quarta-feira, 30 de março de 2011

Que mané fina flor!

A angústia não tem nome, mas tem  imagem:  pitbull raivoso domesticado.

Corre, gente! =p

terça-feira, 29 de março de 2011

Sou daquelas pessoas que precisam de permissão pra chorar. Não consigo sentar num canto, apertar os olhos e, pronto, deixar as lágrimas descerem. Em algum momento da vida, aprendi que só os fracos choram (e eu não sou fraca; sou durona, bem durona). Hoje já sei que todo mundo chora - fracos e fortes -,mas ainda não sei chorar fácil, assim, só porque quero.

Ando com uma angústia que ainda não tem forma nem nome. Todo mundo tem suas angústias. Todo mundo chora por elas e sobrevive. Repito essas duas últimas frases de vez em quando, pra ver se me convenço. Mas nada! Só choro quando é permitido.

Daí que hoje cheguei na escola, meio febril, garganta doendo, cólicas e mais a minha angustiazinha da temporada. Dar aula é legal, mas não é o tipo de emprego que dê brechas pra enrolação. Experimenta fingir que está trabalhando, enquanto 30 pessoas de 12 anos estão na tua frente, esperando. Os alunos sempre esperam alguma coisa dos professores. Sempre. Enfim. Hoje eu tava lá na sala de aula, tentando administrar um nariz escorrendo e os meus e as minhas 30 colegas de trabalho, quando decido que já é a hora de fazer chamada. Chamo uma, chamo outro, chamo o Fulano. Um dos amigos do fulano, em vez de dizer que o Fulano faltou, levanta e diz: " Fulano tá em coma no hospital!".

Um dos meus alunos - um adolescente de 15 anos repetente, deslocado numa turma de sexto ano, leitor de histórias de terror e considerado gatinho pela metade da escola -  caiu de cabeça no chão, enquanto fazia aquelas manobras de bicicleta. Quando o outro aluno me deu a notícia, no meio da chamada, eu não acreditei. Vai que é  invenção! Essas crianças adoram dizer coisas chocantes só pra verem a cara de boba da gente. Vai, né! Mas é verdade!

E assim que cheguei em casa, me deu uma crise de choro. As palavras do menino  me dizendo que o Fulano tava em coma no hospital, a voz dele naquele tom sério que eu nunca tinha ouvido ainda tão ecoando aqui no meu ouvido.

Se eu disser que chorei somente pelo Fulano, é mentira! Botei pra fora semanas de lágrimas reprimidas. Chorei pelo meu cachorro que tá doente de um jeito que parece não ter recuperação. Chorei porque a minha garganta tá doendo. Chorei porque ainda não sei elaborar angústias. 

Chorei porque a vida tem suas durezas e acidentes acontecem quer a gente queira ou não. Não parece muito justo que  alguém de 15 anos fique em coma por causa de uma brincadeira perigosa que um monte de outras pessoas de 15 anos também  fazem. Aos 15 anos,  todo mundo deveria ser apenas feliz. Aos 25, aos 35, aos 275 também. Nada de cachorros doentes, de resfriados, de incertezas e , principalmente, nada de acidentes e comas. PRINCIPALMENTE.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Sofri o grave frio dos medos, adoeci. (...) e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio."
                           (trecho disto aqui, uma das coisas mais bonitas de todo o mundo)




É de você que espero os elogios, os afagos, o apreço. É de você que advém o vazio que não me abandona, vazio que  de tão constante é presença, é quase um órgão do meu corpo. O vazio que você me deu é um segundo apêndice.





domingo, 27 de março de 2011

Chuchu Beleza

Apesar de ser uma maria-mijona style, adoro esses bloguinhos de beleza. Tem uns 500 no meu reader.

Um dia, aprendo a usar batom feito a minha xará de O Batom da Clarice.  Sei lá quando encasquetei que não  gosto batom, que não combina com a cor da minha boca, blá, blá, daí cismei de gostar de gloss e pronto. ( Não tem o menor sentido, eu sei!=p) Nem tenho batom em casa. Mas adoro o blog da Juliana G.

Outra que tem a minha audiência é a Cynthia Raquel ( sim, a Biba do Rá-tim-bum). Ela escreve de um jeito simples, fácil, tem uma cara linda e faz parecer que vocÊ será capaz de reproduzir aqueles looks lindos que ela exibe no seu Pensamentos Insanos.

Ah, tem também os blogs de esmalte. Difícil escolher um só. Este aqui é fofinho e engraçado, A Bolsinha. Lá tem uma seção chamada Alokadazunha, na  qual a moça exibe fotos das suas cores favoritas e das misturinhas que inventa.


Sim, claro, todo esse meu papo é só pretexto pra eu  brincar de  ser blogueira de moda. ;) Ontem, depois de milhares de anos, fui na manicure.Ando numa fase de mudanças: mudo de celular, de  psicóloga e de manicure. Só não mudei de cor de esmalte. Diante de um zilhão de vidrinhos coloridos, usei de toda a minha ecleticidade e escolhi aquela cor que reflete toda a minha personalidade: Pura Luxúria, Risqué.

A parte da ecleticidade ( o Houaiss diz que essa palavra não existe. Ótimo! Acabei de inventar!) e da personalidade é  piada, obviamente! Mas meu amor  pelo Pura Luxúria é pura verdade. Olhem aê:




.
Realizando meu sonho de mostrar minhas unhas na internet! ai, ai!

Não, não se assute! Esta mãozona é minha mesmo. Focaliza na cor. Num é lindaça?


O livro que usei pra fazer essas fotos superconceituais é aquele da Inês Pedrosa de que  vivo falando,
Nas Tuas Mãos. 

Cês têm que ler o livro e pintar as unhas com o Pura Luxúria, eu acho.

" Muito pra mim é tão pouco"

"Eu não sei
onde eu deixei
ou se alguém veio roubar
aquele sonho que sonhei
já não sei onde andará
Prefiro nem dormir
me esquecer de sonhar
eu quero
quero muito
quero agora
sem demora
o meu desejo
ninguém vai roubar"
( Trecho de Sonhos Roubados, da Maria Gadu)

quinta-feira, 24 de março de 2011

O Rei

As minhas lembranças mais antigas envolvem uma vitrola verde e  um LP desse senhor aí do vídeo. E num  é que hoje acordei cantando essa daqui:




Essa é pra quando as festas juninas chegarem:




E, pra terminar, quem acha que Asa Branca não é  pura poesia certamente é ruim da cabeça:


Essa versão exibida no  Fantástico tem a minha querida, amada, pra sempre linda Clara Nunes.

Tô arrepiada aqui.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Mimimi da tia Juliana

Blog é lugar de desabafar,né? Então, vamos lá!

Alguém  me explica a seguinte situação: cancelo o teste que deveria ser feito por uma turma que anda mal das pernas. Fiz duas revisões e fiquei bem preocupada com o que constatei. Pensando exclusivamente em evitar uma tragédia, decidi dar mais exercícios, tirar as dúvidas, discutir  um pouco mais os assunto em vez de aplicar o teste marcado. Adivinhem a reação da turma?  Fizeram um escândalo,como se eu tivesse aparecido com uma avaliação surpresa  baseada em questões de vestibular. A impressão que tive foi a de que eles imaginaram que o cancelamento do teste fazia parte do meu plano maligno de ferrar com a vida escolar de cada um dos alunos da turma. Sim, claro,dedico a minha vida a elaborar meios de reprovar a maior quantidade de alunos possíveis! Eis o que move os meus dias na Terra.


Daí saio dessa turma e vou pra outra, com a qual me relaciona de maneira educada mas objetiva e um tanto distanciada.  Minha estratégia  para não me aborrecer tanto quanto me aborreci no ano passado é ser o mais séria possível; economizo mesmo os sorrisos.  Considerando as minhas experiências, lidar com pessoas que estão no fim da adolescência ou   saíram dela há pouco tempo pode ser muito complicado. Deixei de achar que o fato de eu não ser muito mais velha que eles facilitaria as coisas. Não facilita e até pode piorar. O pessoal de 20 e  poucos anos pro qual já dei aula consegue mais  cansativo que as crianças do sexto ano.

Voltando: entrei na turma em que  sou mais durona, tirei as dúvidas, corrigi exercícios, tudo na mais santa paz. No fim, um menino que foi meu aluno ano passado vira e diz : " Poxa, professora! A senhora tá boazinha esse ano. Ano passado a senhora era  má pra caramba." Hein? Não, eu não entendo!

Quer saber? Vou dormir. Afinal, professora é gente:  sente sono e  sofre os efeitos  da TPM.

P.S. : Prometo que um dia esse blog volta a ser um blog sorridente. Pessoas, como vocês aguentam? Hoje dei uma borboleteada pelos posts desse mês e ... aff! 

Vamos lá, Juliana! Animação! =)

Parabéns pra Débora

Dia desses, Jaqueline estava fazendo questão de me lembrar de que foi ela quem me convenceu a fazer um perfil no orkut. Pois é, minha gente, eu achava que redes sociais só serviam para... hum... para nada.  Mas tudo bem, né? A própria Jaqueline tratou de desfazer a aura de contradição que rondam certas áreas da minha vida. Minha amiga disse que eu não sou uma doida que volta atrás em tudo que afirma veementemente e sim uma mulher que muda de opiniões. Ó que bonito! E que bom que eu mudo de opinião  porque  minha vidinha virtual me trouxe alguns ganhos. Não fiquei rica feito a mulher do Julie e Julia nem virei celebridade feito o Justin Bieber, mas acabei esbarrando numas pessoas que realmente vale a pena saber que estão vivinhas e respirando por aí. Hoje é aniversário de uma delas.

Como não sou nada boa em dar presentes e o abraço que eu poderia dar na aniversariante fica impedido de acontecer por conta das centenas de quilômetros que nos separam fisicamente, achei que seria legal que vocês e eu  cantássemos um parabéns virtual. Não é difícil gostar muito dessa moça que está ficando mais velha hoje. Aliás, nada é difícil quando se trata dessa menina ( ops, perae, uma coisa é difícil sim: a obsessão que ela tem por fotos perfeita. A cara da gente dói de tanto fazer pose. =p). Ela é daquelas pessoas fáceis, que levam a vida com leveza e tornam suave e sorridente quem está por perto.

Ela acha que nós somos quase gêmeas. Bem, quem dera eu tivesse a disposição que ela tem  de se meter num avião e ir, assim, pelo mundo. A aniversariante de hoje é  de BH e também do mundo inteiro.






Parabéns, Débinha! Não sei se o Fina Flor ainda é seu blog - terapia , mas você continua sendo minha "leitora favorita". =)


P.S.: Pessoas, vejam o vídeo! É liiindinhoooo!

sábado, 19 de março de 2011

Eu sou ...



Nasci no inverno, mas sou verão. Sou verão, sol, mar, muito mar. Sou vespertina por natureza; matutina por obrigação. Sou  de lua, um pouquinho noturna, amante das estrelas, uma contempladora de céus. Sou o céu de Copa no Reveillon, o céu de Curitiba; sou aquele céu que fica bem em cima do Redentor.
Sou morango ao leite (sem açúcar, por favor!), trakinas de morango e morango in natura também. Sou brócolis com azeite, empada de palmito,  costelinha de porco no churrasco,dobradinha com batata, batata frita com bacon, pizza de calabresa, nescau gelado todo dia de manhã. Sou a farofa que  a mãe do Rennan faz, sou a farofa que a  mãe do André faz, sou qualquer farofa boa. Sou fanta laranja, caipirinha e água de filtro de barro.
Sou Maria Rita, Gil, Caetano, Zélia Duncan, Chicas, Tim Maia ( Sou a filha do Coronel Antonio Bento, sabiam?). Sou Paralamas, sou o  " ai- deus- do -céu- como- é - gostoso"  Tony Garrido, sou Shakira ( uma fofa, uma linda!). Sou Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola ( meu coração é leviano) e ... rufem tambores... sou Belo (derê rerê, Belooo!). Sou qualquer música que alguém diz  que  que é bonita, sou as músicas que o André canta ( só não sou Verde!). Sou Dia Branco, sou Lindeza,  sou Cupido, sou A Festa (me abraça, me aperta!).
Sou chinelos- devem- ser- usados- em - qualquer - lugar. Sou vestidos porque deixam o ventinho entrar por baixo. Sou argolas, brincões e colares. Não sou anéis porque dão coceira. Sou calça jeans - e- camiseta. Sou não- tenho - a- menor - ideia- do- que - vestir. Sou não - dá- pra- ir - pelada? Sou ar-condicionado. Sou luvas, cachecol lilás, casaco, ai, que frio, meu Pai.

Sou Bovary, Marcenda, Lídia, a Doida, Lesje, Elaine, Offred, Michele, Lori e Ulisses, Jack, Avellaneda. Sou Cecília, Clarice, Carlos, João Cabral, Camilo, Benedetti, Saramago. E ainda hei de ser Guimarães, Virginia, Joyce, Cervantes. Sou todos  os  caminhos dão em Camões.

Sou " I´ll be there for you". Sou " The truth is out there".  Sou Cuddy, Grissom, Warrick ( ô, delícia!), Six ( lembram da amiguinha da Blossom?). Sou ... Ah, não mais tevê. Agora sou Fina Flor, twitter, facebook, Goolge maps, Climatempo e gtalk.

Sou banho morno, cabelo bem limpinho, spray contra chulé. Sou pele oleosa, esmalte vermelho, estojo em formato de cachorrinho, bolsa que precisa ser urgentemente lavada.

Sou medo de escuro, medo de rato, medo de nunca esquecer.

Sou a sala da casa da Jackie. Sou a caminha extra do André. Sou o sofá da Su e  do Fabrício. Sou qualquer casa em que o Rennan morar. Sou o antigo tatame da Bio. Sou o meu colchão.

Sou montanha- russa. Sou abraço e suspiros. Sou olhos apertados de vergonha. Sou boca grande que não guarda segredos.

Sou vermelho, roxo e rosa. Sou neguinha.

Sou da paz, sou do bem, mas ...


sexta-feira, 18 de março de 2011

Resgistrando

Preciso registrar nesse blog que, no dia 12 de março de 2011, conheci o homem da minha vida.

Durante uma viagem de ônibus até a rodoviária , onde eu pegaria um outro ônibus prum lugar para o qual não queria ir,  conheci o homem perfeito. Sim, exatamente o homem feito sob medida pra mim. Como o trajeto era meio longo, tive tempo  suficiente pra avaliar o braço bonito que ele tinha, os óculos bonitos que ele usava, o sorriso bonito que ele devia esconder por trás daquela boca, ai.

O destino quis nos unir, o universo quis nos unir e ... eu vejo muito comédia romântica.

Mas eu precisava registrar, ai! Precisava!

Melancolia - ou preguicite agudérrima

Ei, por favor, chamem um médico! Só posso estar doente: uma semana inteirinha sem nem dar uma olhadinha neste blog. Pobre Fina Flor, jogado às traças, abandonado, coitadiiiiinnho. =p

É que tô com preguiça, preguiça de tudo, preguiça de viver. Não, não façam essa cara de " ih, a juliana tá arrasada! O que será que aconteceu?". Preguiça de viver é assim: você vive, você respira, você come, você até vai ao cinema, mas arrasta junto um enorme saco de cimento nas costas. Sacaram? Já viram um saco de cimento de perto? É um troço grande, desajeitado de carregar e que dá preguiça só de pensar.

Existe também a preguiça de rir. Sinto tanta preguiça de rir de vez em quando. Sabem aquela pessoa que até é legal, que até diz coisas bem engraçadinhas, mas que ... ai, dá preguiça, muita preguiça? Tenho um amigo que é assim. Daí que um dia desses aí , depois de séculos, fui ligar pra ele e me lembrei do por que fazia tanto que a gente não se falava. Esse meu amigo me faz  ter a sensação de que, além de um saco de cimento nas costas, carrego dois sacos de cimento em cada lábio, ficando portanto impedida de erguê-los na hora de rir.

Daí que eu tava lendo, agora há pouquinho, uma entrevista do Wagner Moura em que ele diz : " Sou uma pessoa feliz, mas não sou contente".Te entendo, Wagner!

 Eu sou contente, mas a melancolia gosta muito de mim. 

Melancolia parece tristeza, mas não é. Melancolia é feito tarde de outono, com chuva fina e céu cinza. Não dá pra todas as tardes do ano serem ensolaradas, e não há problema nisso.Tardes de outonos também são bonitas. 

Não é que eu não queria sorrir. É que... ai, preguiça!


Melancolia rima com doçura, eu acho.



P.S.: Quando a preguiça de colocar uma palavra do lado da outra passar, conto pra vocês sobre o livro MARAVILHOSO que li nos últimos dias.


sábado, 12 de março de 2011

Bobaginhas e palavras bonitas da Inês.

Tava lendo  uma entrevista do Caio Castro em que ele dizia mais ou menos assim : " Quando tô num bar com os amigos, sinto falta de ter uma namorada do lado. Mas aí me pergunto: ' Quem  eu  vou namorar?'."

Te entendo tanto, Caio!


***
Como não só  o Caio " ai- jesus- que homem- é- esse" Castro padece da síndrome do Coração Vazio, minha amiga me contou que  a amiga dela está fazendo um processo seletivo para ajudá-la a encontrar o verdadeiro e definitivo amor. Minha amiga foi me passando todas as informações que tinha a respeito do moço e eu ouvindo e avaliando, até que ela disse:

- Ele tem 30 e poucos anos;35 talvez.
- Ai , meu Deus!
Minha amiga me olhou com seu olhar de pessoa sensata e coerente e mandou:
- Preciso te lembrar que a gente tem 26, quase 27 anos, Juliana?
Tratei de explicar:
- Não, não precisa. É que com essa idade e pelas outras coisas que você disse, ele é um adulto.



Me digam: como se namora um adulto? Como é que se conta prum homem crescido e maduro que se ele pretende que você tome café da manhã na casa dele, é muito necessário que compre imediatamente uma lata de Nescau? Se eu não tomar meu nescauzinho gelado, prefiro passar a manhã toda em jejum. Café da manhã sem Nescau só com um imenso preparo psicológico.

( Nem Toddy substitui o Nescau, vou logo avisando! =p)

***

Deixando as bobagens de lado, eu já disse que vcs precisam ler Inês Pedrosa,né? Olhem só por que:

" Xavier apagou a culpa e o remorso do meu corpo oferecendo-me a inocência de um prazer anterior ao pecado original da melancolia. A sua pele negra e lisa envolveu-me como a primeira noite do mundo, dedicando -se a absorver todas as rugas da minha memória, entregando-se à ressurreição dos meus sentidos." 
( Trecho do escandalosamente bonito Nas Tuas Mãos)

Vasto mundo

Ontem passei o dia todo desligada do mundo, dividida entre o trabalho e a preocupação com a dor de ouvido que tem deixado Spock lamuriento. Sem tevê e sem internet,  meu quarto era todo o universo. Daí que ligo a tevê e putz... aquela água toda, muita água, navios sendo arrastados como se fossem bolinhas de papel. As tragédias acontecem desde sempre, eu sei, mas não me acostumo com elas. E agora ainda temos o requinte das imagens surgindo na tevê quase em tempo real. Desculpem a pieguice,mas não me acostumo. Não me interessa se é o fim do mundo ou apenas a Terra fazendo seus ajustes, se aqui pertinho de mim um monte de água também fez a usa própria listinha de mortes anônimas; meu coração afunda porque debaixo de tanta água há gente feito eu.

A natureza tem esse poder de nos mostrar  as verdadeiras dimensões das coisas, né? O mundo é muito , muito maior que nosso universo particular. Ora maravilhosamente maior, ora assustadoramente gigante.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Sobre janelas

Estava, agora mais cedo, conversando com uma dessas pessoas honestas. Anteontem fui comer pizza com uma outra pessoa honesta. Acho que estou cercada de gente honesta. Que sorte, que bom!

Mas a honestidade a que me refiro não é necessariamente aquela que nos impede de ficar  com o troco a mais que o cara do ônibus no deu sem perceber. Tô falando da habilidade, da arte, da capacidade de ser transparente, franco, simples assim. Sabe, sentir medo, cagaço, angústia, indecisão , fúria, impotência e assumi-los - simplesmente assumir que você  é de ferro, mas não de aço; assumir e conviver com  as partes que as armaduras que a gente constrói não conseguem esconder.

Morro de admiração por esse povo que conheço que não nega a fragilidade. Às vezes, sinto inveja. (nada de inveja branca, porque não acredito em inveja boa. Inveja é inveja e ponto. Resta saber o que se faz com ela, aonde ela te leva e o que ela te leva a fazer. ) Sinto inveja porque não sou uma vidraça limpinha e descortinada; eu sou opaca. Nos meus parapeitos, há flores, dormideiras, bebedouros pra beija- flor, mas minhas vidraças são parecidas com lentes de óculos muito usados.  Minhas vidraças são feitas do material mais duro que encontrei. Não sei se duro o suficiente, mas me esforcei bastante para que  fossem dos mais resistentes ou daqueles que afugentam  os invasores e as pedras que as crianças da rua teimam em tacar. Pelo menos, eu acho que é assim.

Daí que vou deixando a inveja de lado e vou prestando atenção nas janelas da minha vizinhança, e percebo que vidraças mais límpidas podem ser mais seguras e eficientes. Se quem está do lado de fora tem mais facilidade de acesso, mais área de visão, quem está do lado dentro pode enxergar direitinho quem espia de fora e pode decidir abrir ou não a janela - ou as portas, ou os basculantes, ou o teto solar, sei lá

Essa gente que carrega consigo janelas transparentes é tão bonitinha. Eu me encanto tanto ao ouvir suas vozes embargadas - ou confusas, ou alegres, ou tranquilas, ou enfurecidas - , dizendo : " Eu não sabia que seria assim, mas é desse jeito que eu soube fazer." Ultimamente, quando elas abrem suas janelas para que  eu me debruce e dê uma olhada lá dentro, boto reparo na estrutura que sustenta a janela, no material que gruda o vidro à armação de ferro ou de madeira e vou pegando umas diquinhas aqui e ali  pra ir , aos poucos, descobrindo o meu jeito de cuidar das minhas próprias janelas.

Vamos ver no que dá.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Não vou dar detalhes  do carnaval, não vou, porque o André lê este blog e eu não serei capaz de dizer " Ah, apesar de tudo foi bem legal", quando ele disser " Juliana, não sei por que você se mete nessas roubadas". Não , dessa vez, André, te pouparei do " ela é a pessoa mais chata do universo, mas tem um bom coração". Pois é, minha gente, como boa pessoa pseudofofa, carrego uma culpinha que me impede de odiar solenemente pessoas que merecem ser odiadas, fugir de situações que não deveriam fazer parte da minha vida e ponto.

Minha culpinha de estimação me levou prum fim do mundo, me fez ouvir discursos que nunca foram os meus ( apesar de eu ter querido adotá-los tantas vezes só pra me sentir pertencendo),me fez fechar os olhos à noite e perceber que não, não dá pra forçar a barra.

Um dia, a gente cresce e é isso. Crescer, querendo ou não, exige posicionamento, escolhas; crescer exige  que se coloque fim no jogo de espelhamento que só te fez a vida inteira agir  como se fosse um pecado, um crime, uma afronta ser quem você é. E eu passei tanto tempo pensando " puxa, mas eu, que sou tão boazinha, fofa,  comportada, não basto, não sirvo?" É que eu não sabia, não queria perceber, minha carência de afetos não deixava ver  e  a menininha que fui não queria por nada admitir que pessoas doloridas usam de agressão delicada, de deboche suave, crítica carinhosa porque essas são as únicas formas de lidar com o mundo que conhecem. Pessoas doloridas podem passar toda uma vida sofrendo, escamoteando as angústias mal-resolvidas com piadinhas ofensivas e porres lúdicos. E elas nem fazem por mal.

Mas a gente cansa. Andar pela vida assim doendo tanto é como puxar uma tonelada de cimento numa carroça de madeira; sentir culpa por lidar com suas dores de outra forma também.


Cansei.

sábado, 5 de março de 2011

Meu coração é de carnaval

 Pelo título do post, parece até que eu sou A foliã. Não, eu não morro desidratada, pisoteada, amassada e ensurdecida nos blocos do Rio. Dia desses, fui a um show da Maria Rita com participação do Cordão do Bola Preta e saí de lá com a certeza de que meus ouvidos não se afinizam muito com  aquele tum tum tum.

Ei, mas eu gosto de Carnaval. Bem, isso é um tanto contraditório porque passei parte da adolescência e  o início da vida adulta passando os 4 dias de folia, para desgosto da minha família, num retiro religioso em Petrópolis. As pessoas iam para a praia e eu me enfiava na Serra friorenta ( sim, eu já peguei 7 graus no carnaval, no ano em que minha família alugou uma casa em Arraial do Cabo - um dos lugares mais lindos desse mundo) . Mas eu jamais me arrependi e até hoje sinto saudade do evento de que participei durante anos - muita saudade.  Enfim, por diveeeeersas razões, minha rotina carnavalesca mudou ,e eu acabei descobrindo uma paixão: desfile de escola de samba.

Não,  não me tornei passista do Salgueiro nem tenho cadeira cativa num desses camarotes chiques.  Estive no Sambódromo apenas duas vezes - duas inesquecíveis vezes. Na primeira, madruguei na fila para comprar ingresso para as arquibancadas mais baratinhas e  passei uma noite inteira cantando e sambando enlouquecidamente. Bem, considerando o fato de que sambo tão bem quanto canto, meu saldo pós - desfile foram dores eternas no corpo e 2 dias sem falar. Cara, mas guardo uma lembrança tão incrível daquele dia. Claro que as devidas proporções devem ser guardadas porque eu sou A empolgada,  porém ver as escolas de samba de pertinho  ( ou quase de perto, porque as arquibancadas baratinhas ficam distante da pista) dá um ... ai... um negócio! É tudo tão colorido, bonito; você se sente fazendo parte de algo especial. Lembro bem de quando a Portela entrou  na avenida e eu me senti arrepiada ao ver a tradicional águia. O povo daqui de casa se diz portelense, vive falando da águia, e eu achando  que eles eram  bem bobos. Daí foi ver a tal da águia, pra eu  ficar aparvalhada como se tivesse diante de uma entidade sobrenatural. É isso: estar no sambódromo , pela primeira vez, foi meio sobrenatural, indescritível. Pelo menos, pra mim.

Na segunda vez em que estive na Marquês de Sapucaí, ocupei um outro papel no espetáculo. De espectadora, passei à protagonista do espetáculo. Ah, gente, desfilar numa ala da Mangueira faz com que qualquer um se sinta A estrela - eu me senti. Tava eu voltando da praia, na quarta- feira de Cinzas, feliz da vida que o Salgueiro tinha sido campeão, quando minha vizinha que desfila todos os anos na Mangueira vira pra mim e pergunta se eu quero desfilar no lugar dela no Sábado das Campeãs. Nem pisquei. Siiiiiiimmm!

Desfilar foi bom e ruim. Bom porque tinha a bateria da Mangueira, aqueles sambas lindos que tão no inconsciente coletivo, animação, uma energia maravilhosa. Tudo lindo até que o desfile começou. O problema é que fiz na Sapucaí o mesmo que faço na vida: surtei na concentração; cantei de a garganta doer, sambei esse meu samba mal sambado. Fiz dos 20 minutos de espera na Presidente Vargas o próprio desfile, daí, quando entrei na passarela,  só restava um pouquinho de energia. E é preciso muita energia pra absorver tanta informação. Porque o desfile em si não é leve. É preciso prestar atenção pra não fugir da marcação da ala, pra não bater nas câmeras da tevê, pra não deixar que um cara sentado no camarote puxe adorno da sua cabeça. Eu tive duas outras dificuldades exclusivas: não sabia cantar o samba daquele ano, portanto fui o alvo favorito de uma mulher louca que ficava na frente da ala mandando todo mundo cantar, e não estava preparada para que o Sambódromo fosse tão estreito. O engraçado é que já passei por lá milhares de vezes, mas a real dimensão da passarela so pode ser percebida ao se pisar nela. Era tanta gente por todos os lados e eu não sabia pra onde olhar - muitos olhos, muito barulho, muita informação. Só sei que no final do desfile, eu só queria sentar, arrancar as roupas e morrer por uns 5 minutinhos. Ah, eu não era a única. É muito estranho ver as pessoas que antes tavam lá empolgadaças, animadaças, emocionadaças largando o corpo no chão de tão exaustas, ou ver as baianas sendo arrastadas para fora da dispersão.

No fim, eu fiquei achando que assistir é mais legal que desfilar, mas eu ainda quero sair no Salgueiro. Ah, sim, sou tão boa salgueirense quanto sou ótima vascaína, ou seja, não tenho ideia do enredo da escola, não perco meu sono pra ver o desfile, mas dedico o meu carinho a essa escola que eu acho linda nem sei por que.

Pra finalizar esse post escrito às pressas ( tô me ajeitando aqui pra embarcar na  roubad... ops... viagem de carnaval da minha família),  o samba delicinha do Salgueiro de 2008:

quarta-feira, 2 de março de 2011

Fotofobia

      - Ô, tira esse flash da minha cara, por favor!




É, pois é, minha diversão é tirar sete milhões de fotos do cachorro bonitinho que mora comigo. 

Só entre nós:  minha vó não pode nem sonhar que eu deixo Spock tirar uns cochilos no sofá de vez em quando. Não sei o que pode deixá-la mais indignada: o  cachorro deitado no sofá ou eu mostrar pra alguém a foto deste que deve ser o sofá mais velho do mundo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Quando você vier


Espero que as tuas curvas se alinhem com as minhas: as curvas da palma da mão, da sola do pé, das pálpebras, da tua letra que nunca vi. 

Há de ser assim? Será? Não sei.

Espero.

Espero.

Mas um dia eu canso.

"E onde pisas o chão, minha alma salta "

Caetano é lugar - comum , eu sei. Faz mal não! O que seria da vida sem os clichês?

O Quereres tá latejando dentro de mim desde ontem.

Ahh, Bruta flor!

Só que eu prefiro que a irmã do Caetano cante: