sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Julianinha paz e amor

Sutileza nunca foi meu forte. Talvez o meu jeitinho tratorzinho de ser seja um pouquinho atenuado pelo  o fato de eu estar sempre sorrindo, rindo , gargalhando, morrendo de dor de barriga de tanto rir. Porque sorriso facilita as coisas, aproxima pessoas, até garante beijos babados vindos de criancinhas fofas.

Mas, na falta do  sorriso e do bom humor,  sobram somente a incapacidade de medir as palavras, de guardar pra si o que ninguém perguntou e a boa e velha mania de   achar que tá certa, sempre certa, mais que certa, amém. Juro que as minhas intenções são sempre boas, juro. São mesmo! Não tenho paciência pra quase nada, especialmente para o que causa tristeza e angústia seja em mim ou nos outros. Então , quando  proponho soluções infalíveis para os problemas alheios, juro que sou movida por essa vontade de que tudo esteja bem  sempre e sempre.

Só que ultimamente, não sei o que tá havendo que tudo que eu falo gera briga. Ando com medo de abrir a boca, porque se abro,  as reações ao que digo escapam ao efeito que eu pretendia. Se digo "a", a pessoa entende o alfabeto inteiro. Se digo o alfabeto inteiro, aí, meu irmão, o mundo acaba. E eu fico boiando, tentando acompanhar, sem sucesso ,o raciocínio alheio.

É verdade que os sorrisos e o bom -humor ainda não me encontraram nesse dezembro esquisito. Mas fico aqui me perguntando se , de fato,  careço tanto de suavidade e sutileza assim. Será que desenvolvi tão bem o meu senso de autodefesa que  por fim  o que era só um jeito de " viver nesse mundo de mágoas" acabou  se tornando um hábito, uma rotina?

Se eu ,de fato, acreditasse em astrologia, horóscopos e afins, diria que Marte está agindo sobre os meus chacras superiores e pressionando aquele botãozinho que me faz impulsiva, brigona e intolerante. Só pode ser... Só pode!

Alguém me diga  que rota de que planeta preciso alterar para que meu dezembro seja leve, por favor!

***

Levei Clarice comigo hoje no ônibus e relembrei por que  eu sempre achei que só ela me entendia:

"Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. (...)Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso." 

Peguei A Descoberta do Mundo pra reler. Cês já leram? Ah, eu bem acho que tem que ler e reler, reler, reler.

2 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Eu já li e reli, mas quero rereler (existe isso?). Adorei o jeito tratorzinho minimizado pelo riso solto. E manda esse Marte aí apertar o botão mais levinho, né?
Aperriada aqui, muito.
Bjs

Borboletas nos Olhos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.