domingo, 8 de maio de 2011

Mamãe querida

Dia das mães, né?

Depois que deixei de ser uma adolescente tardia e quase não culpo minha mãe por todas as desgraças da minha vida, posso pensar com clareza e listar as coisas boas que advêm do fato de eu ser filha de quem  sou.Minha mãe me amamentou,  pagou todas as minhas despesas por mais de 20 anos, não deixou que  nenhuma doença me matasse. Ótimo, beleza! Mas sou particularmente grata porque:

1- ela me ensinou , na base do exemplo, que ler qualquer coisa ( inclusive bula de remédio e encarte de supermercados) é o melhor modo de se passar o tempo. Sempre houve um livro largado em algum canto da casa, que eu lia enquanto ela não chegava do trabalho. Sidney Sheldon e Agatha Christie foram devorados por mim e por ela, ao mesmo tempo, nesse esquema. Agora sou eu que  digo: " ó, acho que você vai gostar desse!".

2- com a minha mãe, aprendi também que cultura pop é fundamental. Se uma pessoa não sabe quem é James T. Kirk ou Han Solo ou que o médico gato de Lost fez O Quinteto, há algo de muito errado com o cérebro dela. Só com a minha mãe compartilho meus boxes de Arquivo X. Só não consigo fazer com que ela entenda que Friends é muito engraçado!

3-minha mãe também me apresentou à Clara Nunes, à Jovelina Pérola Negra, a Fred Mercury, a um sem- fim de músicas lindas que nem sei quem canta, mas que tão aqui no meu inconsciente. Aprendi, sobretudo, que posso ser um grande ídolo da música enquanto a água cai do chuveiro na minha cabeça.

4- só minha mãe sabia o ponto certo da farinha láctea ( tinha que ser bem aguadinha. Ah, saudade de farinha láctea!) ou a quantidade de vezes que o leite precisava ser passado de um copo pro outro até ganhar espuminha. Só ela sabe fazer pudim sem calda e sem  gosto de açúcar, só ela sabe qual a única marca de gelatina que não tem gosto de geleia caramelizada.

5- ah, minha mãe me ensinou também que lâmpadas não  explodem nas mãos femininas, que encanamentos podem ser facilmente desentupidos, que carrinho de feira serve pra aliviar o peso das sacolas, que botijões de gás podem ser trocados no meio da madrugada, que ônibus te levam pra qualquer lugar que você quiser, que vidros de palmito abrem mais fácil se a gente fizer um furo na tampa, que saber os nomes das ferramentas não tem nada ver com ser mais ou menos mulher.


Minha mãe não é incrível.  Ela e eu somos muito diferentes - ou muito parecidas, vai saber - ,  então nossa relação nunca foi estilo Gilmore Girls, mas eu fico feliz por saber que ela fez o melhor que ela pôde sempre. Não foi perfeita, cometeu um monte de erros, mas fez o que deu, o que estava ao seu alcance. 

E eu admiro gente assim.


P.S.: Acho Dia das Mães meio desnecessário, mas já que existe, vamos lá:  mães queridas, parabéns procês! Admiro demais quem decide bancar a tarefa de ser responsável por alguém. 

3 comentários:

Cíntia Mara disse...

Ju!

Estava eu lá no blog da Annie quando vi o "Mamãe querida" no título do post e me deu uma vontade incontrolável de responder com um "meu coração por ti bate como bolo de chocolate". Só não sei se você vai entender a referência, rsrs.

Sabe que eu gostei de saber essas coisas sobre a sua mãe. Tive uma outra visão dela agora, bem diferente da anterior - e melhor.

Bjo

Borboletas nos Olhos disse...

Que linda sua mamys. A minha também é linda \o/

Tô meio bobinha, desculpa aê.

Cor de Rosa e Carvão disse...

parabéns! adorei a tua mãe. bjo