domingo, 25 de julho de 2010

Agora que vocês descobriram que sou uma romantiquinha disfarçada, já posso falar de amor por aqui. Amor meu não! Amor alheio mesmo, porque eu ainda não sei muito bem como funciona esse “ trem” ( usei a palavra do jeito certo, Cíntia?) de amor romântico. Bem, mas isso é uma outra história.

Vocês sabem também que ganhei a biografia do Saramago. Pois é, ainda não comecei a ler,não. Só dei uma folheadinha básica aqui e ali. Prestei atenção de verdade só no trecho em que o autor conta um pouquinho como foi o encontro do Saramago com a sua última esposa, a Pilar. Olha como é bonita: Pilar leu O Ano da Morte de Ricardo Reis ( meu livro favorito SEMPRE!) e ficou com aquela sensação de perda que se tem quando um livro lindo acaba. Já sentiram isso? Eu já e , justamente, com O Ano da Morte. Pilar descreveu com clareza os sentimentos dela e os meus ao ver que o livro estava acabando:


“Acabei de ler o livro a chorar compulsivamente porque estava a terminar e perguntava-me : que vou fazer o resto da minha vida? Então decidi ir percorrer os lugares de Lisboa que aparecem no romance e pareceu-me de justiça telefonar ao escritor para agradecer o livro e a emoção que me tinha oferecido.”

Um tanto dramático, concordo, mas quem é que já não se sentiu tão enredado por um livro ao ponto de desejar que nunca terminar? Saramago já provocou esse efeito em mim uma outra vez , com o Evangelho segundo Jesus Cristo. Há uma cena lá, absurdamente linda, que já li mil vezes e não canso de relê-la. Da primeira veza em que vi aquelas palavras, me deu até vontade fazer poema. E olha que eu não sei nada de rimas nem de palavras bonitas....

Mas o bonito nessa história do Saramago e da Pilar é que ela se apaixonou primeiro pelo livro, pelo artista fabuloso que o Saramgo será pra sempre, depois conheceu o homem e se apaixonou por ele também. E ele por ela. Dava um romance,né? Um romance desses bem lindinhos...

Lembrei de Saramago e Pilar, porque estava justamente pensando nessa coisa de homem perfeito, de amores perfeitos. Uma amiga minha andou sendo cortejada ( não, eu não tenho cem anos de idade,mas acho que esse verbo legal de se dizer!! Kkkk Se bem que sempre o uso com tom de ironia, porque ... ai, acho que vou me explicar melhor daqui a pouco) por um cara que poderia ser o homem perfeito. Gente! Ele dava os melhores presentes, sugeria os melhores passeios , tudo com ele era o MELHOR, o PERFEITO. Até colar combinando com um brinco que ela sempre usa – e ama- ele deu. Agora me digam? Ela ficou encantada por ele? NÃO! Kkkk Tadinho!

Eu não sei! Tô descobrindo que sou meio turrona e intolerante para certas coisas, mas nada me convence de que o cortejar tradicional, aquele do combo “ flor- perfume- cordão- palavrinhas –melosas” funcione de verdade ou tenha charme de verdade. Claro que histórias como as do Saramago não são assim tão corriqueiras, mas há muito charme nas histórias de amor que nascem sem forçação de barra, nascem,assim, do nada; nascem porque nascem.

Homem de filme, com a cara do Brad Pitt , com falas e presentes pensados por roteiristas muito bem pagos só tem graça no cinema, não acham? A gente se encanta mesmo é pelo charme da espontaneidade, daquilo que é dito sem muita elaboração. Pelo menos, eu vejo muito mais graça em gente que não é óbvia. Se um cara chega pra mim com rosas vermelhas e brinco que combina com a roupa que usei um dia, há três meses, vou achar que ele é meio estranho, um maníaco muito observador... kkkkkk Vocês achariam o quê?

P.S.: Se bem que a ideia de receber uma serenata ao som de “Love me, tender” não me soa nada mal! =p



P.S.: Depois que escrevi esse post, vi o blog da minha amiga Annie e fiquei ainda mais derretida. Olhem só!

4 comentários:

Cíntia Mara disse...

Sabe de quem eu me lembrei enquanto lia esse post? Da Lauren! Ela iria adorar conhecer essa história de amor.

Sobre a questão dos homens, você sabe que os perfeitinhos não me atraem nem um pouco, né? Buquê de flores? Nem pensar, lugar de flor é no jardim, me dá a semente que eu vou gostar mais. Colar combinando com o brinco até que eu ia gostar, porque eu adoro bijuterias, hehe. Mas depende muito de quem dá também. Se for um... aiai, deixa pra lá, hahah.

Bjos

mila disse...

Se vc não postar o tal poema inspirado naquele trecho do "Evangelho Segundo Jesus Cristo" (eu sei exatamente qual, e não estou sendo dramática em dizer que chorei litros lendo essa mesma parte) eu mesma publico... eu ainda o tenho, viu!!
Blackmail??? q isso... rsrs

Rita disse...

Oi, Ju.

O livro que me deixou com saudades foi Cem Anos de Solidão, como falei outro dia. Mas essa historinha do Saramago e da Pilar tá muito fofa demais! Claro que agora quero tudo de tudo pra ler O Ano da Morte - e a culpa é sua. Ora! E eu ainda preciso acabar A Caverna, reler Cem Anos e criar dois filhos! Assim não pode, asism não dá.

E, ó, não tem regra, ta? Aparece de qualquer jeito; mas quando chegar, você vai reconhecer. Vai por mim.

Bj!
Rita

Annie Adelinne disse...

Também pensei na Lauren! hahaha
Que bom que gostou do comecinho da minha história :)