segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Brincando de resenhar - Kafka e a Boneca Vajante

Descobri uma pequena pérola na biblioteca da escola :Kafka e a Boneca Viajante, do espanhol Jordi Sierra i Fabra.

 A companheira do Kafka, Dora  Dymant, revelou que o escritor , certa vez, encontrou uma menininha chorando porque tinha perdido  a boneca. Kafka, para acalmar a garota, inventou  uma história: a boneca tinha  viajado  e ele , um “ carteiro  de bonecas” tinha em seu poder uma carta enviada por ela. Essa é uma história real que despertou o interesse de estudiosos da obra do escritor, transformando as cartas em uma espécie de tesouro perdido. Como as cartas verdadeiras nunca foram  encontradas,  Jordi Sierra  decidiu recriá-las nesse livro lindo. Eu disse lindo? Lindo, doce, fofo, delicado, mágico, poético.

O Ministério da Cultura espanhol premiou o livro  como a melhor obra infanto-juvenil de 2007. Eu acho que Kafka e a Boneca Viajante é um livro que precisa ser lido por quem tem coração, ou seja, por todo mundo. Talvez  adultos fiquem um pouco ressabiados com a amizade entre uma garotinha e um homem. No iniciozinho, eu não parava de me perguntar onde tinha se enfiado a mãe ou  o pai da pequena Elsi, mas esse  meu olhar de adulta  do século XXI foi logo suplantado pela doçura do texto.

Ah, gente, não sou nada boa nesse negócio de resenhas,não! Então, ó, fica a sugestão: se esbarrarem com esse livro por aí, agarrem-no rapidinho. Dá pra ler numa tarde e cês vão ficar leves , leves.

Um trechinho:
“ Um dia , quando eu deixar de lhe escrever, nós duas vamos saber que nunca chegaríamos tão longe  uma sem a outra.Viveremos cada uma na memória da outra, e isso é a eternidade, Elsi, porque o tempo não existe além do amor.Sei que você chorou quando fui embora.Mas quero que cante e pense sempre que o futuro não é um problema a resolver, mas um mistério a descobrir. Há lugares no mundo que transformam as pessoas (...).Espero que as pessoas nunca cheguem a mudar esses lugares. Do fundo do meu coração, nessa noite estrelada, penso muito em você e invejo o que a espera.”

P.S.: A editora é a Martins Fontes.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oscar 2011

Não entendo nada de filmes. Não quero assistir ao  Cisne Negro porque me parece o tipo de filme que rende umas vinte sessões de terapia.  Todo mundo tá dizendo que Discurso do Rei é legal. Bem, na minha cabeça, Colin Firth será sempre o Mark Darcy da Bridget. Assim como, Christian Bale há de ser eternamente o moleque do Império do Sol, filme que me fez chorar noites a fio  e ter pesadelos horríveis aos seis anos de idade.Ahhh, Natalie Portman é e sempre será a mãe do Luke Skywalker.

Ou seja, eu tô bioando no que diz respeito a palpites pro Oscar. Só digo que  quem não viu Toy Story tem de ver e que se eu estivesse lá no  Oscar iria vestida igualzinho a Jennifer Hudson, mas trocaria o laranja por um tom de vermelho igualzinho ao das minhas tulipas lá no topo do blog.


Tô indo dormir ao som de Celine Dion cantando Smile. Hora certa pra dormir!

Acho que Discurso do Rei leva Melhor Filme. Amanhã eu descubro.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Com as paredes

Passei 3 dias falando com as paredes.

Sabe deus  por que o blog estava bloqueado para visitantes e eu ... não sabia! Pois é, descobri agora há pouco quando a Camila comentou lá no facebook. Fuçar descontroladamente nas configurações do blog deu nisso. Mas cês não perderam nada demais,não! A única coisa que tenho feito nesses dias é revirar a internet atrás de vídeos e quadrinhos pras aulas que ando planejando.

Descobri uns filmezinhos liiindos e  esta senhora aqui:

' Cause sun' s gonna shine

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Para C.


"uma casa não é nunca

só para ser contemplada;
melhor: somente por dentro
é possível contemplá-la."
(João Cabral de Melo Neto)

.
É preciso deixar ir. Simplesmente, é preciso. Todos os dias, sempre, quando for necessário, agora mesmo.

Mas eu,que tenho o pequeno delírio de que um dia ainda hei de guardar o mundo  todo numa caixinha bonita,  coloco a mão no peito e conto as batidas aceleradas do órgão que fica bem no centro do meu tórax e imagino que tanto desalinho se deve ao medo da despedida. Desalinho é sinônimo de angústia

Sei que a memória, os ganhos, tudinho que é só meu há de ficar aqui comigo, resguardado, dando frutos, dando crias, gerando sorrisos, sonhos, lágrimas , futuros.Aquela que deixei de ser e esta que estou sendo sabem ser gratas pela mão sempre estendida  ao longo da caminhada, do processo. Eu e todas as mulheres que há em mim já não somos as mesmas e fazemos festas por isso. Soltamos fogos de artifício em comemoração. Deixar pelo caminho o que só dói e transformar fantasmas e canções ultrapassadas em pavimento de estrada são os presentes bonitos que essa despedida me oferece e eu os aceito, grata.

Dói porque partidas e mudanças não são coisas bonitas; são necessárias, inevitáveis, enriquecedoras, mas bonitas, ah, não são, não. Não para mim. No entanto, já posso conviver e aceitar essas coisas  feias  que não controlo e devo parte disso a você. O trabalho foi todo meu, mas tinha de haver alguém me dando perspectiva, visão, chacoalhões, retornos - alguém tinha de ser o meu fiscal de qualidade.

Você já se foi. Melhor dizendo, a rotina que eu conhecia já se foi. Mas eu ainda não tinha conseguido me despedir.

Agora, eu me despeço. Deixo ir, para que novos visitantes adentrem minhas varandas. E eu sigo com um medinho ( que eu já sei que é medo normal de gente; aquele tipo de medo normal que eu vivia dizendo que queria ter), entretanto certa de que eu mereço chances, delícias, sonhos, aventuras, permissões, incertezas. 

Que eu mereço desejar.

Que, aos pouquinhos, o desejo vai  sendo maior que o medo.

Mafalda também me entende!

Tirinha 133
Tirinha 140

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Septuagésimo e último post do dia

Pessoas terríveis que vocês são, hein, Miriam e Felipe?!

Eu cá toda feliz com o único bilhetinho de aluno que recebi na vida ( meu ego necessita de umas massaginhas de vez em quando), focada exclusivamente no fato de que a menina me chamou de EDUCADA ( nunca ninguém  me chamou de educada antes na vida! ) e vocês aí , pessoas ruins, pensando no monte de coisas terríveis que a frase " Espero que a gente,seus alunos, da mesma forma que tratamos a senhora".

Fiquem sabendo que sou uma pessoa bondosa e fofinha  e que  nem por um segundo pensei  na mais remota possibilidade de seguir à risca o que a minha aluninha sugeriu.

( Rá! Mentira, né! Quando os decibéis produzidos pelas gargantas das pessoas de 11 anos alcançam um nível insuportável e meu discurso de " Tanto barulho incomoda e atrapalha, minha gente! Vamos falar mais baixo, por favor" já não funciona, eu elevo a minha própria voz a um tom que quase faz as vidraças se partirem. O Silêncio vem NA HORA! Ter voz de taquara rachada tem as sua vantagens!

Ah, e eles reclamam, pedem pra eu parar de falar tão alto, mas aí eu digo: " Lindões que vcs são! Vcs podem! Eu não,né?" Funciona que é uma beleza!".)


***

Ô, se eu não conseguir terminar de elaborar a tonelada de exercícios que me aguarda aqui, a culpa será de vocês.

Ei, eu preciso culpar alguém que não seja eu mesma por estar lendo todas as tirinhas do  Depósito do Calvin  ( os quadrinhos são tema do bimestre) e todas as revistinhas da Turma da Monica Jovem ( se bem que eu prefiro a versão Clássica mesmo), em vez de trabalhar.

Eu prefiro jogar bola com o Spock, assistir à Tititi,  olhar pro céu mais estrelado do mundo, escrever posts desnecessários no meu lindo blog a  trabalhar.  Eu tento, mas a Preguiça é maior que eu. Muito maior.
Minha preguiça tem 220 m , pesa 3 toneladas, portanto me vence fácil. Não posso fazer nada.

Só o Calvin me entende...

Registrando

Sexto ano  -  antiga quinta série. Du- vi- do   que haja um professor sequer no planeta que  prefira, em sã consciência, trabalhar com essa turma. Duvidodeodó! =p

Acompanhem o raciocínio: imaginem 30 pessoas de 11 e 12 anos sentadas ( sentadas? eu disse sentadas? Não, pessoas de 11 e 12 anos não ficam sentadas. Elas andam, pulam, catucam, puxam, andam de novo) numa sala de aula. Agora imaginem o que é olhar 30 cadernos,  prestar atenção em 30 pares de olhos, mãos, ouvidos, ouvir 30 vozes ao mesmo tempo ( considerando que há sempre uma ou duas  dessas vozes que precisam ser mais alta e escandalosas que as outras.)

Meus alunos do sexto ano ainda são menores que eu, ainda me chamam de tia, ainda dividem a sala em " fileira das meninas " e "fileira dos meninos". Elas e eles querem ir no banheiro AGORA, querem beber água AGORA, estão sempre sedentos e desesperados.SEMPRE. Perto de pessoas de 11 e 12 anos, é difícil sentir sono, ser dominado pelo  tédio e até ouvir o som da sua própria voz.

Mas, de vez em quando, acontecem umas coisas legais. Hoje, eu tava lá escrevendo no quadro, quando alguém gritou que um bilhete tinha sido deixado na minha mesa. Fui ver que bilhete era. Posso ser bem metida e exibida e transcrever a mensagem aqui? Posso?

" De Fulana
 Para Professora  Juliana
No dia que a conheci te achei muito maneira e educada. Eu já te admiro. Você é super D+.
Espero que trate a gente, seus alunos, da mesma forma que tratarmos a senhora!
Siga sempre sorrindo! E que Deus te ilumine sempre! Mil Bjs!"

Ah, gente!O primeiro bilhetinho que ganhei de uma aluna merece registro,né?

sábado, 19 de fevereiro de 2011

" Bate-bola, bate o pé"

Já contei que vivo esbarrando nos alunos perto de casa, né?. Já me acostumei a ouvir : " Oi, professora!", enquanto estou no mercadinho, na padaria, na lanchonete, no ponto do ônibus - meu vizinho foi meu aluno ano passado.Mas nunca antes um grupo de bate-bolas tinha passado por mim e um deles soltado: "Ô, fessora!"

 Podem me zoar à vontade: tenho PAVOR de bate-bola.Não pavorzão, é só um pavor que existe desde a infância e se transformou num pavorzinho - inho, mas existe, tá ?  Sempre que um bate-bola vem chegando pra perto de mim, quase me esqueço  de que agora sou adulta e  de que sei que há um moleque por trás daquela máscara.Tive que segurar firme a pose quando esse bate-bola que se diz meu aluno veio pra perto de mim.

 Ah, vou descobrir quem é esse garoto e descontar 5 pontos na média dele.Ah, se vou! =p

P.S.: Para o bem da variação linguística, deixe- me  explicar o que é bate-bola. Não sei como é que  são chamados em outras partes do país aqueles meninos que se vestem com uma roupa colorida, máscaras horrorosas e ficam batendo uma bola no chão  durante o carnaval. Por aqui, eles são bate-bolas, e os que usam fantasias mais luxuosas são os clóvis.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

No barzinho, com a amiga, ouvindo uma bandinha tocando  Fresno, Justin Bieber e afins. Acreditem, nós não sabíamos que teria música ao vivo.

A amiga diz: "E o Fulano? Cara, lembra do Fulano? Você detestava ele."

Eu , franzindo a testa: " Fulano? EUUU detestava ele?

 A amiga:  " Detestava sim.Você fazia uma cara horrrível quando ele  falava contigo e dizia que ele era a pessoa mais chata do mundo. Ah, tinha aquela menina, a Sicrana tb! Vc odiava ela. Lembra?"

Eu: " Puxa, é mesmo! Ela era insuportável, aff!"

A amiga: " Você detestava todo mundo. O Beltrano, tadinho! Eu tinha pena dele. Você fazia cara de tédio. Nossa, me dava uma pena."

Eu: " Ahhh, mais o Beltrano... meu Deus! Morrer era mais legal do que ficar perto dele."

A amiga: " Mas vc odiava TODO MUNDO!

Eu: " Eu não odiava,não!Ah, nem vem! VOCÊ me detestava! Eu me lembro da cara horrorosa que vc fazia quando olhava pra mim. Morria de medo de tomar um fora seu. "

A amiga: " Ah, mas eu me redimi!"

Eu : " E eu não?"

Silêncio.

O mal de se ter os mesmos amigos há mais de dez anos é que eles sempre  sabem como você  era e como você é de verdade.

Sou gatinho?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A eternidade, o desejo, o suor e a chatice

É uma da manhã , eu não consigo dormir e tô chata - chata mesmo, pra cacete, assim, insuportável.  Mas não é a chatice que me impede de dormir, é o  suor escorrendo pelas minhas costas,fazendo o lençol grudar bem nojentamente na minha pele. Bem, até que essas duas ultimas frases poderiam soar bem sexies, no entanto posso garantir que o suor é produto tão somente do calor infernal que está fazendo nesse lugar em que eu moro. Vamos lá, em ritmo de funk:  Rio de Janeiro é o caldeirão! 

Mas minha chatice não tem a ver com o clima,não. Na verdade, não tem a ver com nada. Só que, quando eu digo pra uma das duzentas pessoas que me perguntam o que é que tá se passando comigo que não tá se passando NADA,  a criatura não me leva a sério, sacode a cabeça como quem espanta um mosquito  e diz que tenho que relaxar, que vai passar. O que vai passar, eu não sei, mas ok!

Tava começando a desconfiar de que a causa da minha insuportabilidade era o Spock. Ah, não sei, eu precisava encontrar um bode expiatório, daí sobrou pro meu pobre cachorrinho, que não para quieto e não me deixa tirar uma foto dele, usando meus óculos  roxos de carnaval. Mas ,para sorte do bichinho,  li o horóscopo  e lá dizia que estou numa fase de recolhimento por causa da lua cheia. Pronto, arranjei a desculpa perfeita: tudo culpa da lua. Quando ela minguar, eu volto a ser chata num nível infinitamente mais aceitável que o atual.

Daí que a única coisa que eu não tenho tido vontade de tacar na parede é o livro da Inês Pedrosa, o A eternidade e o desejo. Cês não querem ler,não? Leiam, é lindo! Eu fico lendo, chorando, me embasbacando com a linguagem,  com as metáforas bonitas. Se eu soubesse falar de livros bonitos sem revelar os detalhes mais legais, escreveria um post gigante sobre esse que me dá vontade de parar de ler só pra que não acabe. Então vou parafrasear o resumo que tá na contracapa: Clara é uma professora de literatura que vem ao Brasil ,mais especificamente à Bahia, para revisitar o lugar onde o homem que amava vivia.Ela traz como companhia um amigo seu , Sebastião, que acha que precisa cuidar muito bem de Clara porque ela é cega. Só que Clara é independente, é  500 vezes mais esperta  e  tem  um propósito - percorrer a Bahia, tendo como guia não o Sebastião e sim os textos do Padre Antonio Vieira. Nesse percurso, ela vai reaprendendo o significado de amor e desejo. Suspiros.

A primeira coisa que me arrebatou nesse livro foi o modo como os textos do Antonio Vieira se entrelaçam na história. Eu, que até então conhecia Vieira só da escola e de uma disciplina chatérrima da faculdade, tô aqui querendo ler tudinho que ele escreveu, desejando ter tido um professor fodão pra ler comigo os textos. Olha, não sei mais nada de minimamente coerente, apenas: lindo, lindo, lindo!

E agora, mesmo quando me vi obrigada a dar uma breve paradinha na leitura ( Tô quase no fim!), não paro de pensar na Clara, na sua coragem ,na sua bravura, na sua capacidade de aceitar que não existem rédeas pro desejo, que tentar conter o que por natureza é incotrolável só pode dar em merda.  E eu fico me perguntando como é  esse negócio de seguir a vontade, de aceitar que amor é mais que cérebro, cálculos, projetos bem organizadinhos. Dia  desses mesmo, eu tava tecendo teorias sobre essa coisa de amar , amar mesmo, daí que eu  botei tudo em ordem: pra eu casar com um cara, a gente tem que mais que se gostar; a gente tem que formar uma boa parceria, funcionar como uma dupla de volei - um saca e outro bloqueia -, ter afinidades e ele tem de  ser um possível pai razoável ( porque vai que o casamento não dá certo. Se a gente tiver filhos, pelo menos tem que ser possível manter uma relação decente com o cara e ele tem que ser presente na vida da criança). Ótimos esses meus " Tem que ser",né? Tudo muito lindo, prático e organizado! Vou escolher um moço nesses moldes  e casar amanhã, ok? Rá, não é  assim que funciona! Não sei como essa coisa toda funciona, mas não é assim.

" Dizes- me  que  abra a tua pele e me feche dentro dela (...) Agora sim. Tapas-me a boca com teus dedos compridos, hábeis. Dizes -me  que não fale mais, que já tem palavaras demais nesse mundo."  ( Trecho de  A eternidade e  o desejo)

" Certo estou  já que não haverá quem duvide que os desejos da Senhora foram eternos. O que só receio, pelo contrário, é que não falte quem ponha dúvida a serem desejos." ( Trecho de algum dos sermões do Padre Antonio Vieira e também  do livro da Inês)

  P.S.: Sim, eu penso , penso, penso, penso, penso demais! =p 

  P.S.: há erros de digitação e períodos tão tortos quanto a Torre de Pisa nesse post, eu sei, mas deem um    
  descontinho simpático aí, please! =)
  

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"(...) dou- te  os meus olhos, e dentro deles o rio da minha sede, um rio curvo, cheio como o teu corpo, cegaria para todo o sempre por ti, Clara, para ficar às escuras dentro de ti."

Trecho de A eternidade e o desejo, da Inês Pedrosa.

***

Num livro com tantos amores, escolho logo o mais óbvio, o mais clichê, o não correspondido.

Como escreve bonito essa Inês!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Só  mais cinco minutinhos que se transformaram em duas horas de sono pesado.


Três horas seguidas elaborando exercícios que se transformaram em  três horas lendo Turma da Mônica. 
(O tema do bimestre é Quadrinhos, eu juro!).

Nada - de  - gostoso -  pra - comer -  no -  almoço que se transformou em feijoada, piscina e fanta laranja. 
(Caipirinha? Deixo pra próxima!Caipirinha e melancolia não combinam!)

Ir lavar a  roupa suja  de mais de duas semanas + descobrir que  o  sabão  acabou  e ninguém te avisou é igual a  &%#@!%¨¨&&  que se transformaram em  "Oba! achei  quinze  reais no  bolso de uma  calça e  dez no  fundo  da  mochila!"

Quem foi que disse que 25 reais não trazem felicidade?

Feijoada e Turma da Mônica também.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

" Teu infinito sou eu, sou eu, sou eu"





"Dentro do carro
Sobre o trevo
A cem por hora, ó meu amor
Só tens agora os carinhos do motor
E no escritório em que eu trabalho
e fico rico, quanto mais eu multiplico
Diminui o meu amor
Em cada luz de mercúrio
vejo a luz do teu olhar
Passas praças, viadutos
Nem te lembras de voltar, de voltar, de voltar
No Corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração

Que só entende o que é cruel, o que é paixão
E as paralelas dos pneus n'água das ruas
São duas estradas nuas
Em que foges do que é teu
No apartamento, oitavo andar
Abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa
Teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu"
( Paralelas - Belchior)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


Sentada no silêncio, fecho os olhos e me sinto macia e inútil, como se eu fosse um daqueles sorvetes de chocolate com casca dura. Iludida.

Por conta da configuração do céu na tarde em que nasci, sou assim: inútil e macia.

Se eu abrir meu olhos  agora, não vou chorar. Não vou. 

Eu não sei me sentir infeliz com elegância, mas tento.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A música e o e-mail

Eu não gosto do Chico Buarque.

( Pausa pra o momento de choque, comoção e indignação)

Sei, sei que ele é quase um deus. Sei que as músicas dele são lindas e geniais ( ei, eu disse que não gostava; não disse que que sou insensata,né? Só insensatez justificaria  não se arrepiar, ao ouvir  "Que a saudade é o revés de um parto /A saudade é arrumar o quarto/Do filho que já morreu".), mas  não rola química entre Chico e eu. Do panteão dos gênios da MPB, sou devota de "são" Gilberto Gil. Gil é lindo, o show do Gil é lindo, as músicas do Gil são lindas, os agudos do Gil são... lindos. Dei uma de Caetano agora,né?

Bem, mas o que eu ia falar mesmo era que acordei cantando esta música:



É um caso a se pensar quando  a primeira que se diz de manhã é " Tem dias em que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu"?


***

Minha amiga Sil, blogueira recente, disse dia desses que aquele " 0 comentário" lá no fim do post a deixava frustrada.
Sabe o que me frustra? 0 e-mails na caixa de entrada!

Hoje eu queria abraços,mas tá calor, então melhor   evitar contato físico. Mas tô pensando em mandar um spam assim pros amigos: " Dê um jeito na minha carência do dia, mantenha contato virtual".

E-mails , por favor!  =p

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Camarãozinho e Spockinho

 "Tô criando um camarão pra você!"

 "Hein?"

 "Um camarão, pô! Na tua Fazenda. Gastei moedas verdes, mas valeu a pena."
   
Sim, agora na minha fazendinha do Colheita Feliz há uma vaca, uma galinha, um porco ( eu acho; não lembro),um cachorro com cara de bode e um camarão num aquário. Isso que é prosperidade!

Ah, claro, a quem interessar: o perfil do Orkut é meu , mas não sou eu quem gerencia minha fazenda e o meu Café. Esse trabalho árduo fica por conta  da minha prima, portanto se você quiser ser presenteado com madeira, ferro , tijolo, cimento, pedaços de mapas,sabe deus o que mais, nem adianta tentar me bajular. A mim, só interessam os lucros, ok?

***
Ah, tão lembrados do cãozinho que mora comigo? Ó, ele aí:



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O primeiro dia

Eu também  tenho um caderno novinho em folha. O meu não é rosa, não é da Barbie nem do Ben 10. O meu é um caderno de adulto: vermelho com  bolinhas rosas.

Eu também queria que as férias durassem para sempre. As minhas foram lindas e felizes e poderiam ser eternas.

Eu também entrei na sala de aula  cheia de expectativas. Ouvi quando o professor de ciências disse meu nome,  quando vozinhas  começaram a conjecturar e cruzei a porta. Todos os pares de olhos se voltaram para mim . Todos. Porque a minha presença jamais seria ignorada. Não hoje; não no primeiro dia.

Uma voz se adiantou para me cumprimentar. Melhor mostrar educação e simpatia,né? Vai que amolece o coração. Eu respondi, larguei a mochila na mesa e decidi que era hora de encarar aquela gente que acompanhava atenta cada um dos meus movimentos.

Nos olhos: " Eu já conhecia ela", " Ah, que sapatos engraçados!", " Ela deve ser uma bruxa", " O que será que a gente vai aprender ?", " Será que dá pra enganar ela?"

Na minha cabeça: " Pequenos, muito pequenos. Os do anos passado eram maiores. O que eu vou fazer com esse monte de criança? Eles não vão me levar a sério. Não, relaxa! Nada de ficar comparando as turmas. Aquela turma complicada ficou em 2009. Esses são novos; alunos de 2011. Mas são bem pequenos,hein!"

Tive de dizer alguma coisa, então disse: " Oi, eu sou a Juliana, a professora de português! Tudo bem com vocês?"Alguns sorriram aliviados ao ver que  eu estava animada; outros ficaram só avaliando meu cabelo, meu sapato, minha bolsa, meus óculos, a pastinha do notebook. Danei ,então, a falar das regras, das notas, de como era ser aluno do sexto ano. Aí, aos poucos, a atenção se voltou toda pro que eu estava dizendo e  eu me lembrei direitinho de como é deixar de ser criança grande e aprender a ser pré- adolescentes. ( Ah, sempre fazem questão de deixar claro que não são mais crianças).

As regras todas pareceram muito espantosas; ficou bem explícito nos olhos levemente esbugalhados. Deu vontade de dizer: " Não se preocupem! Vocês e eu iremos sobreviver. Não sei como,mas sobreviveremos!".
Mas  era melhor não facilitar tanto. Com o tempo, o espanto se dissipa.

Enquanto copiavam tudinho no caderno ( porque tudo que é combinado tem de estar documentado, ora), eu só olhava, sendo aos poucos tragada pelos efeitos misteriosos da empatia. Talvez ainda estejam muito recentes na minha memória dos dias em que eu também era pequena e usava canetas coloridas para grifar o cabeçalho. Só isso pode explicar a sensação boa que veio para casa comigo, depois desse primeiro dia.

Se a primeira impressão é a que fica, vixe, estou ferrada. Fui muito com a cara desse pessoal que conheci hoje e já estou aqui me perguntando: " Será que dou conta? Será que levo aquele texto? Será ... Será...Será.."

P.S.: Eles são muito pequenos; nanicos assim, juro! =p

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ah, as mães...

A minha mãe  andava supercuriosa para ver todas as fotos das viagens que fiz. Hoje sentei ao lado dela com o notebook, abri todos os arquivos e ...

" Nossa, mas como você tá gorda nessa foto! Ah, não, é  o efeito da blusa! Essa blusa não fica bem em você!"

" Ih, o Fulano fez bem pra Sicrana. Antes, ela tinha uma cara de sofrida, agora tá beeem melhor. Até o cabelo tá melhor, porque antes..."

" Seus olhos sempre saem fechados,né? Se você ficar séria, pelo menos os olhos vão aparecer."

" Esse é o fulano? Nossa, mas como tá feio!"

" Vocês foram a um restaurante vazio? Só podia ser aquele da pizza ruim!"

" Esse aí é aquele menino bonito? Nem parece! Que foto estranha!"

" Sua pele saiu tão oleosa nessas daí."

" O que é aquilo? Uma agulha? Pra que colocaram uma agulha na parede do museu? E dizem que isso é arte..."



Só com muito amor,né? =p

Correndo perigo

Eu ia falar de como tem sido duro  aguentar a carinha de cão abandonado que Spock faz toda noite quando nós o colocamos pra dormir na sua caixinha no quintal, mas , no livro que estou lendo nesse momento, uma mulher postou  o nome do seu cachorrinho num blog e acabou assassinada.

Quando eu digo que esse negócio de blog é perigoso, ninguém me leva a sério. =p

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ei, você!

Já que agora já não resta nada pra te contar porque você lê este blog religiosamente, deixarei os e-mails de lado  e farei agradecimentos públicos:

ô, valeu por me aturar mesmo nos dias em que estou mais neurótica e inquisidora do que nunca;

valeu por ser companhia para empadas de palmito, papos malucos e elucidativos e análises antropológicas;

valeu por não achar muito estranho que presentes de aniversário demorem tanto pra chegar, por não se cansar dos meus " ah, sossega aí, pela amor de Deus!", por não se cansar da palavra " controle";

valeu ,sobretudo, por me dar sempre lições muito sensatas. É,  o jeito é deixar que as pessoas pensem aquilo que elas quiserem e seguir feliz.

 " Pra nós, todo amor do mundo". Sempre.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

É o amooooooooooor!



Coisa mais lindaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Livrinho e filminho

Acabei de ler um livro delicioso, Meus Queridos Estranhos, da Lívia Garcia- Roza. Li em duas tardes, ri e chorei com gosto. Recomendo especialmente para a Borboleta ( acho mesmo que você vai gostar, Luciana!) e pra Jussara, que certamente fará uma resenha perfeita sobre o livro.

Ah, e  não vai falar mais nada sobre livro, Juliana? - dizem vocês aí.

E eu respondo: " Não! Meus Queridos Estranhos está além da minha capacidade de resenhista amadora. Deixo a tarefa pra Jussara, já disse!"

Bem, daí que eu queria ver Amor e Outras Drogas ( mentira! Eu quero é ver o Jake Gyl... não -sei - o- que - pelado) e Biutiful ( apesar de já ter lido que o Javier Barden não tá gato e que o filme é um soco no estômago), mas acabei me rendendo a Enrolados.Arrependimentos? Nenhum! Chorei  disfarçadamente durante metade da história, fiquei esperando que o Flynn dissesse " Loucura! Loucura! Loucura!", mas sobretudo desejei que uma lanterna caísse no meu colo e que uma delas existisse só por mim.


No mais, sigo enriquecendo meu vasto baú de cultura pop,assistindo à primeira temporada de Friends. #thankslia

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O primeiro

Que estranha é a memória.

Faz mais de uma década; eu diria que faz milênios - uns  12 milênios para ser mais precisa-, mas ainda sou muito capaz de lembrar. Não é um lembrar daqueles detalhistas e perfeitos. Não. O processo é mais inconsciente. Tem dias em que,  pela janela do ônibus,  bato o canto dos olhos em um pedaço de ombro e um vão de pescoço e fico certa de que conheço aquelas duas partes da anatomia de alguém. E estou mesmo certa, porque sempre que olho com mais cuidado descubro que o ombro e o pescoço têm dono. E eu conheci o dono.

É engraçada também a sensação boa que esse reconhecimento me dá. Nada tem a ver com romance e encantamentos. Não, não mais. O que sinto agora é uma alegriazinha boa  e repentina, que me invande e eu fico bem só de saber que eu já tive bom gosto, que não preciso me preocupar porque meu desejo sabe escolher moços bons.

Porque até as primeiras paixões, ainda que a gente ache que elas são bestas, têm firmeza e intensidade e  também adolescentes têm medo de sentir dor  - eu ainda tenho. Mas lembrar de você  é ratificar que a delicadeza se esconde em gestos engraçados, que  há meios e meios de querer bem  - e todos eles são bons.

Me comove - de um jeito leve e quente- essa minha capacidade de ainda te reconhecer, porque é como se eu pudesse identificar nos gestos imutáveis do teu corpo o menino que você era e ter esperança de que  o tempo não tenha roubado aquele menino de você. Se aquele menino  ainda existe, posso imaginar que você é um homem bom. E é isso que eu te desejo, para sempre: bondade, leveza e alegria.

Sempre que te reconheço por aí, desejo que você esteja feliz.  

E me alegro por ter uma lembrança boa assim.

Te lembrar é sempre bom pra mim.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Olá, fevereiro!

Lembram daquela ansiedade que a gente sentia no primeiro de dia de aula?

Então, professora também sente isso, viu!

Eu sinto ansiedade e medinho! Tá chegando a hora de tirar a "Tia" Juliana do armário...

Oba!!!