quinta-feira, 8 de julho de 2010

Brincando de resenhar

Encontrei o textinho que escrevi sobre a Trégua. 

Quando descobri o mundinho dos blogs, fiquei encantadinha pelos blogs sobre livros. Há tantos tão legais,né? Imediatamente, fiquei querendo fazer um  assim também. Cheguei a criar o tal do blog,mas saquei logo que não tenho jeito pra coisa. Leio pouco, não leio os livros da moda,demoro séculos pra ter uma opinião formada sobre qualquer coisa, tenho preguiça. Enfim, não sirvo pra ser " resenhadora",não! 

Se for pra opinar sobre algum livro, posso muito bem fazer isso aqui com vocês,né? =p



"Tenho uma paixãozinha todinha especial pelos autores latino -americanos que começou assim que conheci Julio Cortázar e seus contos deliciosos,mas Mario Benedetti veio de surpresa. Eu nunca tinha ouvido falar nele ( heresia das heresias!) até que meu amigo André resolveu me dar de presente o mais importante livro desse autor. Eita, livro bonito! Talvez uma das mais lindas histórias de amor que já foram contadas.
A Trégua é daqueles livros que parecem simples, modestinhos, quando se começa a ler, mas que se mostram grandiosos em sua simplicidade . Um leitor desavisado e impaciente pode julgar que não passa desses textos que se disfarçam de relatos da vida de um homem, visto que o livro se  constitui do diário de um senhor de 50 anos que anda contando os dias para a aposentadoria. Martín Santomé  leva os seus dias como  um burocrata , um homem comum - um tanto entediado, um tanto vencido pelas agruras da vida -até que conhece uma moça, Laura Avellaneda.
O enredo é esse mesmo: nada de especial. No entanto, é com os fios do cotidiano, da singeleza e da simplicidade que se urde uma delicada história de amor. Mais que um enredo de amor, A Trégua é o relato de um homem que se vê invadido e , para sempre,reinventado pela chegada e o estabelecimento de emoções que já não parecem confiáveis.
A quem estiver interessado em sensações fortes , arrebatadoras, devo desde já avisar que não há muito 
( mas há) espaço para elas nesse romance. Os fatos, as confissões, as palavras têm a medida da contenção e da cautela que só um homem que aprendeu a esperar pouco da vida conhece. Que fique claro, porém, que a força e a beleza do livro  surgem  justamente do que se entrever nessas palavras:o encanto e a entrega de um homem diante de uma mulher, a doçura e a suavidade que só o amor provoca, o poder transformador do desejo.
A Trégua não é um livro de felicidades, nem de risos abertos. Gosto de pensar nele como uma doce e delicada história de amor que toca, que emociona, mas que , sobretudo, parece deixar seu eco por muito tempo. Para além do conto amoroso, esse é um livro sobre as delícias e as agruras que só a condição humana nos oferece. Ao terminar de ler , vem aquela sensação de que Santomé - e todos nós- foi abençoado não pelo amor e sim pela dádiva - incontrolável e inerente- de ser capaz de sentir. Apenas sentir."

Hum, acho que deixarei  de lado " Pedaço do meu coração" - romance policial que comprei só porque estava em promoção: de 53 reais por 9,90-  e  vou reler A Trégua. Tão bonito, gente!

3 comentários:

M!riam disse...

Oi, Ju!

adorei a sua resenha. Deveria fazer mais vezes...

Um beijo!

Fabiane Ariello disse...

Me deu a maior vontade de ler! Vou comprar ;)

Cíntia Mara disse...

Acho que me lembro de quando você fez essa resenha. Você leva jeito, sim, podia fazer isso mais vezes, viu? Tenho um pézinho atrás com os latinos, quero ler alguns, mas nenhum está na minha lista de prioridades. Se você não tivesse falado nada desse Benedetti, eu ia achar que ele é italiano e me interessar, rsrsrs.

Bjos