quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Brincando de resenhar

Até parece que vocês estão desesperados para saber o que achei de Pedaço do meu Coração. Até parece! Mas é que me   martirizo tanto porque tenho preguiça, porque não começo o que termino ( a não ser que minha vida ou minha conta bancária dependam disso), blá, blá, que preciso falar ( pela última vez, prometo!) desse livro delicioso. Como assim?? Um livro sobre assassinato, investigação policial, interrogatórios pode ser delicioso?? Sim, sim! Pergunta só pra minha mãe , que tá lá jogada no sofá com o Pedaço na mão...

Imagino que se lembrem da sinopse descaradamente “roubada” de um blog desses da vida. Se não lembram, vou recontar: uma moça é encontrada morta , dentro de um saco de dormir, no dia seguinte a um grande festival de Rock. Simplesmente, enfiaram uma faca no peito dela, de um modo tão violento que um pedaço do coração foi arrancado. A polícia começa a investigar e entra em cena o inspetor durão e compenetrado Chadwick. 

Enquanto Chadwick se dedica a descobrir quem matou  menina, uma outra trama é contada. Trinta e seis  anos depois do assassinato da moça, um jornalista especializado em crítica musical é encontrado morto no quarto do hotel em que está hospedado. Os detetives Alan Banks e Annie Cabott e sua equipe ficam responsáveis pela investigação.

Nas primeiras cinquenta páginas, você fica se perguntando o que uma história tem a ver com a outra, além do fato de  ambas as vítimas serem ligadas ao mundo musical, mas , conforme  as tramas vão se desenrolando, a ligação se torna muito clara. Aliás, a estrutura do livro é muito boa. Passado e presente se alternam de um modo muito coerente,  o que faz ainda mais sentido ao final do livro.

Os personagens, de um modo geral, são interessantes. O protagonista, o Inspetor Banks, é uma figura simpática e charmosa. Bem, tão simpático e charmoso quanto um inglês pode ser. É , porque  as tramas se passam na Inglaterra e aquele ar britânico está presente o tempo todo. ( Nota: nunca estive na Inglaterra, não sei bem como são os ingleses. Minha opinião sobre  o ar britânico do livro leva em consideração aquele estereótipo que a gente conhece dos filmes.) O Inspetor trabalha em cooperação com a detetive Cabott, uma pessoa bem decidida e impulsiva. Gostei demais da Annie. Ah, os dois não têm um relacionamento amoroso,não! Já tiveram ( Pedaço é parte de uma série de livros), mas  parece que terminou bem e eles continuam amigos.

O enredo é simples, bem escrito, mas muito bem elaborado; tudo vai fazendo sentido e você se sente parte da investigação. Gostei especialmente do fato de  não haver aquelas reviravoltas meio dramáticas típicas dos livros da Agatha Christie. Certos livros da Agatha parecem um desafio ao nervos. Eu sou do tipo que não tem paciência e lê logo final. Com o Pedaço, não foi assim. O final me pareceu o de menos. Bem, e acaba sendo  mesmo o ponto  negativo do livro.

Não consigo julgar se o final foi óbvio. Não sei! Como a gente vai acompanhando a investigação e tendo acesso a todas as informações que o Banks tem, ocorre que não é preciso adivinhar o assassino. Você descobre mesmo quem é o criminoso! No entanto,  certas conclusões e deduções fundamentais para “montar  o quebra-cabeça” surgem muito de intuições e suposições do Inspetor Banks e eu fiquei me perguntando  como é que ele conseguia ter tantas sacações. Essse é o único “ senão” do livro.

Pra terminar, quero só dizer que esse título,  tão explorado por mim( rs), é primoroso. Ao longo do livro, a gente vai descobrindo que ele faz uma referência óbvia ao assassinato da moça, mas também é  uma metáfora bonita que une ,com perfeição, as duas tramas.

O livro já vale só pelo título!


2 comentários:

Cíntia Mara disse...

De tanto você falar, eu vou ter que colocá-lo na minha lista. Algum dia eu leio, rs. Não posso ficar lendo tudo o quanto é série que vejo, né? Vicio facinho, facinho, rsrs.

Isso que você falou do final, das intuições, me lembrou do Assassinato no Expresso do Oriente. Aff! Ainda tô frustrada porque não adivinhei quem era, hauhauha.

Legal sua mãe gostar de ler. A minha diz que gosta, mas nunca a vejo com um livro nas mãos.

Bjos

Monalisa disse...

Eu quero muito ler!
Vc falou tanto e ainda vem resenhar aqui, agora eu tenho que ler.
Beijinhos