terça-feira, 28 de setembro de 2010

O melhor de mim

Lembram daquele post  sobre o que tenho de melhor, feito para a blogagem coletiva do Um pouco de mim?

Esse aqui ó:O MELHOR DE MIM ( BLOGAGEM COLETIVA)

Entonces, ele está entre os finalistas.

Não sei se gostaram ,se odiaram, se ficaram indiferente, se acham blogagem coletiva uma besteira sem fim, mas vou pedir que vão lá no blog da Elaine e deem uma votadinha em mim. Só pra eu não correr o risco de ter só o meu voto. Ai, isso já me aconteceu uma vez , na escola, e foi muito traumatizante... =p

Leitores da Elaine, votem em mim também, tá? Ah, e claro, sintam- se bem à vontade nesse meu bloguinho muito chique  e muito  fino. rsrsrs Ahhhh, e não levem nada que estiver aqui muuuuuito a sério,não, certo! ;)

Mais afago


"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'" (C.F.A.)



Tá na moda gostar do Caio Fernando Abreu,né? Eu fiquei apaixonada pelos contos dele um pouco antes dessa modinha. Caio F. era o meu refúgio quando eu ia pra biblioteca da faculdade estudar.  Ler textos teóricos era uma chatice sem fim, preferia me sentar na parte mais quietinha da biblioteca e mergulhar no Caio F.

Passei muitas tardes com a cara enfiada nos livros dele e nos da Lygia Fagundes Telles.

Ê, saudade!!

***

Esse trecho aí em cima foi postado por um amigo querido, cuja tradição é enviar coisas bonitas assim quando a gente precisa. E eu achando que ele tinha  se esquecido de honrar a tradição...



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Delicadezas


 Será que é indelicado mostrar pros outros coisas boas que escrevem pra gente?

 Se for, me autodesculpo pela indelicadeza. É que a doente nem sou eu, mas é bom quando cuidam um pouquinho da gente:

" (...)você no meio disso, imposição, paraquedas, sabe lá, mas no fundo não importa muito. importa mesmo esse amor que você leva por dentro, esse amor que te faz necessariamente frágil – porque é preciso ser frágil e sensível pra gente se colocar no lugar do outro e desejar que tudo mude – e ao mesmo tempo te dá forças pra seguir, te dá a paz pra colocar a cabeça no lugar."


Recebi um outro afago, mas não dá pra colocar aqui porque já comi. Nunca pensei que um sanduíche de atum me faria tão menos assustada e infeliz.



Imortal

Odeio hospitais.

Todo mundo odeia, eu sei.  ( Será que os profissionais de saúde também odeiam?) Mas me encaixo na categoria de pessoas que não conseguem raciocinar dentro de um hospital. Meu cérebro trava, os cheiros me sufocam, meu corpo reage. Dois dias seguidos acompanhando minha vó e amanheço com garganta, siso, bochecha e ouvidos inchados.Inconscientemente (sem querer mesmo porque ficar em casa , saltando da cama toda vez que o telefone toca, põe a gente doida), dei um jeito de não voltar pra lá.

Quando eu era adolescente , era hipocondríaca, de verdade. Fui descobrir isso anos mais tarde, quando tratei da ansiedade. O pavor que tinha das doenças, os livros que comprava sobre o assunto, a necessidade de ir ao médico sempre que aparecia uma dor de barriga - e a certeza de que daquela vez era uma doença grave- não eram esquisitices da idade,não.

Daí que anos mais tarde, eu achava que dava conta de ficar no hospital. Afinal, funciono assim: tenho um problema , você tem um problema maior ainda, a prioridade é você. Tem que ser, né? Não entendo muito bem quando as pessoas dizem " ah, eu não sei lidar com a situação pela qual  fulano tá passando. Vê-lo assim me dá muita pena, blá, blá". É mesmo? Problema seu!! 

Bem, eu não dou conta de hospital,não. A tranquilidade aparente e necessária foi posta em cheque e derrotada pela confrontação com o  fato de que corpos humanos são falíveis, mortais. Nós somos tão frágeis, tão " apodrecíveis". Num dia, vivos e saudáveis, no  outro, podem estar nos faltando um braço, uma perna, um osso pode se partir, o estômago pode arrebentar, o coração pode parar.

Hospitais  esfregam na nossa cara  o quanto é impossível controlar tudo, o quanto somos " complexos de carbono" ( um personagem alienígena de Jornada das Estrelas se referia aos humanos assim).

Deviam ensinar na escola como se lida com a morte, com a doença.

A gente deveria   deixar de viver nessa ilusão de que a morte só vem pros outros.

Os outros morrem. Eu e todos que amo não morremos, não. Somos especiais, imortais.

domingo, 26 de setembro de 2010

Vai passar

Quando perguntam: " E a sua vó como tá?", logo  me vem na cabeça : " Ué, bem!"

Porque, num mundo que obedece a ordem e a lógica, minha vó está  reclamando dos copos que não foram lavados  ou lutando contra o sono no sofá da sala ou comendo comida de bruxa - ensopado de pé de galinha com quiabo- ou inventando um apelido bizarro pra qualquer um que passe na rua.

Nesse mundo, não há lugar para pneumonias, cardiomegalias, edemas, caverdiolol, lasix, agulhas, cheiro que dá nó no estômago.

Nesse mundo, sigo a vida bem anestesiada. Nada de choro nem de aflição.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quando a parada é mesmo ruim, fica com cara de tristeza.

Mas não é tristeza,não. É impotência misturada com uma necessidade efetiva de se manter tranquila.

Não sei lidar com doenças, não sei.  As doenças que tive não iriam me matar.  O povo que conheço quase não fica doente.  Quando adoeceram, eu fiquei desse mesmo jeito : impotente e tranquila.

Mas,de verdade,  é só anestesia.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Só mais um pedacinho, vai:

" O olhar pode revelar amor ou morte. Mas o olhar exige distância pra ver. O olhar não toca. (...) O olhar promete, anuncia o carinho ou soco. Mas o olhar não é carinho nem soco. Carinho e soco são entidades do tato.

(..)

A voz não basta. (...) A voz sozinha não  pode cumprir suas promessas. A voz não pode perfurar o corpo. O tato acontece quando o corpo da pele. (...) A pele é lugar de tantas alegrias."


( outros excertos de Educação dos Sentidos, do Rubem Alves)

Rubem Alves aos pedaços

"(...) posso me entregar ao prazer de ler os livros  à maneira canina. Nenhum cachorro abocanha a comida. Primeiro ele cheira. Se o nariz não disser " sim", ele não come. Faço o mesmo com os livros.

(...)

Ler é um ritual antropofágico.  A antropofagia não se fazia por razões alimentares. Fazia-se por razões mágicas. Cada livro é um sacramento. Cada leitura um ritual mágico.

(...)Assim fui aos livros com a pergunta: " Você me ama?" ( Acha que estou louco. É Roland Barthes que declara que o texto tem de dar provas de que me deseja Há muitos livros que dão provas de que me odeiam. Outros me ignoram totalmente, nada querem de mim...)"


( excerto do maravilhoso livro Educação dos Sentidos)

domingo, 19 de setembro de 2010

Do bom e do melhor (O Melhor de Mim - Blogagem coletiva)


( Este pot foi escrito  como parte da blogagem coletiva proposta pela Elaine, do Um Pouco de Mim)

Ah, então, a tarefa é falar  o que Juliana tem  de bom,de melhor? Fácil, bem fácil, vai.

Hum, xô pensar:  a Juliana é ... ops! Peraê!  Juliana não. JU. Porque  apesar de achar  que Juliana é um nome lindo, a Ju prefere o  seu apelido mais comum. Ela fica reclamando que todo mundo acha que  pode sair chamando de Ju por aí, mas ela gosta , ela adora. Diz  que Ju é delicado, doce, uma gentileza. Aliás, essas são qualidades  que ela diz que não tem. Ô, pessoa pra gostar da doçura e da gentileza alheias, mas incapaz de reconhecer essas qualidades em si. Mas é bem mentira, sabiam, ela sabe sim que  é docinha, docinha. Delicada, nem tanto. É que ela  tem gestos largos, derruba tudo, fala alto. Ah, mas até isso tem um certo charme, porque  se a pessoa derruba a casa inteira ,mas não tem preguiça  de botar no lugar e arreganha um sorriso cheio de desculpas, um sorriso que ela bem sabe que facilita as coisas, tudo certo, tudo bem.

Taí, uma coisa de que a Ju aprendeu a  gostar é de seu sorriso. Ela não gosta muito dele em fotos, fica dizendo que é escancarado demais, mas   a Ju  adora sorrir e  o sorriso vem fácil. Pra tudo e pra todos, ela mostra os dentes. E  bom humor e animação constroem pontes, suavizam  a vida,né?  Mas sabiam que esse negócio de ser bem humorada  causava um nó na cabeça da dona desse blog. Pois é!  A Ju ficava numa neura de que as pessoas não levavam a sério o que ela dizia, não  lhe davam o devido crédito. Olha, a mulher ficava brava toda vez que Jaqueline e André  ( amigos que estão ali na categoria de confidentes) soltavam: “ Ju, você é tão engraçada!”. Ah, mas não se preocupem, ela já entendeu que graça não é palhaçada, que eles só estavam constatando um aspecto da personalidade dela.  No fundo,  ela sempre sabe usar o bom humor a seu favor, muitas vezes, quase sempre, sem nem perceber.

Humm, deixa eu pensar mais: ah, a Ju  é saltitante. É mesmo! De vez em quando, ela se pega dando pulinhos e dizendo: “ Vamô lá! Vamô lá”. Nem sempre, ela sabe onde é esse lá, mas ela quer ir, não consegue ficar parada. A pilha não acaba, tem gente que acha que ela enfia o dedo na tomada 220 volts todos os dias de manhã. Ela adora ser assim.  Se você precisa de alguém pra escalar o Everest, tomar sorvete de morango, segurar sua mão na montanha russa, essa pessoa é a  Juliana. Ela topa tudo. Claro que vai morrer de medo  antes, dar um chiliques, fazer um drama, mas não se deixem enganar. No fim, a pessoa que mais curtiu as loucuras foi ela.  Dá pra desconfiar que a d. Juliana só não faz mais loucurinhas porque... ah, não dá pra saber por  que. Perguntem pra ela.

Bem ,mas não é só de risos e agitação que essa criaturinha vive, não. Tem um lado da Ju que não fica assim tão exposto. Ela chama de melancolia e , às vezes, tem uma dificuldade danada em lidar com ele. Mas ela  também aprendeu a gostar do que há de mais delicado  em si. Dos silêncios repentinos, do aperto no peito que vem sabe-se lá de onde, a Ju tira  contos de amor , epifanias pra vida e palavras bonitas que ela deposita em diários secretos e diários compartilhados. Aliás, compartilhar é um verbo que ela gosta de conjugar.

Vocês nunca hão de ouvir da boca da Ju, mas ela sabe que é aconchegante. Mais que isso, ela sente prazer em dar e receber afeto, em oferecer colo.  Ela diz é palpiteira, mas não é só isso,não.  A Ju não fica brincando com os sentimentos dos outros, nem os menospreza. Ela presta atenção,  chora junto, ri junto. O nome disso é empatia. A Juju é simpática e empática. E esperta também, sabiam? Adivinha coisas, manda e-mail nas horas certas, ninguém esconde segredos dela. Ela a-d-o-r-a ser esperta!  Bem, ela é inteligente também –  tem aquela inteligência que serve pra escola, pro trabalho, só que pra variar, ela também não gosta muito  de admitir isso.

Ai, mas  o  propósito desse post era dizer o que  a Ju tem de melhor,né?  Então, vamos focar. Ela adoraria que se dissesse que são os olhos ( essa Juliana tem uns complexos de menina feia que  precisa realmente tratar, porque ninguém mais acredita quando ela diz: “ ai, é que eu sou feiosa”. Mas deixemos os complexos da moça de lado. Esse post é  elogioso. Nada de críticas!). Ela tem olhos bonitos sim,  mas o que a Ju acha que tem de melhor não dá pra ver. Quer dizer, deve dar. Ela não sabe se os outros percebem.    O melhor da Juliana é que ela é RESISTENTE.

 Explicando: há aquele seu lado que se recusa a dormir enquanto há festa, que lê um livro numa tacada só, que quase não adoece, que  só lembra Às dez da noite que tá o dia inteiro sem comer, mas não é desse tipo de resistência  que a Ju se orgulha.

A Juliana gosta é de saber que , por mais que tudo pareça brabo, ruim, cansativo, insuportável  ( e , como todo mundo, ela já viveu momentos bem difíceis), ela não desiste. Pode até balançar, chega a cair, não aceitar, ter crises, mas  desistir, nunca, nunquinha , jamais. A Ju gosta demais de si mesma pra deixar que seja lá o que for a faça crer que o fim da linha chegou. A estrada da Ju é tortuosa, esquisita, nonsense, mas ela defende , com unhas e dentes, esse seu caminho que não é feio nem bonito, que não é  largo nem estreito, que não é de fulano nem sicrano,  é DELA.

E essa resistência tem a ver com a certeza que ela tem de sua origem.   A Ju fala pouco sobre isso.  É que ela tem medo de ser leviana ou de repetir os discursos que eram seus – e eram mutio pseudocrístãos pro gosto dela -  no passado. Ela também não fala muito porque esse é um assunto muito importante pra ela, muito íntimo. Intimidade deve ser preservada, ela acha. E  ela tem medo de banalizar  essa sua certeza. É assunto sério, minha gente!!

Enfim, a Ju é resistente por que ela sabe que  Deus desejou que ela existisse e sabe que Ele não  manda ninguém ao mundo a passeio.

Quer dizer, manda a passeio a sim , porque a vida é pra ser boa,né?

Mas  vida , além de ser pra passear, se divertir, é pra ter sentido.

É por isso que a Ju “ trupica, mas não cai”.


P.S.:  Hesitei bastante em escrever esse post. Fiquei pensando no que eu poderia escrever  afinal. Daí me veio a ideia de escrever em terceira pessoa. Fiquei com medo de parecer o Pelé, que se refere a si mesmo com se fosse outra pessoa, mas  acabou que foi melhor assim. Resolvi usar comigo a gentileza e as palavras bonitinhas que gosto de  dar às pessoas.

E eu chorei escrevendo. Não deveria ser tão difícil  ser sincero a respeito do que a gente  tem de bom. Quem foi que disse que só os defeitos têm bossa,né?

A ideia da Elaine foi linda,né? Gostei demais!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Na lata, com amor

É bom ter, na vida, pessoas que são iguaizinhas a gente. Se não são iguais , são tão parecidas que adivinham nossos silêncios, pensam lá longe o que a gente tá pensando aqui, entendem palavra por palavra do que a gente quis dizer - entendem até melhor que a gente.

Pessoas assim facilitam a vida. São essenciais, mas de um jeito leve, manso, a gente quase nem nota que precisa tant. Ah, como precisa!

Só que minha tia-avó me ensinou uma coisa  hoje: fundamentais também são  aquelas pessoas que são diferentes da gente, que não concordam ,não adivinham, dizem a verdade sem medo e com amor. Gente que te ama, te adora e por isso mesmo manda na lata: " Ei, isso tudo aí tá uma merda! Vamos lá, desfaz e vamos recomeçar!"

Minha tia- vó é boa nisso.  Quando ela estava " em ação" hoje , fiquei prestando atenção pra ver se aprendo.

Ela é sinistra!

Bonitão, bonitinho

Lendo este post da Renata, me lembrei de que eu também reencontrei o bonitão da escola.

Nem sei se ele era tão bonitão, mas quando cheguei na escola nova  e vi aquele menino bonito, todo gaiato, achei que ele fosse o cara mais lindo da face da terra.

Daí que, muitos anos depois,  ele apareceu num grupo de amigos meus. Não vou me esquecer jamais do momento em que cruzou a porta e entrou no meu campo de visão. Não, aquele momento  não foi  inesquecível porque ele parecia  um deus grego, uma aparição enviada dos céus,  um mocinho de filme adolescente. Não!

O que ficou marcado foi o meu espanto.

De pertinho, o galã da turma tinha uma barriguinha engraçada  salientada por uma calça nada a ver, os cabelos não eram tão sedosos quanto  me lembrava, E...

Pausa pra uma confissão: pessoas, tenho que assumir! Tenho um preconceito no que diz respeito a rapazes. Nada do que eu disser, justificará esse preconceito,mas , vai lá:  eu não consigo achar homens baixinhos atraentes.  O cara é lindão, simpaticão, todo ão, mas é menor que eu ? Acabou pra mim... kkkk
Por conta dessa minha palhaçada e do meu talento pra pagar a língua, meus amigos predizem que eu cairei de amores por um homem que  bata ali, na altura do meu queixo. Ai! =p


E... o garoto bonitão da escola ficou em pé ao meu lado e eu constatei: ele era menor que eu, muito menor, um nanico. Como isso é possível? Será que eu cresci muuuuitos centímetros em 6 anos? Será que estou de salto e nem percebi? Será que ele não é ele?

( Mentira! O moço é um tantinho à toa mais baixo que eu. Ah! E eu nem sou alta.  Finjo que tenho 1,70,mas o médico disse que é 1,69m.)

Esse reencontro pôs um fim às minhas ilusões. Se até o moço mais bonito da escola ( no meu julgamento, claro) tem defeitos, como é que vou achar o homem perfeito, gente? Me digam, gente! Me digam! =p

P.S.:  Só pra reforçar ( pra mim  mesma, claro! porque senão vou sair por aí dizendo que " quem vê altura, vê coração"):  o moço que mais fez meu coração sair do compasso   tinha mãos do tamanho das minha,  ficava um tantinho menor que eu quando eu usava salto e  é perfeito, sim ( não pra mim, mas aí é uma outra história.)

E eu digo: ainda bem que corações são anticonvencionais,né? 

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Lenine por inteiro

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.
(É o que me interessa- Lenine)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Crescer e aparecer

Outro dia, li  uma crônica da Martha Medeiros, cujo título não lembro,  que dizia algo assim:  você não é um adulto? Então, pare de reclamar e vá viver. Estou parafraseando a Martha porque não lembro das palavras exatas, mas a ideia era essa. Daí que senti que a crônica tava me puxando pelo pé, me lembrando daquele velho questionamento sobre ser adulto de verdade.Fiquei na cabeça com uma coisa que a Martha disse sobre controle. Mais uma vez , uma paráfrase : adultos têm a consciência de que não podem ter pleno controle de cada milímetro da vida.

Gente grande de verdade não perde tempo fazendo birra, insistindo em caminhos que não possíveis, não faz “ mimimi” só porque o “ doce” que queria acabou. Acabou-se o que era doce? Compra um salgado, um misto quente, não compra nada, mas se decide, segue em frente, não fica  na porta da doceria, choramingando: “ Ah, eu queria aquele  doce!”.

Às vezes, a gente fica mesmo parado na porta da doceria resmungando ou tenta convencer a pessoa que faz os doces a fazer unzinho a mais só pra gente. Fica lá, dando murro em ponta de faca, fica lá achando que vai só vai ser feliz, se comer um docinho, minha vida por um doce, minha felicidade há de ser açucarada.
Não sei se tava  na crônica, não sei se li em outro lugar, não sei se eu inventei agora, mas ando pensando nessa frase: “ crescer é agir conforme a realidade e não de acordo com as nossas expectativas”. Beleza! Acabei de inventar a pólvora,né? Jura, Juliana, que você acabou de descobrir isso? Cassia Eller cantava um verso mais bonito que essa frase: “ Bobeira é não viver a realidade”. D. Quixote e seus moinhos de vento são imagens escandalosamente bonitas para isso aí.

 Pois é, há coisas que a gente sabe, mas não entende. Ou fica se fazendo de bobo pra não entender. Ou enfia a cabeça debaixo do travesseiro pra não ver. Ou faz que nem aquelas crianças que pirraceiam na porta de shopping. Ou  fica por aí, com cara de bobo, fazendo de conta de que está esperando o mais colorido dos arco –íris entrar pela janela. Fazendo de conta não. Realmente, fica esperando.

Só  que arco –íris não entra pela janela. Que bom, né? Por que deve ser muito decepcionante ter um arco-íris tão perto, tocá-lo e descobrir que  é feito de algo que não é palpável. Deve ser bem decepcionante! Me lembrei agora daquela cena do Show de Trumman, em que o Jim Carrey pega o barquinho, navega em direção ao horizonte e chega no horizonte. Mais que isso, espeta o horizonte com o barco.  

Quer saber? Ando desconfiada – ou já sei há muito tempo e não quero aceitar- de  que não existe essa de ser isso ou aquilo de verdade.  Ser adulto, ser gente , se sentir pleno e confortável, talvez, tenha a ver com   se comprometer em fazer o melhor possível, com aquilo que se tem; tirar a  SUA batata quente do colo dos outros , fatiá-la e se servir.

Não dá pra passar a vida toda dizendo: “ Mas não fui eu, mamãe! Foi ele! Juro que foi!”.



Ó vida, ó céus!

Nesse fim de semana, eu ia " fugir pra outro lugar, baby".

Tudo no esquema: passagem, lugar pra ficar, meus óculos de sol, minha disposição, meu morango ao leite, quem sabe  até  rolasse massagem ( não, Luciana, não tem nada a ver com namorado em início de namoro!), minha imensa vontade de desplugar.

Daí que vai chover. Vai chover em TODOS os lugares legais para os quais desejei ir no Estado do Rio de Janeiro nesse fim de semana.

Prefiro crer que não era pra ser!

P.S.: E se eu fugisse pra Nárnia ou Hogsmeade? Vou pensar no caso! =p

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pedindo uma ajudinha

Prometo que este será o  ultimo post do dia.

É que ando tão cheia de energia e de ideias que me dá vontade de vir aqui  e falar, falar, falar, e falar.

Bem, vamos ao assunto, então: quero uma ajudinha de vocês. Uma aluna do sexto ano (aqueles adolescentes de quem tanto falam) me pediu que eu lesse alguma coisa pra eles na aula, sem ser " texto de dever". E justo hoje peguei um texto do Rubem Alves que fala do prazer da leitura, da delícia de ouvir alguém contando uma história.

Daí , pensei vou pedir ao pessoal que visita o blog que sugira algum conto que possa levar pros alunos.

Digam aí o que vocês acham que pessoas de  12 e 13 anos, inteligentes pra caramba, falantes, maneiríssimas como os meus alunos iriam adorar ler?

Importante:  pensem em contos não muito grandes e , que se possível, estejam disponíveis na internet.

Vamos, vamos colaborem aí, pessoal!

Agora , me deixem desligar esse computador! Preciso! Preciso!

Cinematerapia

Duas das minhas amigas vão à mesma analista.

( Pois é, 40% dos meus amigos fazem algum tipo de terapia. Só ando com gente problemática? Não, não, estou é cercada de pessoas que dão um jeito de resolver seus problemas. Se não resolvem, pelo menos , tentam! Nem sempre conseguem, mas tão lá, fazendo o possível pra que a vida seja , assim ,mais suave.  Leveza é a gente que inventa ,né?)

E as duas vivem  me contando as historinhas que  a tal da psicóloga conta pra elas. É um tal de " Ah, Ju, você falando isso, me fez lembrar de um filme sobre o qual  a F. me falou !" ou " Não sei quem comentou desse filme comigo? Ah, foi a F."

Preciso dizer que tenho uma certa antipatia pela F. Não, não a conheço, nem pretendo conhecer, mas não gosto muito  dela. Ando cansada de  ouvir minhas amiguinhas citando as historinhas da F! F viu todos os filmes do mundo, leu todos os livros do mundo, F é uma chata!  Hum , será que  tem alguma valia transferir toda raiva que senti na infância para a psicóloga alheia? =p  ( Lia e outros psicólogos que apareçam por aqui: não entendo e jamais entenderei o conceito de transferência, logo ignorem essa piadinha infame,tá?)

Toda essa lenga-lenga  serviu pra  falar do livro que achei na biblioteca da escola hoje de manhã:  Cinematerapia para a Alma. Na hora em que bati o olho, pensei: " Esse é o livro de onde a F. tira as historinhas delas ! Descobri o segredo dela. ( risada malévola)". Bem, trouxe o livro pra casa,mas ainda não comecei a ler, só folheei.

Os capítulos têm nomes comos: " Socorro , Jane! Pare essa coisa maluca: filmes para você combater a ansiedade" ou " Meu carma atropelou meu dogma: filmes para você sair do status quo". Bom demais,né? 
Ah, tem um capítulo que fiz questão de ler , enquanto vinha para casa ( e quase fui atropelada por uma bicicleta por causa disso):  " Lado a lado: filmes para você encontrar sua alma gêmea."  Não dava pra esperar chegar em casa pra descobrir a fórmula pra achar a outra metade da minha laranja,né?

Acho que vou rir bastante com esse livro delicinha. Depois conto pra vocês.

P.S.: As autoras do livro são Nancy Peske e Beverly West e a editora é a Versus.

Silêncios e sorrisos

As pessoas certas sempre sabem do que a gente precisa.

A perfeição seria se esse combo de felicidade viesse acompanhado de uma boa massagem , porque minhas costas andam pedindo arrego.

Um tônico pra garganta também seria bem-vindo.

Abusando da boa vontade, um copão de morango ao leite tornaria tudo mais feliz!

Ai, até suspirei!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Títulos

Estou lendo naquele meu estilo entrecortado um livro do Richard Sennett chamado Carne e Pedra. Não é romance nem  é de poesia; é um livro sobre a relação que estabelecemos com o corpo e a cidade. Ou algo assim! Não sou boa  em resumir livros, ainda mais esses carregados de teorias legais.

Comprei Carne e Pedra porque entrei na Nobel com ganas de adquirir um livro qualquer, porque li uns capítulos  deliciosos de outros livros do Sennett na faculdade, porque gosto de ler sobre corpo, porque ando com saudade de estudar, porque achei o título do livro um lindeza. Carne e Pedra não soa como verso de um poema bom?

Livro me ganha no título- ou fica marcado justamente por ele.  Não é delicioso ter um livro chamado Doze Contos Peregrinos? Adoro, adoro esse livro do Garcia Marquez, mas gosto ainda mais dessa combinação de palavras que o nomeia. Peregrinos não é uma palavra boa de falar? Nesse livro do Gabo, há um conto chamado o Rastro do teu Sangue Neve. Um conto lindo e um título danado de legal.

É lugar- comum ser doida por Clarice Lispector, mas acho que até quem odeia a Clarice ( existe tal pessoa? rsrs)  não é capaz de resistir a um titulo como Perto do Coração Selvagem. O livro é um escândalo de lindo, mas, por mim, nem precisava ter conteúdo, com um título desses. ( Eu choro tanto com a primeira parte desse livro...) Ah, e Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres ? Não dá vontade de comprar, tipo, nesse segundo?

Dia desses, esbarrei na Saraiva com  o livro do Edney Silvestre,  Se Eu Fechar os Olhos Agora. Não sei ao certo qual é o enredo do romance. Li a contracapa, mas o que ficou na minha cabeça foi esse título,gente! Dá vontade de saber o que vai acontecer quando esses tais olhos se fecharem.Dá vontade de fechar os olhos também  e deixar acontecer... Hum , viajei,né? Pois é, acho que esse é o propósito...

Um dos meu livros favoritos de toda vida, para sempre, até que eu não possa mais relê-lo é Canção do Mar. Nem sei se é famoso, não é desses que viram clássico, acho. Na verdade, é um grande "dramalhão mexicano", mas eu adoro. Choro, choro, choro. Dia desses, falo melhor dele. Acho que vocês não deviam continuar existindo sem ter lido esse livro... kkkk

Ahhhh, lembrei de um  que meu pai me deu quando eu tinha 8 anos,  A máquina de Pensar Bonito contra o Medo que o Medo que o Medo Faz. Alguém aí leu ? Ah, não é uma delícia de título?  E o que acham de  Bisa Bia  Bisa Bel ? Só fui  ler esse livro ano passado! Uma aluna me emprestou. Acho que TODO MUNDO deveria lê-lo.

Caramba! Minha memória está trabalhando frenética. Um monte de títulos estão emergindo da mente ,mas vou parar esse post por aqui, antes que eu seja incapaz de voltar a elaborar provas. Sim, toda vez que sou obrigada a inventar questões chatas com o objetivo de  aterrorizar os alunos,  fujo pro blog. Fazer listinhas de  títulos poéticos de livros lindos é bem mais feliz que trabalhar! ;)

P.S.: Ah, acabei de pegar Perto do Coração Selvagem e vi que a epígrafe do livro é uma citação do James Joyce : "Ele estava só. Estava abandonado, feliz, perto do coração selvagem da vida." Ufa,né? Não me perguntem de que livro saíram essas palavras. Não li nadica do Joyce, nem estudei nada sobre ele. Tenho Ulysses aqui na minha estante ,mas é só pra dizer que tenho. Acho que Ulysses é um livro pra se ter, saber que tá lá na estante, mas ler... ai, eu não sei se vou ler,não! =p

P.S.:  Olhem o que achei ao procurar alguma coisa sobre A Máquina de Pensar Bonito:  nota de falecimento do livro      De partir o coração! Ei, Carlos Alberto! Seu livro permanece vivinho na minha memória. Meu exemplar foi doado há muito tempo,mas deve estar por aí com alguma criança.

sábado, 11 de setembro de 2010

Podem me chamar de boba

Juro, juro, juro que não sou uma daquelas pessoas viciadas em youtube. Não sou mesmo! Estou mais para aquelas querem morrer quando os amigos ficam  citando frases de vídeos famosos. Tenho certeza absoluta de que poderia passar muito bem sem saber quem são Vanessão, a garota do Cross Fox, a mulher que espanca amiga traidora etc

Mas, de vez em quando, esbarro em vídeos que me fazem chorar de rir. Estou chorando de rir nesse momento. Não consigo me controlar...  Em geral, os vídeos que acho legais não agradam a quase ninguém.

Hummm, será que vocês vão rir destes:



Imagino que o vídeo não  muito faça sentido para quem não conhece as séries das quais foram retiradas as cenas, mas não dá pra resistir ao menino dizendo : " I made poopy in the potty". Eu não resito!
Scully  com creme verde na cara também desconcerta! hehe






Não me canso de rir desse panda, mas acho que só Amanda e eu vemos graça nele. Mostrei prum monte de gente e fui descaradamente chamada de boba, mas tudo bem!

Tá bom! Fim da sessão de vídeos que fazem a Juliana ri.

Vontade de ...

" (...) sair pra ver o céu/ vou  me perder entre as estrelas."

As estrelas seriam uma excelente companhia hoje...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Noites maravilhosas

A seção " Sonho do dia" mudará de nome temporariamente, atendendo a sugestões feitas por pessoas que acham que meus sonhos têm sido muito interessantes.

Bem, enquanto eu continuar sonhando com cuspidores de fogo, montanhas russas ,mansões, casamentos de colegas virtuais, tá beleza! Por falar nisso, noite passada, sonhei que a Camila Pitanga resolvia me apresentar o irmão mais novo dela ( não , não era o Rocco Pitanga!). Imaginem o que seria um irmão da Camila Pitanga... Sim, o irmão mais novo dela, o do meu sonho, é um pedação de mau caminho.

Daí que ele caía de amores por mim e eu por ele, mas nada de eu conseguir agarrar o moço. Ele resolvia fazer um tour por todos os lugares que frequentei na infância e adolescência; acabávamos sentados no banquinho do pátio do colégio onde fiz o Ensino Fundamental.  Quanta enrolação! Posso com isso? =p

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Desabafando

Não, eu não conheço muitos homens babacas. Nem gosto dessas generalizações bestas que afirmam que TODOS os homens do mundo são idiotas e imaturos. Bem, PESSOAS, em geral, tendem a ser idiotas e imaturas ( olha uma idiota e imatura escrevendo aqui neste momento. \0/), mas há moços que abusam daquela dosezinha de imaturidade necessária e permitida a todos nós.  Quer tornar a situação mais requintada? Junte numa pessoa só babaquice, imaturidade e soberba. Perfeito,não? Nada mais apreciável nessa vida do que imbecis que agem como bebezões e acham que , sim, eles são assim e todo mundoo tem que aceitar.

Não, nenhum ser dessa espécie cruzou o meu caminho. Ainda bem que não. Porque eu provavelmente não saberia lidar com um tipo que , mesmo sem ter a intenção, tem por hábito  fazer mingau com a cabeça e, especialmente, com o coração alheios. De tipos assim, eu me protejo violentamente. Gosto de acreditar  que sou durona o suficiente para mantê-los bem longe de mim ( claro que só eu acredito nesse meu discurso de " se - tu -pisar- no -meu - calo- quebro - tuas-duas - pernas", né, mas me deixem aqui  com a minha ilusãozinha de estimação).

O grande problema dessa vida é que não se pode estender nosso senso de proteção às pessoas que amamos. Não ,não dá! E é  até bom que não seja possível. Cada um sabe da sua história, cada um sabe das coisas que sente. Como já dizia o ditado, " coração alheio é terra que ninguem pisa."

Mas,por mim, se eu pudesse, se me autorizassem ou se eu  não tivesse pudores de me meter em assuntos que não são meus,  chamaria um certo babaquinha idiotinha infantilzinho e diria:
" Vaza, meu irmão, vaza! Mas vai embora de verdade. Não volte nem quando você  crescer de verdade."

Dá uma vontade!

Pois é, não adiantaria de nada, mas eu ficaria bem feliz!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu, a criança e a maturidade

Paulo Victor passou o feriadão aqui em casa e eu não consigo deixar de sentir um certo alívio porque ele foi embora. Não, eu não sou a pessoa mais desnaturada desse mundo! Não, não odeio crianças e quero vê-las beeeeem longe de mim! Se alguém disser algo assim ao meu respeito, acreditem ( vou usar agora a mais nova frase favorita do PV): é mentira, muuuuita mentira!! 

Mas,gente, morar com uma criança cansa!

Acompanhem o raciocínio: a pessoa acorda, toma café, brinca de bombeiro, anda um pouquinho na rua, joga no celular, joga no computador, assiste a desenhos, canta mil músicas chatas, conta aquelas malditas piadas dos Backyardigans ( vocês sabem por que o baleia atravessou o oceano?), assiste  ao Up pela milionésima
 ( “ Boa tarde! Meu nome é Russel!”), vai banheiro e precisa que alguém limpe o bumbum, come, bebe, fala, fala, fala, fala, pula na cama,  reclama, faz malcriação, toma bronca, chora, pula na cama, dança, canta e ... chama sem parar: “ Ju- li- a- na”. Juro que  adoraria mudar de nome por uns dias, só pra não precisar ouvir a palavra Juliana por um tempo. PV tem um modo todo especial de pronunciar meu nome. Quando ele liga pra cá, é uma delícia ouvir a vozinha engraçada dele. Mas escutar meu nome umas cem mil vezes por dia, juro, é de enlouquecer. Ele fala “ Juliana” de um jeito engraçado, enfatizando o “ a” anasalado. Se eu ficar quietinha agora, sou capaz de ouvir aquela vozinha na minha cabeça.

Às vezes, minha tia se aproveita do fato de que PV e eu nos damos bem,para se livrar de tarefinhas chatas, do tipo  lembrar de limpar o nariz,jogar o “ jogo do bolo” no computador, apostar corrida com carrinhos de três rodas, ser goleira em incríveis cobranças de pênalti. Eu perdoo minha tia! Enquanto estou aqui de volta à minha rotina, ela ainda está ouvindo “ mãeeeeeeeeeeeeee” umas duzentas milhões de vezes ao dia.

( Estou  fazendo gracinha aqui com vocês,  mas toda vez que convivo com PV  me pergunto de verdade se maturidade pra maternidade é algo que se adquire com o  tempo ou se aprende na marra. Fazendo um paralelo,  penso sempre nas dificuldades de equilibrar autoridade,  firmeza e leveza  ao lidar com as turmas de sexto ano.  Para mim, é uma tortura dizer não, aplicar castigos, exigir caderno completo. Tem horas em que eu  adoraria ser coleguinha e não a professora, mas aprendi,na marra e na prática,que  ser aquela que coloca ordem na casa é necessário, mesmo que  se tenha de enfrentar umas caras feias.

Dia desses, tive que aplicar a "punição"  combinada para uma regra quebrada. Quase chorei junto com a menina e o menino  que ficaram me pedindo desculpas sem parar (eles ficariam de fora da sessão de filme que tanto aguardavam), mas se eu deixasse passar “ só dessa vez”, o acordo que firmamos – os alunos e eu- para que a sala de aula fosse um lugar razoável iria por água abaixo. E eu não quero que  meus alunos fiquem achando que acordos são feitos para serem burlados, que pedir desculpas nos livra das consequências. 

Ser  professora é maneiro,mas nem sempre é divertido.Imagino que ser mãe também não...)

P.S.: E aí, adivinharam por que a baleia atravessou o oceano? Para queimar umas gordurinhas, oras! =p


Sonho do dia de ontem

Minha internet finalmente voltou. Dessa vez, fiquei offline por minha própria irresponsabilidade. Esqueci completamente de pagar a  fatura da internet e do celular , daí a Oi bloqueou os serviços. Pior é que liguei pro *144 toda decidida e fiquei com cara de tacho,né? Depois de pagar, ainda tive que esperar o banco repassar o valor para Oi. Aff! Bem, serviu  para que eu colocasse logo minhas contas em débito automático.

Bem, mas deixem contar o sonho que tive nesses dias de abstinência da vida virtual. Começa assim: Eu estava na festa de casamento da Fabiane. Eu dizia pra ela que a festa tava muito legal. Daí ela virava pra mim e dizia: " Aproveita, escolhe um cara aí na festa e casa também".  Dentre os muitos homens  da festa, eu escolhia um cara que estava trabalhando como cuspidor de fogo ( pois é, a Fabiane tinha contratado um circo pra animar o casamento dela) e me casava com ele. Psicólogos de plantão, digam pra mim se há algum simbolismo especial nesse lance de cuspidor de fogo...  Será que significa que vou me casar com um dragão? =p

No mesmo sonho, eu ia passar a lua -de - mel em Belo Horizonte e ficava hospedada na mansão da Débinha. Sim, Deb, nos meus sonhos você tinha uma mansão. Ah, gente! Era casa mais legal do mundo. Tinha até uma montanha russa no quintal! Ah, quero tanto uma montanha russa no meu quintal. Se eu derrubar a minha casa e as dos vizinhos e ainda ganhar   na mega sena, dá comprar uma pequena montanha russa para mim.

Se quiserem, até empresto a minha montanha pra vocês, tá? 

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Brincando de resenhar

Sabem o que é personal reader? Se não souberem, tudo bem! Porque Jaqueline e eu muito nos orgulhamos de termos “inventado” o conceito e a expressão. O personal reader é aquela pessoa que indica e empresta os livros certos, aqueles que acertam em cheio o coração da pessoa. Viram como somos geniais? =p

Sou a personal reader da Jaqueline desde que nos conhecemos, mas ela não é a minha porque, afinal, tenho muito bom gosto e ela, quando cisma de me indicar alguma coisa, vem com bombas tipo Amor em Minúsculas.( Ainda bem que  a Jackie nunca vem aqui, porque ela me mataria se soubesse que ando  fazendo críticas públicas ao seu querido Amor em Minúsculas. Ó, se alguém contar pra ela... rsrsrs)

Pois bem,  nos últimos meses,  ofereci um pouco dos meus serviços à Jackie. Emprestei pra ela alguns dos meus livros mais legais e  todos agradaram. Sei quando um livro agrada à minha amiga, quando ela me diz " Ju, por que é que você esse livro?". Essa frase significa que o danado do livro é tão bom que a Jackie abdica de suas sagradas horas de sono nos engarrafamentos  da vida para aproveitar cada milímetro do livro.

 Dessa vez,o  livro que  Jackie andou lendo sem parar  foi Adoro Música, Adoro Dançar, da Mary Higgins Clark. Eu o li faz muito, muito tempo, na época em que Sidney Sheldon era meu autor de cabeceira. Uma amiga da minha mãe vivia emprestando livros pra ela e eu aproveitava para lê-los, enquanto minha mãe estava trabalhando. Adoro Música foi um dos primeiros livros  adultos que li e um dos primeiros a tirar meu sono.

A história é assim: duas amigas , Darcy e Erin, resolvem responder àqueles antigos anúncios pessoais publicados em jornais, nos quais as pessoas anunciavam suas qualidades e procuravam namorado. Para nós, parece absurdamente estranho  enviar uma carta para uma caixa postal e depois se encontrar com uma pessoa, sem ao menos ter visto uma foto dela. Pois é, no início da década de 80 ( época em que se passa a história), a coisa funcionava assim. Na verdade,  na década de 90 também, porque eu, é euzinha, tive amigos por correspondência. Nenhuma amizade que tenha perdurado ,mas eu vivia ansiosa esperando o carteiro passar.

Tá, tá, voltemos ao livro. Então, Darcy e Erin são mulheres bonitas, ricas, profissionais de sucesso, glamourosas, cheias de pretendentes que só respondem aos anúncios porque uma amiga delas, Nora, está produzindo um programa de tevê sobre o assunto e pede a ajuda delas. O problema é que o  que não passa de diversão e passatempo, se transforma num drama. Erin acaba sendo assassinada e tudo indica que o assassino é um dos homens que ela conheceu através dos anúncios.

Darcy, inconformada com a morte da amiga, decide empreender sua própria investigação, paralela àquela feita  pelo FBI. Para tanto, receberá ajuda de Chris, um cara também rico, lindo, educado, chique, blá, blá cuja irmã  foi   assassinada nas mesmas  circunstâncias que Erin. Ahhhh, esqueci de dizer: tanto Erin quanto a irmã de Chris foram encontradas calçadas com um sapato próprio para dançar.

O livro é muuuito legal. Acreditem!  Quando li pela primeira vez, tinha uns doze anos e  fiquei um tempinho com medinho de dormir sozinha. Recentemente, encontrei um exemplar no sebo, comprei  e reli. O medinho de dormir não voltou ,mas  a sensação de que eu não seria capaz de desgrudar do livro continuava a mesma. A trama é muito bem estruturada:tensão e suspense na medida certa. Não sei se o final é previsível. Tanto Jackie  quanto eu chegamos a desconfiar do assassino, mas logo abandonamos o palpite porque a autora se utiliza tão bem de recursos ambíguos que todos palpites parecem absurdos e plausíveis ao mesmo tempo.

Ah,  há dois pontos negativos no livro:
1)todo mundo é muito glamouroso. Até o agente do FBI que investiga o caso almoça e janta naqueles restaurantes incríveis de Nova York.
2) a mocinha passa o livro inteiro à base de sopa de lata. Aff, isso me deixou indignada. A mulher é praticamente  canta, dança, sapateia, tem rios de dinheiro, é filha de astros de cinema, investiga assassinatos e passa o tempo todo comendo sopa. Não, essa é demais pra mim! kkkk

Pra terminar :  a Mary H. Clark é famosérrima. Já li outros livros dela, mas esse me pareceu o melhor. Na verdade, acho que o primeiro  que você lê sempre parecerá o melhor porque , infelizmente,  a autora tem uma receita de bolo. Li recentemente Na Rua em Você Mora.  O argumento do livro é incrível ,mas o desenrolar da  trama e os personagesn são muito semelhantes aos de  Adoro Música.  Descobri facinho o assassino de Na Rua.

Então, se for pra ler algum livro da  Rainha americana do Crime ( parece que comparam a autora à Agatha Christie), leia o Adoro Música, Adoro Dançar, tá? Ouçam o conselho de uma personal reader!!! =p











Um mimimi simpático




Mil ideias circulando na cabeça, mas preguiça imensa de escrever. Estava pensando no post perdido de anteontem. Deveria reescrevê-lo. Ai, preguiça!Mas o lance é o seguinte: bateu  uma sensação de que nós - vocês e eu - estamos ficando íntimos demais. Pois é, intimidade me intimida.

Inventei de criar o Fina  porque andei apaixonadinha por vários blogs - a paixão permanece. Todo mundo tinha um blog, eu também queria. Mas esse negócio de blog é engraçado: quando você se dá conta, fica de tal jeito envolvida que  quase deseja morar dentro dele. É que no Fina Flor sou tão mais legal...

Pois é, ando estranhando também esse exercício de vir aqui e falar em primeira pessoa. Pode não parecer, mas sou do tipo reservada. Às vezes, guardo sentimentos e opiniões tão, tão  bem que nem eu mesma sei aonde vão parar. Daí que o que acaba por sobressair é o meu talento para dizer simpaticisses.

O Fina Flor acabou se tornando um exercício muito gostoso de tagarelice despreocupada. Sempre penso nele como minha janelinha para o mundo virtual. Meus posts equivalem aos momentos em que me debruço na janela pra contar para a vizinhaça coisas que vi por aí. Gosto de que seja assim. Só que nesse movimento de abrir a janela acabo deixando  que se veja  um pouco do que está da janela pra dentro. E isso me inquieta.

Tal inquietação não é novidade. Desde sempre, tenho funcionado assim: mantenho a janela aberta ,mas as cortinas permanecem fechadas. Eu sei, eu sei: nasci assim, cresci assim ,mas não é preciso ser assim pra sempre! Mas que me inquieta , inquieta. Na " vida real", já é difícil, imagina quando você se dá conta de quem tem tagarelado na internet. Claro que sei perfeitamente que o alcance do que escrevo é bem restrito, mas mesmo assim fico cabreira. Às vezes, me pego escrevendo pensando nas pessoas que comentam aqui, como se eu ficasse esperando o momento em que vocês passarão perto da minha janela para que eu possa contar uma fofoquinha, um segredo.Mas penso ao mesmo tempo que outras pessoas podem ler.

Falo aqui no Fina sobre as coisas que amo: as pessoas que são tão fundamentais , meu trabalho que me faz feliz, os livros e os filmes que me divertem. Faço aqui uma coisa a que não estou muito habituada: discursar em primeira pessoa. Tagarelar, conversar em filas de banco, comentar a novela das sete ( adoro!) é moleza, difícil é contar coisas minhas, dar opinião firme, não ter medo de ser massacrada só porque disse o que pensa . Já tive tantas crises com isso, porque o que mais ouvi nessa vida é que nunca se pode saber o que de fato se passa na minha cabeça. Pois é, talvez eu tenha aprendido a substituir  a cortina grossa, escura e pesada que exibia quando era adolescente por essa que uso agora - florida, simpática, feliz.

Tenho a impressão de que beiro a superficialidade, tanto na vida quanto aqui. Nos dias  de TPM, considero a possibilidade de usar uma camiseta dizendo: " Só pareço idiota! Juro que não sou!". Claro que isso se limita aos dias em que me pego pensando que essa mania adquirida de " falar, falar e não dizer nada" é uma imbecilidade. Daí fico com inveja das pessoas que são claras, transparentes  de um modo tão fácil. Fico  com inveja dos posts alheios que dizem as coisas em que acredito, as paixões que tenho, mas que não sei compartilhar. Porque , como todo mundo, eu também acho um monte de coisa. A diferença é que tenho medinho de dizer.

Não se preocupem!  Tudo isso que disse de um modo um tanto incoerente já vem sendo revirado e revirado nessa minha cabeça. Acho que até já fiz uns progressos. O Fina Flor talvez seja um dos progressos mais bonitinhos. Dia desses, tava pensando que aqui transformo algumas das coisas que me atravancam a cabeça em diálogo, acenos e palavras legais. Minha janelinha virtual é tão bonitinha, gosto tanto dela e dos que passam diante dela que até me esqueço de cerrar as cortinas de vez em quando.

Nem eu mesma entendi muito bem o que quis dizer, mas tudo bem! Façam cara de paisagem e sigam em frente rumo ao próximo post. J



quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Só mais um pedaço

" O meu amor faísca na medula,
pois que na superfície ele anoitece
abre na escuridão sua quermesse.
É todo fome, eis que repele a gula."

( estrofe de " Poderes Infernais", do Drummond)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Drummond aos pedaços

"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
(...)
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita."


( Estrofes do poema " Amar", de Carlos Drummond de Andrade)




Como já contei para vocês, tem dias em que só o Drummond entende a gente.







Por trás dessas lentes...

Lembram dos meus óculos? Então, estou usando-os há dois dias. A relação entre nós tem sido de repulsa e fascínio: ora fico maravilhada por ver o mundo com cores mais firmes e formas  mais definidas, ora maldigo os borrões que aparecem nas lentes.  Óculos, pele oleosa e falta de jeito não é uma combinação muito boa,mas permanecemos firmes nesse processo de adaptação.

Ainda não sei ao certo a cor da armação. Não é vermelha, conforme alardeei para vocês. Eu diria que a cor é bronze ou cobre. Depende do ângulo e da iluminação: na sombra, você pode pensar que é marrom metálico;  com luz de lâmpada, dá pra perceber o tom bronze; mas é sob a luz do sol que esses meus óculos ficam brilhosos e oscilam entre um bronze avermelhado e um vinho vibrante. Lindinhos!

Passo um bom tempo diante do espelho, tentando me acostumar com minha nova imagem. Viro pra lá, viro pra cá. Tem horas em que acho que ficou bem harmoniosinho, tem horas em que acho que estou parecendo uma tortuguita ( se lembram daquelas tartaruguinhas de chocolate da Arcor?). 

Mas eis que me vi hoje  sob o olhar atento de pessoas bem exigentes. Primeiro, minha  prima de 15 anos me disse que  fiquei fofa de óculos. Depois, minhas vizinhas de 11 e 13 anos, me disseram insistentemente que fiquei mais bonita, com um ar mais jovem, que os  óculos valorizaram o meu rosto - uma delas até disse: " o seu rosto reviveu!".

Quando uma menina de 11 anos usa o verbo " reviver", a gente tem que levar muito a sério o que ela diz, né?=p