quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O último de 2010

Eu disse que só voltaria ao Fina Flor em 2011, mas como o que digo não se escreve, voltei rapidinho, para fechar 2010 assim:






Pode vir com TUDO 2011!

P.S.: Essas são fotos de praias de Rio das Ostras e, acreditem, foii euzinha quem as tirou. Milagres fotográficos acontecem! =p

sábado, 25 de dezembro de 2010

Noite Feliz e Feliz 2011!

Neste Natal, telefonei para assistente do Papai Noel a pedido de 3 crianças que não aguentavam mais esperar o Bom Velhinho chegar.

Arthur quis saber o nome da tal da secretária.  O nome da moça é difícil de falar. 

 " Ô, assistente do `Papai Noel não tô conseguindo entender o seu nome. Grshwy... o quê?"

Paulo Victor quis falar com ela.  

" É mesmo? A  senhora não fala com crianças? Vou avisar às crianças aqui que têm outras pessoas ligando pra cá."

 Quando o Bom Velhinho chegou, Arthur cismou que o Papai Noel era a Tia Rê e que a barba dele tava quase tampando  os olhos. Foi difícil contrariar o menino. Ele tinha uma certa razão, especialmente quanto ao alter ego do Papai Noel.

Depois que Papai Noel foi embora, Paulo Victor achou a justificativa perfeita pro atraso dele: " Eu acho que ele demorou porque não tava achando a cueca."

Será que a gaveta de cuecas e meias do Papai Noel é muito bagunçada? 

***

Se tudo sair do jeitinho que planejei,  a gente só se esbarra novamente em 2011. Então, não comam muito no Revéillon para que não tenham piriri, não fiquem em casa assistindo ao  Show da Virada, tomem uma taça de sidra, champanhe , suco de uva, água mineral  por mim,  façam no primeiro segundo do ano aquilo que querem passar 2011 inteiro fazendo ( dizem que funciona =p) e ... inté!




quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Reeditando...

Rasgando o diploma

Por conta de uma tremenda falta do que fazer, me meti num exercício narcisista: dei uma lida nas coisitas que já escrevi por aqui.


Muitas horas de leitura atenta depois, surgiram algumas perguntas que não posso calar:



1-Onde foi parar minha capacidade de revisar o que escrevo? 
2-Pra que serviram as horas de aulas de digitação no cursinho de informática que fiz em 1998 ( sim ,eu fiz aula de digitação), se sou um prodígio na arte de " comer " letra e acentos?
3- Será que ando achando que Coesão e Coerência é o nome de uma boa dupla de música sertaneja?
4-Será , então, que Gramática é o nome de uma atriz pornô?



Esperem só um segundinho que vou ali rapidinho dar uma rasgadinha no meu diploma.



P.s.: Juro solenemente que , nos escritos do dia-a-dia, sou muito mais afeita ao rigor gramatical e à boa redação.



P.s.2: Pensei em jurar solenemente que , de hoje em diante,  tudo o que aqui for postado passará  por um rigoroso trabalho de revisão, devidamente fomentado por consultas ao Aurelião, Celsão Cunha, Becharão,MAS só de falar me dá uma preguiiiça. Façamos assim: vcs ignorem todas as atrocidades que eu cometer. Combinado?



P.s.3: Juro também que conheço e sei usar com alguma regularidade outras conjuções além do " MAS". Acreditem! De vez em quando, até solto um "malgrado"... Bem, é mentira, meus tempos de bestice vernacular já passaram, juro! =P


23/12: as desculpas que eu queria pedir já foram pedidas antes, portanto reeditei o post de 08/04.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sonhos, poemas e rabiolas

Acabei de contar pro André, vou contar pra vocês também.

Sonhei que um dos meus alunos daquela turma  fofinha  era contratado pra revisar um livro do João Cabral de Mello Neto, mas,  em vez de fazer o trabalho, o moleque pegava as páginas com os poemas do Cabral e fazia uma rabiola pra pipa.

Não é poético?


Acho que meu inconsciente tem uma vibe meio Mário Quintana... =p

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dezembro, 01

Enfim, é dezembro!










FÉÉÉÉÉRIAS!

Foi assiiiiimmm...

Faltam 5 horas pras minhas férias.

E não paro de ouvir isso daqui:




Quando Rainha da Sucata ocupava o horário nobre da Globo, eu  estava no C.A. e minha grande diversão era copiar o dever do quadro, cantando essa música em dueto com uma das minhas coleguinhas.

Criancinhas também sentem dor de cotovelo?

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um post bobo escrito por uma pessoa chata

Sabe o amigo oculto? Então, ganhei um monte de presentes. Pra ser mais exata 4: um do amigo oculto do ano passado, um da ex-amiga oculta desse ano, dois da amiga oculta.

A amiga oculta desse ano é aquele amiga perfeita, aquela pessoa que você diz: " Existe mesmo?". Porque não é muito justo que uma mulher seja  tão esperta, tenha uma pele tão bonita daquelas e um sorriso meio ofuscante e ainda  te dê os melhores presentes. É, no meu niver, a amiga oculta deu um jeito de fazer uma cópia exata do livro de aventuras do Up - Altas Aventuras. Não entendeu? Ah, gente, por favor, veja Up. Sério! Veja!  Eu fiquei uns dez minutos chorando depois que o filme terminou e mais uns dez minutos sem palavras depois de ganhar o meu próprio livro de aventuras.

Ontem, recebi um balde enorme para pipoca, a décima temporada de Friends e fotos lindas. Só que nada disso veio assim simplezinho ,embrulhado e pronto. Teve uma breve imitação de programas de venda na tevê, sorteio só com o meu nome, nossas fotos substituindo as fotos dos atores na capa dos dvds.

Uma outra amiga diz que ganho um monte de coisa assim porque sou mimada e fico perturbando a vida de todo mundo antes da entrega dos presentes. De fato, fico fuçando as embalagens dos presentes só pra ver qual vou querer ganhar. Claro que uso minha condição de  filha única criada com a vó para justificar minha ânsia pra ficar com o embrulho mais lindo. É, já que o estigma de filha -única -mimada me acompanha mesmo depois de velha,velha, me aproveito bem dele e fico lá falando: " Ah, sei que o meu presente é esse que tá nessa sacolinha branca com bolinhas vermelhas. Ah, tãooo linda! Eu quero!". 

Já os presentes que dei não agradaram tanto. Sou péssima pra presentes, ainda mais se não conheço muito bem os gostos da pessoa. Meu amigo oculto "semigostou" dos filmes, mas fiquei meio decepcionada depois que a minha ex-amiga oculta disse que As Bicicletas de Belleville é muito chato. Ah, eu escolhi esse com a certeza de que meu amigo, um fã de animação, iria amar... 

***
Daí que hoje sentei pra ver  a décima temporada de Friends. Não deveria ter feito isso, porque tá calor, minha pressão tá 11 por 6, passei o dia cumprindo burocracias escolares, precisei me obrigar a ir até o trabalho e meu humor  parece estar influenciado pelos hormônios  - ou talvez pela lua cheia, vai saber. Fato é que choro vendo a décima temporada de Friends. Era pra rir, eu sei. Tem um monte de coisa pra rir lá, mas eu choro porque tá acabando, porque o casamento da Phoebe é lindo, porque Ross vai atrás da Rachel, porque os gêmeos nascem, porque...

Hoje, acho que surtei de vez. Vi o episódio em que Monica e Chandler compram a casa e garantem ao Joey que ele terá um quarto só dele na casa nova. Pronto! Foi o estopim. Cheguei à conclusão de que não sou mais a Monica; eu sou o Joey.

Sempre achei que  se eu tivesse que ser um dos friends, seria a Monica. Não tenho aqueles olhos azuis, não sei cozinnhar perus e  cookies, mas  me afinizo tanto com aquele jeito enlouquecido de ser da Geller. Só que me dei conta de que sou o Joey.

Já vejo os amigos construindo quartinhos pra mim em suas casas. Assim será minha velhice.

***

Eu avisei que o papo por aqui  tá bobo ( mais do que o habitual)

Parte dessa bobice toda  se deve a um capítulo de Amor Líquido, do Bauman. Cês já leram? Não sei pra que fui comprar esse livro. Não  faz bem ler sobre a fragilidade das relações, sobre " a insegurança inspirada por essa condição estimula desejos conflitantes de estreitar esses laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos". Não faz!

Ô, agora vou ali comer e olhar a lua.

Já olharam pro céu ? A lua tá um escândalo.




sábado, 18 de dezembro de 2010

Coração do Agreste

Nunca estive no agreste; só li um livro do Jorge Amado e não gostei; não sei qual é o sabor de regressar; ainda não amei homem nenhum;  eu era muito pequena quando Beth Farias balançava os lenços de Tieta.


Mas faz dois dias que essa música não sai da minha cabeça:







"Regressar é reunir dois lados
À dor do dia de partir
Com seus fios enredados
Na alegria de sentir
Que a velha mágoa
É moça temporã
Seu belo noivo é o amanhã
Eu voltei pra juntar pedaços
De tanta coisa que passei
Da infância abriu-se o laço
Nas mãos do homem que eu amei
O anzol dessa paixão me machucou
Hoje sou peixe
E sou meu próprio pescador
E eu voltei no curso
Revi o meu percurso
Me perdi no leste
E a alma renasceu
Com flores de algodão
No coração do agreste
Quando eu morava aqui
Olhava o mar azul
No afã de ir e vir
Ah! Fiz de uma saudade
A felicidade pra voltar aqui






Ah, Fafá, precisa cantar tão bonito assim?




Ainda serei meu peixe e o meu próprio pescador. Serei!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Meu amigo oculto é ...

Pra mim, hoje, é dia 30 de novembro. Não, o dezembro mágico ainda não começou. Só serei realmente natalina depois dos conselhos de classe. Até lá, novembro se arrastará  leeento, queeente, chaaato.

Faz um calor danado, mas nada de sol. E tem como ser feliz e sorridente sem sol? Não tem, não tem! Eu preciso de sol, de céu azul, ambos me intimando a ser legal e simpática. Dias foscos  me autorizam a ser chaata e  mala sem alça.

***

Então, estava aqui mandando uns recadinhos secretos para o meu amigo oculto. Olha, eu me recuso a chamar amigo oculto de amigo secreto. É amigo oculto e ponto! E eu amo brincar de amigo oculto. Já houve anos de participar de uns 8; nesse ano, são apenas 3.

Tem o daqui da família : roubada anunciada e garantida.  Só pra terem uma amostra da impossibilidade de se ganhar  presentes felizes no amigo oculto da família : há uns cinco anos, meu tio (pessoa muito bem -intencionada,mas de gosto um tanto.. hã... bem...) deu pra minha prima um tênis preto, abóbora e prata. Não, não era um calçado bonito. A listra prata era igualzinha aquelas que são colocadas nas roupas das pessoas que trabalham à noite, nas estradas. Associaram?  Daí, minha prima enfiou o tênis no fundo armário e só achou num dia em que faltou luz e a listra prata era a única coisa  visível na escuridão.

O tênis é apenas um dentre os muitos presentes- roubadas que surgem na noite do dia 24 aqui em casa,mas o amigo oculto da família é uma tradição. Sentem pra falar disso com a minha vó. Já cansei de ouvir: " Você nem sonhava em nascer e a gente já brincava debaixo do pé de abil ( ou seria abiu? Não tenho ideia do que seja esse troço =P)..." ZZZZZ

***
Tem o das # bandidas. Esse é só de livros e os presentes chegam pelos correios. Ganhei de uma das bandidas ( cuja identidade não revelo nem por um decreto. Só digo que o amigosecreto.com gosta muuito de mim e que minha amiga não pronuncia " bandidaxxxxx" que nem eu.) 3 livros. TRÊS! Quase chorei, quando o moço da Saraiva bateu aqui na porta de casa.

O presente da bandida que sorteei ainda não chegou. Eu não tô levando muita fé que ela  não tenha descoberto ainda a minha identidade. Não é possível, porque meus bilhetinhos secretos são tão óbvios - pelo menos , eu acho, amiga! Algo me diz que essa bandida que eu tirei tá me enganando e não o contrário...=p

***

E tem o da biodança ( um dia, eu explico o que é biodança):  a entrega ainda não aconteceu. Se nada mais der errado, nos reuniremos na casa do Raul no domingo de manhã ( Sim, vc não leu errado! DOMINGO DE MANHÃ!) É que Fabrício e eu faremos uma prova, então o povo que nos ama (Fernado e Rennan disseram que não conseguem ver sentido sentido no amigo oculto sem a minha presença e a do Fabrício. Ounn, né? A Sussu disse a mesma coisa, mas ela não conta porque Fabrício é marido dela e amor é um troço que  vem no pacote dos casamentos) topou trocar almoço por café da manhã e vamos que vamos! 

Esse ano, o presente é filme. Uma temática um tanto decadente ( ei, já tô vendo a Borboleta planejando me matar depois que eu disser que fui uma das que não queriam ganhar  filme. Faço o que com um dvd, meu Deus? =p Mas tuuudo bem, em nome da democracia, ganharemos filmes) considerando que ,nos anteriores, nos demos canecas (ah, eu amei o amigo oculto de canecas!), camisetas personalizadas ( não levava muita fé nesse troço de camiseta - feita- especialmente- pra - você, mas fomos todos felizes.) e fantasias. Ah, meu amigo oculto favorito foi o de fantasias: teve bruxa, capetinha, Mortícia, Elvis Presley, pirata, bicho grilo, pintora, Velho - do -saco ( eu tirei o Diego , a grana era pouca,então fantasia-lo da mais aterradora das lendas urbanas foi a minha solução) ; eu acabei  fantasiada de Gato Preto. Era pra ter sido Estátua da Liberdade, mas Rennan viajou de última hora e eu fiquei com a fantasia que a Sil fez pra ele.

Até hoje, a máscara e o rabo do gato ( feito de poá preto e prateado) tão aqui na minha gaveta. 

Um dia, eu cresço e jogo  a fantasia fora. 

Um dia, meus amigos e eu cresceremos e faremos um amigo oculto de ... ah, Não sei! Como é mesmo  que os adultos de verdade fazem amigo oculto? =p

P.S.: Esqueci de perguntar: Cês gostam de amigo oculto também?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Querido Papai Noel,



Cancele aquela imensa lista que lhe enviei. A partir de hoje, desse instantezinho, quero que me mande de presente todos os livros da Inês Pedrosa. Pode encaixotar e mandar um de seus ajudantes me entregar quaisquer das coisas que essa mulher tenha escrito. Estarei sentada no quintal de casa, com um copão de Nescau gelado na mão, esperando que as palavras dessa escritora caiam no meu colo e eu me afogue enlouqecida e prazerosamente nelas.

Assim que meus presentes chegarem, lerei cada um deles vagarosamente, em voz alta,  desfrutando da beleza e dos efeitos que as palavras neles impressas provocam na minha língua, nos meus ouvidos, em mim.  Livre dos prazos e da necessidade de consultar cada palavrinha desconhecida, vou me refestelar nos escritos da Inês e repetir vezes sem fim os parágrafos mais lindamente engendrados.

Papai Noel, se for possível,  traga a Inês aqui em casa, só por um segundinho, para que eu possa lhe dar um beslicão. É, vou beliscar a Inês, porque só consigo comunicar meus sentimentos violenta e dramticamente  e não vejo mais nada adequado a se fazer com alguém que me fez chorar por três dias quase inteiros do que beliscar.

E que fique claro, Papai Noel, minhas lágrimas nada têm a ver com os meus lamentos pré-natalinos que o pessoal do Fina Flor já conhece. Nada disso. Chorei de  os óculos  tortos de embaçarem porque  as coisas bonitas do mundo fazem a gente chorar; não tem jeito.

As palavras da Inês se encaixam nessa categoria,viu!

Tô te esperando,hein, Noel!

Ju

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Modo mimimi:ativado

Dormi em cima dos óculos(e agora eles tão tortos), meu pescoço tá travado ( mover a cabeça pro lado  tá parecendo uma tarefa por Hércules), conselhos de classe chegando ( ODEIO conselho de classe), preciso terminar um livro liiindo mas cheio de palavras impossíveis,  tem gente fazendo chantagem emocional gratuitamente ( ah, sou fraquinha, fraquinha pra chantagens. Ainda não aprendi a sorrir, acenar e ignorar).

Ufa! Me deixem fazer mimimi com vocês? Reclamar no blog é melhor, porque não corro o risco de quebrar a minha meta da semana: não emitir minhas opiniões em situações que não me dizem respeito, que não vão me afetar, que não me trarão rios de dinheiro.

Mas eu não consigo sublimar o desejo de  pedir coerência, meu Deus! Só coerência! Eu nem deveria estar  me estressando tanto, mas a pessoa implicante que há dentro de mim precisa alimentar sua fome de encontrar justificativas para aquele " ó, eu sempre disse que essa criatura não prestava. Eu disse!".  Ai!

Ah, e tem também as provas de recuperação. Eu odeio fim de ano escolar! Odeio! Cara, como faz pra escrever lá na fichinha: "INAPTO"? Acho que vou mandar as notas pra um de vocês juntamente com a minha senha do sistema e vocês decidam aí quem vai fazer o trabalhinho malvado no meu lugar. Os cálculos tão feitos, só falta  o conselho de classe ,e depois lançar as notas e os resultados. É simples!  

Meu colega tava me ensinando o truque de não ler os nomes dos  alunos na hora de calcular as notas, mas isso é furada! Eu vi a cara do meu colega hoje, corrigindo as provas. Esse mundo tá cheio de professores com coração  molenga!

Ai, tá bom! Acho que já chega! Se eu começar a desfiar todo o rosário de lamentações ( morar com a vo dá nisso: a gente aprende umas expressões do tempo do ronca. Ops! Outra das expressões da vovó!), corro risco de vocês desaparecerem todas de uma vez.  

 Ei, será que tô aprendendo a fazer chantagem emocional também? =p

Tchau procês!

Obrigadinha pelos cinco minutinhos de desabafo.

Um dia, eu volto. Um dia, será dezembro de fato e eu poderei falar do medo que eu tinha de Papai Noel , quando eu tinha cinco aninhos, ou dos amigos ocultos de que estou participando, ou  da passagem  que finalmente consegui comprar, ou de como as minhas unhas tão lindas... Por enquanto,  ainda é novembro no meu calendário interno.

Tão vendo como eu  quero ardentemente voltar ao trabalho? Tão vendo?

Mas eu vou... Tô indo... Tchau....

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Rapidinha

Adivinhem o que as aluninhas me disseram hoje, ao descobrirem meu sobrenome.

Ah, alguns de vocês não sabem meu sobrenome... Mas vão deduzir depois dessa brilhante observação:

" Ah, fessora, a senhora podia ser irmã do Luan Santana"

É mesmo? Não, obrigada! =P

sábado, 11 de dezembro de 2010

Fina Flor em 7 posts

Na falta do que dizer, recorro a um meme veeelho, mas que sempre tive vontade de fazer.  O lance é bem simples:  escolher sete posts do blog, conforme as orientações dadas.

Vamos lá!

1- Meu primeiro post:

"Antes eu achava que  ter um blog era o mesmo  que " botar a bunda na janela para  alguém passar a mão nela" , como diria a música do Gonzaguinha. Mas como escreveu uma outra poeta, Cecília Meirelles, " até as pedras mudam" , então mudei de ideia. Blogs não são divãs. Esses deliciosos espaços virtuais são ,na verdade, uma janelinha para um mundo muito maior que aquele ao qual estamos circunscristos fisicamente. 

Pois bem, o Fina Flor é a minha janelinha, na qual estou debruçada acenando simpaticamente para os conhecidos e os desconhecidos. Uma janelinha bem bonitinha , com tulipas no parapeito e cortininhas de renda!!!! : )"   Continua aqui


O primeiro post do Fina Flor é de 28 de dezembro de 2009. Ó, quase um ano...  Passou rapidíssimo!


2- O post que mais gostei de escrever:

"Não sei nada sobre SER mãe ou pai; minha experiência se limita a TER pai e mãe. Do alto dos meus 26 imaturos anos de idade, só posso dizer que não deve ser fácil ser pai ou mãe de alguém ( ser filho também não é tarefa das mais simples). Imagino  o que se passa pela cabeça e pelo coração de alguém, quando descobre que vai , para sempre, influenciar diretamente a vida de uma pessoa que nem conhece, cuja companhia não tem direito de escolher. Porque pai e mãe não escolhem  o filho que terão, não decidem se aquela pessoa será interessante e divertida, não podem simplesmente  se cansar de  um filho chato e arranjar outro, assim como fazemos com amigos,amores, conhecidos. Ter um filho, me parece, é como dar um tiro no escuro, é fazer um contrato de amor vitalício, pra sempre, sem garantias." Continua aqui

Na verdade, não é o post que mais gostei de escrever.  Esse é o post em que  depositei muito das minhas emoções e aquele que costumo reler.

3- Um post que deu origem a um excelente debate:

"Hoje fiz uma boa tentativa para ser um “adulto de verdade”. Sabem como é, “adulto de verdade” recebe os amigos em casa pra almoçar e conversar e não para ver Friends e comer pipoca,né?Três amigos daqueles mais –que – amigos- quase –irmãos vieram aqui almoçar. Meu plano secreto era que eles me livrassem dessa macambuzice que tem me deixado inquieta desde ontem. Amigos- mais- que –amigos- quase- irmãos  são tão eficientes nessa tarefa, ainda que nem percebam..." Continua aqui

Não foi o exatamente um debate o que surgiu a partir desse post .  Acho que o termo que a Monalisa cunhou define melhor: " blogagem coletiva espontânea". Nunca imaginei que  tanta gente fosse se  identificar com as minhas frustrações com a adultice. O post fez o maior sucesso - entre  as # bandidas e alguns amigos, mas fez , tá? =p

4- Um post publicado em outro blog que eu gostaria de ter escrito.

São tantos posts dessa blogosfera que eu queria que tivessem saído da minha cabeça, tantos, tantos, mas vou escolher um que me fez chorar, que disse aquilo que eu não sabia dizer, que mandei pro André  por e-mail e  o deixou assombrado que nem eu.


"Fico pensando que somos como cidades enterradas. Quando as ruínas são encontradas encontram também os cemitérios, os resquícios de belezas que existiram. Quando essas ruínas são descobertas, ficam abertas. Mas elas nunca serão inteiramente decifradas. E outras catacumbas vão aparecer ora ou outra. E tudo bem.

Quase toda dor vem daquilo que a gente não sabe. Essa que eu sigo vivendo também vem. E por isso que ela dói tanto. Porque tudo que eu quero agora é uma palavra que diga." Continua no blog maravilhoso da Ge, O ângulo mais bonito

5- O meu post mais útil:

Eita, esse é difícil! Acho que não escrevo nada de útil! Vou pular!

6- Um post com um título do qual estou orgulhosa:

No corpo nu da constelação
"Quatro da manhã. Meus olhos paralisam, escandalizados com a beleza de um céu tão alto e tão crivado de estrelas. O Cruzeiro, a Dalva , todas outras tão brilhantes e intensas como que ao alcance das mãos. Ao fundo, o Cristo longínquo, a Igreja da Penha, o aeroporto , o Fundão ,mas é o céu que me atrai, quase me cega, tira o fôlego. Tudo é mais bonito visto assim." Continua aqui

Esse texto não era originalmente um post pro blog e eu nem me lembrava de que ele estava por aqui. O título é um verso de uma música do Vitor Ramil que conheço na voz da minha queridíssima Maria Rita. Eita, música boa! Eita, lembrança boa!


7- Um post que eu gostaria tivesse sido lido por mais pessoas:

"Às vezes, a gente fica mesmo parado na porta da doceria resmungando ou tenta convencer a pessoa que faz os doces a fazer unzinho a mais só pra gente. Fica lá, dando murro em ponta de faca, fica lá achando que vai só vai ser feliz, se comer um docinho, minha vida por um doce, minha felicidade há de ser açucarada.

Não sei se tava  na crônica, não sei se li em outro lugar, não sei se eu inventei agora, mas ando pensando nessa frase: “ crescer é agir conforme a realidade e não de acordo com as nossas expectativas”. Beleza! Acabei de inventar a pólvora,né? Jura, Juliana, que você acabou de descobrir isso? Cassia Eller cantava um verso mais bonito que essa frase: “ Bobeira é não viver a realidade”. D. Quixote e seus moinhos de vento são imagens escandalosamente bonitas para isso aí." Continua aqui

Outro post que vivo relendo. É um recado  meu para mim mesma,acho.



***

Memezinho cansativo esse, mas divertido também.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pra dizer " eu te amo"

A Teresa  propôs uma blogagem coletiva, para que se respondesse a esta pergunta: " Como é que se diz : Eu te amo"?


Fiquei toda empolgada com a ideia  ,mas hoje não tô  muito no clima amoroso,não. Como não quero ficar de fora da blogagem, vou me render ao Rei  e a uma de suas letras mais lindas:







Presta atenção nessa declaração de amor, gente! Tem coisa mais linda do que ouvir " Olha , você tem todas coisas/ que um dia eu sonhei pra mim/ a cabeça cheia de problemas/ mas eu não me importo/ eu gosto mesmo assim/ tem os olhos cheios de esperança/ de uma cor que ninguém mais possui" ?

Se alguém esbarrar por aí com meu príncipe encantado, não deixe dizer a ele que  o segredo pra me conquistar está nesses versos, tá?  



 P.S.: E Ivete, né?? Ahhh, Ivete! Respeito o Roberto Carlos, mas Ivete Sangalo cantando essa música é um escândalo.

Julianinha paz e amor

Sutileza nunca foi meu forte. Talvez o meu jeitinho tratorzinho de ser seja um pouquinho atenuado pelo  o fato de eu estar sempre sorrindo, rindo , gargalhando, morrendo de dor de barriga de tanto rir. Porque sorriso facilita as coisas, aproxima pessoas, até garante beijos babados vindos de criancinhas fofas.

Mas, na falta do  sorriso e do bom humor,  sobram somente a incapacidade de medir as palavras, de guardar pra si o que ninguém perguntou e a boa e velha mania de   achar que tá certa, sempre certa, mais que certa, amém. Juro que as minhas intenções são sempre boas, juro. São mesmo! Não tenho paciência pra quase nada, especialmente para o que causa tristeza e angústia seja em mim ou nos outros. Então , quando  proponho soluções infalíveis para os problemas alheios, juro que sou movida por essa vontade de que tudo esteja bem  sempre e sempre.

Só que ultimamente, não sei o que tá havendo que tudo que eu falo gera briga. Ando com medo de abrir a boca, porque se abro,  as reações ao que digo escapam ao efeito que eu pretendia. Se digo "a", a pessoa entende o alfabeto inteiro. Se digo o alfabeto inteiro, aí, meu irmão, o mundo acaba. E eu fico boiando, tentando acompanhar, sem sucesso ,o raciocínio alheio.

É verdade que os sorrisos e o bom -humor ainda não me encontraram nesse dezembro esquisito. Mas fico aqui me perguntando se , de fato,  careço tanto de suavidade e sutileza assim. Será que desenvolvi tão bem o meu senso de autodefesa que  por fim  o que era só um jeito de " viver nesse mundo de mágoas" acabou  se tornando um hábito, uma rotina?

Se eu ,de fato, acreditasse em astrologia, horóscopos e afins, diria que Marte está agindo sobre os meus chacras superiores e pressionando aquele botãozinho que me faz impulsiva, brigona e intolerante. Só pode ser... Só pode!

Alguém me diga  que rota de que planeta preciso alterar para que meu dezembro seja leve, por favor!

***

Levei Clarice comigo hoje no ônibus e relembrei por que  eu sempre achei que só ela me entendia:

"Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. (...)Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso." 

Peguei A Descoberta do Mundo pra reler. Cês já leram? Ah, eu bem acho que tem que ler e reler, reler, reler.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Trilha sonora

Comecei  o dia de ontem assim:


"See the storm is broken
in the middle of the night
nothing left here for me
it's washed away
the rain pushes
the buildings aside
the sky turns black
the sky
wash it far
push it out to sea
there's nothing left here
for me
I watch it lift up to the sky
I watch it crush me
and then I die"

 


Deu medo, quando essa música do Moby começou a tocar do nada no media player, enquanto eu lia os e-mails de manhã. Tudo a ver com o meu estado de espírito...Medo!




Mais tarde, descendo a rampa do colégio, me peguei cantando essa:
"Meu amor
Ah se eu pudesse
Te abraçar agora
Poder parar o tempo
Nessa hora
Prá nunca mais
Eu ver você partir
Meu amor!.."


 

DANIEL??? COMO ASSIM??? Eu não sei de nada, só sei que esse refrão não sai da minha cabeça; não consigo parar de cantar. Não consigo! Preciso parar de cantarolar essa música que eu nem sabia que sabia. 

" Qualquer dia 
Qualquer hora
A gente se encontra
seja onde foooooor
Pra falar de amoooooor"

Preciso parar!

" Pra matar a saudade da felicidaaaaade"

Preciso! =)








segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Meme do dia

Para poupá-los do mimimi nosso de cada dia, vou postar um meme. Esse chegou até mim através da Borboleta. Já tinha respondido faz tempo, mas ia me esquecendo de postá-lo até que vi as respostas da Rita.

07 coisas pra fazer antes de morrer:
Andar umas cem vezes na maior montanha russa do mundo
Fazer doutorado
Antes de Saramago morrer, conhecê-lo entraria na minha lista. Agora, me contento com conhecer a  ilha onde ele viveu
Viver um amor desses pra vida inteira
Nadar nua no mar. ( é um troço meio besta, mas considerando que sou cheia dos pudores e não sei nadar...)
Terminar de ler D. Quixote
Escrever um romance policial

07 coisas que mais digo:
“ Cara, eu falei isso? Nem lembro!”
“ Mas tu já não sabe que o  que eu digo não se escreve?”
“ Olha, eu não  vou/ como/ experimento/ abro / seguro / qualquer verbo neeem morta!”
“ Para de drama!”
“ Eu provavelmente estou exagerando...”
“Ô, pessoas! Dá pra vocês falarem mais baixo?”  ( adivinhem pra quem eu mais falo isso?)”
“ Ai, Pai!”


07 coisas que faço bem:
Comidinhas
Dar palpite na vida alheia
Tagarelar horas a fio
Achar livro barato e interessante em sebos e feirinhas
Segundo Paulo Victor, massagear a barriga dele com os meus pés
Fazer charme, claro! ( Ou incrível arte de convencer todo mundo de que o mundo está mesmo caindo na sua cabeça. Ou a maravilhosa habilidade de dizer “ Ah, eu não sei o que fazer dessa minhas vida!”)
Compor músicas de sucesso no chuveiro.


07 defeitos meus:
Humor e vontade flutuantes
Eterna insatisfação
Tendência extrema ao exagero exagerado
Alto nível de exigência com tudo, com todos e comigo mesma
Prepotência disfarçada de  gentileza e empatia
Pés eternamente fixados na lua, nas estrelas, na poeira cósmica, lá no infinito...
Falar sempre muito, tanto e o que não deve.

07 qualidades minhas:
Dou dois suspiros antes de falar a primeira coisa que vem na minha cabeça. (Não funciona muito, mas até acho que  sou uma impulsiva equilibrada! =p)
Qualquer coisinha me deixa animada, ligada em 220 volts.
Minha intuição é sinisssstra!
Me importo de verdade com as pessoas
Mudo de ideia  e de opinião sempre que necessário
Minha esperança nunca morre


 07 coisas que amo:
Um montão de gente
Morango
Manhãs  de domingo ensolaradas
Poemas de amor
Poder fazer a primeira coisa que passar pela minha cabeça
O mar, praia, sol o dia inteiro
Livros
Bibliotecas gigantescas
A voz do Paulo Victor ao telefone
Aconchego
( ops! eram 07,né? Xiii! =p)


Só pra cumprir tabela, vou fazer de conta que indiquei o meme pra  7 pessoas.  Façam de conta junto comigo, ok!








domingo, 5 de dezembro de 2010

O taxista zen,a passageira descompensada e os corações insubstituíveis

Ontem o taxista olhou pra mim  sorrindo, depois que eu disse que a Rua do Lavradio ficava no Flamengo e que  estava duas horas atrasada. Ele já devia ter começado a rir desde o momento em que sacudi minha bolsa freneticamente assim que vi o carro dele , porque, afinal, eu estava em frente ao Campo de Santana  e não queria correr riscos de perder meu pouco dinheiro.

- Ei, menina! Fica calma!  Não vale a pena se estressar por pouco. Olha só esse solzão lindo lá fora! Fica tranquila que  vão estar  te esperando.

Respirei fundo ,né? Considerei se valia a pena dizer pra ele que eu não tenho saco pra papo de  " relaxa e goza" ou se deveria mandar que calasse a boca e  dirigisse. Preferi dar voz à bondade que há dentro de mim e ofereci a ele o meu melhor sorriso:

- Eu tô calma! Tenho certeza de que se eu estivesse nervosa, quem estaria dirigindo esse carro seria eu e não o senhor.

Ah, nem vem,né? A pessoa  faz dois anos de tratamento pra ansiedade,passa quase uma hora cantando  todas as músicas da Maria Rita num engarrafamento em pleno sábado à tarde e tem que ouvir sermão? Ahhh, não, moço! Fica calado aí!

Mas ele não ficou, claro!

- Ah, menina, eu não fico nervoso à toa,não. Tenho só um coração e se ele acelerar muito, eu não vou ter outro pra substituir. Você deveria fazer o mesmo que eu. Não dá pra substituir coração,não!

Mal sabe ele que eu ando com um coração-estepe no bolso. 


***

Juro que sou uma pessoa que gosta de tagarelar com desconhecidos, mas por que todo taxista com quem esbarro nessa vida tem que falar, falar, falar e falar?  Já  topei com um que quase acreditou que  André era famoso e nos falou de seu sobrinho "cantador" de pagode,  um outro que ficou falando de toda sua vida afetiva e fez questão de frisar que morava perto da minha casa, um outro que disse que Tiago tava em plena decadência, um outro que quis saber quem eram os moços que tinham esperado que eu entrasse no carro, um outro que  errou o caminho porque não acreditava no GPS e ficou lá enchendo o meu saco com um papo de  que GPS é " máquinas do mal".

Mas o que eu adoro mesmo é a frase " Por que uma moça tá andando de táxi sozinha a essa hora?". É, né, porque   o tempo em que uma mulher precisava estar sempre acompanhada de modo a  não dar motivos para falatórios ainda não passou.

***

Ah, e só pra garantir: esse é um post bem -humorado, viu?

É que ultimamente ando com medo dos efeitos das palavras escritas. Nada a ver com vcs, claro, mas  estou numa fase em que começo e-mails, tuítes, SMS, bilhetinhos na porta da geladeira com  o aviso de que " sou da paz, sou do amor e não fomento brigas virtuais ou reais."

Num entenderam nada,né? 

Xá pra lá! =p

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Na sala de aula

Atenção: eu falei pra caramba,hein? =p



Pronto! Parei de chorar. ( mentira! ainda dou uma lacrimejadinha ouvido The way you look tonight, mas tudo bem!) Bem, agora preciso dar um jeito de recuperar minha fama de má , porque post sobre choradeira e alunos bonitinhos só contribuem para que vocês desconfiem de que há um coração de maria-mole batendo no meu peito.

Brincadeiras  à parte, achei tão bonitinho que algumas pessoas ficaram tocadas pelas coisas que escrevi sobre meus alunos do sexto ano. A Liliane até disse que ler meu relato pareceu  providencial. Eu , de fato, gosto muito daquelas pessoas e costumo ser " derramada" em relação a quem me cativa, mas , vejam bem, nem sempre dar aulas é divertido e eu tô longe de ser uma profissional focada e madura, viu? hehehehe

É que não conto aqui no Fina Flor, mas já cansei de me irritar profundamente com os alunos. Tenho a maior dificuldade em separar as coisas e acabo me envolvendo  demais com os problemas, me identificando demais com um e outro. Esse semestre, peguei uma turma do noturno que simplesmente me despertou raiva. Todas as vezes em que eu entrava na sala,me dava raiva. Raiva porque eles reclamavam de tudo, porque  queriam ir embora mais cedo, porque faziam umas brincadeiras babacas entre si  e , especialmente, raiva porque eles pareciam satisfeitos com o nível baixíssimo de exigência que a escola fazia. 

Explico: num supletivo noturno, o professor tem que fazer escolhas no que diz respeito ao conteúdo; o tempo é curto e os interesses são variados. De modo geral,  a gente opta por trabalhar bem uma parte de uma matéria  e  realmente ignorar o restante. Detesto fazer isso, mas acaba sendo necessário. A questão é que algumas  pessoas vão estudar nessa modalidade de ensino justamente por conta desse aspecto, principalmente  o pessoal que tá no fim da adolescência. Daí reclamam quando você exige um tantinho mais do que eles imaginavam, como se esperassem que você, por ser professora do supletivo, tivesse que compactuar com esse acordo implícito de  que " professor do EJA finge que dá aula , aluno finge que aprende e todos são felizes". Eu e boa parte dos meus colegas nessa escola  não estamos nem aí pra essa lógica, logo os alunos acabam indignados e ficam enchendo o saco. Eu não me irrito com a  chateação deles; o que me dá vontade de esgoelá-los é o fato de não se darem conta de que estão recebendo muito menos do que merecem, do que deveriam desejar, sabe? Algumas turmas se dão conta disso e exigem mesmo do professor, mas outras , como essa  de que falei simplesmente,não se importam. E eu fico irritada!

Vejam bem, eu sei que há todo um sistema político e educacional que cria e fomenta posturas assim. Além disso, não estou culpando os alunos por seu desinteresse, afinal eles passaram anos de vida escolar fracassada e acabam chegando ao EJA sob o estigma da incompetência e da burrice. Também não estou excluindo minha responsabilidade por ter sido incapaz de encontrar um modo de alcançá-los, de provocá-los. Como novata também  nessa modalidade, levei um tempinho pra sacar como as coisas funcionam,me faltou maturidade pra lidar com essa turma. Eu tô falando aqui é de como eu, muitas vezes, tenho dificuldade pra não misturar as minhas opinões pessoais, as minhas motivações com  os meus propósitos na sala de aula.Algumas vezes, isso é bom porque faz com que eu me recuse  a concordar que se reprove um aluno que só tira nove e dez simplesmente porque ele é  atentado, abusado e irritante. Uma vez, um colega quis fazer isso e disse que eu era do tipo de professora que defendia os alunos de quem eu gostava. Olha, até hoje sinto raiva desse meu jeito picolé de chuchu,porque deveria ter dito pra ele que  eu preferia mil vezes ser  defensora de aluno a usar meu poder de professora irresponsavelmente. Mas eu  disse apenas que não mudaria minha nota e o assunto acabou.

Não sei se vocês estranham o fato de eu ter usado logo aí em cima a expressão " poder de professora", mas eu estranho. Já comentei em algum post do blog que ultimamente não parava de pensar na afirmação de um professor de que a sala de aula é um espaço de conflito, justamente porque, do jeito como a escola funciona, se pressupõe que o professor é a figura que domina um conhecimento  valorizado socialmente. Claro que esse meu professor falou isso tendo embasamento teórico, mas eu não sei qual era, porque era difícil prestar atenção numa aula que durava 4 horas, numa sexta - feira, em dias de calor intenso, numa sala de aula a alguns quarteirões da praia. =)

Nesse ano, passei a pensar muito nessa questão do poder na sala de aula, na imagem que a gente tem da figura do professor e , sobretudo, em como me encaixo nisso tudo. Basicamente, sou o tipo de pessoa que acha que tá sempre certa e que sabe o que é melhor pros outros. As pessoas que me amam  dirão que essa característica facilita a vida delas em algum momento porque , em geral, sou sensata e boazinha. Rá! Isso diriam os que me amam, porque os que não vão com a minha cara falariam logo que eu sou pretensiosa e eu teria de concordar. E é interessante como o papel de professora pode  alimentar  egos pretensiosos e prepotentes, porque, em geral, se espera que o professor saiba tudo, entenda tudo, tenha respostas  e se vire nos 30.  Daí você  - ou só eu mesma -, acha que tem a função redentora de ensinar aquilo que vai fazer seus alunos alcaçarem o mais alto nível de compreensão do mundo. Piadinha,né? Mas eu me pego agindo assim e já vi colegas e professores meus fazendo isso.

Mês passado, a outra turma do noturno  deu " cataplaft"  nas minhas  pretensas práticas pedagógicas redentoras e perfeitas. Eu sugeri,como trabalho do bismestre, uma série de debates. Queria aproveitar as eleições e a enxurrada de debates na tevê e  trabalhar argumentação. Levei um filme que adorei  e senti a primeira decepção: os alunos não se empolgaram tanto com o filme quanto eu. Ah, aquilo me deixou arrasada. Poxa! eu tinha pensado tanto, imaginado tanto, planejado tanto! ( Eu sou dramática em todas áreas da vida! hehe). Depois veio a segunda decepção: os alunos rejeitaram o modelo de debate que sugeri. Eu queria uma coisa no estilo dos debates  tradicionais: mediador e grupos oponentes. Mas considerando os temas superpolêmicos que o povo tinha escolhido, o modelo se tornou inviável. Eles simplesmente se recusaram a " defender" pontos de vista contrários aos seus. Bem, e eu tava com a cabeça em que planeta quando propus uma coisa assim? Onde que um debate desses daria certo? Até parece que eu conseguiria
, como aluna, participar de um debate, defendendo algo em que não acredito.

Bem, daí que  os debates aconteceram assim: um grupo apresentava o tema e depois a turma discutia. Na primeira semana, eu achei que não tinha funcionado, mas quando fui perguntar se eles tinham achado que o debate dera certo, a resposta foi unânime: a turma tava empolgada para o próximo. Foi aí  que me toquei que o projeto perfeito e lindo que eu tinha imaginado não funcionava, mas  o debate construído por mim e pelos alunos na sala de aula  era ótimo.  No último dia,  aconteceu aquela que eu considerei a melhor discussão. O tema era métodos anticoncepcionais e , em vez de discussões   abstratas sobre a legalização do aborto e laqueadura, acabou que  mulheres que tinham feito laqueadura contaram como funcionava o procedimento. Um dos alunos relatou a experiência de fazer vasectomia. Outra aluna contou como funcionam os abortos provocados por remédios , chás ou intervenção de " curiosos". O que eu achei mais legal foi que  esses relatos foram feitos com muita sinceridade e não receberam qualquer julgamento. Aliás,  um dos meninos admitiu que nunca tinha imaginado que a pílula anticoncepcional poderia  causar tantos transtornos pra mulher. Mal sabe ele que eu não me espantei com os efeitos colaterais da pílula, mas nunca tinha  ouvido  ninguém falarde modo tão direto quais os efeitos de chás e remédios abortivos.

Foi interessante notar o silêncio atento de alguns  alunos mais novos ,enquanto uma das alunas contava como acontecia o parto. ( ai, eu viveria muito bem sem a descrição dela. hehehe A  pessoa falava toda hora que doía, doía, doía. Pior foi ter que manter a compostura pra nãofazer careta!kkk ). E o melhor de tudo  foi  ouvir um aluno que quase nunca fala nada dizer que a gente faz julgamentos sobre o que as pessoas vivem sem ter ideia do que elas de fato passam. E é verdade,né? No fim ,eu senti que o debate funcionou bem. As opiniões foram expostas com elegância, aprendemos um monte de coisas a partir das experiências das pessoas que tavam ali e os discursos ferinos e as opiniões ferrenhas - tanto minhas, quanto de todos os alunos- puderam ser mais modalizados. A gente levou pra casa algum coisa no que pensar. E eu fiquei pensando até hoje.

Vários P.S.s:
Ufa, gente! Como escrevi! Me empolguei! Gosto de falar sobre a escola e também tava precisando fugir um pouco dessa nuvem de chiliquice que pairou sobre mim.
Ah, nem sei se preciso enfatizar que o que  escrevi são opiniões pessoais, como aquelas emitidas em conversas de amigo, mas vou. Em nenhum momento, pretendi  dizer que isso ou aquilo é mais certo ou mais errado ou dar palpites de qualquer espécie.  Estou apenas tagarelando um pouco sobre o meu trabalho.
Ah, e prometo ficar uns cinco dias sem postar depois de um post deeeesse tamanho.
Ah, e eu fiquei toda feliz quando, dia desse, um aluno relacionou um coisa que eu disse em aula com uma fala do filme que passei. E eu que pensei que ninguém tivesse prestado antenção... hehehe

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sobretudo, chorei por causa dos sonhos que guardei na geladeira.

Chorei porque o desejo, aquele sem o qual não dá pra se viver, aquele que também é chamado de pulsão, fica querendo escapar de dentro de mim. 

Chorei porque o medo gela os meus pés e, por mais que eu calce meias, sapatos, botas ou queira cortar os pés fora  às vezes, eles permanecem gelados.

Talvez  o jeito seja seguir com pés gelados mesmo, entender que  é assim a vida: a gente treme de medo,mas vai. A gente tem vontade de se enfiar numa caixinha de música e brincar de bailarina, mas até mesmo as bailarinas de caixinha se cansam,  a bateria para de funcionar um dia.

Será que meus sonhos congelados aindam me servem? Será que serei  punida por tê-los colocado lá? Será que mereço gostar deles e reconhecê-los com meus? Será que mereço querer ser  aquilo que desejo?



"Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é mais além


(...)

[Quis]Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração"

( Tanta Saudade - Djavan)

Sensível demais

Nos últimos 2 dias, não faço nada além de chorar.

Chorei de os óculos ficarem embaçados, lendo A Última Música. E pior: eu tava no ônibus, presa num engarrafamento e a mulher sentada do meu lado ficava me olhando de esguelha. Desconfio de  que ela estava preocupada com a minha saúde mental, porque, além de chorar, eu suspirava, sacudia a cabeça e ficava limpando os óculos na barra da blusa.

Chorei quando minha encomenda da Saraiva finalmente foi entregue. Não, eu não chorei porque  não vou mais processar a Saraiva. Minhas lágrimas copiosas, meus soluços incontroláveis e minha cara inchada foram todas causadas pelo meu autopresente de Natal. Mal o dvd da sétima temporada de Arquivo X chegou, sentei com meu notebook no quintal e fui assistir a um dos episódios mais bonitos da série.Ninguém além da Amanda deve ter ideia do que eu tô falando, mas dá pra ter uma leve noção do quanto chorei se eu disser que  o negócio envolve crianças desaparecidas, buscas intermináveis, diários escritos por meninas de 14 anos sofredoras e redenção.

Chorei  ao descobrir que os planos de viagem muito bonitinhos que montei sofreram mudanças bruscas. Se antes eu ia gastar uma merreca, agora preciso ficar fazendo cálculos e cálculos pra não  gastar rios de dinheiro ( e eu não tenho nenhuma inteligência estratégica, NENHUMA). Se até duas semanas atrás eu não tinha nenhuma  ideia do que faria no Reveillon, agora tenho duas ou três propostas irrecusáveis e eu quero dizer sim pra todas; o único problema é que não desenvolvi  a habilidade de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo.

Chorei lendo os e-mails que meus amigos e eu temos trocado na tentativa de encontrar um dia e um lugar adequados para a entrega do nosso amigo oculto. 

Chorei porque não encontrava meus óculos, porque  minha cabeça tava doendo, porque  não tinha comida pronta quando cheguei em casa.

Chorei quando tava passando na rua e de repente começou a tocar " Someday, when I'm awfully low/ When the world is cold" . Mas não foi choro, choro,não. Meus olhos só lacrimejaram um pouquinho e eu fiquei cantando baixinho no meio da  Central do  Brasil.


 


***


Se eu disser que não sou chorona , vocês nem vão acreditar,né?

Tudo bem! Nem eu acredito!


Como diria meu amigo Tiago, deve ser a lua em gêmeos... =p

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Saudade antecipada, calor e um pouco de sossego

Preciso de um minuto de sossego.Preciso! Vim me abrigar por 20 minutos no Fina Flor.

Posso ficar aqui em silêncio só um pouquinho?

Hum ,silêncio bom!

Ai!

***

Ah, posso contar pra vocês que eu chorei hoje na última aula daquela turma de pré- adolescentes de que sempre falo? Não chorei na frente deles, claro; nem haveria razão pra isso. 

Em vez de revisão pra prova, coloquei no quadro a frase " I have  a dream" e não disse nada. Eles ficaram me perguntando o que queria dizer,mas eu não disse. Daí foram caçar o dicionário, o caderno de inglês e se valeram do " ah, isso aqui é aula de português. Isso não é justo!". Não tive piedade; tiveram de se virar.Por fim, sacaram o significado da frase.  Já para  que descobrissem o autor, precisei dar muitas dicas e acabou que uma menina lembrou que Martin Luther King é sempre citado em Everybody Hates Chris ( ou Todos odeiam o Chris).  Contei um  pouco da história do Luther King, reforçando que  a frase representa um ideal, um objetivo pelo qual ele lutava.

Daí eu quis saber pelo que eles lutavam, que objetivos tinham. Alguns estranharam, outros riram. Fui mais além: propus que escrevessem numa folha de papel 10 objetivos e sonhos para 2011, outros 10 para daqui 10 anos, outros 10 para daqui 30 anos. Claro que eles disseram que não sabiam, que estariam mortos e enterrados antes de completarem 40 anos, que... ah, professora! Mas foi só  dizer que eu tinha feito a mesma atividade na quinta série pro interesse aumentar.

Algumas meninas tinham objetivos muito concretos: ir ao show do Justin Bieber,  comprar 3 pares de Melissa, fazer faculdade  de Administração, comprar um carro, ter liberdade pra fazer o que mais gostavam. Um dos meninos quer muito um Xbox e ser advogado e juiz. Um outro passou o tempo todo andando pela sala. Fui lá descobrir  se tinha ninho de bicho carpinteiro na cadeira dele e ouvi um " quero fazer engenharia elétrica, comprar um celular e ter a minha casa ,mas eu tô com vergonha de escrever isso aqui".

Bem, diante disso, tive de repetir que não havia sonhos errados, que eu não corrigiria nada, que nem leria o que escreveram, a não ser se quisessem me mostrar. E não é que quase todo mundo me deu os sonhos pra eu dar uma lidinha? E eu fui ficando enternecida diante de  desejos tão pueris quanto viajar o mundo todo numa bicicleta  e de outros mais doídos quanto querer que o pai se lembre de que ainda tem uma filha. É bom e bonito esse exercício de desejar,né?

Pra terminar, fiz  um pequeno amigo oculto. Todos receberiam o nome de um colega e teriam de escrever em umas 5 linhas alguma coisa de bom sobre a pessoa  sorteada e dizer se tinham aprendido algo de bom com ela. Bem, eu não levei muita fé nessa parte do plano,mas até que deu certo. Fui eleita o correio e  a leitora oficiais  das cartas ( bem, dos bilhetinhos de 3 linhas cada. =p) e quase caí dura ao ler o que  um dos meninos escreveu para um outro que tira os colegas e todos os professores do sério : " Você é muito chato, mas se a gente prestar bem atenção até que você é legal". Ah, eu não teria sido capaz de tamanha gentileza! Não com esse menino! hehe 

Ah, mas o que esse povo não sabe é que  já sinto uma saudade danada deles. Eu sei que muitos poderão ser meus alunos ano que vem, que vou esbarrar com quase todos por essas ruas daqui do bairro, mas não terei as manhãs de segunda e terça de 2010 de volta.  

Eles nem desconfiam de que eu não sei dar aulas pro sexto ano ( bem, desconfiar, desconfiam sim! Eles nunca perdoaram minha incapacidade de escrever com letra de professora.O que eles não sabem é que eu fiz muita caligrafia e  faço o melhor que eu posso. =p). Até então, eu só tinha trabalhado com os mais velhos e o pessoal de pré-vest. Diante dos " pirralhos", um certo ar de deboche e uma dose de conhecimento sobre a dura vida adolescente não funcionam muito. Pra eles,  eu ainda era a " tia" e  devo ter sido uma " tia" não lá muito habilidosa, confesso. Tantas vezes, eu me esquecia que tava lidando com gente de 12 anos e me pegava exigindo maturidade e competências que eles não tinham.  Tantas vezes, eu não soube mesmo o que fazer e fiquei só olhando e torcendo pra que desse certo.Bem, mas fazer o quê? A gente também só aprende na prática.

Essas meninas e meninos nem devem ter percebido que eu me divertia muito mais do que eles e que me derretia muitíssimo mais que eles. Eu cheguei nessa turma bastante decidida a não deixar que os problemas do ano anterior se repetissem, portanto estava disposta a ser dura, rígida e até um pouco tirânica. Essa estratégia durou umas duas semanas. Até o esquema de horários estabelecidos pra ir ao banheiro foi muito bem aceito e ,antes que me desse conta, eles mesmos já regulavam as saídas.  Precisei aplicar as punições pelo descumprimento das  regras estabelecidas no início do ano duas vezes. Passei boa parte o tempo falando " ô, menino, senta aí!", "ô, gente, fala mais baixo!", mas ri tanto e ouvi tantas ideias legais no restante do tempo que  nem me cansava.

Já sei! Cês devem estar achando que eu trabalho no paraíso e essa turma era compostas pelos anjos da mais alta grandeza,né? Não, não! Houve problemas ao longo do ano. Há algumas histórias bem difíceis  que jamais deveriam ser parte da vida de pessoas tão jovens quanto esses meus alunos. Por outro lado, não sei se consegui  conduzir adequadamente o processo de aprendizagem. Mas o que me faz sentir um nozinho aqui no limite entre o estômago e o peito é o fato de esses meus alunos serem pessoas interessantes, bacanas, corretas que me dão a impressão de que vão  ser adultos igualmente admiráveis, ainda que nem todos tenham aprendido a diferença entre pretérito perfeito e pretérito imperfeito no sexto ano.

É isso! Tô com saudade antecipada! Tô sentimental!  E Tá muito calor! O calor e a TPM potencializam esse meu lado manteiga derretida.

Fim da pausa. Vou lá cuidar da vida.