terça-feira, 30 de novembro de 2010

Saudade antecipada, calor e um pouco de sossego

Preciso de um minuto de sossego.Preciso! Vim me abrigar por 20 minutos no Fina Flor.

Posso ficar aqui em silêncio só um pouquinho?

Hum ,silêncio bom!

Ai!

***

Ah, posso contar pra vocês que eu chorei hoje na última aula daquela turma de pré- adolescentes de que sempre falo? Não chorei na frente deles, claro; nem haveria razão pra isso. 

Em vez de revisão pra prova, coloquei no quadro a frase " I have  a dream" e não disse nada. Eles ficaram me perguntando o que queria dizer,mas eu não disse. Daí foram caçar o dicionário, o caderno de inglês e se valeram do " ah, isso aqui é aula de português. Isso não é justo!". Não tive piedade; tiveram de se virar.Por fim, sacaram o significado da frase.  Já para  que descobrissem o autor, precisei dar muitas dicas e acabou que uma menina lembrou que Martin Luther King é sempre citado em Everybody Hates Chris ( ou Todos odeiam o Chris).  Contei um  pouco da história do Luther King, reforçando que  a frase representa um ideal, um objetivo pelo qual ele lutava.

Daí eu quis saber pelo que eles lutavam, que objetivos tinham. Alguns estranharam, outros riram. Fui mais além: propus que escrevessem numa folha de papel 10 objetivos e sonhos para 2011, outros 10 para daqui 10 anos, outros 10 para daqui 30 anos. Claro que eles disseram que não sabiam, que estariam mortos e enterrados antes de completarem 40 anos, que... ah, professora! Mas foi só  dizer que eu tinha feito a mesma atividade na quinta série pro interesse aumentar.

Algumas meninas tinham objetivos muito concretos: ir ao show do Justin Bieber,  comprar 3 pares de Melissa, fazer faculdade  de Administração, comprar um carro, ter liberdade pra fazer o que mais gostavam. Um dos meninos quer muito um Xbox e ser advogado e juiz. Um outro passou o tempo todo andando pela sala. Fui lá descobrir  se tinha ninho de bicho carpinteiro na cadeira dele e ouvi um " quero fazer engenharia elétrica, comprar um celular e ter a minha casa ,mas eu tô com vergonha de escrever isso aqui".

Bem, diante disso, tive de repetir que não havia sonhos errados, que eu não corrigiria nada, que nem leria o que escreveram, a não ser se quisessem me mostrar. E não é que quase todo mundo me deu os sonhos pra eu dar uma lidinha? E eu fui ficando enternecida diante de  desejos tão pueris quanto viajar o mundo todo numa bicicleta  e de outros mais doídos quanto querer que o pai se lembre de que ainda tem uma filha. É bom e bonito esse exercício de desejar,né?

Pra terminar, fiz  um pequeno amigo oculto. Todos receberiam o nome de um colega e teriam de escrever em umas 5 linhas alguma coisa de bom sobre a pessoa  sorteada e dizer se tinham aprendido algo de bom com ela. Bem, eu não levei muita fé nessa parte do plano,mas até que deu certo. Fui eleita o correio e  a leitora oficiais  das cartas ( bem, dos bilhetinhos de 3 linhas cada. =p) e quase caí dura ao ler o que  um dos meninos escreveu para um outro que tira os colegas e todos os professores do sério : " Você é muito chato, mas se a gente prestar bem atenção até que você é legal". Ah, eu não teria sido capaz de tamanha gentileza! Não com esse menino! hehe 

Ah, mas o que esse povo não sabe é que  já sinto uma saudade danada deles. Eu sei que muitos poderão ser meus alunos ano que vem, que vou esbarrar com quase todos por essas ruas daqui do bairro, mas não terei as manhãs de segunda e terça de 2010 de volta.  

Eles nem desconfiam de que eu não sei dar aulas pro sexto ano ( bem, desconfiar, desconfiam sim! Eles nunca perdoaram minha incapacidade de escrever com letra de professora.O que eles não sabem é que eu fiz muita caligrafia e  faço o melhor que eu posso. =p). Até então, eu só tinha trabalhado com os mais velhos e o pessoal de pré-vest. Diante dos " pirralhos", um certo ar de deboche e uma dose de conhecimento sobre a dura vida adolescente não funcionam muito. Pra eles,  eu ainda era a " tia" e  devo ter sido uma " tia" não lá muito habilidosa, confesso. Tantas vezes, eu me esquecia que tava lidando com gente de 12 anos e me pegava exigindo maturidade e competências que eles não tinham.  Tantas vezes, eu não soube mesmo o que fazer e fiquei só olhando e torcendo pra que desse certo.Bem, mas fazer o quê? A gente também só aprende na prática.

Essas meninas e meninos nem devem ter percebido que eu me divertia muito mais do que eles e que me derretia muitíssimo mais que eles. Eu cheguei nessa turma bastante decidida a não deixar que os problemas do ano anterior se repetissem, portanto estava disposta a ser dura, rígida e até um pouco tirânica. Essa estratégia durou umas duas semanas. Até o esquema de horários estabelecidos pra ir ao banheiro foi muito bem aceito e ,antes que me desse conta, eles mesmos já regulavam as saídas.  Precisei aplicar as punições pelo descumprimento das  regras estabelecidas no início do ano duas vezes. Passei boa parte o tempo falando " ô, menino, senta aí!", "ô, gente, fala mais baixo!", mas ri tanto e ouvi tantas ideias legais no restante do tempo que  nem me cansava.

Já sei! Cês devem estar achando que eu trabalho no paraíso e essa turma era compostas pelos anjos da mais alta grandeza,né? Não, não! Houve problemas ao longo do ano. Há algumas histórias bem difíceis  que jamais deveriam ser parte da vida de pessoas tão jovens quanto esses meus alunos. Por outro lado, não sei se consegui  conduzir adequadamente o processo de aprendizagem. Mas o que me faz sentir um nozinho aqui no limite entre o estômago e o peito é o fato de esses meus alunos serem pessoas interessantes, bacanas, corretas que me dão a impressão de que vão  ser adultos igualmente admiráveis, ainda que nem todos tenham aprendido a diferença entre pretérito perfeito e pretérito imperfeito no sexto ano.

É isso! Tô com saudade antecipada! Tô sentimental!  E Tá muito calor! O calor e a TPM potencializam esse meu lado manteiga derretida.

Fim da pausa. Vou lá cuidar da vida.

Entre o real e o virtual

Minha mãe estava vendo Caldeirao do Huck e eu ouvindo.Luciano tava fazendo uma matéria no Japão. Daí minha mãe me grita: "Ô, Juliana, vem ver! Vem ver". Não costumo levar muita fé no que deixa minha mãe empolgada, mas filhos servem para, entre outras coisas, sorrir e acenar , enquanto as mães se derretem diante da tevê.

Ela: " Muito emocionante essa matéria! Poxa, todo brasileiro que aparece aí trabalha em fábrica!
Eu:  " A Amanda também trabalhava numa fábrica quando morou lá!"
Ela: " Amanda, que Amanda?"

A única Amanda que minha mãe e conhecemos em comum tem 6 anos de idade e nunca nem chegou perto de uma fábrica. Minha mãe não sabe que eu tava falando dessa Amanda aqui.

***

Minhas alunas estavam conversando sobre Querido Diário Otário. Daí fui lá me meter no papo, pra dizer que eu conheço a tradutora da série.
Alunas : " Conhece , professora??? De onde???"

Hummm, como explicar que .. bem... eu nao conheço, conheço. Eu leio o blog da tradutora. Serve? É quase igual a conhecer.

***
Achei minha edição toda sublinhada e cheia de notas de Madame Bovary. Pensei: " Hum,pra quem mesmo eu queria mostrar esse comentário do professor?". Pensei, pensei, pensei, lembrei. Pra Rita. É, acho que não vai dar pra mostrar.

***

Quando foi mesmo que eu passei a  ter como referência pessoas que eu nunca vi, com quem troco apenas comentários em blogs?Quando foi que ler os blogs citados e váááááários outros, passou a ser parte da minha rotina?

Acho que um dia acordei e a vida tava assim meio  real+virtual =  " virturreal" 

( viram como eu sei criar neologismos incrivelmente lindos? Mas cês entenderam o que eu quis dizer, vai... =p)

E só agora que eu  percebi! Acredita? ;)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Saraiva: nunca mais!

Quando alguma empresa comete um erro comigo, a primeira coisa em que penso é que deve ter havido intervenção de alienígenas . Só pode, claro! Afinal, eu  assisti  a todas as temporadas de Arquivo X e sei que o governo e os alienígenas são responsáveis por todos os problemas do planeta.

Não, nunca cogito a possibilidade de que   certas empresas simplesmente  são incompetentes e  burras. Claro, porque eu acho que uma empresa que presta um serviço porco, não entrega produtos comprados e  ignora as reclamações do consumidor só pode ser burra. Ora, fazer um monte de asneira e nem pedir desculpas não é coisa de gente inteligente, é? E pensar que burrice acontece num lugar que vende livros,né?

Saquem só como a Saraiva. com é uma empresa burra. No incício de novembro, decidi antecipar meu presente de Natal e aproveitei uma promoção da Saraiva. Comprei um box de Arquivo X ( o que falta pra completar a minha coleção) e um livro pra minha mãe - ambos com preços apetitosos. Eu nunca tinha comprado na Saraiva. com, mas o frete grátis e os preços me deixaram com água na boca. Comprei.

Paguei o boleto ( não uso o cartão de crédito para comprar presentinhos supérfluos) e fiquei esperando meu presente chegar. O prazo de entrega era de 4 dias úteis. Oba, fiquei animada. Afinal, o Submarino leva 7 dias úteis pra entregar aqui em Nova Iguaçu. Sempre achei esse prazo  enorme, considerando que moro na Região Metropolitana do Rio de Janeiro,  há exatos 14 km da capital. Mas, tudo bem, pelo menos, o Submarino sempre cumpriu o prazo e meus dvds baratérrimos chegavam e eu ficava muito feliz.

Bem, só que com a Saraiva.com a história foi outra. Quando o prazo de entrega se esgotou,entrei em contato pela Ajuda On line. Daí a Saraiva disse que o meu dvd e o livro da minha mãe estavam na transportadora ainda, que  urgência seria pedida e que em 3 dias úteis meus produtos estariam nas minhas mãos. Mentirinha!

Três dias depois, o rastreamento indicava que o produto tinha sido entregue a mim, no dia 17/11, às 20h. Ah, aí eu surtei!! Nesse dia  e nesse horário, eu estava no trabalho. JAMAIS poderia ter recebido seja lá o que for. Muito bem, simbora reclamar. Entrei na Ajuda on line, liguei pra SP, liguei pra loja física, mandei e-mail pra transportadora. Primeiro, ouvi e li  de todos que me atenderam  ( exceto da funcionária da loja física  - a moça educada que me atendeu  explicou que a loja física não se responsabiliza pelas vendas do site) a linda afirmação: " Senhora, seu pedido já foi entregue". Minha vontade foi  de dizer que tinha sido entregue na casa da mãe de alguém, mas não fiz isso.Pra que ser deselegante, né? Preferi respirar fundo,  sacar do fundo da alma a habilidade pra tratar com atendentes muito hábeis e inteligentes e contei toda a minha história.

Pra encurtar minha história, estou há 12 dias sendo enrolada. Inventaram pedido de reclamação que não fiz, me dizem pra aguardar gentilmente até que o problema seja resolvido, teve um atendente que disse tava tudo resolvido e que eu iria receber o livro e o dvd, teve atendente que disse que esse atendente  anterior estava equivocado. Agora eu cansei.

Já tinha ligado uma vez para o PROCON. Lá, fui atendida por uma pessoa que nem ouviu toda a história e já foi dizendo que eu teria que esperar 30 dias e pá, desligou o telefone. Tentei ligar outras vezes ,mas o 1051 dava sempre ocupado. Hoje consegui falar com um atendente que ouviu a história toda e me deu  várias sugestões: posso pedir cancelamento,  posso pedir reembolso ou posso  procurar a justiça.

Tô aqui tentando descobrir como é que faço pra colocar em prática a opção que escolhi. 

Cansei de lidar com empresa incompetente.

Na verdade, eu tenho um outro adjetivo para uma empresa que recebe o dinheiro e não entrega o produto,mas não vou dizer,né?  Ainda preciso manter alguma elegância!

Bem, gentilmente e elegantemente, Saraiva - loja física ou loja on line, não me interessa - nunca mais.

P.S.: Esqueci de dizer que em nenhum momento a Saraiva.com entrou em contato comigo por telefone, conforme os atendentes virtuais diziam que aconteceria.

P.S.:  Cês não têm nada a ver com essa história,eu sei, mas eu precisava desabafar. Desculpem!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

" Tanto de amor"

Hoje vou deixar o Rio de fora do blog. Ainda estamos muito tensos ( e não só pelo que a Globo mostrou tão "espetacularmente", não!), mas eu, particularmente, preciso desviar o foco porque medo é algo que me vence fácil.

Mudando de assunto:

eu  estava  ouvindo Clandestinos, o seriado da Globo -  ouvindo porque minha mãe assiste lá na sala e eu ouço daqui do quarto. Daí que  começou a tocar a música que eu considero A MÚSICA  de 2010 e eu  dei um pulo da cama.

Como explicar?

É música de amor, mas não me faz lembrar de amor. Quer dizer, me lembra amor ,mas nada a ver com príncipes, cavalos brancos e rosas roubadas. Sabe quando acontece aquela coisa de pessoas diferentes,  em situações diferentes, em lugares diferentes sentirem a mesma coisa, pelo mesmo motivo?  Então, essa música me lembra afinidade, sintonia, bem - querer. 

Em 2010, eu  me descobri ratificando uns laços que existem há muito tempo; laços que me dão uma identidade toda especial. Sabe a sensação de ser aceita ,  de pertencer?  Dia Branco representa tudo isso pra mim.

Não entendeu nada desse meu papo, então presta atenção nessa letra.  Vê se não é de causar comichão no estômago...



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

And the book goes to...

A sorteada tem um blog. Rá! Eu sei, eu sei! Não me batam!



A sorteada é do sexo feminino.  Ok! Ok! Eu paro!


 Vou falar sério agora:



A sorteada é # bandida.

Hum, isso exclui uma galera,né?  "Bandidas" é como se autonomeiam um grupo de mulheres que se conheceu numa comunidade do orkut. Lembram daquele meu passeio em Volta Redonda e da minha leitora favorita, de quem sempre falo? Tem a ver com as bandidas.


A sorteada é alguém que eu só conheço virtualmente.



A sorteada assiste a muitos filmes e eu sempre dou uma olhadinha nas dicas dela, apesar de  dificilmente comentar no blog.



A sorteada é alguém que só conheço virtualmente.



A sorteada  mora tão perto e ao mesmo tempo muito longe de mim, num lugar liiiiiiiiiiiindo!


Fácil,né?



Mas eu vou dar um pouco de trabalho a vocês, tá? Vão bem ter que procurar o nome da sorteada no post anterior. Ei, sorteaaaaaaaaada, não se esqueça de entrar em contato até o dia 28, tá?



E quem será que ganhou o sorteio,hein?

Não é dezembro,mas já é 25. Então, vamos descobrir quem vai receber a visitinha do Papai Noel?

Ah, antes do sorteio, deixem-me dizer que eu tinha pensado em  fazer um sorteio filmado, mas as imagens que fiz com meu celular ficaram sofríveis. Desisti do sorteio personalizado e vou me render ao random.org mesmo.

Assim ó:
Cada uma de vocês ganhou um número, obedecendo à ordem em que os comentários foram deixados no post sobre o sorteio.
  1-Borboleta
  2-Monalisa
  3 -Esplendor da Criação
  4- Luciana
  5-Cor de Rosa
  6- Annie
  7- Bruna
  8-Lia
  9-Cíntia
  10- Thaís
  11- Débora
  12- Vanessa
  13- Jussara
  14- Amanda
  15- Miriam
  16- Laís Doce
  17-Rita
  18-Dayana
  19- Manu
  20- Fábrica
  21- Amanda ( Petit)
  22- Gi
  23- Thaís  Pilotto
  24- Teca
  25- Fabiane
  26- Dori

Agora, 17h15, vou lá fazer o sorteio no  random. org.

Volto já com o resultado!

Rio de Janeiro

Confesso que, no momento, eu não sei falar nada coerente sobre os ataques no Rio de Janeiro. Uma parte de mim tem vontade de fazer eco com a indignação que alguns programas de tevê incitam. Um apresentador da Record, agora há pouco, tava fazendo um discurso inflamado contra o governador, exigindo ações mais efetivas e duras. Eu quase concordei, apesar de ser absolutamente contra a política de enfrentamento e o discurso virulento que sempre  foram adotados por esse governo.

A outra parte concorda com as palavras  da comunicação social da PM, que afirma que não é preciso pânico, que  a intenção dos bandidos é justamente causar terror. Segundo as autoridades, está tudo sob controle e o melhor está sendo feito. A terceira parte, a maior delas, simplesmente fica desesperada.

Ontem,  o calçadão de Nova Iguaçu foi fechado porque houve um arrastão ( ou tentativa de) e um ônibus foi queimado. Fiquei doida de preocupação com a minha prima, que trabalha lá; com a Jaqueline, que trabalha num lugar bastante perigoso; com os meus outros amigos, com os meus tios, com todo mundo.

À noite, soube que o marido da Mona estava na rua e fiquei nervosa por ela também. Depois, vi no facebook uma conhecida dizendo que o ônibus que faz a integração entre o metrô e o centro de Nova Iguaçu não estava circulando. Para conseguir fazer o trajeto, restavam kombis piratas, que cobravam  OITO reais pela passagem. Putz! Fiquei pensando nas pessoas que só têm Riocard, naquelas que não têm esse dinheiro todo disponível pra uma passagem, naquelas que simplesmente não andam com dinheiro. 

Entenderam o meu raciocínio?  Tá difícil pensar com clareza diante de tantas informações e tantas emoções. Eu tô com medo e preocupada. Cês podem estar pensando aí: " Calma, Ju! A coisa não tá complicada assim. Se você se acalmar, vai ver isso!"  Provavelmente, mas eu tô com o coração apertado e a  cabeça meio fora do lugar no momento. 

P.S.: E eu adoraria que as pessoas parassem de dizer que queriam chamar o Capitão Nascimento. Pois é, Superman, Batman, Robocop ou qualquer desses outros heróis não existem ,minha gente! E que eu saiba o Nascimento descobriu nesse último filme que suas práticas bem -intencionadas nem sempre eram as mais eficazes.

P.S.: Tô vendo se o sorteio do livro poderá ser do jeito que eu planejei. Se der tudo certinho, eu posto o resultado daqui a pouco.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dez reis de esperança

Queria escrever alguma coisa sobre o que está acontecendo ( e que não é a maior das novidades)  no Rio de Janeiro,mas não consigo. Só me vem à cabeça esse poema:


 Dez réis de esperança

"Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue."

( Antonio Gedeão)

Xô, macambuzice!

Nunca fui fã dos Beatles.( Quer dizer, quando eu era criança, eu achava seriamente que Hey Jude tinha sido feita pra mim. Ju. Jude. Sacaram a semelhança? =p)   Confesso que só fui prestar atenção nas músicas agora, por conta da visita do Paul. Uma colega me  mandou uma música, gostei e fui ouvir outras.

Ando ouvindo obcecadamente essa daqui:



Remédio contra qualquer macambuzice, não acham?

P.S.:  Ó, vou  fazer o sorteio logo, logo, hein? Todas as pessoas interessadas já clicaram no Papai Noel?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Verdades e mentiras

A primeira vez em que fui a uma boate foi aos 14 anos.
Verdade. E ao contrário do que qualquer adolescente diria, foi uma experiência não muito agradável. 

2-      Fui campeã de natação na infância.
R     Rá! A maior das mentiras possível. Eu já quase morri afogada duas vezes, porque nada feito um prego, mas acho que sou a versão feminina do  Cesar Ciello.

3-      Já fiquei com um cara que tinha namorada .
     Verdade. Considerem que eu  era pós -adolescente e pós - adolescentes fazem tantas merdas quanto uma adolescente faz.

4-      Nunca fiquei bêbada.
M   Mentirinhaaaa! Fiquei bêbada uma única vez nessa vida pra nuuuunca mais! Me deixei levar pelo gosto bom da caipirinha e quando vi tava enjoada, deprimida e querendo morrer. Prefiro continuar sendo uma bêbada sem beber. 

5-      Meu nome já esteve na lista do SPC.
        Essa é óbvia, né? Verdade! Meu primeiro cartão de crédito foi uma perdição traumática.

6-      Nunca fui assaltada.
        Bem, considerando que moro na região metropolitana do Rio de Janeiro, isso seria quase impossível. Fui assaltada duas vezes. Numa delas, o bandido ficava sacudindo a arma há centímetros da cabeça da Jaqueline.  Faz muuuito tempo, mas até hoje  tenho um medinho de andar no ônibus onde aconteceu o assalto.

7-      Já acharam que eu era uma executiva de uma grande estatal.
V     Verdadeeee! Há muuuitos anos, fui estagiária de uma estatal e tinha um e-mail de lá. Enviei uma mensagem pra uma revista usando esse e-mail. A mensagem foi publicada  e o e-mail foi divulgado. Passei meses recebendo  convites pra eventos, currículos e até  me chamaram pra  participar de um congresso chique só por causa da tal mensagem.

8-      Usei piercing por uma semana, mas fui obrigada a tirar porque infeccionou.
      MENTIRAAAA! Eu jamais colocarei um piercing. Sério! Tenho uma agonia sem fim de qualquer tipo de piercing em qualquer parte do corpo. 

9-      Já me disseram  que eu deveria trabalhar como atendente de telessexo, porque minha voz  de taquara     
        rachada teria um apelo especial.
     VERDADEEEE! Acreditem que é verdade! E já ouvi isso em duas situações distintas. Numa delas,  me disseram até que tinham uma amiga que trabalhava nessa área , se eu tivesse interesse... Bem, a última coisa que eu tenho é uma voz sexy, mas tudo bem! =p

10     Já fui pedida em casamento, mas recusei porque não amava o autor do pedido.
         Mentira! Ninguém quis casar comigo até hoje, nem eu quis casar com ninguém.

11     Minha mãe e eu corremos risco de morrer durante o meu nascimento.
        Essa era fácil também! Verdade.

12      Fiz um período de faculdade de psicologia.
         Nunca cogitei a possibilidade  de fazer psicologia. Me intereso bastante por determinadas áreas da psicologia, mas seria uma péssima profissional.

domingo, 21 de novembro de 2010

É tudo verdade!

Eu sempre penso na imagem que se pode fazer de mim a partir desse blog. Com certeza, pareço mais doce, simpática e boa moça por aqui. É que o mau humor, a impaciência,  a total falta de boa vontade,  o jeitinho 
“ Trator- opressor” de ser ( é, eu sou  muito conhecida pelo meu talento pra falar coisas que não devo e  por uma indefectível mania de criticar tuuudo)  a gente guarda pra usar dentro de casa,né? Na rua, no trabalho, na blogosfera, a gente tem que se comportar bem,né? Foi assim que vovó me ensinou...=p

Daí que a Amanda inventou um joguinho ótimo que trata justamente da visão que os leitores de um blog podem ter de um blogueiro. Leiam o post da Amanda, depois vão dar uma olhadinha no blog da Luci, de onde tirei o joguinho, e por fim, brinquem aqui comigo. Como blogar é uma arte que envolve copiar as coisas legais que os outros blogueiros fazem, vou entrar no joguinho que Amanda inventou e a Luci postou.

O negócio é simples: coloco aqui 12 afirmações a meu respeito e vocês têm que descobrir quais são verdadeiras e quais são falsas. Facinho!

1-      A primeira vez em que fui a uma boate foi aos 14 anos.
2-      Fui campeã de natação na infância.
3-      Já fiquei com um cara que tinha namorada .
4-      Nunca fiquei bêbada.
5-      Meu nome já esteve na lista do SPC.
6-      Nunca fui assaltada.
7-      Já acharam que eu era uma executiva de uma grande estatal.
8-      Usei piercing por uma semana, mas fui obrigada a tirar porque infeccionou
9-      Já me disseram  que eu deveria trabalhar como atendente de telessexo, porque minha voz  de taquara     
        rachada teria um apelo especial.
10     Já fui pedida em casamento, mas recusei porque não amava o autor do pedido.
11     Minha mãe e eu corremos risco de morrer durante o meu nascimento.
12      Fiz um período de faculdade de psicologia.


Acho que as afirmações mentirosas tão muito óbvias, mas tudo bem! ;)

E aí, alguém se habilita a jogar?

P.S.: Todo mundo aê já se inscreveu na listinha do Papai Noel?

sábado, 20 de novembro de 2010

novembro, 20

Quando eu estava na segunda série, aconteceu algo que nunca esqueci. Um dia, a diretora da escola entrou na minha sala e começou a falar sobre racismo com a turma. Havia entre meus colegas uma menina, Patrícia, que era cruelmente hostilizada e humilhada por alguns dos meninos. Eles a importunavam porque  usava óculos, tinha  um penteado diferente  e era negra.  Não lembro exatamente que apelidos a menina recebia, mas tenho na memória a expressão que aparecia no rosto dela todas as vezes que a xingavam- não era um expressão feliz, claro. Todo mundo dava risadas ,menos ela.

Também não consigo me lembrar do que a professora fazia para encarar essa situação, mas  do dia em que a diretora entrou na sala e falou sobre racismo com crianças de 8 anos, eu jamais vou esquecer. Ela disse uma porção de coisas apropriadas, nos lembrou da importância de se respeitar os outros, essas coisas. E terminou assim: “ Xingando a Patrícia, vocês estão  xingando a Tia Débora, a fulaninha, o fulaninho, o sicraninho, a sicraninha e a Juliana.” Consigo ouvir ainda hoje o meu nome sendo pronunciado pela diretora e me lembro com clareza do sentimento que bateu naquele instante: “ Xingando a mim? Por quê? Eu não tenho nada a ver com isso.”

Pois é, eu nunca  fui diretamente  xingada porque a minha pele tem uma determinada quantidade de melanina ou porque  meus ascendentes  vieram de um determinado continente. Passei boa parte da vida  sem    ter pensado  no formato do meu nariz. De batata? Não, meu nariz é feito de carne e pele mesmo  e serve tão somente para que eu continue existindo. Afinal, é por ele que entra oxigênio nos meus pulmões e oxigênio é um troço importante pra caramba.

Eu, Juliana, nunca fui xingada porque meu cabelo é crespo, porque minhas maçãs do rosto são arredondadas, porque a minha pele é escura. Não lembro de ter sido hostilizada por esses motivos. Cresci tendo outros complexos, mas nenhum deles está diretamente ligado ao fato de ser negra. Imagina, o que mais me dizem é que não sou negra; sou morena, “ moreninha”( odeio com todas as forças esse “moreninha”), morena –jambo, mulata. Ah, mas a sua pele nem é muito escura, é o que me dizem.

Só que aprendi uma lição muito importante com a diretora da escola naquele dia lá na segunda série: eu, Juliana, individualmente, nunca fui diretamente discriminada por ser negra, mas vivo num mundo que associa valores negativos a todas as pessoas que têm a pele como a minha. E é no coletivo que eu penso, quando me perguntam o que eu acho do dia da consciência negra.

Ora, por mim, não haveria  dia dedicado a valorizar essa ou aquela influência cultura, essa ou aquela raça. Ué, não são todas importantes? O Brasil não é um país plural? Pra que escolher um dia pra  valorizar os negros? Eu nem me preocupo com a cor da pele das pessoas! Eu acho cabelo crespo lindo!Eu acho, eu penso e eu  não me preocupo.É, assim, individualmente, não faz sentido. Afinal, “ negro safado”, “crioulo metido”, “ negão”, “ macaco” são iguais a “ viadinho nojento”: sempre é usado com gente que aparece nos jornais  reivindicando direitos, fazendo barulho. Ah, claro, porque EU vou seguindo a vida tendo a sorte ( pois é, sorte!) de AINDA não ter sido gentilmente convidada a utilizar o elevador de serviço, de AINDA não ter sido chamada de “ crioula suja”.

 Estendendo o  meu horizontezinho limitado  pra os muitos horizontes da  sociedade em que vivo, sim, eu acho que o dia da consciência negra é importantíssimo. Enquanto  as novelas continuarem criando estereótipos para representar a maioria dos brasileiros, enquanto essa maioria ainda tiver dificuldades pra reconhecer qual é o tom certo de sua pele, enquanto as bonecas bonitas e desejadas forem todas loiras, enquanto a palavra “ macaco” for um xingamento específico, enquanto os salários forem influenciados pela cor da pele, enquanto uma loira e um negro continuarem formando um casal peculiar, enquanto eu continuar ouvindo que meu cabelo ficaria melhor tratado se fosse alisado,  um dia como o 20 de novembro será necessário.

Um dia específico, uma data só ao longo de todo um ano não resolve o problema, eu sei. A discussão deveria estar presente sempre nas escolas, nas empresas, nas conversas, mas não está. Então, é bom que haja um dia instituído, um dia que venha nos lembrar  de que somos uma sociedade racista sim. Eu posso fazer um esforço para  não deixar que a cor da minha pele e os traços do meu rosto  e do meu corpo  sejam mais importantes do que os meus sonhos, meus desejos, meus direitos.  As pessoas inteligentes e bem –educadas  com quem convivo podem continuar fazendo  um esforço para combater os valores e ideias negativas que aprendemos desde sempre. No entanto, esforço individual não basta sozinho; pensamento individual não reflete o que está entranhado na gente, o que recebemos culturalmente. Então,  é bom que hoje seja o dia da consciência negra.

Quando fica difícil pensar, assim, no coletivo, eu sempre  penso em cada uma das crianças que até hoje são hostilizadas, xingadas e  humilhadas,  assim como a minha coleguinha era. E lembro também que eu até hoje  tive  apenas sorte  de não ser diretamente discriminada.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

De volta para Hogwarts




Tudo bem se eu disser que:

-morro de medo dos dementadores
-morro de medo do Voldemort
-chorei sem parar no enterro do Dumbledore
-não me conformo com o destino do Lupin
-queria  ser metamorfomaga que nem a Tonks
-talvez o Chapéu Seletor me mandasse pra Corvinal
-doeu no meu coração quando a Hermione ( a do livro; não aquele que ser estranho dos filmes) foi torturada
 pela Bellatriz
-cantava " Weasley é nosso rei" sem parar. Não conseguia me controlar.
-vejo uma metáfora e tanto no trecho em que Ron ( o do livro; não aquela aberração que aparece nos filmes) destrói o medalhão
-fiquei aguardando ansiosa o beijo que faz Ron e Hermione esquecerem das presas de basilisco
-queria ter o cabelos ruivos da Gina
- queria ter a bolsinha  igualzinha a  da Hermione
- queria passar as férias na Toca
- tenho o maior interesse em ler Hogwarts: uma história e  a biografia do Dumbledore. Bem, Contos de Beedle, o bardo , eu já li.
- adoro o Harry, mas meu coração dispara mesmo mesmo é pelo melhor amigo dele. ( Eu já disse que vivia cantando " Weasley é nosso rei"?) ?

Hum, será que depois de todas essas revelações, alguém ainda segue esse blog?


Só não vou na estreia de As Reliquias da Morte porque não tenho talento para aguentar menininhas gritando toda vez que Daniel Radcliffe aparece na tela. Levando em consideração  que ele interpreta o mocinho, prefiro manter a saúde dos meus ouvidos e esperar um pouquinho.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

" Nunca mais serei aquela que se fez seca"

Cês se cansam de blog que só tem música e poeminhas?

Cês veem os vídeos que são postados?

Quem não assistir a esse, não vai saber o que está perdendo.

Como ando de mal com as palavras, fiquem com música. Essa daí é tão linda, tenho cantado tanto que deve haver alguma mensagem subliminar nessa letra. Hum! Será? Aff, que bom seria ver " olhos vestidos d´água".

Ai, ai!



quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Poeminha do dia

Fico cheio de tremeliques
Se você demora suas mãos nas minhas,
fico cheio de tremeliques.
Se o telefone toca durante a noite,
fico cheio de tremeliques.
Se o telefone não toca durante a noite,
fico cheio de tremeliques.
Se você esquece o seu olhar no meu,
fico cheio de tremeliques.
Se a sua risada explode clara,
fico cheio de tremeliques.
Se fica escuro na sua tristeza,
fico cheio de tremeliques.
Se você se afasta de mim,
fico cheio de tremeliques.
Se eu me afasto de você,
fico cheio de tremeliques.
E quando você me abraça,
fico cheio de tremeliques.
Estou morrendo de tremeliques!


( Sérgio Capparelli)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Venham ganhar presentes vocês também!

Só pra lembrar:

Ei, meninas que chegaram ao Fina Flor hoje - Sandra, Amanda e Shuzy -, cês também tão convidadas a entrar na listinha do Papai Noel, viram?

Aliás, tá todo mundo convidado a participar do sorteio!


Clique aqui ou no Papai noel aí do lado e veja do que estou falando!

Descansa


 
"Cansei de tanto procurar
Cansei de não achar
Cansei de tanto encontrar
Cansei de me perder
Hoje eu quero somente esquecer
Quero o corpo sem qualquer querer
(...)
Não sei pra onde vou
Não sei
Se vou ou vou ficar
Pensei, não quero mais pensar
Cansei de esperar
Agora nem sei mais o que querer
E a noite não tarda a nascer
Descansa coração e bate em paz"
( Descansa coração -  Alberto Ribeiro)

domingo, 14 de novembro de 2010

Ainda é natal no Fina Flor

Já deu uma olhadinha no post o dia 13/11?

Nãoooo? Te aconselho a olhar, viu! Clique no Papai Noel e descubra do que estou falando...

                Eu acho que ele tá dando uma olhada nos nomes que já estão na lista do sorteio. =P

sábado, 13 de novembro de 2010

Já é natal no Fina Flor

Leia este post. Acho que você vai gostar! =p

Calma, calma!  Não vou  encher o blog de árvores de Natal  e miniaturas do Papai Noel,não. Quer dizer, não por enquanto. Bem, devo avisar que sou uma entusiasta do Natal, logo o Fina Flor será invadido por posts embalados por Jingle Bell. MAS,como ainda é novembro e novembro tem o direito de ser um mês com personalidade própria,  os posts natalinos, as rabanadas ( que não como,mas sei fazer umas bem boas.É o que dizem! =P),  o presépio ( adoro presépios!), a missa do galo  serão reservados pra dezembro mesmo.

Tá, então explica o título do post, Juliana!

Explico: estava aqui escrevendo a minha cartinha pro Papai Noel ( é, tem que começar a escrever logo!)  e me dei conta de que  eu adoraria incluir vocês , é , vocês aí, na minha listinha. Fui uma excelente menina e tenho certeza de que o Bom Velhinho atenderá qualquer pedido meu , no entanto um dos ajudantes dele já me disse que  não poderá  me emprestar o trenó  para que eu saia  pelo Brasil distribuindo presentinhos pras pessoas que visitam o Fina Flor. (Puxa! Eu sempre sonhei em viajar no trenó do Papai Noel! Droga! ). A solução encontrada foi escolher apenas UMA das pessoas bonitinhas que aparecem por aqui e fazer uso dos serviços daqueles ajudantes do Papai Noel que andam por aí vestidos de amarelo e azul cujo apelido é “ carteiro”, para entregar o presente. ( Cês não sabiam que o presidente dos Correios é o Papai Noel? É, sim! Sei disso desde que eu tinha 5 anos!Minha vó que me contou... )

Vai funcionar assim: vou aprender a usar o Random. org ( se bem que eu estou pensando em fazer um sorteio mais "personalizado". Vou ver se consigo), colocarei  o nome de vocês lá e  UMA pessoa será selecionada. A felizarda ou o felizardo vai ficar contente, vai pular e escolher UM livro dentre quase todos os livros que já foram citados aqui no Fina Flor e eu enviarei  o presente pra casa da pessoa. Gostaram da ideia?

Eu tinha pensado em sortear sem avisar vocês antes;simplesmente,fazer o sorteio  entre os seguidores do blog e pronto, mas me dei conta de que nem tenho certeza de que todas as pessoas que seguem, de fato, leem o blog. Há ainda pessoas que estão sempre passando por aqui e acenando pra mim, mas não estão na lista de seguidores. E , claro, há  os que leem o blog, gostam dele ,mas não comentam ( não os recrimino! Também sou assim! =p). 

Façamos assim  então: 

*Quem quiser participar do sorteio ( eu adoraria que TODOS participassem), deve deixar um comentário neste post, dizendo " Ei,  Ju, eu quero participar", " Ju, quero ganhar presente" ou qualquer coisa do tipo. É importante que o comentário seja feito neste post, porque não vai haver risco de que eu não o veja. Certo?


1-      * Farei o sorteio daqui a 12 dias, no dia 25/11. Vou dar  um tempinho para  que as pessoas interessadas deixem o comentário.   Pode parecer exagero sortear ainda em novembro, mas a gente sabe como os Correios ficam em dezembro e eu quero que a pessoa receba o presente ainda em 2010. A sorteada ou o sorteado  terá de dar sinal de vida até o dia 28/11. Se a pessoa não  se manifestar dentro desse período, sortearei novamente.
*      
        * O presente poderá ser qualquer livro já CITADO ( ou seja, eu posso até não ter comentado muito do livro, mas se citei o nome , tá valendo!) cujo valor não exceda R$ 50,00.   
       

       Esse não é um sorteio daqueles chiquetosos ( que nunca ganhei , por sinal!) promovidos pelos blogs chiquíssimos que eu leio,não!  Eu apenas  queria arranjar um meio de incluir as pessoas que a internet trouxe pra perto de mim na minha festa de Natal e acho que o sorteio é um modo justo de escolher alguém , uma vez que  não dá pra mandar presente pra todo mundo.

      Ó, se ninguém quiser participar, eu vou pegar o  dinheiro, me meter num dos sebos centro do Rio e sair de lá com uma bolsona cheia de livros, hein? Vamos lá! Já tô louca pra saber pra quem vou mandar o presente!

      






   
o
33  


3-

Será?

Tá lá na Bravo, é sobre o cineasta Fernando Meirelles, mas diz um pouco de mim:

" Odeia bate-bocas,conflitos, gritaria. Quando briga, passa dias lamentando o episódio.(...) ' Por que você rejeita os atritos? Por que insiste tanto em agradar? Será que você tem um lado sombrio? E, se tem, por que hesita em mostrá-lo?' (...) Quer dizer que prepotência pode se travestir de eficácia e simpatia? A resposta ainda hoje o surpreende."

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Adendo



Eu : " E aí, como vai a situação lá com o namorado?"

Prima- afilhada: " Ah, eu tô melhor. Tá sendo como vc disse. Tô me acostumando, tenho que entender que as coisas não são como eu quero.  Já nem tô me preocupando mais com  o que ele tá fazendo, deixando de fazer.   Se eu não confiar nele, vou ficar maluca. Você tinha razão: quando eu me acalmasse, eu veria que tava exagerando" 

( Ela não usou exatameeeeente essas palavras, tá? O conteúdo foi esse, mas o discurso foi recriado pela minha memória).

Eu : " Eu te falei isso?

Prima- afilhada: " Falou. Falou que eu ia me acostumar e que tudo ia se resolver, que eu precisava  ter paciência".


Que lindo,né? Pelo visto, sou uma boa prima - madrinha. Hipócrita, mas bem- intencionada! Isso que é importante,né, não?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"Felicidaaaaade/ Briiiilha no ar/ Como uma estrela/ que não está lááááááá"

Cês se lembram daqueles carros de festa surpresa que eram famosos há alguns anos?  A pobre pessoa fazendo aniversário e alguém contratava um carro todo enfeitado e barulhento para parar na porta da casa do aniversariante e fazê-lo pagar um mico inesquecível. 

Quando eu ainda estava no Ensino Médio, fizemos uma surpresa dessa, na porta da escola, para uma amiga. Foi  iiiiincrível! Estenderam um tapete vermelho(eu era adolescente,gente!) uma mulher ficou falando várias coisas melosas, tocaram várias músicas açucaradas. Dentre elas, essa daqui:

 



Agora pouquinho, tentei reproduzir o efeito dos carros de som, ligando pro André, aniversariante do dia, ao som desses versos que adoro ( não estou sendo irônica. Já disse que tenho um ladinho amante de musiquinhas um tanto quanto breguinhas dentro de mim. Eu já disse!). Não deu certo. Primeiro, o celular ficou cortando a música. Depois, ele mal conseguiu entender a letra da música. Bem, mas no momento em que ele perguntou quem estava cantando, decidi que era hora de entrar em ação e cantar eu mesma.
Que bom( pra vocês) que esse blog é escrito e não falado, viu!


" Uma ilusão que a gente não escooooooolhe/ Mas espera viver um diaaaaaaaa"

Fábio, pai do Fiuk, te amo!

P.S.: Amo o André também ,mas ele não lê esse blog. Tenho uma péssima audiência entre os amigos! =p

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quando foi, hein?

Não tenho irmãos,mas tenho primos. É quase igual? Me digam se é parecido porque uma filha única jamais será capaz de entender a relação amor- ódio que há entre irmãs e irmãos. Listar meus primos pode ser meio complicado porque  um não é exatamente primo de primeiro grau, outra é filha de consideração ,  uma é filha de não sei quem com quem lá,umas pequenas sutilezas. Então, acho que fazendo as contas direitinho tenho cinco primos: um mais velho que eu com quem não tenho intimidade, uma pouquinho mais nova que eu, uma que é 10 anos mais nova, outro 12 anos mais novo e outro 22 anos mais novo.

Ontem mesmo, estava me perguntando quando foi que eles todos cresceram e eu não percebi? Estão muito frescos na   memória os dias em que a minha prima pouquinho mais nova inventava apelidos  indelicados pras minhas amigas. Foi ontem. Juro! Foi ontem também que minha prima adolescente  disse um sonoro “não” para o padre no dia do batizado dela, quando o pobre homem perguntou se podia dar um beijinho na bochecha dela. Foi um “ não “ que ecoou por toda a igreja; inesquecível ( pobre padre!rs). Foi ontem também que meu primo adolescente ganhava carrinhos no natal, no aniversário , no dia das crianças. Foi ontem que Paulo Victor não sabia falar direito meu nome e achava que “ Ju” era eu e “ Juliana” era alguma outra pessoa que ele não conhecia.

Agora, minha prima adolescente vem aqui em casa pra me contar do ciúme que sente do namorado. NAMORADO! Não estou preparada pra  falar sobre ciúme com uma adolescente. Não estou preparada para ser madrinha de uma menina que tem ciúme de namorado, entende? Pior é que eu nem sei o que dizer. Porque conselho pra amigo é mole, mas conselho de prima –mais- velha- que  -também – é  - madrinha não faz parte da minha especialidade.  Eu me lembro de quando ela  me pedia ajuda nos deveres de casa. Nisso,eu era boa. Ainda sou. Dou aula pra ela e pro meu outro primo  num cursinho preparatório e acho a maior graça do modo como eles se comportam na sala de aula.Só agora os outros alunos descobriram que somos parentes; sinal de que meus primos não ficam por aí contando que já viram a professora de camisola. Que bom!

Depois de adulta, passei a gostar ainda mais dos meus primos, até do mais velho, que não tem nenhuma afinidade comigo. Os dois adolescentes são pessoas assim tão legais, tão fofas que dá vontade de ficar perto sempre, só pra rir das sandices  típicas da idade e aprender um pouco como levar a vida com mais leveza. Paulo Victor é aquela coisa que amo só porque existe.  Mas é pela minha prima um tantinho mais nova  que vem um combo de sentimentos que me fazem beeem até dizer chega: admiração, afeto, amor, daqueles bem fáceis, que não exigem nada, só existem.

E eu não sei exatamente quando foi que ela deixou de ser aquela menina mala que enchia o meu saco, depois a adolescente cuja existência ignorei por uns bons 3 anos ( sério mesmo!  Não me lembro de ter convivido com ela enquanto fomos adolescentes. Ela deveria estar perdida em alguma dimensão paralela) e se transformou numa pessoa tão legal.

Quando foi mesmo que começamos a fazer compras de Natal juntas? Quando foi que ela passou a ter um limite no cartão de crédito tão maravilhoso, do qual eu me beneficio tanto? Quando foi que ela passou a colecionar melissas e tentar me convencer a comprar uma também ( não, eu recuso a dica!) ? Quando foi  que ela aprendeu a dirigir carros e  passou a responder às perguntas sobre trânsito que ninguém mais quer me responder? Quando foi que ela passou a cuidar da minha colheita feliz, do meu café mania e da limpeza da minha página de recados no orkut? Quando foi que ela decidiu usar uma  cauda tão linda no vestido de noiva que me fez chorar só de olhar?

Juro! Por mim, ela poderia ter se casado enrolada na cauda. Talvez, eu chorasse ainda mais do que chorei.

Mas é que eu sou sentimental, vocês sabem!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Quase uma Becky Bloom

Eu precisava comprar um telefone aqui pra casa, mas a Casa e Vídeo fica muito próxima à Nobel, daí não resisti. Voltei pra casa com:

1 aparelho de telefone
1 deliciosa pizza marguerita na barriga. ( pizza deixa a gente bem alegre,né?)
1 exemplar de Noites Brancas e outras histórias, do Dostoiévski.

Não, não fica aí achando que eu sou besta,tá? =p É que, há muitos milênios, tentei ler Crime e Castigo, mas o livro me venceu. Alguns milênios mais tarde, tentei  O Idiota; fui vencida também. Agora,decidi fazer uma nova tentativa com autor. Vamô ver no que dá!

Mas sabe qual que eu queria meeeeesmo?  Perto de Casa, do mesmo autor de Pedaço do meu coração. Só que me recuso a pagar 52 reais  nele, me recuso!

Eu também queria uma impressora, uma bolsa que está além dos poderes do meu cartão de crédito, um gloss lindo que a moça da Contém 1g quase me convenceu a comprar  (eu não gosto das moças da Contém 1g. Elas parecem   ter recebido treinamento na Fofolândia  e te fazem gastar rios de dinheiro na base da fofice que parece espontânea ),  toooodos os boxes de Friends naquela caixa liiiiinda,  uma passagem só de ida pra algum paraíso perdido,um carro com motorista, um helicóptero, uma montanha-russa e a  paz mundial.

Ainda bem que  eu sou amiga do Papai Noel...=p

R.S.: A quem interessar: A casa do Sono, o livro que estou lendo no momento, é  de dar vontade de roer as unhas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Brincando de resenhar - A Garota dos Pés de Vidro

Eu não deveria alardear um livro que ainda não terminei –e que provavelmente não terminarei nem tão cedo-, mas é que A Garota dos Pés de Vidro me impressionou tanto que  não consigo me aguentar e esperar pra saber se o final da história é tão legal quanto o início.

Em primeiro lugar,  comprei o livro por causa da capa. Bati o olho nessa lindeza e não houve meio de resistir. Num ímpeto  - e com o apoio moral da minha mãe ( bem que poderia ser apoio financeiro =P), trouxe-o pra casa e tratei de contar pra todo  mundo que eu tinha comprado um livro cuja capa provoca  vontade de olhar, morder, pendurar na parede. Vejam só se não é um escândalo de bonita:

                                                          (Ao vivo, a capa é mais linda ainda.)

Claro que antes de torrar suados 39,90 reais ( caro, né?), dei uma olhadinha na contracapa e nas orelhas. Bem, e foi aí que me rendi. O texto da contracapa começa assim: “ Você acreditaria que há uma criatura que transforma tudo o que olha em branco puro? Que há corpos de vidro afundados na água do pântano? E vacas do tamanho de insetos, com asas de borboleta? Então ainda não pode enfrentar o que está acontecendo com você. (...)”. Tem como resistir a vacas do tamanho de insetos e a corpos de vidros afundados em lagos? Eu não resisiti. E não tenho me arrependido.

Li apenas 100 de 287 páginas. Pouco, eu sei, mas esse não é um livro pra se ler de um fôlego só. A história não é aventuresca e heroica como pode-se supor ao pensar em vacas aladas e critauras como poderes especiais.  Ida   e Midas, os protagonistas, estão longe de ser poderosos e  míticos. Ela é a moça cujos pés estão se transformando em vidro. Ele é um fotógrafo, nativo de uma ilha  muito especial, que ajudará  Ida  a procurar a cura para o processo de “ envidraçamento” dos pés. Nessa busca, Midas irá confrontar fantasmas do passado e encarar suas próprias fraquezas.

Apesar de ter lido pouco, já estou apaixonada pela narrativa cheia de descrições delicadas. O cenário da ilha em  que Midas mora e  na qual  Ida vai buscar entender o que está  acontecendo com seu corpo é entorpcedor. O narrador tece cada cena com minúcias que te fazem sentir como se o vento que bagunça os cabelos das personagens também virá sacudir os seus. Tudo é tão lindo, tão bem trabalhado, quase encantado! Na verdade, o texto,, cheio de detalhes e sugestões de cor e luz, parece imitar as fotos que Midas tira tão apaixonadamente de tudo o que vê. 

Midas, por sinal, praticamente usa  a câmera fotográfica como óculos que permitem ver melhor  o mundo e também como escudo que o protege dos problemas e sofrimentos. Ele é quase um anti-herói, no sentido que não prima pela força e impetuosidade. Pelo que li até agora,  as descobertas que o rapaz faz  nessa jornada para ajudar a Ida parecem muito difíceis e dolorosas para ele. Midas é muito humano, eu diria.

Já a Ida é uma guerreira. Ela é uma jovem que tem paixão por viajar ,  por descobrir novos lugares, pelo movimento, mas que , de repente, se vê acometida por uma doença pra lá estranha. Imaginem o que deve ser do nada, descobrir que seus pés estão  se transformando em vidro. Achei essa metáfora de paralisia tão bonita... Mas a Ida é durona, em vez de se desesperar, ela  se permite acreditar em coisas estranhas como as tais vacas aladas e  vai atrás da sua cura. Gosto da Ida e me partem o coração os momentos em que a transformação da pele e  da carne em vidro são descritos. É triiiiste! Mas escrito de uma forma tão bonita que você fica tocado pela dor dela e também pela beleza das palavras.


Quando eu disse que AGPV não é um livro pra se ler rapidinho, estava me referindo justamente  ao ritmo do texto. Nada aqui é chato , cansativo ou enfandonho, mas há tantos detalhes e tantas nuances em cada capítulo que eu preferi ler aos poucos. Acho, talvez, que o livro te exija essa paciência. É isso: o livro é delicioso, mas não te apressa, não te bota ansiosa pelo final. Gostei disso.

Quando terminar, volto a falar dele. Vai demorar um pouco, porque estou engantada na leitura de um outro livro que, esse sim, te engole e não te deixa mais largar dele: A Casa do Sono, do Jonathan Coe. Conhecem? Esse foi uma das minhas aquisições baratíssimas na tradicional feira de livros que roda o Rio de Janeiro. Comprei esse livro e dois do João Gilberto Noll por 15 reais; os três novinhos e lindinhos. 

Pagar pouco por livros legais me deixa feliz! =)

P.S.: A Garota dos Pés de Vidro é da Editora Leya, que parece ser especialista em capas legais. Deem uma olhadinha só nos livros dessa editora. Tenho aqui em casa - presente da Cíntia - a Biografia do Saramago, cuja capa também é muito bem-feita.

P.S.: O autor de AGPV é o britânico Ali Shaw.

domingo, 7 de novembro de 2010

Love love love

Friamente calculado, por favor!

Amiga disse pra mim hoje: " Ju, mas vc é muito calculista!" Sou mesmo!

( Calma! Não sou má que nem vilão de filme de suspense,não! É calculismo naquele estilo do Chapolin, sabe! "Meus movimentos são friamente calculados")

Portanto, não sou muito fã de surpresas.

Não gosto de procurar o chocolate na geladeira e descobrir que alguém comeu.
Não gosto de tirar extrato do banco e constatar que  o salário já se foi.
Não gosto de procurar a blusa favorita e descobrir que tá de molho na máquina de lavar.
Não gosto de  encontrar baratas " descansando" sobre  o meu travesseiro.
Não gosto de ver o ônibus virando na esquina no momento em que chego no ponto.
Não gosto de abrir a caixa de e-mails que não uso há séculos e ficar de queixo caído.

Não gosto de gente que reaparece sem avisar.
Não gosto.

sábado, 6 de novembro de 2010

Para não esquecer também

"Vou caminhando por onde acredito, hoje. Tenho feito as coisas do jeito que acho que ficam mais leves, mais clarinhas, mais fáceis de carregar. Ando sempre bem. A verdade é que nessa procura de me fazer, encontrei retalhos de coisas que doem. Doem mas não precisam trazer aquele gosto de água e sal, na boca. Guardo no bolso, jogo para cima, vou tomar um sorvete. Quando você não se prende, vai aprendendo de um jeito muito manso a voar novamente. Um e outro arranhão nos joelhos, pequenas quedas, mas nada disso importa depois que se prova um pouquinho de céu.

Eu tenho tanta fé em tudo, agora. Tenho gostado tanto de todo mundo, de mim, dessas repetições. Me assustei, então, ao perceber que é tudo uma questão de escolha. E o bom do susto é que a gargalhada sempre demora mais." 


(Poetice, de Jaya Magalhães)



Eu até queria ter escrito isso, mas as palavras são da Jaya Magalhães. Peguei só um pedacinho do post pra mim, então vão lá no Líricas pra degustar do restante. Aproveitem e leiam o blog todinho. Eu tenho tanta vontade de me debruçar naquela sacada que tem lá e também olhar o horizonte...


Para não esquecer

Nada posso fazer se a Ge escreve exatamente aquilo que eu queria dizer :



"Fico pensando que somos como cidades enterradas. Quando as ruínas são encontradas encontram também os cemitérios, os resquícios de belezas que existiram. Quando essas ruínas são descobertas, ficam abertas. Mas elas nunca serão inteiramente decifradas. E outras catacumbas vão aparecer ora ou outra. E tudo bem.

Quase toda dor vem daquilo que a gente não sabe. Essa que eu sigo vivendo também vem. E por isso que ela dói tanto. Porque tudo que eu quero agora é uma palavra que diga."



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Mais um dos contos da "Tia" Juliana...

Façamos o seguinte: imaginem que vocês têm 16 anos, estudam num colégio perto de casa e têm um grande talento pra irritar professores e organizar fugas das aulas nos dias de jogo do Flamengo. Imaginaram?

Imaginem, agora, que vocês têm 16 anos e trabalham como entregadores de quentinhas num restaurantezinho perto de casa. Tão imaginando?

Pois bem, numa bela tarde de quinta -feira, você sai com sua bicicleta pra fazer uma entrega. Alguém quer comer bife, batata frita, salada, arroz e feijão. Chegando  no endereço de onde partiu o pedido, você chama: " Mooooça! Moooooça!".

Agora me digam o que sentiriam se ,em vez de uma senhorinha qualquer, aparecesse no portão simplesmente a SUA PROFESSORA DE PORTUGUÊS, aquela cuja aula você e seus colegas mataram por causa do jogo.

***

Gente, não dá pra descrever a  cara que o menino fez ao me ver! Não dá! Os olhos dele devem ter ficado do tamanho de pires. Juro! O pobre levou uns dez segundos pra conseguir articular um " boa tarde".

Mal sabe o rapaz que eu sabia que ele trabalhava lá e que reconheci a voz ao telefone, quando liguei pra fazer o pedido. 

Para que vocês não fiquem aí me achando muito má, devo deixar claro que , quando o menino começou a gaguejar freneticamente umas desculpas sobre a aula assassinada na noite anterior, eu disse pra ele relaxar, que nem ele nem eu estávamos na escola naquele momento.

Agora, fiquei me perguntando: será que devo continuar pedindo comida nessa pensão? É um risco que vou correr, porque a comida é boa demais! =P