no celular, então não botem reparo em nada, por favor! Eu me superei nas palavras repetidas, e o autocorretor deve ter criado umas frases bem malucas. =p


As moças do meu quarto no hostel perguntaram se tenho planos, as moças na piscina me perguntaram se eu queria ir num show de música sertaneja. Ontem eu estava deitada na minha caminha, tentando me recuperar do impacto da melhor moqueca da vida ( eu nunca tinha comido e espero que todas as moquecas sejam assim), aí apareceu a moça linda e simpática da cama de cima. Ela me olhou intrigada e quis saber se eu não tinha saído. Deu vontade de dizer: meu amor, eu acordo cedo! Você tava roncando quando eu saí.Mas não seria justo. A menina é um doce, não merece grosseria. Mas é que, gente, tudo bem ficar sozinha e não sair à noite. Tudo bem ficar deitadinha aqui enquanto meu estômago processa o dendê. Meu dia foi ótimo. Fui ao Pelourinho, desci aquela ladeira ao som do batuque, chorei vendo o vídeo da Zélia Gattai na casa do Jorge Amado, caí no papo furado do ambulante na Praça da Sé, essas coisas. Fez sol. Parece que há dias o céu não ficava tão limpo. De tarde, fui ao farol da Barra com os baianos mais simpáticos. Depois tive uma aula sobre como comer boa comida baiana. Tô ótima, tô feliz!


A solidão é como a tristeza: todo mundo tem pavor dela, né? É uma pena, porque é bom estar com outras pessoas, mas é bom também fazer aquilo que você quer, no tempo que você quer, cometer uns erros só seus. Eu tenho mesmo uma dificuldade pra me relacionar com gente nova e tal; isso é um problema na minha vida. Só que tô com a impressão de que  o povo aqui tá  com necessidade de se juntar, de arranjar a companhia que não veio junto de casa. É uma impressão, não sei. Vai ver que eu é que tô mais ensimesmada que o normal. Mas, ó, até agora tô achando que fiz certíssimo de ter comprado a passagem sem pensar muito. Tem horas em que queria que André ou Jaqueline estivessem aqui. Consigo até imaginar como seria a viagem se cada um deles tivesse vindo.  Jaqueline e eu ficaríamos horas sentadas contemplando a vista da Cruz Caída. André faria  um de seus famosos vídeos de viagem bem embaixo  daquela foto do Michael Jackson no Pelourinho. No mínimo, eu  teria com quem dividir os pratos nos restaurantes, pelo menos. Mas, na falta dos melhores companhias, estar sozinha tá funcionando muito bem.

Agora vou lá pro banho que Maeve e o namorado dela vão me levar pra tomar um café da manhã bem baiano. Fiquem na torcida pelo meu aparelho digestório 
não pifar, porque eu tenho muitos dias ainda pra devorar comida boa.

Antes de ir,  umas fotinhos:









terça-feira, 21 de julho de 2015

Sozinha no mundo

Acontece sempre. Digo que vou viajar nas férias. Primeiro perguntam pra onde; em seguida, querem saber com quem. A resposta dessa vez é: com ninguém, sozinha. Alguns dos meus interlocutores me acham maluca, outros dizem que não teriam a minha coragem, minhas colegas de trabalho me encorajaram.  E eu? Se o medo e a ansiedade estivessem brincando de cabo de guerra, eu seria a corda. 

Não sei bem do que tô com medo. Fiz o que sempre faço antes de viagens: reservei hospedagem, dei uma olhada no que quero conhecer, anotei as informações importantes no caderninho.  Geralmente, esses procedimentos me bastam. Nunca fui de planejar, meus habituais companheiros de viagem também não são. Minha preocupação maior é sempre perder o voo. Depois que entro no avião, só me preocupo em não morrer na aterrissagem. 

Dessa vez, ainda em casa, tenho tantos medos que nem me reconheço. E se a reserva do hostel estiver errada? E se eu for assaltada? E se eu morrer de tédio? E se escolhi as roupas erradas? E se eu desmaiar na rua? E se eu passar sete dias sem conversar com uma  viva alma? Esse último é o medo mais palpável. Todo mundo diz que vou encontrar companhias temporárias. Eu duvido um pouco, viu. Não vejo muita chance de conhecer gente pra uma criatura desconfiada feito eu. Pra que a solidão não me mate, abarrotei o Kobo. 

Viajo amanhã, mas, pra não fugir ao habitual, a mala tá aberta no meio no quarto servindo de cama de gato. Odeio arrumar mala. Odeio. Não decidi se vou pro aeroporto de táxi ou de ônibus. Não comprei creme de pentear. Não fiz as sobrancelhas. É melhor parar de enumerar as pendências antes que algum viajante organizado e planejador tenha urticárias só de ler. Hihihi

Aos viajantes solitários: aceito dicas de sobrevivência, gente!


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Triângulo

Trabalhar em escola pode ser tudo, menos monótono. Chego em casa todo dia com uma história nova, e o bom é que minha roommate nunca enjoa delas. Na última semana, descobri um enredo muito melhor que Malhação acontecendo entre os alunos do sexto ano. A trama é um triângulo amoroso que tô adorando acompanhar.  Vou contar pra vocês. Os personagens são Carol, Canhotinho e Léo. Os nomes não são exatamente esses, mas foram devidamente inspirados na realidade. Carol é uma menina que pinta o cabelo de roxo com papel crepom, usa presilhas multicoloridas, só tira boa nota e aparece todas as manhãs com um saco de papel cheio de pirulitos. Canhotinho é moleque agitado, meio exibido e artilheiro do time mirim de futebol. Léo faz todos os deveres, chega do recreio  suado de tanto correr e usa um penteado maravilhoso. Todos os envolvidos têm 11 anos. Léo e Canhotinho são colegas de turma; Carol estuda na sala ao lado.

Numa manhã qualquer dos últimos meses, Canhotinho me contou que namorava uma menina da  outra turma e me perguntou se eu sabia quem era a Carol. Já estou acostumada a ser atualizada sobre os romances que acontecem na escola. Pessoas de 11 anos adoram se apaixonar umas pelas outras e sentem um prazer especial em falar sobre amores eternos e possíveis casais. Como boa fofoqueira que sou, ouço todas as histórias com muita atenção. Registrei, então, que  Carol e Canhotinho namoravam. Antes de prosseguir, devo advertir vocês que, tendo por base as observações feitas no meu ambiente de trabalho, namorar é um termo usado sem critérios muito definidos, sabe. Sei de um monte de gente que se conheceu no Facebook, namora por whatsapp, mas nunca se viu porque estuda em turnos diferentes e mora em bairros diferentes. Platônico, não? No sexto ano, namorar, na maior parte dos casos, é mais um sentimento que uma ação.  Mas vamos voltar à história. Pois bem, uns dias depois, eu ouvi a Carol falando toda encantadinha do Léo. Opa! Sinal de alerta! , mas ela não namorava o Canhotinho? Foi aí que eu descobri que Carol não namora ninguém; a mãe dela anda não liberou namoro. Carol e Canhotinho estudam juntos desde o quarto ano e desde então o menino vem dizendo que eles são namorados. Eu disse que namorar é um conceito muito complexo nesse contexto, não disse? Me faz lembrar do dia em que Vinicinho viu  um trenó num daqueles maravilhosos desenhos do Discovery Kids e disse animadaço: "É igual ao meu, só que eu não tenho!"

Aula vai, aula vem,  as festas juninas chegam e  eu fico incumbida de arregimentar dançarinos pra quadrilha da escola. Em meio aos interessados, Léo, discreto que só ele, esperou o final da aula pra   me perguntar se alguém da sala ao lado também ia dançar. 

- Alguém quem?
O menino ficou absurdamente vermelho, mas não se entregou:
- Qualquer pessoa. Vai ter gente da outra turma?
- Vai! Tem um monte de gente dançando.
Ele não disse nada. Voltou pra carteira, guardou as coisas na mochila, andou bem devagar pela sala, quase cruzou a porta. Não aguentou:
- E a Carol? Ela vai dançar?
Coisa mais fofa é ver um tímido sendo movido pela coragem. Eu apenas sorri e confirmei com a cabeça.

Ouvindo daqui, ouvindo dali, descobri muitas coisas. Carol e Léo pegam o mesmo ônibus e ela, num ímpeto de ousadia, foi lá e sentou do lado dele. Carol não odeia Canhotinho nem nada, mas também não gosta muito dele porque o menino vive puxando o cabelo dela, gritando chatices, estragando o jogo de uno das meninas. Eu já vi Canhotinho sendo chato com Carol e cheguei até a dar uns conselhos pro rapazinho. Disse pra ele aquele óbvio que um monte de adultos parece não saber: a gente trata bem  as pessoas de quem a gente gosta. Aí o menino partiu o meu coração:

- Mas, professora, ela me odeia, não me dá atenção nem liga pra mim. 

Tão jovem, tão sofrido, tadinho! Mas dá pra entender a rejeição de Carol, né? Fica muito difícil defender o Canhotinho. Se bem que ele é um menino esperto. Depois de ouvir meu conselho, que se aplica a todas as pessoas do mundo (espero que ele tenha entendido isso), o moleque tá se esforçando pra ser menos inconveniente, mas eu pressinto que a batalha esteja perdida.  Hoje aconteceu o primeiro ensaio da quadrilha. Carol e Léo estavam lá. No começo, restou ao Léo, a tarefa intragável de ser o par da professora (eu! o/ ). Carol fez dupla com uma de suas amigas. Aos poucos, o cenário foi mudando. No meio de tantas trocas de par e lugar, Carol e Léo ficaram lado a lado na grande roda. Notei que não havia muita coragem pra um segurar a mão do outro, ali na frente de todo mundo. A grande roda esteve meio cambeta naquele cantinho. Acho que ficar perto já bastava aos dois. Uma hora e meia de confusão e pisões no pé se passou até o momento em que a lista dos pares definitivos teve que sair. Fui perguntando pra todo mundo: quem vai ser o seu par? Quem vai ser o seu par?  Deixei a Carol por último. A menina não me decepcionou. Bochechas vermelhas, sorriso envergonhado, mas muito decidida:
- O Léo vai dançar comigo!

E eu acabei ficando sem par.



quinta-feira, 9 de julho de 2015

Cabelo cresce

Meu cabelo tava crescendo sem forma, caindo no olho, parecia franja de poodle.  Decidi cortar. Fui numa cabeleireira que minhas amigas amaram, depositei minhas esperanças na tal cabeleireira fodona e ... meu cabelo ficou uma merda. Hoje foi meu primeiro dia de cabelo ruim e só segurei o choro porque existem desgraças piores nessa vida. Mas que é difícil ser alegre sabendo que  teu cabelo tá péssimo, isso é. Passei o dia repetindo o mantra: cabelo cresce, cabelo cresce, cabelo cresce, cabelo cresce, cabelo cresce.

Uma amiga me disse que podia ser pior, bem pior: eu podia ter pintado com uma cor péssima. E tirar cor péssima de cabelo não é fácil. A outra amiga, que tem sempre fé em mim, disse que daqui  uns 3 dias eu tô bem resolvida e daqui uns meses contarei a história do corte ruim com bom humor. Eu, no momento só tô pensando mesmo em aproveitar que preciso emagrecer e controlar o colesterol e me mudar de mala e cuia prum filme de superação. Só saio na rua novamente quando estiver saudável, mais  magra e com o cabelo ótimo.  Que cês acham?

Tô fazendo drama, eu sei. Mas me deixem fazer drama, só por hoje. E aproveitem pra me contar uma história de tragédia capilar seguida de uma recuperação feliz pra eu me sentir menos idiota/feia/ boba/ desesperançada.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Só por ela ser






"Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser"