terça-feira, 25 de maio de 2010

Sobre sujeitos simples e compostos

Sala de aula não é lugar só de estudar, não! De vez em quando, a dinâmica que rege as relações entre os pré-adolescentes  pode ser mais fascinante do que  as malditinhas regras da gramática.

Daí que, hoje, tô lá corrigindo os exercícios de casa, quando noto que uma das meninas que sentava grudada na minha mesa, mudou de lugar. Agora, a carteira tá grudada na carteira de um dos meninos lá de trás.  Eles tavam prestando uma atenção danada no que eu falava,como sempre fazem, mas meus olhos não deixaram de notar um  certo - não -sei - o- quê entre os dois. Bem, mas como a vida dos alunos não é da minha conta, tratei de concentrar minha atenção em explicar a diferença entre os tipos de sujeito.

Tentando facilitar a vida dos aluninhos, inventei de dizer que o sujeito simples é que aquele que é solitário - não tem nenhum outro substativo como companhia- e  que o composto nunca anda sem outro substantivo por perto. Aí, fui dando exemplos: quem estava sentado em carteira individual era sujeito simples, quem estava sentado em carteiras duplas fazia parte de um sujeito composto.

Aí um dos meninos me abre a boca e diz: " Ah, professora! A Fulana sempre foi sujeito simples, agora ela é sujeito composto  com o Sicraninho." Claro, todos os olhos se voltaram para a dupla citada e  os dois estamparam um par de sorrisos muito amarelos.

Eu, tentando esconder a gargalhada que me veio aos lábios e  reassumir meu papel de " Tia Juliana", mandei o seguinte: " Ô, Fulaninho,  obrigada pelo exemplo. Então, o sujeito composto é ...

Mas o Fulaninho não desistiu: " É verdade , professora, a Fulaninha antes sentava aqui na frente com a gente, mas ,essa semana, mudou de lugar".

Fulaninha lá de trás: " Me esquece,garoto! Eu sento onde eu quiser."

Peguei a deixa da resposta cheia de atitude da menina e tentei encerrar o assunto: " Isso aí, vamos voltar pra cá, pra aula. A Fulaninha senta onde ela quiser. Aliás, você anda muito interessado no que a Fulaninha faz , hein, Fulaninho.Vamos lá, cada um cuidado da sua vidinha e do seu dever."

E o Fulaninho disse baixinho: " Ih, professora, eu nem gosto dela..."

Tá bom! Tive de repetir, mentalmente,duas vezes que eu era  a adulta  ali e que não deveria dizer pra ele assim:
" Eu não disse que você gostava dela, mas se a carapuça serviu... Hum, quando era uma pirralha feito você, o nome desse ' eu nem gosto dela' era ciúme." =p

Um comentário:

Cíntia Mara disse...

Hahahahahaha!

Já te contei da minha professora de português do cursinho? A "tia Kelly". Tia porque a gente não tinha vergonha na cara, já que alunos com 14 anos já não chamam professora de tia há muito tempo. Mas enfim, a tia Kelly costumava dar exemplos assim, sugestivos. Lembro de quando ela foi explicar regência e deu um exemplo mais ou menos assim:

Amanda namora COM Thiago. Ou seja, Amanda namora sozinha, porque o verbo namorar é transitivo direto. Agora, se eu disser Cíntia namora Thiago. os dois estão namorando.

Até hoje tô procurando a minha cabeça, que eu enfiei em um buraco beeeeem fundo de vergonha. Acabou que ela quase acertou. (No caso, o "correto" seria Thiago namora com Cíntia, kkkkkkkkkkkkk). O fato é que eu nunca mais vou esquecer a regência desse bendito verbo!