quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dez reis de esperança

Queria escrever alguma coisa sobre o que está acontecendo ( e que não é a maior das novidades)  no Rio de Janeiro,mas não consigo. Só me vem à cabeça esse poema:


 Dez réis de esperança

"Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue."

( Antonio Gedeão)

Um comentário:

TECA disse...

Juliana,seu nome é lindo, bom dia!
Queria também poder escrever sobre o que está acontecendo no Rio,essa cidade linda,maravilhosa e maltratada.Mas estou sufocada de medo por todos que ali vivem e são pessoa de bem,trabalhadores,crianças,gente enfim que apenas quer levar sua vida normalmente,entre as quais estão minha filha ,meu genro e meu netinho.
Quando comecei a ver na tv carros sendo queimados arrasada por saber -me impotente para defender meus queridos e ajudar aos demais que estão passando essa situação de pânico diante de tanta selvageria
Esse texto retrata a realidade triste de agora.
Beijos
Teca