sábado, 31 de dezembro de 2011

Querido 2011,



Eu queria que tivesse sido melhor; eu deveria ter feito com que fosse muito melhor. Não fui capaz de abandonar medos, não fui capaz de assumir meus desejos, houve dias em que a angústia me soterrou. Fiz escolhas erradas, gastei mais do que devia, me fiz de vítima.

No entanto, você, querido 2011,  me estendeu um leque de oportunidades, tal qual um tabuleiro de baiana, e  pude escolher as alegrias que eu quis. Mais tarde, às 23h59, quando eu olhar pro céu mais bonito do mundo, vou me lembrar do quanto seus 365 dias foram generosos comigo.

Obrigada.

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2012, pode vir com tu-do!

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Resoluções? Só uma: nunca usar calças de couro como as do Ross. (Não entendeu? Como assim você não sabe quais foram as resoluções de Ano Novo do Ross?)


Planos pra 2012: Alguns. Dentre eles, voltar a comer brócolis, cenoura e iogurte todo dia porque tô com saudade de ter cabelo sadio e pele que não precisa de maquiagem.

***

Pessoas queridas que aparecem por aqui, sou adepta de querer o bem das pessoas todos os dias, mas  já que o calendário tá aí nos convidando a fazer desejos, eu aproveito pra  desejar, sabe, as maiores, as mais possíveis, as  mais- mais -mais felizes, as melhores coisas da vida pra vocês.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Só não vai ter bolo





Hoje é o aniversário do Fina Flor. Dois anos. Oba! Se há dois anos você me dissesse que eu teria um blog, eu te diria que sua cabeça não funciona direito. Eu achava que blogs eram uma bobagem inventada por gente desajustada que foge de psicólogo. Eu podia jurar que blog e divã são a mesma coisa. Ah, essa divertida arte de pagar a língua.Nesses dois anos, o blog tem sido muitas coisas pra mim ,mas ainda não substituiu a minha analista querida.

Tem dias em que o Fina Flor é o meu HD externo. Quero lembrar de uma música maneira, venho aqui e tenho certeza de que encontrarei o vídeo. Às vezes, finjo que o blog é um daqueles sotãos de filme americano e me escondo em seus espaços silenciosos. De vez em quando, releio algumas postagens e acho que sou um grande gênio, que tudo o que tá escrito é lindo demais. Acontece muito de eu reler e querer deletar tudo e me perguntar pra que eu sento na frente do computador pra escrever tanta bobagem. Na maior parte do tempo, só entro aqui pra olhar as atualizações do meu blogroll. Na primeira postagem que fiz aqui, defini o que o Fina Flor significa pra mim e ainda não mudei de ideia.  Este blog é uma janela. Daqui , eu olho prum mundo que se estende por horizontes além daqueles que vejo da janela do quarto onde escrevo. Daqui, eu aceno e vocês aparecem  pra  bater papo,tomar um capuccino imaginário, tagarelar e sorrir. Às vezes, deito a cabeça no parapeito e alguém até faz um afago.

Escolhi o nome Fina Flor depois que vi um logotipo lindo de uma produtora num folder do CCBB. Achei o nome tão lindo que nem me toquei que poderia soar pretensioso. Afinal, Fina Flor , além de ser uma flor delicada, também é uma expressão para indicar algo que é o suprassumo. Mas, no fundo, essa segunda acepção também cabe aqui: o Fina Flor tem sido tantas vezes o lugar onde guardo o melhor de mim.

O resumo da ópera é o seguinte: adoro o meu blog e adoro que vocês apareçam por aqui. Espero que continuem aparecendo em 2012. 

P.S.: eu andei brincando com o layout do blog. Tava muito enjoada daquelas tuilpas do título e queria passar o aniversário de roupa nova.Não sei ainda se gosto desse novo; ainda não é isso que quero, sabe! Mas, por agora, tá valendo!  

Se tiverem alguma sugestão, tô aceitando.

P.S. 2: eu troquei de  novo o plano de fundo de novo. Deixei o blog aberto e fui na cozinha pegar água. Quando voltei, olhei a tela lá da porta e pensei: pô, que troço feio é aquele? Era o Fina Flor.

Continuo não amando, continuo aceitando sugestões.






terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Rita, a rebelde

Tão lembrados daquele sorteio revolucionário que eu fiz? Tão lembrados que a Rita foi a grande sortuda? Tão? Tão? Então, deixe-me falar mais da Rita. Ela escreve o blog  A Estrada Anil. Já leram? Não? Não sabem o que tão perdendo. Lá tudo é lindo: os posts são lindos, as crianças da Rita são lindas, o cabelo da Rita nas fotos que ela posta é lindo. (Rita, acho que seu cabelo é de diva!). Aparentemente, a Rita é um doce, sabe. Mas só aparentemente, porque , na verdade, a Rita é uma rebelde. Claro que eu já  desconfiava da veia subversiva da Rita, afinal ela nunca respeitou as regras dos memes que postou. Rita transgride as leis dos memes sem culpa nem dó ; e pior: usa de palavras doces pra nos convencer que quebrar as regras é o melhor a ser feito. 

Bem, eu já devia ter desconfiado de  que a Rita  também quebraria as regras do meu sorteio...  Assim que soube do resultado, Rita, a rebelde, entrou em contato comigo, prometendo pensar no nosso presente. Alguns dias  se passaram,  até que  recebo este e-mail:


Baby, eu escolhi, MAS, prestenção.

EU SEI das regras do "concurso", mas eu sou a maior quebradeira de regras da blogosfera, vide memes. Então: eu escolhi um presente que eu daria pra você, tipassim, é o que eu adoraria ganhar também, é algo que sei que vou comprar pra mim já já, já cantei o marido pra ele me dar de natal, essas coisas. ALÉM DISSO, todas sabemos da gastação que é essa época do ano. Só que eu não queria mudar o presente por causa do preço, porque eu escolhi pensando na qualidade, etc etc etc. ENTÃO eu quero quebrar a regra e dizer que você compre o dito cujo pra você e pronto. Só isso. MAS TEM DE COMPRAR MESMO, pra deixar pelo menos parte da regra valendo, hahahaha! Ou seja, eu oficialmente, diante deste cartório gmail libero você de enviar o presente pra mim, todas assinam. Dito isto, o presente é:



Eu tenho Breve História de Quase Tudo, do mesmo autor, e amo demais. Ando paquerando esse livro desde que vi na livraria, há algumas semanas. Ele é seu presente. :-)

Eu ia fazer um post, mas acho que é melhor você fazer, né? Então é isso.

beijocas
Rita

E qual foi a minha resposta? Aceitei, claro, porque  não sei argumentar, porque desisto fácil , porque o cartório Gmail me pareceu muito sério. Aceitei sim ,mas não antes sem contrargumentar. Enviei pra ela a minha contraproposta: 

Ah, Rita,  olha só, entendi direitinho a sua quebração de regra, MAS não me conformo de não te dar nada de presente. Então tenho uma contraproposta.Você já leu O Filho Eterno, do Cristovão Tezza? Eu estou quase terminando  esse livro e, mais de uma vez, fiquei especulando o que você diria sobre o livro. Minha contraproposta é: te dou  O Filho Eterno e ,pra que você não se preocupe com a gastação, te envio o meu exemplar. Dar um livro de que gosto muito pra alguém é o presente que mais me agrada. Será como se eu estivesse enviando um pouquinho de mim pra você. Topas?



Então, foi assim que se deram as negociações entre mim e Rita, a rebelde. Muito em breve enviarei O Filho Eterno  ( Que livro, gente! Que livro!) pra  Rita  , e já comprei o  livro que ela escolheu. Confesso que senti um medinho ao ver o titulo, mas o medo caiu por terra  assim que  comecei a pesquisar sobre Em casa. Agora que já li todo o capitulo dedicado à breve história da cozinha me apaixonei de vez. Cês sabiam  que o milho é o primeiro alimento completamente fabricado pelo homem? Ou que vendedores de cereja  dos séculos passados lambiam seus produtos para deixá-los mais brilhosos? 

P.S.: A Rita ta achando que vai receber só um livrinho em casa. Rá! Veremos!Veremos!





Adeus,fungos malditos!




Tenho que falar do presente que a Rita escolheu, mas nada agora pode ser tão importante quanto o fato de que MEU OUVIDO ESQUERDO VOLTOU A FUNCIONAR. Desculpem a caixa alta, mas o tamanho da letra equivale ao tamanho da minha felicidade. Ficar sem ouvir direito já tava me enlouquecendo. De início, não tava muito preocupada, achei que só a lavagem daria conta de desobstruir o canal auditivo. Nada! Fui numa médica  que  passou o remédio errado e fez lavagem sem examinar antes. A surdez que achei que estivesse curada voltou um mês depois, acompanhada de um zumbido insuportável. Não sei o que é pior: não ouvir ou ter um constante barulho de televisão velha dentro da tua cabeça.




Semana passada, depois de tentar marcar consulta com 3 otorrinos diferentes, encontrei uma otorrino atenciosa, que se interessou em perguntar se eu tomava remédios, quis saber qual era o meu emprego e ainda olhou o ouvido com cuidado antes de  tacar água la dentro. Hoje, depois de uma semana de antibióticos, uma boa parte dos fungos foram pro céu dos fungos. Gente, eu mal acreditei no tamanho da gangue de fungos que se apossara  do meu pobre ouvidinho! Erc!Ainda não posso comemorar totalmente porque é preciso usar o remédio por mais um tempo, lavar o cabelo com cuidado e manter distância do mar. Mas não tem problema, contanto que eu continue ouvindo direitinho.





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Resumo de Natal





O Natal desse ano foi muito diferente. Além de passar 15 horas no escuro (  para a Light, todo meu amor) e no calor ( gostaria de lembrar que moro no Rio de Janeiro) e ganhar um livro no amigo oculto da família 
(em 27 anos, foi a primeira vez que decidiram me dar algo de que realmente gosto), não senti a menor vontade de ser um duende do Papai Noel. 

Sempre fui uma entusiasta do Natal, daquele tipo que atende o telefone cantarolando Noite Feliz e pendura guirlanda até no box do banheiro, mas dessa vez não rolou. Os fungos continuam me impedindo de ouvir, fez um calor pavoroso no sábado, depois choveu horrores,  as mulheres decidiram relatar seus partos ao longo da madrugada escura, o cunhado da minha prima me perguntou umas vinte vezes por que ainda não me casei, o pernil não tava gostoso. Se  ao menos eu gostasse de  rabanadas... Todo mundo tava dizendo que as rabanadas eram a melhor coisa da noite.

Não comprei presentes pra ninguém, não pude usar meu rímel novo (maravilhosa Light) e  perdi o post de Natal menos amargurado porque faltou luz enquanto eu escrevia (eu já disse que amo a Light?).  Já no finalzinho do dia 25, achei que seria legal ver Simplesmente Amor. Tava lá naquela cena em que o Hugh Grant manda transferir a Natalie quando a luz faltou pela milésima vez em 24 horas. Dá pra ser feliz quando a luz acaba antes de o Colin Firth aprender português?


Nem a Aline Barros e  o Paulo Victor ( alguém ainda se lembra dele?) conseguiram me animar. Uma criança cantando a mesma música por 3 dias deveria animar a gente, né?


Que venha o drama " onde vou passar o Réveillon?".

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O Rei e eu

E se eu disser que no domingo passado fui a um show incrível? E se eu disser que o show incrível  foi desse cara aí na foto?



Ok, não dá pra ver quem é o cara. Nós - minha mãe e eu - sentamos longe ( somos pobrinhas) e a minha câmera é modesta.

Então continuemos : e se eu disser que a banda do cara é incrível, que a iluminação do show é incrível, que o público que lotou o Maracanãzinho  forma o coro mais afinado do mundo?

E se eu disser que o show do sábado foi cancelado e que o show do domingo atrasou uma hora e ninguém reclamou?E se eu disser que chorei  de o rímel borrar ouvindo Detalhes e que Jesus Cristo pode ser uma música bem apoteótica?

Vocês acreditam em mim ou acham que estão lendo o blog errado? Ei, sim, sim, eu ainda sou a Juliana e esse é o Fina Flor. E eu AMEI  o show do Roberto Carlos.Continuo não sendo fã do Rei, mas agora entendo a paixão que ele desperta. Aquele show é uma declaração de amor de um artista ao seu público. Roberto Carlos é cafonaço, canta as mesmas músicas há milênios, tava rouco e gripadão? Sim, mas  assim que ele entra no palco cantando Emoções, a gente tem a certeza de  que o ingresso valeu cada centavo. O show é lindo, delicado, vibrante, emocionante. O cara faz um show por ano, mas faz O show. 

Gente, e a banda? Que banda! Que banda! Que banda! 

Que show! Que show! Que show!


P.S.: Só eu acho Detalhes a coisa mais linda do mundo, apesar de ser uma grande rogação de praga? Pô, o cara já começa com " Não adianta nem tentar me esquecer". Deus me livre, né? =p








terça-feira, 20 de dezembro de 2011

" O povo que lê meu blog..."


Já decidi. Vou largar dessa vida de me relacionar com as pessoas  fora da internet e só terei como amigos de verdade as pessoas que leem esse blog. Você são as pessoas mais legais que conheço, pessoas que acham que a minha voz é fofa. A única coisa que eu posso fazer diante de tal opinião a  respeito  do som que sai das minhas cordas vocais é amar cada um de vocês pra sempre.

Quando os atendentes de telemarketing não quiserem falar comigo porque a Juliana com quem querem falar tem mais de 18 anos, eu direi :  " O povo que lê o meu blog me leva a sério e acha minha voz fofa."

Quando meus alunos disserem que minha voz estridente incomoda, eu direi: " O povo que lê o meu blog acha minha voz fofa."

Quando um cara ligar pro meu celular, perguntar três vezes se é a Juliana mesmo que tá falando e disser que a minha voz... hã. ... bem... é mais... adulta pessoalmente, eu direi: " O povo que lê meu  blog  acha minha voz fofa".

Quando tudo isso acontecer de novo, vocês serão  o meu apoio.


domingo, 18 de dezembro de 2011

E o presente vai pra...

Bem, eu já sei quem vai escolher o meu presente de Natal. Se alguém aí quiser saber também, vai ter que assistir ao videozinho.Já vou avisando que tenho voz sexy, muita habilidade com câmeras e nunca gaguejo. Tô pensando em ser apresentadora de tevê, inclusive.




O nome da pessoa sorteada aparece  em 2mim 28s.




Pessoa sorteada, tô ansiosíssima pra saber o que você quer ganhar!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011



Eu já disse aqui que pessoas sofrendo por amor me comovem. Bem, acabo de descobrir uma nova categoria de sofredores que parecem cães deixados na chuva: pessoas reprovadas na prova de direção - aquela do DETRAN, sabe, que te dá uma carteira de motorista.

Pior: estive hoje com uma pessoa que está sofrendo por amor e foi reprovada na prova do DETRAN. Suponho que a metáfora do cãozinho abandonado não dê conta de tanto sentimento de fracasso. Nem chocolate nem presente de Natal dão jeito, suponho.


Estou lendo este livro:





E não consigo falar nada a respeito dele. Bem, até consigo. Imaginem o que é receber ininterruptos soquinhos no estômago. É isso que você sente a cada página virada. 

Um soquinho no estômago não dói, mas tente imaginar 20 soquinhos por segundo.


É um livro que não te dá descanso, nem tempo pra chorar vc tem. O nó na garganta é constante.

 A sinopse é simples : um cara de 28 anos, imaturão e pretensioso, acaba de ser pai de um menino com Síndrome de Down. Considere que a criança nasce em 1980, esqueça o significado da palavra pieguice, pense num escritor fodão. É só  o começo, bem comecinho mesmo.

Ainda vai ter presente

Aviso ao pessoal que quer ganhar presente: vou adiantar o sorteio, tá? É possível que eu esteja passeando na semana do dia 28, então vou fazer o sorteio no dia  18/12. Certo?



Se alguém ainda quiser participar, basta clicar aqui ou na caixa vermelha aí na barra lateral.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Posso pedir que vocês me amem, me mimem, me deem presentes, me chamem de linda, nunca me rejeitem, me façam sorrir, façam um morango ao leite pra mim e participem dos conselhos de classe no meu lugar?

Posso?

Obrigada.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Retrospectiva

Tal qual o paraíso


Ah, os céus do Sul!


 O país mais divertido do mundo


Muito gatinho



Tá aqui porque acho bonita


São Paulo revelou a minha verdadeira face
( se bem que eu prefiro ser o último biscoito)



Onde repousa o meu coração


" ó, Minas Gerais/ ó, Minas Gerais"

Formosa cidade


 17 again


Santo céu  



Meu confidente mais bonito


2011 tem sido generoso comigo.



Please, don´t stop!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Eu nasci no Rio e moro desde sempre na  região metropolitana, portanto não tenho sotaque. Não, não tenho nenhuuuuuum sotaque. Quem foi que disse que a gente aqui tem sotaque?  Essa coisa de não ter sotaque, às vezes, torna a minha vida difícil porque sou daquelas pessoas que não entendem uma palavra do que as pessoas de outros estados falam. Da última vez que vi minha amiga mineira Débinha, fiquei achando que ela era maluca porque usava a palavra " bolsa" como xingamento. Bolsa? Como assim " bolsa" é uma ofensa? A pobre da Débora precisou dizer umas vinte vezes a mesma coisa até que eu  sacasse que ela estava falando BOSTA.

Há uns anos, tive um aluno que era meio mineiro e meio paulista - nascido no interior paulista e criado no interior mineiro. O cara era a pessoa mais participativa da aula, mas passava metade do tempo falando pro quadro, pra paredes, pros colegas que dormiam na aula porque eu não entendia quase nada do que ele dizia. O menino era afoito, tinha resposta pra tudo e era a razão de toda ansiedade que eu sentia antes das aulas. Eu cheguei a  desenvolver técnicas de leitura labial  só pra não precisar admitir pro rapaz que eu não conseguia acompanhá-lo. Ora, eu ia dizer o que pra ele? Fala devagar porque eu  sou essa pessoa que nunca colocou os pés fora do Rio de Janeiro, não convivo com ninguém de outro estado e  preciso urgentemente conhecer as outras pessoas do meu país? Nunca, né? Sou alienada, mas tenho um orgulho ferrenho.

Nessa mesma época, tive um  aluno da Bahia e um outro do Maranhão. O maranhense achava que eu tinha cara de baiana. Aliás, ele me chamava de baianinha. O cara da Bahia achava aquilo uma afronta porque,pra ele, eu podia ser tudo menos baiana. O menino ( não consigo me lembrar do nome dele de jeito nenhum) , recém-chegado de Ilhéus ( como é possível que eu me lembre da cidade do cara, mas não me lembra do nome dele) estava adorando estar no Rio de Janeiro, usava uma camiseta do Cristo Redentor, mas não se conformava com o sotaque desse povo carioca. Certa vez, ele veio me dizer que me achava gente boa e tal, mas que não aguentava minha aula porque eu dizia " oraçõexxxxxxxx surbordinadaxxxxxx". Ele me disse isso com a cara contorcida de nervoso. E eu ainda fui abrir a boca pra dizer que eu nem tinha tanto sotaque, que aquele jeito de falar que ele tava imitando era muito estereotipado. Pra que fui dizer aquilo? Com a minha doce ingenuidade, despertei a ira do moço. Daquele dia em diante, o menino passou a levantar a mão na aula toda vez que eu dizia algo que parecia " carioquês".  

Me lembrei desses alunos antigos porque, hoje mais cedo, tive de pedir pra minha aluna paulista do sexto ano ( ela está morando no RJ há 2 meses) pra que repetisse devagar o que tinha acabado de dizer. Ela repetiu , mas acrescentou desolada: " Ai, professora, eu tô perdendo o meu sotaque! Tô começando a falar como vocês, e eu não quero porque, quando eu for visitar minha família, eles vão achar que eu virei carioca. Vou lutar contra isso!". Ok, as palavras que ela usou não foram exatamente  essas, mas juro que ela disse " vou lutar contra isso".

Tá vendo por que estudar variação linguística é importante? Tá vendo por que é importante que as pessoas me convidem pra conhecer seus estados ( quiçá, seus países) a fim de que eu não tenha mais dificuldade de entender o que meus alunos  dizem?






segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

" Ouça o barulhinho que o tempo no seu peito faz"

Acho que há muitos modos de saber que o tempo tá passando, que é dezembro novamente.

Olho no espelho e vejo o meu cabelo cheio de pontas. Melhor: sinto as pontas do meu cabelo roçando minhas costas na altura das omoplatas.

Olho pra barriga da minha prima e vejo que Vinicius já ocupa um espaço bem grande no mundo.

Assisto, pra não fugir à tradição do meu fim de ano, à décima temporada de Friends, e cada vez mais a câmera que Chandler usa pra tirar foto do Ross bronzeado parece obsoleta.

Corrijo as provas e já tenho certeza de quem não vai ser mais meu aluno.

Ergo a cabeça pra espiar o meu mural de fotos ( tão adolescente com seus imãs de bicicletas e corações) e vejo  o sol de janeiro no Arpoador, o céu estonteante de Curitiba, as paredes de pedra do restaurante de Ouro Preto, as muitas poses ao lado da Bardot em frente ao mar de Búzios, o meu bronzeado refulgindo no metrô paulista.

Mas certeza absoluta de que o tempo passou tive agora. Uma voz grossa me chamou no portão - uma voz que eu não reconheci. Fui lá ver. Era um dos meus alunos do ano passado, daquela turma da qual sempre sinto saudades. Ele é meu vizinho e sempre joga bola aqui na rua; a bola sempre cai no meu quintal e eu sempre tenho que me levantar pra devolvê-la. Hoje, meu ex-aluno e vizinho, que eu vejo todo dia, abriu a boca pra me agradecer pela bola devolvida e disse na sua voz grossa de adolescente: " Valeu, Ju!". Ju. Cheio de intimidade. Feito gente grande.

Eu não queria ,mas preciso dizer, gente: vi esse moleque de fraldas!

Tô velha?


Vem, vai ter presente!

Tá faltando uma porção de gente na listinha de aniversário.



Clique aqui.

Pedro cantando pra mim






domingo, 4 de dezembro de 2011

sábado, 3 de dezembro de 2011

A pessoa com que mais falo no telefone embarca amanhã pra uma temporada de três meses em Viena.  Ela tá indo ser feliz, vai reencontrar o amado, vai sentir frio, vai usar casacos pesados. Só de olhar os casacos que ela tá levando, já senti um frio congelar todos os ossos do meu corpo. Deusmelivre, deusmelivre, deusmelivre!Eu acompanhei os planos pra essa viagem, torci muito por ela, se eu pudesse teria financiado cada centavo que será gasto nela. Nos últimos meses, aprendi onde fica o consulado  austríaco no Rio de Janeiro, aprendi que certidões de casamento devem ser traduzidas, aprendi que cabelos congelam e quebram. É muito divertido estar por perto de alguém que vai pra longe pela primeira vez.

Quando a pessoa com quem mais falo no telefone disse a outras amigas próximas que iria passar 3 meses na terra do marido, elas tiveram uma reação completamente diferente da minha. As outras meninas só sossegaram ao saber que há uma passagem de volta comprada e marcada. A minha mais loquaz interlocutora volta perto do carnaval - o do Brasil, e não o de Viena, como uma das nossas amigas fez questão de enfatizar. Eu, ao contra´rio das outras, não me preocupei com o retorno e  estive todo o tempo achando essa viagem o máximo, mais um episódio de uma história tão bonitinha. Fiquei ainda mais animada ao me lembrar que Viena é a cidade pela qual Ethan Hawke perambulou em Antes do Amanhecer.

Mas aí veio dezembro, chegou o dia em que fui lá desejar boa viagem e deixei de ser a fã número dessa viagem - ainda sou fã, mas larguei o papel de incentivadora. Dar tchau pra pessoa com quem mais falo no telefone  me deu uma pontadinha no coração. São só 3 meses. O que são 3 meses? Quantas vezes já fiquei 3 meses sem ver os amigos? Skype existe ( embora eu o odeie). Deixa de ser boba, Juliana! Essa pontadinha no peito é bobagem! Toma jeito! Tem gente que vai morar em outro país e nem por isso os amigos se matam. Aliás, ninguém tá se mudando! Sabe quantos dias cabem em 3 meses? Essas frases em itálico representam as falas do meu lado racional, mas de verdade tô aqui pensando assim: Com quem eu vou olhar vitrines nesses 3 meses? Com quem eu vou fazer comentários maldosos nesses 3 meses? Vou errar o caminho da casa de quem nesses 3 meses? Quem eu vou " oprimir" nesses 3 meses? Pra quem eu vou ligaaaaaaaaaaaar? Buáááááááá

Ah,  eu tô ... não é triste, nem preocupada, nem... eu só tô. Tem nome pra esse sentimento? Como é que as pessoas aguentam morar longe uma das outras? 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A festa é nossa!

 Uma das minhas grandes frustrações com esse mundinho dos blogs é o fato de eu jamais ter ganhado uma promoçãozinha sequer. Leio uma porção de blogs sobre livros, alguns deles fazem milhares de promoções, eu me inscrevo nas que me interessam. Agora perguntem se eu já ganhei um marcadorzinho de página. Não, não ganhei nada.  Isso é muito frustrante, vocês nem imaginam! Buá, buá! Ok,mas em vez de choramingar, decidi matar dois coelhos com uma cajadada só. ( Expressão terrível essa, né? Pobres coelhos!) 

Em dezembro, mais especificamente em 18 de dezembro, o Fina Flor vai fazer dois anos (o  tempo passa, o tempo voa) e mesmo aniversários de blogs não devem passar em branco. Daí eu pensei cá com meu botões que  eu bem poderia  dar um jeito de comemorar o aniversário do blog e ainda saciar esse meu desejo de ganhar uma promoção. A ideia inicial  era a de sortear alguém pra me dar um presente pelos 2 anos de blog. Ideia incrível,né? Também acho, mas não quero ser acusada de ser uma mimada que só pensa em si, então decidi ser legal e comemorar o aniversário do blog assim:

  Vou sortear uma pessoa que receberá um presente do 
Fina Flor.



Mas, Ju, que presente é esse que você vai dar? Então, eu vou dar o presente, mas quem vai escolher o que quer ganhar será a sorteada ou o sorteado. Isso mesmo! A pessoa sorteada terá de pensar em alguma coisa que gostaria de receber e eu mando o carteiro entregar na casa dela.

Mas vai poder escolher qualquer coisa? Qualquer, qualqueeeer coisa não, né? O presente tem de custar até 50 reais ( os nossos patrocinadores são muquiranas) e deve caber numa daquelas caixas que os carteiros entregam na casa de gente. Será legal se o presente estiver disponível num desses sites que nos irritam e não cumprem os prazos de entrega. Odeio Submarino, Americanas, Saraiva e cia, mas eles facilitariam muito a minha vida. 

E o que o  seu desejo obsessivo de ganhar  promoções tem a ver com isso? Huuumm, a melhor parte! Sabem o presente que a sorteada ou o sorteado escolher pra si? Então, vou comprar um igualzinho pra mim também. Ou seja, ao escolher um presente pra si, a pessoa também estará escolhendo algo pra mim, portanto aconselho que pensem com carinho no que vão querer, hein? 

Juuuuuuuu, mas o que eu posso escolher que tenha ver comigo e com você?  Não sei! Essa tarefa é sua!

Quem estiver afim de participar ( na verdade, todo mundo tá intimado a participar) terá apenas de deixar um comentário neste post, dizendo que topa. É importante que o comentário seja neste post porque senão corre o risco de eu esquecer de alguém,ok?

O sorteio será no dia 18/12, e a pessoa sorteada terá 1 semana pra dar sinal de vida. Se ela não se manifestar, eu faço um novo sorteio.


Combinado? Tô aguardando o seu comentário!



segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Há um tempo, a Luciana fez um post celebrando a beleza da palavra " morena". Ela usou daquele seu imenso acervo de coisas conhecidas ( Luciana conhece de um tudo, meu Deus) e citou um monte de morenas do nosso cancioneiro popular. O post é todo lindo e delicado, mas  lê-lo só me evocou a antipatia que tenho pela palavra " morena" e suas flexões.

Quando você é uma mulher negra, com um tom de pele que lhe permite passar incólume por xingamentos delicados e edificantes como macaca, crioula, suco de pneu, o " morena" parece ser a alcunha confortavelmente usada por homens galantes, amigos elogiosos, conhecidos simpáticos. A vida toda fui morena, moreninha - este último usado pra enfatizar que o meu nariz, as maçãs do meu rosto, meu cabelo não garantem que eu seja encaixotada junto com as morenas de cabelo liso e  nariz afilado. Quando alguém me chama de morena, tenho vontade de dizer : " Meu bem, você não enxerga bem? Eu sou preta!". Bem, a vontade dá e passa porque , em geral, o morena vem acompanhado de uma boa vontade, né? A pessoa tá ali querendo amenizar o peso que " negra" tem. O problema não é essa coisica minúscula envolvendo somente eu e a pessoa que me chama de morena, né?Então, o  máximo que cheguei a fazer até hoje foi dizer: " pode dizer que eu sou negra. Não tem problema. Não vai me ofender, não  é ofensa."

Eu sei que existe um monte de gente séria lutando seriamente contra o racismo. Eu, sinceramente, tenho até vergonha, às vezes, de  dizer qualquer coisa no dia 20 de novembro ( foi ontem e eu nem lembrei. Quer dizer, eu sei  perfeitamente quando é o dia da consciência negra, mas fiquei perdida e  no tempo e só fui prestar atenção que hoje era  dia 21 porque uma aluna me disse. Imaginem quantas vezes já perdi compromissos por conta desse meu apreço pelo calendário. rs) porque  sou daquele tipo de pessoa muito preocupada com meu próprio umbigo na maior parte do tempo. Sou até relativamente consciente de muitas questões importantes desse país, mas em geral me preocupo mais com o  que vou falar na análise, sabe. Então, poxa, quem sou eu pra falar qualquer coisa? O que eu vou dizer ? Eu, que vivo na minha bolha de alienação e me habituei a esquecer que cor tinge o maior órgão do meu corpo?

É, mas quando eu ouço um morena desses da vida, eu me lembro de que nasci num país RACISTA, me lembro de que a minha pretensa despreocupação acerca da cor da minha pele, da geografia do meu corpo é pura balela, sabe. Quantas e quantas vezes eu e uma amiga fomos as únicas negras em um shopping chique? Quantos negros havia nas minhas turmas na faculdade? Quantos negros havia naquele voo de avião além de mim? Quantas vezes morri de medo do cara negro sentado do meu lado no ônibus ( e só fiquei tranquila depois de ver um livro didático na mochila dele ou notei as manchas de trabalho na roupa)? Quanto trabalho dá comprar maquiagem pra passar na minha cara? Quanto trabalho dá convencer as pessoas de que um homem negro é gatiiiinho? Quanto trabalho dá se segurar pra não bater em cabelereiro que não gosta do meu cabelo "duro"? Quanto trabalho deu pra assimilar que meu cabelo não precisa ficar amarrado o tempo todo?

 Morena é uma ova, sabe! Moreninha é o cac***! Eu sou negra, preta, crioula, até macaca se quiser ofender e ser preso, mas morena não. Morena é eufemismo.


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Leiam este post aqui no Groselha News


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Suponho que o Blogger tenha devorado esse post e um outro porque eu não apaguei e acho (e espero) que ninguém mais tem a senha do blog. E não é a primeira vez que isso acontece.

Escrevi esse post num dia em que me disseram que racismo existe porque os próprios negros são racistas e complexados. Ouvi essa pérola de uma pessoa por quem sempre tive muita admiração e a decepção foi enorme. Mas ,de certa forma, é bom ter decepções desse tipo porque a gente se acomoda na nossa bolhinha.

sábado, 26 de novembro de 2011

Eu, leitora 2

Dando continuidade à série " Eu, leitora".

Cês também têm uma vergonhazinha de deixar comentário nos blogs? Eu tenho. Sou a tímida dos comentários. Eu leio o post, adoro, fico pensando nas coisas legais que pessoa escreveu, escrevo um comentário gigantesco, apago o comentário gigantesco e saio sem dizer nada. Ou me limito a dizer " adorei o post!".

Eu sei , não faz sentido.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ringtone


Eu, leitora

Vocês também leem os seus blogs favoritos com aquela vontade imensa de que  aquela pessoa que escreve seja sua amiga de verdade?

Às vezes, tenho que me conter pra não deixar um comentário assim: " eu prometo fazer bolinhos e capuccino, se você vier aqui na minha casa e falar pessoalmente essas coisas legais que você escreve".

Acho que vou tentar um dia. Vai que dá certo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A surdinha e o caladão



Eu estive surda de um ouvido durante os últimos cinco dias, mas agora já voltei a ouvir.  Tudo começou com uma gripona que me derrubou, passou pra um incômodo no ouvido esquerdo e culminou na angustiante sensação de ter um tampão pulsando dentro da cabeça. Hoje , por fim, consegui arranjar um horário  numa Otorrino, encarei uma sala de espera cheia de bebês fazendo exame da orelhinha ( não me perguntem o que é) e acabei com os ouvidos cheios de água morna e o atestado de que meu ouvido esquerdo é muito pequenininho.  Passei os últimos dias pesquisando freneticamente sobre surdez e pedindo a Deus que realmente  que o meu organismo fosse somente um grande produtor de cera. E é isso mesmo: meu ouvido tava cheio de cera e com uma pequena inflamação.

Se bem que a surdez temporária tem seu charme. Quando aquela pessoa chatérrima estiver falando, você pode posicionar o ouvido tampado pro lado dela e fazer cara de " ahan, claro, como isso é interessante!". Eu experimentei e me fez muito bem.

***

Pra terminar, a enquete do dia:

Eu tenho uma amiga. Essa minha amiga conheceu um cara bo-ni-to, ga-ti-nho, ar- ru- ma-di-nho, tipo assim, muita areia pro caminhãozinho dela. Como se não bastasse tanta formosura, o moço descobre o telefone da minha amiga, o moço convida minha amiga pra churrascos e sorvetes, o moço é bo- ni- to. Minha amiga manda reforçar esse aspecto da bonitice do moço.

Daí que a minha amiga sai por aí a passear com o moço e passa  metade do tempo pensando: chato, chato, chato, chato, meu deus, chato. É que o sujeito não fala, sabe! Não fala. Não emite opinião, não inicia um assunto, não defendeu o time dele quando minha amiga disse que odeia o Flamengo. Dá pra entender?

Bem, minha amiga quer saber: o problema  é do moço cuja língua foi comida pelo gato ou da minha amiga que parece ter se acostumado com os  tagarelas-malucos-estranhos dessa vida?

Dê a sua opinião, que eu conto pra minha amiga.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ressignificando o face

Eu nunca imaginei que anunciar pras pessoas que você saiu do facebook causasse tanta comoção. Te olham com cara de espanto e perguntam: " Por quê?". Sinto vontade de dizer a verdade: é que eu não sei brincar de facebook. Eu sinto inveja das fotos bonitas que as pessoas postam, tenho ciúmes dos meus amigos jantando com outros amigos que eu não conheço, checo as notificações de 5 em 5 minutos, já tive vontade de chorar porque vi a felicidade alheia estampada em letras garrafais. Sou humana e invejosa, essa é a verdade.Mas não posso dizer uma coisa dessas,né? Tenho uma reputação a zelar ( tenho sim, tá?), daí conto sobre o dia em que entrei na sala de aula e os alunos tavam comentando minhas fotos de Ouro Preto ( eu nem tinha alunos no face), e acrescento que alunos ruins armaram uma fofoca idiota com fotos de dois colegas meus que quase deu merda de verdade. A reação imediata das pessoas é tentar me ensinar todos os macetes de segurança disponíveis no face. Aí eu tenho que dizer que não , não quero gastar energia bloqueando aqui, bloqueando acolá para que gente chata não veja as fotos bonitinhas que exponho.

Mas ( mas de novo) o facebook aprisiona a gente, sabia? Qual é o meio mais fácil de "subir" mais de 100 fotos e torná-las acessíveis pra 14 pessoas? Qual é? Qual é? Eu tinha muito simpatia pelo Picasa, mas o Google agora enfia tudo naqueles malditos círculos do Google Mais, e eu nem sei como fui parar nesses círculos - e nem quero saber. Daí achei mais fácil voltar pro facebook. E acabei por descobrir que o facebook tem poderes mágicos. Minha antiga conta está devidamente encerrada há umas duas semanas, mas o facebook ainda reconhece todos os e-mails que tentei cadastrar. Sabe  o hotmail, aquele que nunca uso, nunquinha mesmo? O facebook conhece. Ok, beleza, fiz um novo e-mail e me cadastrei. Bem, aí veio o segundo impasse: o facebook se recusou a me deixar usar o meu último sobrenome. Meu último sobrenome , que estava lá no outro perfil, não foi aceito; o face insistia em dizer que eu não era aquela Juliana. Ok, depois de uma grande crise de identidade, me rendi ao meu segundo sobrenome e,voilá, volto a ser o mais novo membro do facebook e posso postar as 100 fotos.

A minha nova conta tá toda blindada, adicionei somente as pessoas com que me relaciono de verdade e compartilham coisas que me interessam, postei as 100 fotos que eu queria sem me preocupar com quem vai ver. De, sei lá, 250 amigos, sobraram uns 25. E eu tô amando essa impopularidade.  Pelo menos agora não vou morrer de inveja dos conhecidos que  viajam pra Paris no fim de semana.

Até quando? =p

sábado, 12 de novembro de 2011

My Girl

Se passar a noite de sábado com a minha amiga Vada é derrota, quero morrer perdedora:




Só a Vada me entendeu durante anos. Também já fui ao médico certa de que teria poucos meses de vida. Até os 13 anos, eu tive certeza de que  ia morrer do mesmo câncer que matou o meu avô. Daí , um dia, finalmente, meu pai me contou que o câncer tinha sido na próstata.


E eu bem queria uma bicicleta com fitinha penduradas no guidom.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Brincando de Resenhar

Enquanto lia os primeiros dois terços de Trabalhos de Amor Perdidos,do Jorge Furtado, preparava mentalmente o post animadíssimo que escreveria sobre o livro. Os dois primeiros terços do livro são tão, tão legais que você fica querendo que o trânsito engarrafe, que  a amiga que marcou contigo atrase, que o sono não chegue.  Estive muito apaixonada por Trabalhos até a página a 161. Muito apaixonada.O enredo do livro é livremente inspirado na peça homônima de Shakespeare. Não conheço a peça, então não sei o quanto o livro se aproxima dela. Trabalhos é narrado por Robin, o ator e diretor brasileiro desempregado que ganha uma bolsa de estudos em Nova York, oferecida por um  instituto que incentiva projetos que possam atrair leitores para Shakespeare. Robin ( a explicação dada no texto pra esse nome é uma forçação de barra sem fim, mas tudo bem, dos males o menor) pretende montar uma peça cujas as falas são piadas extraídas das  tragédias e comédias que o Shakespeare escreveu. É uma ideia maluca, o próprio narrador admite, mas alguém no tal do instituto aprovou o projeto e lá se foi o Robin pra Nova York estudar. 

O autor do livro é o roteirista de Meu Tio Matou um Cara e O Homem que Copiava.  O estilo narrativo de Jorge Furtado salta aos olhos no livro. Um narrador afiado, autodepreciativo, consciente da presença do leitor, um  pouco adultescente , esse é o Robin - um bobo (em vários sentidos, de acordo até com o Shakespeare. Ele não se chama Robin à toa). O escritor sabe criar empatia entre leitor e narrador. Já no primeiro capítulo, você vira amiga de infância do Robin. Ao longo da narrativa, você tem certeza de que Robin poderia ser você. Isso porque, apesar de ser bolsista de um instituto especializado em Shakespeare e estar cercado por colegas que sabem tudo do dramaturgo, Robin não domina seu objeto de estudo, e eis uma boa sacada do livro. Trabalhos de Amor Perdidos faz parte de uma coleção em que autores escrevem narrativas baseadas nas peças de Shakespeare ( ideia boa  pra caramba, né? Tô doida pra pegar Sonho de uma Noite de Verão) e a proposta parece ser mesmo a de  apresentar Shakespeare prum público que não sabe muito sobre ele. Robin é um leitor apaixonado que vai apresentando Shakespeare pra nós e vamos sabendo mais sobre as peças à medida que ele próprio vai se relacionando com os colegas um tanto estranhos do instituto.Eu não sei nada de Shakespeare. Li Sonho de uma Noite de Verão diversas vezes e Otelo, Macbeth e Hamlet uma vezinha só. Dessas três, a que mais me marcou foi Macbeth, mas estou longe de saber trechos ou de lembrar de detalhes. Trabalhos me fez ter vontade de saber tuuuuudo sobre toooodas as peças. Tô aqui me odiando porque não sei onde foi parar minha edição de Otelo. Quase que peguei a versão adaptada de A Megera Domada na biblioteca da escola hoje.

Um outro ponto que adorei no livro foi a pequena ( ou grande, não sei. Vai que  o cara fez um trabalho brilhante nesse sentido, e eu que não tenho estofo pra sacar todas as  referências) discussão sobre as traduções das peças. O fato de não dominar o inglês constitui uma dificuldade pro trabalho do Robin, justamente porque piadas são elementos difíceis de ser traduzidos. Robin fala bastante de humor, comédia, faz muita piada de si mesmo, desmitifica personagens praticamente canonizados, brinca um bocado e a gente se pega dando risadas homéricas no metrô, na fila do banco. Uma delícia!

Então, eu gostei MUITO dos dois primeiros terços do livro. Gostei pra caramba. Aí foi chegando o final e o encanto se perdeu um pouco. Não que tudo tenha virado uma grande porcaria, longe disso. A parte final é bem legal, mas eu não entendi como o 11 de setembro e a paranoia de um casal de malucos foi parar na trama, uma abordagem exploração desnecessária de um determinado momento histórico.  A mim, pareceu forçação de barra.  Mas,apesar disso, não me arrependi nem um pouquinho de ler esse livro delicinha. As risadas que dei  e as coisas legais que aprendi sobre Shakespeare compensaram o final.

Leiam! Leiam! Leiam! E venham me contar depois.

P.S.:  E até conheci essa lindeza de música aqui :




"I'll be your mirror
Reflect what you are in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you are home
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you"



Update: Já disse por aqui mais de mil vezes que não sou boa com resenhas, mas dessa vez me superei. Já dei uma ajeitadinha na bagunça generalizada que aprontei no último parágrafo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Os vizinhos aqui do lado são conhecidos por suas festas barulhentas. Minha vó e a nossa vizinha de frente adoram acompanhar todos os acontecimentos dos festejos, no melhor estilo paparazzi na entrada do casamento dos artistas. Anteontem teve festa, ninguém - nem os convidados nem nós- dormiu. Dalva de Oliveira em ritmo de funk ( isso mesmo! Bandeira branca, amor! Não posso mais), padre Marcelo Rossi, Tati Quebra-barraco, Tim Maia ( meus vizinhos são pessoas ecléticas) berrando nos ouvidos a noite toda.

Daí que ontem de tarde, minha vó foi lá na casa da vizinha de frente saber se alguma coisa legal e escandalosa aconteceu depois das 2h da manhã, hora em que a minha vó decidiu, em vão, tentar dormir. Minutos depois, volta ela, toda animada com bolo e lembrancinhas  da festa na mão.

- Juliana, olha aqui que docinhos bonitinhos!

Eu olhei e fiquei boaquiaberta.Como é que eu ia dizer pra minha vó aquilo não eram docinhos bonitinhos? O que eu vou dizer? O que eu vou dizer?

- Vó, isso aí ( eu gaguejei, fiquei com a bochecha quente, quis morrer) são pintos (sim, pênis) de chocolate. 

Ela deu uma risada.

- Eu sei. Só queria ver o que você ia dizer.

Posso com isso? Posso?

domingo, 6 de novembro de 2011

Hoje revi umas pessoas que não via há muito tempo. Elas ainda fazem parte o convívio da minha mãe, então , por tabela, nunca saíram do meu imaginário - por assim dizer, por falta de palavra melhor. Minha mãe fala da fulaninha, do fulaninho, dou risada, gosto de todos eles ainda, mas tão lá longe na vida deles e eu aqui na minha.Daí que hoje encontrei esse pessoal e eu tava assim: recém-desperta, cara um pouco inchada, olhos sumidos na cara inchada, short, camiseta, cabelo cheirando a condicionador e as mesmas argolas que uso todos os dias há anos. Cheguei,cumprimentei todos que conhecia  e parei do lado de uma das amigas da minha mãe , uma pessoa muito legal mas de quem nunca fui íntima. Parei do lado dela e disse "Oi, Fulana!". Ela , bem-educada, respondeu: "tudo bem , querida! E você? ". Cinco segundos depois, ela me olhou com mais cuidado e disse: " JULIANA! Há quanto tempo! Nossa, se eu te visse na rua, não te cumprimentaria!" E ficou me olhando prestando atenção, pra ter certeza de que não tava falando com a pessoa errada.

E eu fiquei lá sorrindo pra ela, me sentindo estranha. Como assim não me cumprimentaria na rua? Que diferença há entre a Juliana que ela conhecia e essa que eu vejo todos os dias no espelho? Vim pela rua pensando: agora, estou mais gorda e uso óculos. Bem, os óculos, pra variar, estavam em casa e a gordura não chegou a transmutar tanto assim o meu rosto. Ou será que transmutou sim e eu que não me dou conta? Se eu tivesse pintado o cabelo como eu pretendia, tudo bem, mas meu cabelo tá o mesmo. Tenho menos espinhas e mais verrugas sebáceas ( aquelas que costumam aparecer no rosto de pessoas negras que não usam protetor solar devidamente), mas é a mesma  cara, eu acho. Aí fiquei surtando aqui.

E justo nessa semana eu tava pensando numa situação vivida por uma amiga: ela foi reencontrar uma pessoa que tinha sido importante por muito tempo, por quem ela tinha alimentado mil expectativas e , ao rever a pessoa, teve a confirmação de que o  tempo e as mudanças não são inofensivos. A história da minha amiga reavivou o maior medo que eu tenho: o de me perder das pessoas, de me tornar irreconhecível ( e não reconhecer) pra quem  faz parte da minha vida. Sempre me lembro de O Império do Sol ( já viram? Christian Bale pequeno, Spielberg exercitando seu talento pra manipular nossa pieguice.), quando o menino reencontra os pais mas não os reconhece de primeira; ele só reconhece a mãe depois de tocar nela. Na verdade, vi Império do Sol há muito tempo e tenho péssima memória, portanto a descrição da cena pode não corresponder à realidade, mas o meu medo tá lá naquela cena.  

Mudanças são necessárias e inevitáveis, é óbvio É a vida,não tem jeito, não adianta a gente querer se esconder embaixo da cama e fingir que nada vai mudar. Elas acontecem até mesmo quando a gente acha que tá parado no tempo e no espaço, até mesmo pra pessoas que se esforçam pra ser sempre as mesmas. A gente pode se iludir achando que tem o controle, mas não tem. NÃO TEM. NÃO TEM. NÃO TEM. Repito pra mim mesma, pra ver se eu aprendo.


 P.S. direcionado: Pessoas que eu amo e leem este blog, por favor, nunca mudem e andem com fotos minhas no celular , para não me estranharem.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Livrinhos

Minha mãe vai me matar. Minha mãe vai me matar. Minha mãe vai me matar. 

Tudo bem! Morrerei feliz.

Quando arrumei as estantes de livro daqui de casa, fiz uma aposta  com a minha mãe, perdi e o castigo seria só comprar livros depois de comprar uma estante nova. A promessa durou duas semanas, porque fui pra Bienal e trouxe 5 livrinhos. Depois, precisei comprar a série Millennium - eu precisava mesmo, apesar de ainda não ter me animado muito pra engatar  terceiro; tava muito baratinha nas Lojas Americanas.

Também tinha prometido pra mim mesma que só compraria algum livro depois de terminar os que adquiri na Bienal. Espere a Primavera , Bandini tá pela metade; tô amando, mas vamos combinar que é um livro que deve ser lido em dias ensolarados e sob efeito de um excelente estado de humor. Não sei que nome dar à atmosfera do livro. Decadência? Melancolia? Desgraceira nossa de cada dia? É um livro cinza. De qualquer modo, não me importa se  Espere a Primavera é danado de bom. Nada me faria resistir à feirinha de livros. Existe aqui  em Nova Iguaçu e no Rio ( não sei se a  feira vai pras outras cidades da região metropolitana), uma feira de livros baratíssimos, promovida por livreiros que querem dar cabo dos seus estoques. A tal da feira roda a cidade do Rio ( sei que ela passa pelo Largo do Machado, por Campo Grande, pela Central e pela Cinelândia) e, de vez em quando, vem parar aqui pertinho de mim. Não tenho como resistir, entendem?  Passei no banco, peguei exatos 20 reais e decidi que não pagaria caro por nada. Não paguei. Voltei pra casa com:

Mistérios, da Lygia Fagundes Telles. - Li faz tempo, na época da faculdade, e não podia deixar de comprar. O exemplar em excelente estado estava saindo por DOIS REAIS. Vocês também comprariam.

Trabalhos de Amor Perdidos, do Jorge Furtado. - Vocês devem conhecer a coleção Devorando Shakespeare. Autores brasileiros bem legais pegam as peças do Shakespeare e escrevem romances inspirados nelas. Na época do lançamento, eu fiquei de olho no livro da Adriana Falcão, inspirado em Sonho de uma Noite de Verão. Não me lembro por que nunca comprei. Hoje tive de trazer o livro do Jorge Furtado; me custou 3 reais.

Bridget Jones : No Limite de Razão - Me condenem, taquem pedras, não me importo. ADORO a Bridget Jones! Vi um dos filmes ( não me lembro qual), não gostei,mas o primeiro livro me deu dor na barriga de tanto que ri. Vamos ver o segundo. Comprei por 3 reais também.

O Silêncio da Chuva, do Luiz Alfredo Garcia -Roza - Sei nada desse autor, só que ele é marido da divina Lívia Garcia- Roza e que já ganhou um monte de prêmios. Comprei, por 3 reais, pra matar a curiosidade.

Ofensas Pessoais, do Scott Turow. - Outro autor do qual nada sei. Imagino que seja best seller porque sempre vejo seus livros na vitrines com preços estratosféricos. Nunca li esses romances de tribunal. Vamos ver se fiz uma boa escolha... Esse foi o livro mais caro: 5 reais. 


Agora só preciso encontrar um lugar pra guardar minas novas aquisições, um lugar bem longe das vistas da minha mãe.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Está aberta a temporada de amigo oculto. Já participei do  primeiro sorteio. Esse grupo de amigos que já realizou o sorteio faz o amigo oculto do qual eu mais gosto. É uma zona pra organizar, escolher uma data pra entrega é mais difícil que invadir o Pentágono, trocamos 156 mil e-mails e tem sempre alguém que chega de última hora, a mas a gente se diverte tanto depois que compensa. Eu sempre ganho os presentes mais legais, por isso adoro esse amigo oculto.

Daí que essa noite sonhei com o site do amigosecreto.com, que utilizamos pro sorteio. No sonho, eu via o nome da pessoa que tirei e ficava toda feliz. Hoje, ao entrar no site pra saber quem eu tirei, lá estava a mesma página que vi no sonho. Ou seja, já posso ganhar dinheiro prevendo o futuro.

Começa assim: um dia sonho com amigo oculto; no outro, sonho com os números da loteria. Tenho certeza!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia D

Vi na tevê - e depois no blog da minha xará - que o  Instituto Moreira Salles decidiu fazer um evento para comemorar o aniversário do meu, do seu, do nosso Drummond ( quem não gosta do Drummond é... feio =p). Se ele fosse vivo, teria 109 anos, e eu juro que daria um jeito de caçá-lo onde estivesse só pra dizer : " Que bom que eu falo português e posso te ler". O IMS instituiu que hoje, 31 de outubro, é o Dia D, D de Drummond,e propôs que as pessoas desse mundão gravassem vídeos recitando algum poema do Carlos e enviasse pra lá pro site deles.

Eu, a pior  recitadora de poemas que já pisou no planeta ( como vocês poderão perceber no vídeo abaixo, não estou fazendo charme), fiquei acanhada de enviar vídeo pro site do IMS, então decidi que vou comemorar o aniversário do nosso Drummond por aqui no Fina Flor mesmo. Cês perdoem o meu não talento pra ler em voz alta  qualquer  coisa que seja, ouçam  o poema que escolhi e entrem na brincadeira também.





quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Você me estendia a mão, e eu percorria com o indicador cada uma das linhas da palma; linhas tão diferentes das minhas: longas, vermelhas, vincadas. Eu olhava sua palma e sabia que a mão era sua, reconhecia os pelos dos seus braços. Mais que isso: tocava aquele pedaço da sua pele como quem conquista territórios.

Há anos, em noites espaçadas, você está nos meus sonhos. Já tocou no meu cabelo e sorriu, já foi embora num trem, já morreu e me fez acordar chorando. Os sonhos dos quais você faz parte são sempre vívidos. Neles, sei da sua presença porque ela tem cheiro e textura – é uma presença tão forte que me confunde depois que acordo. Será que sonhei ou estou lembrando?

É sempre sonho. Das lembranças suas que trago comigo, nenhuma corresponde à mão que você me estendeu. A bem da verdade, mal trago lembranças. Você simplesmente se infiltra no meu cérebro, e eu me vejo obrigada a reinventar os símbolos e sinais que te cercam para que seja sempre um prazer reencontrá-lo.  Até breve.