segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Brincando de resenhar - A Garota dos Pés de Vidro

Eu não deveria alardear um livro que ainda não terminei –e que provavelmente não terminarei nem tão cedo-, mas é que A Garota dos Pés de Vidro me impressionou tanto que  não consigo me aguentar e esperar pra saber se o final da história é tão legal quanto o início.

Em primeiro lugar,  comprei o livro por causa da capa. Bati o olho nessa lindeza e não houve meio de resistir. Num ímpeto  - e com o apoio moral da minha mãe ( bem que poderia ser apoio financeiro =P), trouxe-o pra casa e tratei de contar pra todo  mundo que eu tinha comprado um livro cuja capa provoca  vontade de olhar, morder, pendurar na parede. Vejam só se não é um escândalo de bonita:

                                                          (Ao vivo, a capa é mais linda ainda.)

Claro que antes de torrar suados 39,90 reais ( caro, né?), dei uma olhadinha na contracapa e nas orelhas. Bem, e foi aí que me rendi. O texto da contracapa começa assim: “ Você acreditaria que há uma criatura que transforma tudo o que olha em branco puro? Que há corpos de vidro afundados na água do pântano? E vacas do tamanho de insetos, com asas de borboleta? Então ainda não pode enfrentar o que está acontecendo com você. (...)”. Tem como resistir a vacas do tamanho de insetos e a corpos de vidros afundados em lagos? Eu não resisiti. E não tenho me arrependido.

Li apenas 100 de 287 páginas. Pouco, eu sei, mas esse não é um livro pra se ler de um fôlego só. A história não é aventuresca e heroica como pode-se supor ao pensar em vacas aladas e critauras como poderes especiais.  Ida   e Midas, os protagonistas, estão longe de ser poderosos e  míticos. Ela é a moça cujos pés estão se transformando em vidro. Ele é um fotógrafo, nativo de uma ilha  muito especial, que ajudará  Ida  a procurar a cura para o processo de “ envidraçamento” dos pés. Nessa busca, Midas irá confrontar fantasmas do passado e encarar suas próprias fraquezas.

Apesar de ter lido pouco, já estou apaixonada pela narrativa cheia de descrições delicadas. O cenário da ilha em  que Midas mora e  na qual  Ida vai buscar entender o que está  acontecendo com seu corpo é entorpcedor. O narrador tece cada cena com minúcias que te fazem sentir como se o vento que bagunça os cabelos das personagens também virá sacudir os seus. Tudo é tão lindo, tão bem trabalhado, quase encantado! Na verdade, o texto,, cheio de detalhes e sugestões de cor e luz, parece imitar as fotos que Midas tira tão apaixonadamente de tudo o que vê. 

Midas, por sinal, praticamente usa  a câmera fotográfica como óculos que permitem ver melhor  o mundo e também como escudo que o protege dos problemas e sofrimentos. Ele é quase um anti-herói, no sentido que não prima pela força e impetuosidade. Pelo que li até agora,  as descobertas que o rapaz faz  nessa jornada para ajudar a Ida parecem muito difíceis e dolorosas para ele. Midas é muito humano, eu diria.

Já a Ida é uma guerreira. Ela é uma jovem que tem paixão por viajar ,  por descobrir novos lugares, pelo movimento, mas que , de repente, se vê acometida por uma doença pra lá estranha. Imaginem o que deve ser do nada, descobrir que seus pés estão  se transformando em vidro. Achei essa metáfora de paralisia tão bonita... Mas a Ida é durona, em vez de se desesperar, ela  se permite acreditar em coisas estranhas como as tais vacas aladas e  vai atrás da sua cura. Gosto da Ida e me partem o coração os momentos em que a transformação da pele e  da carne em vidro são descritos. É triiiiste! Mas escrito de uma forma tão bonita que você fica tocado pela dor dela e também pela beleza das palavras.


Quando eu disse que AGPV não é um livro pra se ler rapidinho, estava me referindo justamente  ao ritmo do texto. Nada aqui é chato , cansativo ou enfandonho, mas há tantos detalhes e tantas nuances em cada capítulo que eu preferi ler aos poucos. Acho, talvez, que o livro te exija essa paciência. É isso: o livro é delicioso, mas não te apressa, não te bota ansiosa pelo final. Gostei disso.

Quando terminar, volto a falar dele. Vai demorar um pouco, porque estou engantada na leitura de um outro livro que, esse sim, te engole e não te deixa mais largar dele: A Casa do Sono, do Jonathan Coe. Conhecem? Esse foi uma das minhas aquisições baratíssimas na tradicional feira de livros que roda o Rio de Janeiro. Comprei esse livro e dois do João Gilberto Noll por 15 reais; os três novinhos e lindinhos. 

Pagar pouco por livros legais me deixa feliz! =)

P.S.: A Garota dos Pés de Vidro é da Editora Leya, que parece ser especialista em capas legais. Deem uma olhadinha só nos livros dessa editora. Tenho aqui em casa - presente da Cíntia - a Biografia do Saramago, cuja capa também é muito bem-feita.

P.S.: O autor de AGPV é o britânico Ali Shaw.

3 comentários:

D. disse...

Vi ontem esse livro na livraria e me apaixonei!!
Não li sua resenha (eu só leio resenhas de livros lidos... hehehe), mas tô mais curiosa ainda....

Beijos, Ju!

Cíntia Mara disse...

Eu tenho evitado ler a contracapa de livros com capa bonita e que podem, de alguma forma, me interessar. Prefiro olhar aqueles que têm capa bonita e uma sinopse que não me agrada, que aí eu não compro, rsrs.

Esse livro me lembrou de "A menina que não sabia ler". O nome é parecido, a capa bonita, a mesma editora. Comprei na Bienal, em maio, mas ainda não li.

Juliana disse...

D., acho que vc vai gostar muito do livro. Vou escrever uma resenha bonitinha, quando terminar. hehe
Obrigada pela visita!

Cíntia, eu não tenho a menor curiosidade por esse que vc citou. Olha, essa capa é linda demais. Vc já deu olhada de perto?