sábado, 5 de junho de 2010

De oferecer


Quando digo que o mês de junho mexe com a minha habitual lógica interna, estou falando a verdade. Espia só: hoje acordei com vontade de ... me apaixonar.

Não, não tem nada a ver com a proximidade do dia dos namorados,tá!=p Acordei com vontade de me apaixonar do mesmo jeito que ,às vezes, acordo com uma vontade irresistível de comer pizza de alho. Huuuummmm

Alguém me diz como é que faço pra satisfazer essa vontade? Tem receita,macete ou manual de instrução?

Pelo que me lembro, só estive caída de amores duas vezes: aos doze e aos catorze anos. Aos doze , foi por um menino que não me dava menor confiança e que era desejado por meio mundo. Sofri horrores, porque era paixão daquela que aperta no peito. Era só ouvir o nome dele que o fôlego faltava, que meu mundo paralisava. Era bom e ruim- paradoxal , como só paixão sabe ser.

Aos catorze, foi uma coisa mais fofa, porque fui ,de algum modo, correspondida. O menino era legal, me dizia umas coisas legais,mas também , no fim de tudo, me disse que eu era complicada. Alguém consegue ser complicada aos 14?

De lá pra cá, vivi de encantamentos. Em algum ponto da vida, decidi que meu coração e meu desejo não seriam mais tão acessíveis. Nessa de “ manter a fama de má”, deixei de desfrutar das delícias de uma paixão que foi construída. Ainda não tinha lido Madame Bovary, ainda não tinha descoberto que idealização pode acabar com a beleza dos amores reais. Lamento não ter sido de quem me quis e soube me fazer querê-lo.

Há uma  crônica,supostamente do Drummond, que diz que quem não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu. Eu diria que ainda não aprendi a perder o controle, pois parece que paixão, encantamento não combinam com maquinações, matemáticas, manipulações. Amor vem do nada, acho. Amor e controle não combinam.

Sendo assim, não cairei na tentação de achar que essa minha vontade de enamoramento (bonita palavrinha,não? Rsrs) não será satisfeita, já que não conheço nenhum moço que seja deveras interessante. Também não me deixarei levar pela certeza que tenho de que sou incapaz de entender os homens. Bem, isso é uma mentira que inventei, certamente. Afinal, acompanho perfeitamente o raciocínio de todos os rapazes que não me interessam romanticamente,né, não? rsrs

Ah,mas do que preciso fugir ,com certeza, é deste hábito que me acompanha desde sempre: a necessidade me manter resguardada. Jaqueline sabe explicar esse meu hábito direitinho. Vou parafrasear as palavras dela:

Quem me olha e me conhece, logo vai achando que sou mesmo essa mulher de sorriso aberto. Afinal , gosto tanto de gente e de história de gente;pareço tão aberta e tão acolhedora quanto meu sorriso. No entanto, entretanto, todavia, com a convivência, dá pra sacar que não é bem assim. Do que é meu, só meu , faço segredo e ponto, sem nem perceber. O sorriso e a animação estão sempre à disposição do freguês,mas o restante não ofereço fácil nem por um milhão de moedas de ouro ,não. Não ofereço nem fácil , nem difícil. rs

Hummm...Talvez eu queira, além de me apaixonar, aprender a me oferecer.



P.S. : Opa, perae!rsrsrs Atentem para os muitos sentidos que o verbo “ oferecer” pode ter! Refiro-me principalmente àquele que diz respeito à arte de saber compartilhar, se envolver com as pessoas.

Quanto ao outro, que faz pensar logo em “oferecida”, também pode ser considerado,mas pensem numa “ oferecida” cheia de elegância, discrição, charme e noção. Entendido?

hahahahaha

2 comentários:

Lia disse...

Eu consegui ser complicada aos 11! Serve?!

Se 'ofereça'... se abra... corra alguns riscos.


Drummond tem razão. Apaixonar-se é enlouquecer e perder o controle. A duras penas, aprendi que vale a pena o esforço!

Cíntia Mara disse...

Complicada ou não, entendendo os homens ou não, aos 14 ou aos 24, com ou sem controle, eu quero me apaixonar de uma vez pra sempre. Ah, sim, e de preferência que ele também seja apaixonado por mim e que não haja nenhum impedimento para que a gente se case e seja feliz para sempre. Hahaha, idealista, eu? Não, imagina!