quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Crescer e aparecer

Outro dia, li  uma crônica da Martha Medeiros, cujo título não lembro,  que dizia algo assim:  você não é um adulto? Então, pare de reclamar e vá viver. Estou parafraseando a Martha porque não lembro das palavras exatas, mas a ideia era essa. Daí que senti que a crônica tava me puxando pelo pé, me lembrando daquele velho questionamento sobre ser adulto de verdade.Fiquei na cabeça com uma coisa que a Martha disse sobre controle. Mais uma vez , uma paráfrase : adultos têm a consciência de que não podem ter pleno controle de cada milímetro da vida.

Gente grande de verdade não perde tempo fazendo birra, insistindo em caminhos que não possíveis, não faz “ mimimi” só porque o “ doce” que queria acabou. Acabou-se o que era doce? Compra um salgado, um misto quente, não compra nada, mas se decide, segue em frente, não fica  na porta da doceria, choramingando: “ Ah, eu queria aquele  doce!”.

Às vezes, a gente fica mesmo parado na porta da doceria resmungando ou tenta convencer a pessoa que faz os doces a fazer unzinho a mais só pra gente. Fica lá, dando murro em ponta de faca, fica lá achando que vai só vai ser feliz, se comer um docinho, minha vida por um doce, minha felicidade há de ser açucarada.
Não sei se tava  na crônica, não sei se li em outro lugar, não sei se eu inventei agora, mas ando pensando nessa frase: “ crescer é agir conforme a realidade e não de acordo com as nossas expectativas”. Beleza! Acabei de inventar a pólvora,né? Jura, Juliana, que você acabou de descobrir isso? Cassia Eller cantava um verso mais bonito que essa frase: “ Bobeira é não viver a realidade”. D. Quixote e seus moinhos de vento são imagens escandalosamente bonitas para isso aí.

 Pois é, há coisas que a gente sabe, mas não entende. Ou fica se fazendo de bobo pra não entender. Ou enfia a cabeça debaixo do travesseiro pra não ver. Ou faz que nem aquelas crianças que pirraceiam na porta de shopping. Ou  fica por aí, com cara de bobo, fazendo de conta de que está esperando o mais colorido dos arco –íris entrar pela janela. Fazendo de conta não. Realmente, fica esperando.

Só  que arco –íris não entra pela janela. Que bom, né? Por que deve ser muito decepcionante ter um arco-íris tão perto, tocá-lo e descobrir que  é feito de algo que não é palpável. Deve ser bem decepcionante! Me lembrei agora daquela cena do Show de Trumman, em que o Jim Carrey pega o barquinho, navega em direção ao horizonte e chega no horizonte. Mais que isso, espeta o horizonte com o barco.  

Quer saber? Ando desconfiada – ou já sei há muito tempo e não quero aceitar- de  que não existe essa de ser isso ou aquilo de verdade.  Ser adulto, ser gente , se sentir pleno e confortável, talvez, tenha a ver com   se comprometer em fazer o melhor possível, com aquilo que se tem; tirar a  SUA batata quente do colo dos outros , fatiá-la e se servir.

Não dá pra passar a vida toda dizendo: “ Mas não fui eu, mamãe! Foi ele! Juro que foi!”.



5 comentários:

Cíntia Mara disse...

adultos têm a consciência de que não podem ter pleno controle de cada milímetro da vida
Ih... Mais do que qualquer uma das coisas que adultos de verdade não fazem, isso aí comprova minha não-adultice.

Quer saber? Eu vou fugir da realidade e não vou comentar que levei um tapa na cara com esse post. Só porque, no comentário anterior, eu falei que ia pro blog da Annie, você fez igual a ela, com aquele lá do ratinho e a lua.

Tô sensível demais, credo! Não é época pra eu ficar deprê e não tô gostando nem um pouco disso.

Cíntia Mara disse...

Ju, acho que desde que você criou o blog, essa é a primeira vez que eu não ri, não fiz piada e nem fui irônica nos comentários. Realmente, eu tô sensível DEMAIS.

Chico Mouse disse...

Nossa, mais pura verdade, Ju... A gente só precisa lembrar disso de vez em quando.

simplesmentemonalisa disse...

É difícil aceitar certas coisas, assumir erros é a parte mais difícil com certeza, porém a mais necessária sempre!
Beijos

Maeve disse...

Que delícia de texto!