quinta-feira, 20 de maio de 2010

Morte

Quando minha tia-avó faleceu, em dezembro de 2008, eu já era bem grandinha,mas me recusei a ir ao enterro exatamente como as crianças fazem. Não quis ir porque , inconscientemente, julguei que, evitando ver o corpo morto e silente, a morte não existiria.

Minha tia está morta há quase dois anos e ainda não me acostumo com o fato de que ela não existe mais. Durante muitos meses, sempre tinha a impressão de que ouviria sua voz quando o telefone tocava de manhã. Ela ligava sempre cedinho pra fazer uma fofoquinha com minha vó.

Estou falando da minha tia agora porque li um texto no BLOG de uma xará minha ( não digo que esse meu nome é comuníssimo?rsrs) que diz muito melhor que eu uma porção de coisas que penso.

Dia desses, Sueli e eu conversamos por horas sobre morte. Uma conversa sem tabus. Descobri que minha amiga , tão adulta quanto eu , também tem necessidade de falar sobre esse assunto. Ela assim, como eu, acha que não saberá lidar com a ausência das pessoas que mais ama. Ela, assim como eu, não soube se manter firme diante da constatação de que esse corpo que a gente tem é só corpo mesmo e é da mesma matéria que a cova na qual é enterrado.

Só estive em um enterro até hoje e a lembrança dele me faz desejar morrer antes de todo mundo . Foi o enterro de uma pessoa muito amada por alguém que amo. É tenso e doloroso perceber, ao ouvir o barulhinho do caixão tocando o fundo da cova, que não há mais nada ser feito. Sua dor, sua tristeza, toda saudade que virá não importam ,não alteram a ordem dos fatos. A morte silencia qualquer argumento que você acha que possa ter. Naquele dia, naquele enterro, foi a primeira vez na vida em que me senti absolutamente impotente. Eu poderia tentar toda e qualquer coisa pra afastar a concretude daquela morte,mas nada que eu fizesse seria verdadeiro. Nadinha.

Desde então, me peguei a ter mais consciência de que , independentemente das minhas crenças na vida além dessa aqui, não há como se contornar a ausência, a falta. Não se preenche, nesse mundo, o espaço que aquele que morreu ocupava.

Dias antes da conversa com a Sussu, ouvi uma música e falei pro André: “ Poxa, canta essa no meu enterro!”. Ele respondeu um “ cruzes, Juliana! Canto não”. E aí, eu pensei: “ quando será que eu vou morrer? Será que antes do André, da Jaqueline, do Tiago, da Helga, da Vivian, da Juliana, do Paulo Victor, da Tamiris, de todos os outros?” Acho que não tenho medo da minha morte. Tenho medo é da ausência material e permanente de todos esses amigos. Tenho tanto medo que até esqueço que aqueles que ainda são jovens como eu também são mortais

Como eu disse pra Sussu, se alguém me liga e diz “a Sueli morreu”, vou dar uma risada e mandar o palhaço que ligou parar de brincar com essas coisas.

2 comentários:

simplesmentemonalisa disse...

Morte sempre é difícil, a ausência e saudade são devastadoras.
Eu perdi um irmão, uma avó e um tio no mesmo dia em um acidente de carro, já tem mais de 10 anos e até hoje dói.
Também perdi meu avô que era meu tudo, e sempre que chego na casa da minha avó a primeira pergunta que vem na ponta da língua: "Cadê o vovô?" Não me acostumo, e já fazem 4 anos que ele se foi.
Morro de medo do Cris ir antes de mim. E já escrevi uma cartinha para a Mari com as senhas do blog para ela ler tudo se eu for embora antes de eu mesma mostrar tudo a ela.
Pode parecer bobagem, eu não tenho medo de morrer, eu tenho medo de não viver, acho que por isso eu aproveito tudo, mesmo as coisas mais bobas e mais simples.
Morte não é um assuntos que as pessoas querem pensar muito, mas ela acontece a todo segundo, e só Deus para nos dar forças de seguirmos em frente sem quem amamos. Acho que por isso Deus diz que devemos amar a Ele sobre todas as coisas, pq Ele é o único que temos certeza de estar sempre com a gente, mesmo quando os outros partem.
Beijinhos

Cíntia Mara disse...

Eu não sei se sei lidar com a morte. Acho que não. Ninguém sabe!
A pessoa mais próxima que eu já perdi foi meu avô materno. E nem era tão próximo assim. Não gosto de pensar nisso, embora viva tendo pesadelos horrorosos com pessoas que eu amo :/