sábado, 23 de abril de 2011

Tristesse

Enquanto  o restante da casa dorme, peguei o notebook e sentei na cozinha,determinada a escrever um post feliz. Mais cedo, cheguei à conclusão de que não aguento mais esses posts tristes. Eu precisava de um post feliz, afinal  eu sou uma pessoa animada e bem -humorada; logo este blog precisa refletir minha personalidade. Assim, bem cartesiano. Vamos lá, Juliana, escrevendo um post feliz! Vamos lá! Animação!

É claro que não funcionou.

Estou triste. Nada em mim, neste momento, é alegre. Posso até erguer as bochechas num sorriso bem aberto que não vai adiantar. Ainda serei triste. Mas não é aquela tristeza de TPM, de depressão, de doença, de querer morrer. É só tristeza. Ainda acho graça da minha vó  me chamando de herege porque comi pastel de calabresa na sexta-feira santa, também  passei metade do dia pesquisando um esmalte pra colocar na unha amanhã, assisti a 2 episódios de Friends e não consigo parar de pensar em por que a Monica largou o Richard ( Por que, Monica? Por quê?), sentei no quintal e tentei trabalhar. Tudinho como sempre, só que com um elemento adicional e novo: a tristeza.

 E por que será que  me parece tão incômodo carregá-la comigo? Um cachorro muito amado recém- enterrrado e um primo em coma são justificativas bem plausíveis para qualquer tristeza. Ainda que eu argumente que o cachorro só tinha cinco meses de vida e que eu acho que meu primo é um imbecil, a tristeza continua pesada e não vai embora.Por que é que a gente tem medo de tristeza? Por que é que a gente acha que só sorrisos são saudáveis? 

Nesses dias, não tenho  bom -humor, diversão, a boa e velha conversa fiada a oferecer pra ninguém. Não estou silenciosa e carrancuda ( choro e lamúrias somente no Fina Flor; juro que ainda sou uma companhia razoável fora deste blog. Só reclamo do trakinas de morango que veio murcho ), mas também não tô sabendo ser feliz. Não consigo escrever posts felizes; só posts tristes. E até usando óculos, eu estou. =p

Desculpe, é o que tem pra hoje.


***

Tristeza, não vou te mandar embora, por que , apesar de tudo, você me consola. Ficar triste, triste é melhor que não ficar nada e depois somatizar tudo. Te aceito, tristeza, como hóspede temporária. Enquanto você não pega a estrada de novo, continuarei  assistindo a 3 episódios de Friends seguidos, achando que o Richard sem bigode é o homem dos meus sonhos e tomando iogurte de mel, laranja e cenoura ( meu vício!).

Hum, delícia!



4 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Faz dias que venho aqui, leio, sinto e parto sem deixar palavra nenhuma. Não sei escolhê-las. Nunca consegui seguir a linha "levanta moral" nem a da empatia contando um causinho meu. Mas hoje resolvi te dizer que se não sei como você se sente sei como eu me sinto quando a tristeza ocupa vastos espaços em mim. E que vir aqui, nesses momentos, me faz bem. Mesmo que não me faça alegre. Um beijo

Palavras Vagabundas disse...

Ju,
temos que viver nossas tristezas! O ditado é velho mas verdadeiro: "O que não nos mata, nos fortalece"
bjs e Boa Páscoa
Jussara

Cor de Rosa e Carvão disse...

Jú:

1. Tristeza não tem fim. Felicidade sim! A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor. Brilha tranquila, depois de leve oscila e cai como uma lágrima de amor...

2. Temos muitas coisas em comum guria. Por isso tomarei a liberdade de aconnselhá-la: chore e lamuriesse o quanto quiser, o quanto precisar. Para depois voltar inteira! E voltará! Sei disso.

3. É engraçado o quanto precisamos desabafar nos blogs. Enquanto não faço isso, a pressão no peito não alivia...

4. Beijo e boa Páscoa!

Juliana disse...

Ah, luciana, sou feito vc. Quando não sei o que dizer, não digo nada. Que bom que o blog faz bem a mim e vc tb!=) sua presença é sempre uma honra!

Sábio ditado, ju! Espero que seu feriado tenha sido bom.


Elaine, ô, mísica bonita essa aí. =) Temos coisas em comum é? Tô aprendendo esse seu macete aí. Tô aprendendo.