quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Rio de Janeiro

Confesso que, no momento, eu não sei falar nada coerente sobre os ataques no Rio de Janeiro. Uma parte de mim tem vontade de fazer eco com a indignação que alguns programas de tevê incitam. Um apresentador da Record, agora há pouco, tava fazendo um discurso inflamado contra o governador, exigindo ações mais efetivas e duras. Eu quase concordei, apesar de ser absolutamente contra a política de enfrentamento e o discurso virulento que sempre  foram adotados por esse governo.

A outra parte concorda com as palavras  da comunicação social da PM, que afirma que não é preciso pânico, que  a intenção dos bandidos é justamente causar terror. Segundo as autoridades, está tudo sob controle e o melhor está sendo feito. A terceira parte, a maior delas, simplesmente fica desesperada.

Ontem,  o calçadão de Nova Iguaçu foi fechado porque houve um arrastão ( ou tentativa de) e um ônibus foi queimado. Fiquei doida de preocupação com a minha prima, que trabalha lá; com a Jaqueline, que trabalha num lugar bastante perigoso; com os meus outros amigos, com os meus tios, com todo mundo.

À noite, soube que o marido da Mona estava na rua e fiquei nervosa por ela também. Depois, vi no facebook uma conhecida dizendo que o ônibus que faz a integração entre o metrô e o centro de Nova Iguaçu não estava circulando. Para conseguir fazer o trajeto, restavam kombis piratas, que cobravam  OITO reais pela passagem. Putz! Fiquei pensando nas pessoas que só têm Riocard, naquelas que não têm esse dinheiro todo disponível pra uma passagem, naquelas que simplesmente não andam com dinheiro. 

Entenderam o meu raciocínio?  Tá difícil pensar com clareza diante de tantas informações e tantas emoções. Eu tô com medo e preocupada. Cês podem estar pensando aí: " Calma, Ju! A coisa não tá complicada assim. Se você se acalmar, vai ver isso!"  Provavelmente, mas eu tô com o coração apertado e a  cabeça meio fora do lugar no momento. 

P.S.: E eu adoraria que as pessoas parassem de dizer que queriam chamar o Capitão Nascimento. Pois é, Superman, Batman, Robocop ou qualquer desses outros heróis não existem ,minha gente! E que eu saiba o Nascimento descobriu nesse último filme que suas práticas bem -intencionadas nem sempre eram as mais eficazes.

P.S.: Tô vendo se o sorteio do livro poderá ser do jeito que eu planejei. Se der tudo certinho, eu posto o resultado daqui a pouco.

10 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Minha querida...meu coração com você e minhas preocupações com as suas, viu?
Beijos

M!riam disse...

Oi, Ju,

Eu estou tão assustada com toda essa violência que tenho medo de assistir ou ler os jornais.

As vezes essas notícias me parecem irreais...

:(

Juliana disse...

Ei, Borboleta! Obrigada!

Miriam, não são surreais. Podem não ser tão drásticas quanto o medo faz parecer, mas o clima tá mesmo tenso por aqui.

Luciana Matos disse...

Ju, Compartilho de todas as sua preocupações...
Tá difícil, viu.

beijo.

Capitão Nascimento que nada, só o Chapolim Colorado poderá nos ajudar! rs!
(Porque se a gente não rir a gente chora)

babi disse...

eu acompanho de muito longe isso tudo, mas é impossível não lembrar dos ataques que aconteceram em 2006em são paulo, em que o pânico tomou conta da cidad e eu cheguei a ser a única pessoa na rua em uma noite de segunda-feira. depois que passa, a gente pensa com mais calma e quase fica tranquila. na hora, é impossível, é até antinatural. é como não sentir a adrenalina subir em uma tentativa de assalto. acho que o nervosismo faz sentido e espero que as autoridades consigam controlar isso - porque o estado é repressor, mas na ausência dele a violência é ainda maior (digo isso a favor da política das UPPs e contra as milícias (que pra mim são tão ou mais perigosas que os traficantes)).

Sandra Nogueira disse...

POIS E MINHA GENTE , DO NOSSO BRASIL VARONIL, NO MOMENTO E REZAR E MUITOOOO, EU MOREI EM NOVA IGUAÇU, E FIQUEI APRENCISA , AINDA ESTOU POIS TENHO AMIGOS QUE RESIDEM LA. E REALMENTE , E UM BRIGA INSANA TUDO ISSO, EU ESTOU EM ORAÇAO PEDINDO PELA PAZ ,GERAL DE NOSSA NAÇÃO.
PENSO EU SE TIVESSEMOS LEI JUSTA , NAO ESTARIA ACONTECENDO ISSO , GENTE INOCENTE SENDO BALEADAS, MORRENDO, PRINCIPALMENTE NOSSAS CRIANÇAS..
O JEITO E FAZER UMA CORRENTE DE ORAÇAO PARA QUE HAJA PAZ , SABEDORIA ...E TRISTE DEMAIS ESSA SITUAÇAO... PAREM PELO AMOR DE DEUS!

Páginas Da Minha Vida disse...

Olha,falo nem mais nada...o que eu tinha que dizer, está escrito no seu post e no meu.

Só nos resta torcer que esses ataques acabe, o mais depressa possível!

bjs

Fábrica dos Convites disse...

Eu morei no RJ por 3 anos, na época eu estava com uns 6 anos, hoje tenho 35, e desde aqueeles tempos o Rj era essa loucura, lembro que minha mãe chegou a ser assaltada na porta da faculdade com uma metralhadora na cabeça. Este foi um dos 5 assaltos que ela sofreu. Espero sinceramente que desta vez as autoridades realmente não voltem atrás, e entre definitivamente nas comunidades como tem feito com as UPP, pois são anos e anos de covardia de várias autoridades, o que deixa o carioca sempre em clima de medo. Bjs, rose.

Dori DLua disse...

Juuuu... tá louco mesmo! Eu, de fora (em MG), tô desorientada pelos meus amigos!
Sabe o que eu fico horrorizada com o povo brasileiro? Como são oportunistas... na época de dificuldade no Norte/Nordeste, começaram a vender água, vela, gás a um preço horrível! Preço q nem todos tinham como pagar, já q ficaram sem suas casas e tudo o que estava nelas! O que tinham de dinheiro seria pra reconstruir suas casas.
E agora no Rio... ao invés de ajudar uns aos outros... aproveitam! Oportunismo puro. Disso eu tenho vergonha...

Cíntia Mara disse...

Eu também fico mega preocupada. Conheço tanta gente aí na RM, cada um numa cidade ou bairro diferente. Como não conheço muito bem a cidade, vejo as notícias e fico sem saber se algum dos meus amigos está perto. Ai, Ju, só Deus mesmo, viu?! Minha madrinha viaja este sábado. Parece que ela vai de caminhão com meu padrinho e o meu primo mais novo, que tem síndrome de Down e não anda. Mais um motivo de preocupação. Dia 7 meu padrinho volta pra lá de carro, vamos eu, minha mãe e minha vó com ele e o resto da família fica aqui, morrendo de preocupação. Mesmo que já tenha acabado - e eu tenho fé que acabará logo - a gente sempre fica com pé atrás, né?