quinta-feira, 26 de março de 2015

Uns gatinhos

Tenho em casa esses lindos gatinhos. Eles não vão poder ficar comigo, então estou procurando uma casa nova pra eles.



Vocês não querem morar com um gatinho ou uma gatinha, não? Conhecem alguém que goste de gatinhos e queira morar com um?


segunda-feira, 9 de março de 2015

Eu faço um curso de inglês e pago muito caro pra isso. Até então, só tinha estudado com uma professora, que não acho muito didática, que exige muito, mas uma boa professora. Gosto muito do método do curso, sinto que tô aprendendo e tal. Daí que trocaram o horário do meu trabalho e eu já não consigo chegar a tempo na aula. Solução: trocar de horário. 

Vou até começar um novo parágrafo pra falar do novo horário. A professora se faz de engraçadinha: péssimo, mas ok. A professora usa o alarme do celular pra saber quando a aula termina e programa pra meia hora mais cedo: péssimo, mas ela pode ser apenas maluca.A professora grita: péssimo, mas quem sou eu pra julgar alguém que trabalha berrando. A professora escreve tudo que fala no quadro: péssimo, a metodologia do curso não é essa, mas vai que foi um pedido da turma. A professora diz que uma palavra exaustivamente citada no nível anterior não existe: péssimo, mas ela pode estar com amnésia temporária. A professora pronuncia as palavras que já conheço de um modo muito diferente do ensinado pela outra professora: péssimo, mas pode ser que minha audição esteja prejudicada pelo meu cabelo que cresceu e tampa minhas orelhas.A professora diz que se você tem "forty years" não precisa dizer "year" no plural porque a regra de plural não se aplica a palavras relacionadas à idade: o mundo parou um pouquinho por 3 segundos, nós alunos nos entreolhamos, alguém riu chocado. Só não levantei e fui embora porque morro de vergonha de largar um professor, ainda que péssimo, falando sozinho.

Resumindo um pouco a história pra não cansá-los, porque o horário do curso de inglês tem sido uma saga, voltei pra minha turma anterior. Prefiro chegar atrasada a ouvir asneiras, né? Descobri depois que os alunos da turma já reclamaram mil vezes, mas a direção está tratando a situação como se fosse um capricho de aluno. Sim, uma turma inteira de alunos caprichosos! Quando fui desfazer a troca, uma dessas caprichosas quase me abraçou quando ouviu que eu não ia permanecer na turma. Pediu que eu reclamasse com a coordenadora, que eu- elemento estranho na turma- reforçasse o que eles já tinham dito. A coordenadora não gostou quando eu disse "sem condições" umas três vezes e pediu licença pra atender o telefone quando a moça da turma de caprichosos contou a nova regra de plural que a professora nos ensinou.

Tem sido essa a minha vida no último mês, minha gente! Todo dia, todo dia mesmo, tendo que lidar com a incompetência e arrogância de empresas que tão recebendo muito dinheiro pelo serviço que prestam. É que ainda não contei das sagas dos meus novos óculos, da internet, do banco... Tô preferindo evitar a fadiga 

sexta-feira, 6 de março de 2015

Aquilo que também é amor

Durante todo esse tempo em que sou professora, ouvi o mesmo conselho: endureça. As pessoas dizem isso com todas as letras e cheias de boa vontade. Conheço profissionais dedicados e excelentes que repetem: endureça! endureça! endureça! É que a realidade da escola faz isso mesmo com a gente, deixa a gente defendida e cansada. Eu mesma passo os dias dizendo: não me contem as histórias trágicas! Não me interessam as histórias! Essa minha fala é absurda, eu sei, eu sei, eu sei. Eu bem sei que as pessoas  também são a sua história, o seu lugar, as pessoas que têm por perto, mas prefiro acreditar que é possível tratar algumas das pessoas de 12 anos que conheço como tábula rasa. Porque, amiguinhos, a vida é fodamente dura e existem coisas pelas quais as pessoas passam que a gente não consegue ouvir. Eu prefiro não ouvir, não me contem.

Uma aluna do nono ano me disse essa semana que eu tenho fama de alterada. Adorei a escolha do adjetivo. É uma boa alternativa ao escandalosa, maluca, chiliquenta, reclamona,chata.Sou chatíssima, é muito verdade. Se eu mesma tivesse que me definir como professora diria que sou péssima. Tenho a impressão de que aquelas crianças não entendem nada do que digo, e quando entendem fico perguntando se alguém já tinha ensinado antes pra elas. Todo dia eu entro na sala de aula e  acho que tô falando inutilidades pras paredes. Digo frases de efeito como: "nesse momento, não há nada na vida de vocês mais importante que esse ditongo" , mas eu não acredito nisso. Se me dessem a opção, eu seria só uma observadora. O ditongo e os acentos iriam pro inferno (vocês adultos e maduros  que estão lendo esse post também entregam ingenuamente suas vidas e seus  textos aos autocorretores.) Sentaria na minha cadeira bem localizada de professora e ficaria só observando. Esse modelo falido, ultrapassado e cagado de escola é um inferno, mas dentro desse inferno circulam e vivem pessoas e... cara, coisas deliciosas acontecem quando juntam um monte de gente num lugar.  A gente tende a pensar logo nas multidões ferozes, no ambiente de trabalho selvagem, na dureza das relações. Mas eu só consigo pensar no tanto de afeto, no tanto de calor e boa vontade, no tanto de aprendizado não formal que também estão na escola.

Esse ano, escolhi não pegar os mesmos alunos do ano passado. Foi uma escolha consciente. Eu não daria  conta de ver as minhas pessoas de 12 anos se transformando em adolescentes bem na minha frente. Não ia dar certo.Eu ia sofrer muito. Preferi que fossem pro sétimo ano sem mim. Tô aqui bem contente de receber os abraços que um e o outro vêm me dar; vou aproveitando os abraços enquanto a adolescência não aparece pra pulverizá-los. E são esses abraços, os acenos na escada, as visitas que recebo na porta da sala que me fazem perceber  que não sei endurecer. Prefiro não saber das tragédias e das durezas a endurecer.  Vínculos são uma coisa extraordinária, e essa minha profissão cansativa e maluca é danada de boa para torná-los possíveis.




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

"Todo mundo te conhece ao longe"

David foi a primeira pessoa a me dizer que tenho muito sorte. Eu nunca tinha reparado. Só fui prestar atenção depois que ele disse, mas nunca me acostumo com as surpresas boas que aparecem pra mim. Não quero me acostumar, porque surpresa feliz é bom, anima a gente.

Num mês em que pequenas chatices vão se avolumando, um raio caiu pela segunda vez no mesmo lugar: na minha cabeça. Lembram que em 2013 minha vizinha me deu fantasia pra desfilar na Mangueira horas antes do desfile? Pois bem, dessa vez, o presente veio na véspera. Passei pelo mesmo estresse de ser muito maior e mais gorda que a verdadeira dona da fantasia, mas dessa vez já estava escaldada.  A novidade desse ano ( tinha de haver uma novidade pra que a história não fosse a mesma) foi a chuva desabando sobre as nossas cabeças durante as duas horas de concentração e boa  parte 
do desfile. Fiquei ensopada, muito ensopada. A cabeça da fantasia parecia pesar uns 200 quilos. Precisei desviar das poças de água na avenida. Nunca imaginei que algum dia eu ficaria parada no meio da Presidente Vargas, enquanto raios cortavam o céu. Mas fiquei. E na hora em que anunciaram que finalmente era a vez da Mangueira desfilar, meu coração enlouqueceu como se eu jamais tivesse pisado no Sambódromo.  Não tenho nome pro que a gente sente nessa hora, não! Nem vou tentar explicar! Quem gosta de carnaval tem que experimentar!



Te desafio a tirar selfie bonita debaixo de chuva e com mil adereços na cabeça.

P.S.: claro que um longo banho de chuva teria um preço, né? Passei uma quarta-feira de cinzas ardendo em febre. Dormi quase o dia todo, mas acordei no momento certo pra me inconformar com aquele um décimo do Salgueiro e o amargo décimo lugar da Estação Primeira.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

As palavras resolveram fugir de mim. Não dou conta de articular um pensamento ordenado que seja. Uma tragédia! Mas vou me resignar, né? Se pro Drummond "lutar com palavras é a luta mais vã", imagina pra mim.

Um dia, mais cedo ou mais tarde, esse blog volta a respirar.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Brincando de Resenhar: A Metamorfose

Se me perguntassem hoje qual livro mais triste que já li, eu responderia sem pestanejar : A Metamorfose, do Kafka. Terminei de ler num dia ensolarado, à  beira de uma piscina, com música animada ao fundo, mas o meu sentimento ao fechar o livro era de desalento. Tô até agora com um nó entre o peito e a garganta.  Suponho que quase todo mundo já tenha ouvido falar de Gregor Samsa e a sua transformação. Gregor é um moço trabalhador que acorda numa manhã e descobre que seu corpo se transformou no corpo de um inseto.


Eu li A Metamorfose pela primeira vez aos 15 anos, e, como aconteceu com muitos livros que li na adolescência, apaguei totalmente  da memória. Eu não me lembrava de nadinha, então foi como se eu tivesse lido pela primeira vez. E me pergunto como é que eu pude esquecer um enredo tão doído e um texto tão bonito. É  provável que  tenha enfrentado dificuldades com a linguagem, tenha pulado várias partes e nunca tenha apreendido a profundidade do sofrimento de Gregor Samsa. A segunda leitura foi fluída, apesar da sintaxe um tanto árida. Me vi dividida entre a curiosidade e o desconforto. Uma parte de mim queria saber logo o que aconteceria com o homem que virou inseto; a outra parte sentiu muita angústia diante da situação do Gregor. 

A experiência com esse livro foi tão intensa que peguei um Agatha Crhistie pra dar uma desanuviada. Há muito tempo não lia Agatha, até achava que não voltaria a ler mais nada dela, aí esbarrei em A Extravagância do Morto. Como resistir a Poirot e Ariadne Oliver juntos? O enredo é aquele esquema previsível de mansão+grupo reunido pra evento+ ricaços+ blá blá blá, mas tô gostando. Depois conto pra vocês se é legal.


 




sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

I turn to you

1999 foi o ano em que tudo mudou.

Entrei na escola que me daria algumas das pessoas fundamentais pra minha vida hoje, conheci a minha amiga mais antiga, rompi um laço que nunca se refez. Não tenho saudade daquele ano, não sou nostálgica em relação à adolescência. Na verdade, dou graças a deus que o tempo tenha passado tão rápido. Ter 15 anos não foi legal.

Daí que 1999 emergiu da minha memória por causa dessa música:





Eu ouvi I turn to you à exaustão e  amava muito a Christina Aguilera.  Faz uns 3 dias que essa música e o primeiro cd da Xtina não saem da minha cabeça. Voltei a deitar no chão da sala e cantar: " For  a shield from storm/ For a friend for a love/ to keep me safe and warm/ I turn to youuuu". A diferença é que, em 2014, eu  uso o Spotify. Não tenho ideia de que fim levou o cd de 1999.

P.S.: O que a Christina canta hoje em dia, hein?  Só conheço Beautiful.