quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A eternidade, o desejo, o suor e a chatice

É uma da manhã , eu não consigo dormir e tô chata - chata mesmo, pra cacete, assim, insuportável.  Mas não é a chatice que me impede de dormir, é o  suor escorrendo pelas minhas costas,fazendo o lençol grudar bem nojentamente na minha pele. Bem, até que essas duas ultimas frases poderiam soar bem sexies, no entanto posso garantir que o suor é produto tão somente do calor infernal que está fazendo nesse lugar em que eu moro. Vamos lá, em ritmo de funk:  Rio de Janeiro é o caldeirão! 

Mas minha chatice não tem a ver com o clima,não. Na verdade, não tem a ver com nada. Só que, quando eu digo pra uma das duzentas pessoas que me perguntam o que é que tá se passando comigo que não tá se passando NADA,  a criatura não me leva a sério, sacode a cabeça como quem espanta um mosquito  e diz que tenho que relaxar, que vai passar. O que vai passar, eu não sei, mas ok!

Tava começando a desconfiar de que a causa da minha insuportabilidade era o Spock. Ah, não sei, eu precisava encontrar um bode expiatório, daí sobrou pro meu pobre cachorrinho, que não para quieto e não me deixa tirar uma foto dele, usando meus óculos  roxos de carnaval. Mas ,para sorte do bichinho,  li o horóscopo  e lá dizia que estou numa fase de recolhimento por causa da lua cheia. Pronto, arranjei a desculpa perfeita: tudo culpa da lua. Quando ela minguar, eu volto a ser chata num nível infinitamente mais aceitável que o atual.

Daí que a única coisa que eu não tenho tido vontade de tacar na parede é o livro da Inês Pedrosa, o A eternidade e o desejo. Cês não querem ler,não? Leiam, é lindo! Eu fico lendo, chorando, me embasbacando com a linguagem,  com as metáforas bonitas. Se eu soubesse falar de livros bonitos sem revelar os detalhes mais legais, escreveria um post gigante sobre esse que me dá vontade de parar de ler só pra que não acabe. Então vou parafrasear o resumo que tá na contracapa: Clara é uma professora de literatura que vem ao Brasil ,mais especificamente à Bahia, para revisitar o lugar onde o homem que amava vivia.Ela traz como companhia um amigo seu , Sebastião, que acha que precisa cuidar muito bem de Clara porque ela é cega. Só que Clara é independente, é  500 vezes mais esperta  e  tem  um propósito - percorrer a Bahia, tendo como guia não o Sebastião e sim os textos do Padre Antonio Vieira. Nesse percurso, ela vai reaprendendo o significado de amor e desejo. Suspiros.

A primeira coisa que me arrebatou nesse livro foi o modo como os textos do Antonio Vieira se entrelaçam na história. Eu, que até então conhecia Vieira só da escola e de uma disciplina chatérrima da faculdade, tô aqui querendo ler tudinho que ele escreveu, desejando ter tido um professor fodão pra ler comigo os textos. Olha, não sei mais nada de minimamente coerente, apenas: lindo, lindo, lindo!

E agora, mesmo quando me vi obrigada a dar uma breve paradinha na leitura ( Tô quase no fim!), não paro de pensar na Clara, na sua coragem ,na sua bravura, na sua capacidade de aceitar que não existem rédeas pro desejo, que tentar conter o que por natureza é incotrolável só pode dar em merda.  E eu fico me perguntando como é  esse negócio de seguir a vontade, de aceitar que amor é mais que cérebro, cálculos, projetos bem organizadinhos. Dia  desses mesmo, eu tava tecendo teorias sobre essa coisa de amar , amar mesmo, daí que eu  botei tudo em ordem: pra eu casar com um cara, a gente tem que mais que se gostar; a gente tem que formar uma boa parceria, funcionar como uma dupla de volei - um saca e outro bloqueia -, ter afinidades e ele tem de  ser um possível pai razoável ( porque vai que o casamento não dá certo. Se a gente tiver filhos, pelo menos tem que ser possível manter uma relação decente com o cara e ele tem que ser presente na vida da criança). Ótimos esses meus " Tem que ser",né? Tudo muito lindo, prático e organizado! Vou escolher um moço nesses moldes  e casar amanhã, ok? Rá, não é  assim que funciona! Não sei como essa coisa toda funciona, mas não é assim.

" Dizes- me  que  abra a tua pele e me feche dentro dela (...) Agora sim. Tapas-me a boca com teus dedos compridos, hábeis. Dizes -me  que não fale mais, que já tem palavaras demais nesse mundo."  ( Trecho de  A eternidade e  o desejo)

" Certo estou  já que não haverá quem duvide que os desejos da Senhora foram eternos. O que só receio, pelo contrário, é que não falte quem ponha dúvida a serem desejos." ( Trecho de algum dos sermões do Padre Antonio Vieira e também  do livro da Inês)

  P.S.: Sim, eu penso , penso, penso, penso, penso demais! =p 

  P.S.: há erros de digitação e períodos tão tortos quanto a Torre de Pisa nesse post, eu sei, mas deem um    
  descontinho simpático aí, please! =)
  

3 comentários:

Long Haired Lady disse...

pensar demais seria defeito? já fui acusada disso...rs

Annie Adelinne disse...

Ah, Ju, eu te entendo! Porque ninguém me entende quando eu digo que to chata sem motivo! Ficam me enchendo pra descobrir um motivo que não existe. To chata, ue! Só! Acabou! Me deixe quieta no meu canto até a chatice passar que vai ficar tudo bem.

Cíntia Mara disse...

Pode me chamar de maluca, mas sempre me dá uma invejinha quando alguém fala do calor. Não que aqui esteja frio, BH tá com um tempo ótimo. O problema é o tal do ar-condicionado que ainda atormenta as minhas tardes. Quer trocar?

E nem vou comentar o resto do post, porque neste exato momento (3 da tarde) eu tô sozinha na sala, já abaixei o ar e continuo com frio, mas tô com medo de subir na mesa de novo pra abaixar mais ainda.