quarta-feira, 7 de julho de 2010

Sobre Eliza

Rita disse tudo:

"Não faz a menor diferença, de qualquer perspectiva que alguém olhe o caso, o estilo de vida de uma mulher que foi assassinada e teve seu corpo ocultado. Absolutamente não interessa. Não é o caso. Não interessa se era “moça de família”; se era menina de rua; se era prostituta; se era “baladeira”; se era freira; se morava na favela ou na mansão; se usava minissaia ou calça larga; se era miolo mole; se era inteligente; se era. Não interessa.
(...)

Eu não sei quem atirou, se atirou, quem surrou, quem agrediu, se agrediu, quem desossou, se desossou, quem enterrou, quem deu aos cães. Isso o tempo trará à tona, espera-se. Mas não foi ela. E nada do que ela tenha feito, dito, pensado, escrito, insinuado, nada pode servir de atenuante para os envolvidos ou para a opinião pública. Se ela se envolveu com quem não devia, quem tinha de saber era ela. Mas isso não interessa mais. O foco agora precisa ser outro.

(...) Eu sei o que me basta, que quando uma pessoa é violentada, ou agredida covardemente, ou assaltada ou assassinada, ela não pediu nada disso. Pode ter vacilado, ter dado bobeira, ter sido ingênua, ignorado os riscos, ter sido inconsequente, ter brincado com fogo. Mas ninguém é senhor do corpo do outro ou da vida do outro para se valer deles como bem lhe servir a ocasião e a falta de escrúpulos. E se eu me aproveito de quem dá bobeira, a errada sou eu, não quem dá bobeira. Então me poupem dessa conversa de que “também, né, tava procurando”. Porque não, ninguém procura isso. É bom procurar outros culpados, porque ela era inocente."


Não coloquei o texto da Rita todo aqui porque queria que vocês ficassem curiosas/curiosos e  fossem  dar uma olhadinha no lindíssimo blog da Rita.

Um comentário:

Rita disse...

Obrigada, querida, obrigada mesmo.

Tão triste tudo isso, né? E a gente fica pensando o que vai ser dessa criança que ficou... Corta nosso coração.

Beijinho,
Rita