sábado, 13 de março de 2010

" uma noite longa/ pra uma vida curta"

AVISO: post imeeeeenso!

Um dos primeiros shows a que fui na vida foi dos Paralamas do Sucesso. Eu conhecia o básico do básico do repertório deles. Acho que soube quem eram mesmo só por conta do acidente que o Herbert sofreu em 2001. Fiquei comovida demais com a situação que ele viveu, a perda da esposa, no entanto até aí Paralamas não me dizia nada.

Fui ao show porque todo mundo foi . (Nem um pouco maria- vai- com -as outras rsrs) Eu nem sabia muito bem o que eles tocavam, nem sabia ao certo quem eram o João Barone e o Bi Ribeiro. Fui por ir mesmo. Mas aí o show começou. Primeiro impacto: Herbert entra no palco, na cadeira de rodas. O público vem abaixo. Ele sorri, dá boa noite e começa a cantar um sequência de músicas. Beleza. Muito bom.

Daí que o Herbert anuncia: " Agora vou tocar uma música que ninguém conhece". Se eu fosse mais esperta, teria notado o significado do sorriso estampado na cara dele. Mas eu não sou. E , quando as primeiras notas de " Lanterna dos Afogados" começaram, senti um arrepio me percorrer. Hebert nem precisou cantar. O público fez isso por ele. Foi uma coisa linda de doer. E eu fiquei apaixonada pelos Paralamas ali.

Não sou fãzona feito minha amiga Sueli, que chega achar que o marido se parece com o Herbert mais jovem. ( Mas num é que parece mesmo!!!). Sou uma fã mais comedida, mas encantada pelas letras lindas das músicas deles. Elas falam de sentimentos que todo mundo já teve : amor, dor , medo. São cheias de um lirismo que adoro. Lirismo sem rebuscamento, sem adjetivos elaborados. Quem não se identifica com " Quando está escuro / e ninguém te ouve/ Quando chega a noite/ Você pode chorar" ?

Ontem assisti ao documentário " Herbert de Perto", que pretende contar a trajetória do Herbert, desde a infância em Brasília até a vida de hoje. Bonito, muito bonito. Tinha lido uma crítica que dizia que não era um primor de filme,mas que valia só pela beleza de ver Herbert não temer expor suas emoções. O tal crítico disse tudo: os momentos mais encantadores são aqueles em que o Herbert assiste a trechos de antigos vídeos, nos quais se vê jovem , vê os pais, os irmãos, o Bi e o Barone e a esposa.

Eu já gostava do Herbert,mas , depois do filme, fiquei identificada com ele. Meio que vi um pouco de mim naquele cara, especialmente no jovem que ele foi. Um cara que não sabia nada da vida, que não conhecia muita além do seu universo, mas que se dedicou ao trabalho que amava, aos amigos e à família e foi vivendo. Hebert parece meio doido falando aquelas coisas difíceis que diz, mas é só um homem comum, dedicado às suas paixões.

Achei bonito demais ver como o Paralamas se formou. Uma parte imensa do filme é sobre a banda. Faz sentido. Os Paralamas são muito da vida do Herbert. Com a banda, ele foi fazendo seu trabalho , foi vivendo e, também com ela, ele reaprendeu a viver depois do acidente. Uma das coisas mais bonitas do filme é a amizade que ,de fato, une os caras. Quando Herbert sofreu o acidente, eles poderiam ter parado. Mas não pararam, porque eles amam o que faziam e fazem. Parte da superação do Hebert, uma parcela imensa, se deve à fé que seus companheiros de banda tinham na importância de que eles precisavam continuar a vida, fazendo o trabalho deles, a música deles.

Só que bonito mesmo,o que fez meu coração dá pinote foi o que o Herbert disse sobre o acidente, sobre sua vida pós -acidente. Imagina o que é cair com um avião, ficar em coma, quase morrer e descobrir, ao acordar, que a esposa morreu. Em um ponto do filme, o Herbert diz que no meio disso tudo, depois de chorar, sofrer, se deseperar um pouco, ele pensou: Se Deus permitiu que esse acidente acontecesse, se nesse acidente o amor da minha vida morreu, se eu quase morri e estou vivo. Se é assim, eu tenho que continuar vivendo por mim, por meus filhos e pela minha esposa que eu tanto amava". Não foram bem essas palavras,mas foi essa a decisão. Tá, eu sou fã, acho tudo lindo,mas o modo como ele fala isso e o modo como essa decisão se reflete na vida dele me emocionaram e muito.

Bem, me emocionar, me emocionar mesmo,mesmo ( ao ponto de chorar) aconteceu no momento em que aparece um trecho de um show em que o Herbert pede licença aos Paralamas e ao público e canta uma música pra esposa. A música é inglês ( não sei se é dele ou não), mas, ao final, ele canta: " Se eu não te amasse tanto assim/ talvez visse flores por onde eu vi/ e vivesse na escuridão". Ivete Sangalo canta infinitamente melhor ,mas o Herbert deu um novo sentido a música. E foi esse o sentido que ficou pra mim.

O filme mostra um homem que já não é o mesmo e também não é perfeito , que sofreu pra caramba, que carrega as marcas desse sofrimeto no corpo e na expresão do rosto ( dá pra notar o quanto ele mudou, perceber uma certa tristeza),mas que ainda é o mesmo no que diz respeito à paixão pela vida e à vontade louca de fazer o melhor dela.



P.s.: Post giganteee, eu sei! É que eu gostei mesmo do documentário.

3 comentários:

Lia disse...

Que lindo Ju!!

Eu adoro as músicas deles são d++!!!

Mt bom seu post.... este documentário dever ser o maximo hein... bjus

simplesmentemonalisa disse...

Ju, achei linda a resenha que escreveu. Eu gosto muito dos paralamas, e a história de vida do Hebert é um exemplo para várias pessoas que vivem reclamando da vida.
Beijinhos

Cíntia Mara disse...

Que lindo! Eu tb fui conhecer mesmo os paralamas por causa do acidente do Herbert. Não sou fã, não conheço muitas músicas, mas gosto de algumas. Agora, a história dele com certeza chama ainda mais a atenção. Muito lindo ele decidir continuar vivendo e se superando a cada dia e também a amizade com os outros membros da banda.