segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Uma das minhas turmas do noturno topou uma atividade muito legal: propus que conhecêssemos um pouquinho do funcionamento dos debates. De início, o pessoal achou que eu queria tratar de política, obrigá-los a ver os debates políticos, coisas do tipo.  Bem, eu queria isso também, mas o objetivo maior é que a gente pensasse um pouco o que é argumentação,de que modo  a dinâmica era o debate favorece a troca de idéias, qual  é o papel do mediador etc.   Fizemos assim: eles escolheram os temas, eu organizei o calendário.

 Minha ideia era a de que dois grupos se apresentassem, cada qual defendendo um ponto de vista. Só que essa proposta foi bastante rechaçada. Como os temas escolhidos eram muito polêmicos, ninguém quis adotar o papel de “ defensor” da união civil entre homossexuais,  descriminalização do aborto, entre outros. Bem, até agora a discussão tem sido muito boa, mas eu não consigo deixar de pensar nessa recusa do pessoal em fazer o exercício de  argumentar  em defesa de um ponto de vista diferente daquele em que se acredita.

Estive me perguntando se a gente é mesmo capaz de dialogar  nessa vida.  Todo mundo defende o diálogo.Ninguém sai por aí dizendo que  gosta de impor suas ideias, que não pratica a tolerância, mas me parece que, na prática, a gente não dialoga coisa nenhuma. Acaba que  os supostos diálogos não passam de monólogos, ouvidos educadamente por uma pessoa que fica esperando atentamente a vez de falar. Eu me pego fazendo tanto isso. Ouço, ouço  e depois falo pra caramba, especialmente em casa.  Não brigo, não bato boca, porque não tenho muito jeito pra “ brigas”, mas isso não significa que eu dialogue melhor do que aquelas pessoas que “ botam pra quebrar”.  Silêncio e um verniz de  educação, muitas vezes, são formas de  ignorar o ponto de vista do outro,  de evitar flexibilizar  as opiniões ferrenhas que se tem.

 Há um tempão, eu fiz esse exercício de levantar argumentos a favor de algo que sou contra. Foi durante uma atividade da mocidade da qual eu fazia parte. Os temas eram  métodos anticoncepcionais, aborto, controle de natalidade. As religiões costumam ter um posicionamento bastante rígido no que diz respeito a esses temas e a proposta do coordenador  era justamente  que fizéssemos um debate que envolvesse posicionamentos contrários. Eu e uma colega ficamos responsáveis pelo lado do “ contra”. Tivemos de pesquisar, ler reportagens, entrevistar pessoas. Foi muito legal.  O mais interessante foi a lição que ficou: a de que as pessoas têm suas opiniões, têm seus motivos; existe uma lógica por trás do discurso alheio, por mais que a gente discorde dela.

Tem vezes em que a gente até se interessa por entender os argumentos do outro, mas com o único objetivo de desmontá-los, de encontrar brechas. É muito difícil simplesmente compreender sem querer atacar, destituir, demover aquela opinião que não tem nada ver com sua. Mais fácil é chamar a outra pessoa de idiota, de burro, de cabeça fechada. Claro tudo isso  se for alguém bem distante. Se o “ oponente” for amigo e  querido,   se opta pelo silêncio saudável ( vocês também têm assuntos que não entram em pauta em conversas amistosas?)  e segue cada um na sua. Por que será que esperto, inteligente, coerente são aqueles que pensam igualzinho a gente,hein?

Ando pensando bastante nisso e sentindo que preciso fazer mais o exercício proposto pelo coordenador da mocidade.  Tô precisando de umas aulinhas  de “ como respeitar de verdade a opinião alheia”.

P.S. que não tem nada ver com esse post:  Eu vi agora duas vírgulas terrivelmente mal colocadas no post anterior. Gente, eu não sei o que se passa. Juro que há  deslizes que simplesmente  não são registrados pelos meus olhos. Sempre é mais fácil revisar o texto dos outros que os nossos,né? Hehehe

Façamos assim: vocês continuam acreditando na minha palavra de que sei usar a pontuação,  de que  tenho uma noção do que é coesão e coerência, de que uso meus óculos sempre ( ops!  Peraê! Tenho de ir ali pegá-los rapidinho! Xii! Na verdade, tenho de  descobrir onde estão) e eu não rasgo o meu diploma, ok?
Bem, eu não sou nenhuma  xiita da gramática, mas as vírgulas do post anterior me fizeram morrer de vergonha. Ai!

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