quinta-feira, 17 de junho de 2010

Na sala de aula

Faz sentido uma pessoa levar para os alunos assistirem um filme de que ela nem gostou muito? Bem, eu fiz isso.

Explico: vi o filme Um Sonho Possível, aquele que rendeu um Oscar a Sandra Bullock e gostei e não gostei, ao mesmo tempo.  Como assim? É que a história é aquela típica dos americanos: um cara " looser" que se transforma em um grande vencedor. Não sou muito fã dessa valorização de quem é extraordinário,de quem foge à regra, blá, blá. Afinal, quase sempre a meritocracia é um regime que  não funciona...
Enfim.. a narrative gira em torno de dua figuras: um adolescente paupérrimo, negro e " grandalhão" e uma mulher rica que decide levar esse rapaz para morar em sua casa e ajudá-lo a se tornar jogador de futebol americano. A história é previsível, cheinha de clichês e tal,mas  chama atenção por ter sido baseada em fatos reais. Confesso que fiquei arrepiada quando o Michael da vida real apareceu no fim do filme.

Justamente por ser uma história real é que achei que iria chamar a atenção dos alunos. Juntei as duas turmas do noturno e assisti ao filme com eles. Foi uma experiência diferente. Se em casa adiantei algumas cenas e ignorei outras; na companhia dos alunos, fui obrigada a ver o filme na íntegra. Foi legal ver o pessoal rindo, se emocinonando, torcendo pelo Michael. Interessante como  pude prever o que iria tocá-los.

Muito bem! Filme assistido, passei um trabalho. Falei assim: " escrevam, em no mínimo 15 linhas, a sua opinião sobre o filme. Podem escrever o que quiserem!"
Eu já deveria ter aprendido que dizer pra esses meus alunos " Façam o que quiserem" não funciona.

Apesar de serem todos adultos - ou quase adultos- , ficam confusos quando não têm um padrão, uma cartilha  a seguir. Alguns deles chegam ao ponto de me perguntar quantas linhas precisam deixar pra responderem um exercício.Não estou, de modo algum, criticando esse pessoal. Longe disso mesmo. Meu espanto reside na constatação de que a escola nem  sempre é capaz de emancipar as pessoas. Ter opinião, ter ideias, organizar suas anotações deveriam ser exercícios de autonomia  praticados na escola.

E querem saber: peguei, toda animada, as redações que o pessoal fez pra ler agora e senti uma pontada no coração.  Esperava ler um monte de coisa interessante. Afinal,vários alunos me disseram que amaram o filme. Surgiram comentários interessantíssimos sobre sociedade e política nas aulas posteriores, a partir do debate sobre o história do Michael Oher. Um dos rapazes comprou o filme e  já viu três vezes.

MAS há vários trabalhos idênticos copiados de um site de crítica de filme.

O pior é saber que eles nem fizeram as cópias por " esperteza". Fizeram porque  acharam que eu não iria dar nota boa em um texto que escritos por ELES.

6 comentários:

M!riam disse...

Oi, Ju.

Respondendo a sua pergunta lá no blog: Uma amiga me emprestou o livro. Mas vou procurar o e-book tbm, se encontrar te digo.

um beijo

M!riam disse...

Ei, Ju! Achei!

http://www.reidoebook.com/2009/07/sem-clima-para-o-amor-rachel-gibson.html

bjs, boa leitura!

amanda. disse...

nossa, que foda essa falta de crença em si mesmo né?

eu lembro quando fazia o segundo ano, eu estudava num supletivo noturno de um colegio publico. a maioria do pessoal da minha sala tinha entre 19 e 25 anos (eu tinha 17) e foi bem na epoca do ataque das torres gemeas nos estados unidos.
a professora de geo-politica quase gozou igual louca por causa disso né, e da-lhe trabalho e redação pra gente fazer sobre globalização etc etc etc.
eu adorava, porque sempre gostei muito de redação e desse tema (ok, agora nem tanto heh). escrevia igual louca e sempre que a professora pedia pra alguem ler eu levantava a mão.
uma vez ela disse que nao era pra eu ler, pra dar chance pra outras pessoas... e ai, ju... né por nada não, mas o povo escrevia tão mal :/ na verdade eles ainda LIAM mal.
a professora depois veio me falar que adorava ver meus textos, mas que frutrava muito ela ver aquele povo JOVEM E CHEIO DE COISA PELA FRENTE serem tao alheios a coisas imporantes acontecendo no mundo e bla bla bla.

:(

Chico Mouse disse...

Puxa, que pena... ficam completamente perdidos diante da liberdade criativa.

Mas essa é realmente uma das grandes falhas do sistema de ensino como um todo, tão mais interessado em formar um bando de robôs, do que um bando de cabeças pensantes...

Lia disse...

Isso me fez lembrar do texto que estava estudando estes dias, sobre a critica do Paulo Freire sobre "Educação bancária".Infelizmete esta é a realidade.

bjs

Cíntia Mara disse...

Uma vez, no segundo ano do ensino médio, um dos alunos mais inteligentes da sala perguntou a uma professora quantas páginas do caderno ele deveria reservar pra matéria dela. Eu estudei num dos melhores colégios (senão o melhor) daqui e nós fizemos uma prova de seleção com 36 por vaga. Ou seja, esse tipo de atitude não depende do conhecimento da pessoa, mas sim de tudo o que ela aprendeu E vivenciou ao longo do tempo. A escola não dá a autoconfiança que precisamos pra tomar as decisões no dia-a-dia.

Bjo