quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Quando foi, hein?

Não tenho irmãos,mas tenho primos. É quase igual? Me digam se é parecido porque uma filha única jamais será capaz de entender a relação amor- ódio que há entre irmãs e irmãos. Listar meus primos pode ser meio complicado porque  um não é exatamente primo de primeiro grau, outra é filha de consideração ,  uma é filha de não sei quem com quem lá,umas pequenas sutilezas. Então, acho que fazendo as contas direitinho tenho cinco primos: um mais velho que eu com quem não tenho intimidade, uma pouquinho mais nova que eu, uma que é 10 anos mais nova, outro 12 anos mais novo e outro 22 anos mais novo.

Ontem mesmo, estava me perguntando quando foi que eles todos cresceram e eu não percebi? Estão muito frescos na   memória os dias em que a minha prima pouquinho mais nova inventava apelidos  indelicados pras minhas amigas. Foi ontem. Juro! Foi ontem também que minha prima adolescente  disse um sonoro “não” para o padre no dia do batizado dela, quando o pobre homem perguntou se podia dar um beijinho na bochecha dela. Foi um “ não “ que ecoou por toda a igreja; inesquecível ( pobre padre!rs). Foi ontem também que meu primo adolescente ganhava carrinhos no natal, no aniversário , no dia das crianças. Foi ontem que Paulo Victor não sabia falar direito meu nome e achava que “ Ju” era eu e “ Juliana” era alguma outra pessoa que ele não conhecia.

Agora, minha prima adolescente vem aqui em casa pra me contar do ciúme que sente do namorado. NAMORADO! Não estou preparada pra  falar sobre ciúme com uma adolescente. Não estou preparada para ser madrinha de uma menina que tem ciúme de namorado, entende? Pior é que eu nem sei o que dizer. Porque conselho pra amigo é mole, mas conselho de prima –mais- velha- que  -também – é  - madrinha não faz parte da minha especialidade.  Eu me lembro de quando ela  me pedia ajuda nos deveres de casa. Nisso,eu era boa. Ainda sou. Dou aula pra ela e pro meu outro primo  num cursinho preparatório e acho a maior graça do modo como eles se comportam na sala de aula.Só agora os outros alunos descobriram que somos parentes; sinal de que meus primos não ficam por aí contando que já viram a professora de camisola. Que bom!

Depois de adulta, passei a gostar ainda mais dos meus primos, até do mais velho, que não tem nenhuma afinidade comigo. Os dois adolescentes são pessoas assim tão legais, tão fofas que dá vontade de ficar perto sempre, só pra rir das sandices  típicas da idade e aprender um pouco como levar a vida com mais leveza. Paulo Victor é aquela coisa que amo só porque existe.  Mas é pela minha prima um tantinho mais nova  que vem um combo de sentimentos que me fazem beeem até dizer chega: admiração, afeto, amor, daqueles bem fáceis, que não exigem nada, só existem.

E eu não sei exatamente quando foi que ela deixou de ser aquela menina mala que enchia o meu saco, depois a adolescente cuja existência ignorei por uns bons 3 anos ( sério mesmo!  Não me lembro de ter convivido com ela enquanto fomos adolescentes. Ela deveria estar perdida em alguma dimensão paralela) e se transformou numa pessoa tão legal.

Quando foi mesmo que começamos a fazer compras de Natal juntas? Quando foi que ela passou a ter um limite no cartão de crédito tão maravilhoso, do qual eu me beneficio tanto? Quando foi que ela passou a colecionar melissas e tentar me convencer a comprar uma também ( não, eu recuso a dica!) ? Quando foi  que ela aprendeu a dirigir carros e  passou a responder às perguntas sobre trânsito que ninguém mais quer me responder? Quando foi que ela passou a cuidar da minha colheita feliz, do meu café mania e da limpeza da minha página de recados no orkut? Quando foi que ela decidiu usar uma  cauda tão linda no vestido de noiva que me fez chorar só de olhar?

Juro! Por mim, ela poderia ter se casado enrolada na cauda. Talvez, eu chorasse ainda mais do que chorei.

Mas é que eu sou sentimental, vocês sabem!

4 comentários:

Palavras Vagabundas disse...

Juliana, tenho 5 irmãos por isso não sei responder sua pergunta! Tenho 12 primos e somos tão ligados como se fossemos irmãos e em alguma dimensão somos!
Achei lindo você expressar seus sentimentos por pessoas que a fazem tão feliz.
bjs
Jussara

amanda. disse...

eu tenho duas irmas, 8 primos por parte de mãe (e uma tia da minha idade) e 15 primos por parte de pai.
todos nós fomos criados juntos, mas nunca fui realmente proxima deles depois de grande.

eu era uma criança muito ruim e atentada, por isso minha presença era meio "desagradavel" pra eles HAHAH porque eu estava sempre arrumando briga ou batendo em alguem (uma vez, um primo mais velho confessou no msn que o que ele mais detestava em passar o ano novo na casa da nossa vó era ter que me ver).

acho que primo nao é a mesma coisa que irmão... sei la, primeiro que primo é filho de outra pessoa. e por mais que morem proximos e convivam juntos nao é a mesma coisa.
eu e minhas irmas SEMPRE fomos proximas (eu sou a do meio, tenho uma 3 anos mais velha e outra 6 anos mais nova), mesmo na fase em que brigavamos demais. assumo pra todo mundo que o que eu mais sinto falta de maringa (onde eu morei por muito tempo) é das minhas irmãs.
acho que todo mundo tem O DIREITO de ter irmãos. acho triste a vida de filho único.

juro que se pudesse, eu teria uns 6 filhos. acho lindo aquelas familias enormes, ter muitos irmãos e etc.
:)

Cíntia Mara disse...

Não é igual, não. Por parte de mãe tenho 4 primas e 6 primos "legítimos" (mais 1 primo e 1 prima que eu não conheço e 1 de segundo grau). Por parte de pai eu nem conto porque não tenho contato com nenhum deles. Minha família sempre foi festeira, então alguns de nós fomos criados bem juntos mesmo. A gente briga, a gente se ajuda, como se fôssemos irmãos, mas, embora eu não saiba explicar precisamente, tem diferenças. Por exemplo, quando minha prima 5 anos mais nova começou a namorar, eu achei legal. Quando foi minha irmã, eu tive uma crise de carência.

Eu entendo essa sua sensação, Ju. Passo por isso com meus primos mais novos. Aquele molequinho que era um nojo de tão grudento, hoje tem quase 20 anos e uma filha de 4. O irmão mais novo dele, a primeira criança que eu peguei no colo, hoje é capaz de me carregar. Aquele bebê pequenininho que deixou a família toda em choque porque nasceu com síndrome de down, já tá mais alto que eu. A bonequinha do cabelo liso tornou-se uma adolescente insuportável. E a pequenininha que era o xodó da família tá doida pra fazer 18 anos e ir pra rave com a irmã.

Ah, nem...

Borboletas nos Olhos disse...

Tenho duas irmãs e um irmão. Tenho trilhões de primos. E tenho úlceras todas as vezes que qualquer um deles que não era adolescente quando EU era adolescente fala de assuntos como namoro, casamento, FILHOS!!!!! Como assim filhos? Eles não têm (kkkk, risada histérica) idade pra fazer sexo...
Que linda sua forma de declarar seu bem querer. Sentimento assim é belo e tocante, não importa se por irmã, prima, tia, amiga...