quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sonhos apenas sonhos são

Eu sou a boboca dos sonhos. Todo mundo tem pesadelos, mas eu sou daquele tipo de gente que acorda chorando, grita no meio da noite e leva um dia inteiro pra afastar a angústia que o pesadelo provocou.

Acontece também de eu não conseguir, durante os primeiros quinze minutos depois de acordar, distinguir qual  é a realidade verdadeira: a minha ou a  do sonho. Quando o sonho é bom, constatar que estou de volta à minha cama não é exatamente divertido. Quando o sonho é mau, minha cama e minha vida chata ganham status de paraíso perdido.

Vivo tendo pesadelos. Sonhos com gente morrendo, com gente que morreu, com  as coisas que me apavoram. Um dos meus sonhos mais memoráveis envolve meus dentes todos soltos dentro da minha boca e muito sangue. Sonho muito com dentes, cabelos embolados em ralos e água suja. Ninguém conhecido costuma morrer por causa disso, diga-se de passagem. Minha vó tem pavor dos meus sonhos com dentes e cabelos. Segundo ela, as pessoas morrem por causa deles.Tá bom!

Essa noite tive um sonho que começou legal e terminou agoniante. Não me lembro dos detalhes, só sei que a Mona  e sua filha lindona estavam nele e me ajudavam a levar um pacote até uma rodoviária onde uma amiga e o namorado me esperavam. Muitas aventuras loucas aconteciam até que eu passasse pra segunda parte do sonho: eu entrava numa casa abadonada aqui perto de casa e encontrava  uma das amigas mais queridas  desse mundo se agarrando freneticamente com um homem que não é o marido dela. Daí que pegava minha amiga pelo braço e perguntava a ela o que era aquilo, por que ela tava traindo o Fulano, o que tinha acontecido, blá, blá.

Minha amiga virava pra mim, com uma expressão totalmente diferente da que ela possui na "vida real", e me dizia: " Deixa de ser idiota, Juliana! Você pensa o quê? Que eu sou do jeito que você imagina? Essa aqui sou eu de verdade e nem me venha com sermões, porque você não sabe de nada.  Pode ir lá contar pro Fulano sobre o que você está vendo, mas não ache que ele levará a sério. Ele também não é tão confiável quanto você imagina." Aí, eu começava chorar. Simples assim. E acordei chorando, chorando, chorando.

Deu uma vontade de ligar pra minha amiga só pra ouvir a sua voz real, reconhecer as nuances reais das suas palavras, apagar de vez a imagem daquela pessoa do sonho, mas não liguei ,né?

 Sou grandinha e já sei  que pesadelos são apenas pesadelos.

Ou pelo menos deveria saber. =P

P.S.: Cintia , me lembrei de você ao escrever esse post. 

3 comentários:

Rita disse...

Menina, tenho o mesmo sonho desde criança, com variações. A forma é a mesma, mas cabem nela vários enredos. Não vou entrar em detalhes, né, seu blog não é divã. Mas tamos aí, juntas, encucadas com o que nossos neurônios fazem enquanto puxamos um ronco.

bj
Rita

Juliana disse...

Ei, Rita! Eu adoraria que nossos neurônios fossem bem mais específicos nesses seus enredos.!

Cíntia Mara disse...

Meus pesadelos sempre acontecem no meio da noite, aí eu acordo e fico imóvel até dormir de novo. E frequentemente tenho sonhos que se misturam, como esse. É cada coisa mais louca que a outra, hauhuahauha.