terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu, a criança e a maturidade

Paulo Victor passou o feriadão aqui em casa e eu não consigo deixar de sentir um certo alívio porque ele foi embora. Não, eu não sou a pessoa mais desnaturada desse mundo! Não, não odeio crianças e quero vê-las beeeeem longe de mim! Se alguém disser algo assim ao meu respeito, acreditem ( vou usar agora a mais nova frase favorita do PV): é mentira, muuuuita mentira!! 

Mas,gente, morar com uma criança cansa!

Acompanhem o raciocínio: a pessoa acorda, toma café, brinca de bombeiro, anda um pouquinho na rua, joga no celular, joga no computador, assiste a desenhos, canta mil músicas chatas, conta aquelas malditas piadas dos Backyardigans ( vocês sabem por que o baleia atravessou o oceano?), assiste  ao Up pela milionésima
 ( “ Boa tarde! Meu nome é Russel!”), vai banheiro e precisa que alguém limpe o bumbum, come, bebe, fala, fala, fala, fala, pula na cama,  reclama, faz malcriação, toma bronca, chora, pula na cama, dança, canta e ... chama sem parar: “ Ju- li- a- na”. Juro que  adoraria mudar de nome por uns dias, só pra não precisar ouvir a palavra Juliana por um tempo. PV tem um modo todo especial de pronunciar meu nome. Quando ele liga pra cá, é uma delícia ouvir a vozinha engraçada dele. Mas escutar meu nome umas cem mil vezes por dia, juro, é de enlouquecer. Ele fala “ Juliana” de um jeito engraçado, enfatizando o “ a” anasalado. Se eu ficar quietinha agora, sou capaz de ouvir aquela vozinha na minha cabeça.

Às vezes, minha tia se aproveita do fato de que PV e eu nos damos bem,para se livrar de tarefinhas chatas, do tipo  lembrar de limpar o nariz,jogar o “ jogo do bolo” no computador, apostar corrida com carrinhos de três rodas, ser goleira em incríveis cobranças de pênalti. Eu perdoo minha tia! Enquanto estou aqui de volta à minha rotina, ela ainda está ouvindo “ mãeeeeeeeeeeeeee” umas duzentas milhões de vezes ao dia.

( Estou  fazendo gracinha aqui com vocês,  mas toda vez que convivo com PV  me pergunto de verdade se maturidade pra maternidade é algo que se adquire com o  tempo ou se aprende na marra. Fazendo um paralelo,  penso sempre nas dificuldades de equilibrar autoridade,  firmeza e leveza  ao lidar com as turmas de sexto ano.  Para mim, é uma tortura dizer não, aplicar castigos, exigir caderno completo. Tem horas em que eu  adoraria ser coleguinha e não a professora, mas aprendi,na marra e na prática,que  ser aquela que coloca ordem na casa é necessário, mesmo que  se tenha de enfrentar umas caras feias.

Dia desses, tive que aplicar a "punição"  combinada para uma regra quebrada. Quase chorei junto com a menina e o menino  que ficaram me pedindo desculpas sem parar (eles ficariam de fora da sessão de filme que tanto aguardavam), mas se eu deixasse passar “ só dessa vez”, o acordo que firmamos – os alunos e eu- para que a sala de aula fosse um lugar razoável iria por água abaixo. E eu não quero que  meus alunos fiquem achando que acordos são feitos para serem burlados, que pedir desculpas nos livra das consequências. 

Ser  professora é maneiro,mas nem sempre é divertido.Imagino que ser mãe também não...)

P.S.: E aí, adivinharam por que a baleia atravessou o oceano? Para queimar umas gordurinhas, oras! =p


4 comentários:

Rita disse...

Sabe que ter essa consciência, de que criança exige muita atenção e dedicação, é uma coisa fundamental para quem pensa em um dia ser pai ou mãe? Sei lá, às vezes tenho a impressão de que algumas pessoas acham que as crianças se criam sozinhas. Então, se um dia você entrar na aventura de ter um filho, já vai pelo menos sabendo que é preciso muita paciência e dedicação e será, então, uma escolha de verdade. Né? Pequeno segredo: o amor que a gente sente por um filho torna tudo mais legal.

Beijo
Rita

Luciana Matos disse...

Oi lindinha!
Até poco tempo antes de descobrir que estava grávida eu era daquelas que não queriam ser mãe tão cedo, que gostava de ficar com os bebês até que eles começassem a chorar ou fizessem cocô, que achava praticamente impossível cuidar de uma criança full time.
Aí Cecília chegou pegou todas as minhas convicçoes e jogou no vento!
Cuidar de uma criança (mas cuidar mesmo, se entregar, sem babá, sem mãe por perto) é brabíssimo, não vou mentir, mas há um mundo de compensações tão infinitamente grandioso que no fim das contas você sabe que faria tudo de novo, mil vezes se fosse necessário.

beijão!

Cíntia Mara disse...

A baleia ficou magra, Ju-li-aaa-na??? Hahahaha, muito legal quando você fala do PV.

circus disse...

(cai de paraquedas no blog, mas gostei demais do post)

Sabe, eu cuidei de três crianças. TRÊS. Fui babá de três pestes, todas nas piores idades (se é que tem idade boa): 6, 10 e 13. Olha, acho que não sirvo pra ser mãe pelos mesmos motivos que levaram você a escrever esse post.

Eu tava curiosa pra saber porquê a baleia cruzou o oceano (sério, eu não sabia), mas me arrependi já.