domingo, 8 de agosto de 2010

" Como se não houvesse amanhã "

Vocês sabem que gosto da Rita. Gosto mesmo. Vivo me emocionando com as coisas simples e bonitas que ela escreve no Estrada Anil. De vez em quando, alguns dos textos me fazem chorar. O post de hoje é um desses textos que cavucam  coisas que ficam muito bem guardadas em mim. As palavras de Rita sempre me tocam de um modo todo especial.

Não pretendia postar nada relativo ao dia dos pais. Há muito tempo,  não faço comemorações nesse dia por motivos que não cabem no posts alegres do Fina Flor. No entanto, ao ler o texto da Rita, senti uma vontade danada de dizer alguma coisa, qualquer coisa,sobre paternidade.

Não sei nada sobre SER mãe ou pai; minha experiência se limita a TER pai e mãe. Do alto dos meus 26 imaturos anos de idade, só posso dizer que não deve ser fácil ser pai ou mãe de alguém ( ser filho também não é tarefa das mais simples). Imagino  o que se passa pela cabeça e pelo coração de alguém, quando descobre que vai , para sempre, influenciar diretamente a vida de uma pessoa que nem conhece, cuja companhia não tem direito de escolher. Porque pai e mãe não escolhem  o filho que terão, não decidem se aquela pessoa será interessante e divertida, não podem simplesmente  se cansar de  um filho chato e arranjar outro, assim como fazemos com amigos,amores, conhecidos. Ter um filho, me parece, é como dar um tiro no escuro, é fazer um contrato de amor vitalício, pra sempre, sem garantias.

(Escrever é uma coisas perigosa,né? Por que estou dizendo isso? Porque por mais que eu  tente ser impessoal ao escrever agora, especificamente neste post, não consigo. Sei que não há meios de adivinhar todas as dores e implicações por trás dessas minhas palavras, mas,só pelo movimento de fazer alusão a um tema como esse, sinto uma pontada no estômago.)

Mas, para além de pontadas e mágoas, acho que uma coisa que aprendi nesses últimos tempos e que vale para todas as nossas  relações é que  não se pode esperar o tempo ajeitar tudo. Uma vez, me disseram que eu entenderia muitas coisas quando crescesse, quando fosse adulta. Pois é, a gente entende mesmo. Empatia é um ganho, um aprendizado. A gente cresce e entende que nossos pais são de carne e osso feito a gente. Erram, acertam, choram, se cansam como todo mundo. A gente aprende a entender isso; aprende a perdoar seus erros e a compreender suas dores porque também temos as nossas dores e os nossos erros. Chega um tempo que o amor e o afeto prevalecem, de alguma forma.

Há casos, porém, em que o entendimento vem, mas os espaços do amor nunca são preenchidos de fato. Porque amor não brota assim do nada, só porque a gente quer. Amor é processo vitalício, tanto quanto vitalício é o registro de um nome numa certidão de nascimento.
Se eu pudesse dizer algo para todos os pais agora, não seria “ parabéns!”. Eu sugeriria que nunca negligenciem as  pessoas que amam. É um clichê, eu sei, mas funciona. Ainda que a gente não saiba ser maduro, coerente; por mais que a gente faça merda; por mais chato que seja viver e aturar a chatice da vida, vale a pena  não ser egoísta. Pode não evitar sofrimento, estresse, anos de terapia, mas garante a vitalidade de laços indispensáveis.


3 comentários:

Lia disse...

Ju, adorei seu texto e sinto o mesmo! infelizmente nao tenho grandes motivos para parabenizar ninguem hoje.... (ficou meio depre mas nao teve jeito..hehe)

Rita disse...

Juliana, sua bonitinha. Agora foi sua vez de me emocionar, viu? Seu texto me arrepiou. Você nem faz ideia de como seu texto me tocou - e não estou falando dos primeiros parágrafos.

Obrigada pelo carinho, minha flor.

Beijo grande pra você.

Rita

Vanessa Carneiro disse...

nossa! excelente texto anjo!