quinta-feira, 30 de junho de 2011

Acabo de assistir a um episódio de  House em que ele vai ao analista e tudo gira em torno de um caso no qual uma mulher não se lembra de quem é e também das  presepadas que o House apronta quando Wilson pede que ele volte a morar sozinho. O analista é um sujeito meio danado - eu teria ficado irritada com tanta ironia e deboche -, mas, pra atender o House, o pobre do profissional precisa usar das armas que tem, né?

Então, a gente passa o episódio todo acompanhando a sessão de análise. Tudo que vemos aparece sob o ponto de vista do House, aquilo que ele relata ao psicólogo. Está tudo lá: as grosserias do House, as maluquices de seus diagnósticos, Wilson e sua fofice, Cuddy e aquele seu talento pra ser a mulher que eu adoraria ser quando eu crescer. Enfim, tudo lá. Mas o analista está interessado no que está escamoteado no discurso, aquilo que levou o House a escolher falar do caso da mulher desmemoriada e não dos outros. E a gente lá também bancando o detetive. Afinal, aonde é que isso tudo vai dar? E, já no finalzinho, a gente descobre: em Cuddy e aquele namorado dela, que agora vão morar juntos. Quando o analista pergunta pra House se  ele está se punindo por que está perdendo alguém  importante pra ele, nosso bom doutor se levanta do sofazinho e diz que está cansado do analista, que  todos estão felizes menos ele e que o analista não tem resposta nenhuma que possa mudar isso. House, meia dúzia de grosserias, o analista meio perplexo e fim do episódio.

Fiquei com vontade de convidar meu amigo House pra me acompanhar no chá de morango que estou tomando agora e dizer :  " Eu sei! É foda!". Não, eu não diria "  foda!" porque palavrões não saem da minha  boca com facilidade, mas  não haveria palavra melhor que pudesse expressar o que o pobre  do House e  eu estamos sentindo agora.

É foda porque você passa todo o tempo procurando o x da questão e, quando descobre, não sabe muito bem o que fazer. Daí que te dizem que é preciso ter calma, paciência, que leva tempo, que virá devagar. Ok, você até entende. ( bem, eu entendo! Eu sou mais esperta que o House! Rá!). Mas faz o quê? Fica parada esperando? Fica de pé e sai correndo? Pega um avião? Constrói um foguete e vai cavar buracos na lua?

A melhor alternativa: ir dormir porque já é tarde. 

domingo, 26 de junho de 2011

Aos 27

Ontem, por essas horas, parei na frente do espelho e não gostei do vestido que escolhi com tanto cuidado. Ele ainda era vermelho-quase-marrom, ainda tinha mangas estilo princesa, ainda era tão lindo, mas não rolou. Não sei explicar o porquê, porém não rolou. Vai ver que o espelho de casa é mais honesto que aquele pendurado no provador da loja. Daí, eu fui lá no armário, busquei um outro que já havia sido usado uma vezinha antes e fui tomar vinho gostoooooooso e ouvir uma banda escandalosa tocar músicas de que não gosto mas que fazem meus amigos acharem que o Rock in Rio já começou.

Desistir do vestido especialmente comprado pra noite de aniversário e recorrer àquele que eu já sabia que  funcionava devem ser  a prova de que , sim, eu fiz 27.

Isso e os três risquinhos que aparecem no canto do meu olho esquerdo em TODAS as fotos que tirei. Próximo investimento: botox. Ou fotoshop ( é assim que se escreve?)




sábado, 25 de junho de 2011

Amanhã será 26!

Adoro aniversários. Aff, como adoro! Já estou aqui contando cada um dos segundos que faltam pro 26. Deixo pra pensar nas rugas, nos dramas, nas crises, nos cabelos brancos que terei - um dia, um dia beeem distante -, no imenso peso que um 27 pode ter só lá em julho porque, por enquanto, ainda é junho e amanhã será 26. 

E os presentes já chegaram. Minha amiga que alega não saber presentear apareceu com a melhor pedida desse inverno : um kit pra esquentar noites frias. Conteúdo do pacote: filme de amor, livro que eu já tinha mas que já foi trocado por um que nunca me atraiu muito e  pantufas vermelhas com cara de joaninha. Calço 39, terei 27, mas pantufas... ah, pantufiiiiinhas. Só faltaram a caneca de chocolate e o -moreno- alto- bonito- sensual- solução- dos- meus - problemas... Fica pro 28.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Grandes mistérios da humanidade

Para a nutricionista, tenho 1,675m de altura.

Para a médica, tenho 1,69m.

Para o professor da academia, 1,70m.

Será que o volume do meu cabelo influencia na medição?



update: tenho que registrar  neste blog que a nutricionista, apesar de afirmar que sou 1,5 cm mais baixa do que eu  imaginava, não me impediu de tomar meu nescauzinho sagrado de toda manhã. Ok, o leite agora é desnatado e o pó do nescau deve formar um montinho raso na colher de sopa, mas ainda é nescau e eu posso continuar sendo feliz.

Este resgistro serve tão somente para que eu  me lembre da bondade e sensatez da nutricionista quando um impulso devorador e tentador me levar a desejar um X-calabresa.  Renuncio a X-Calabresas com molho verde, pizza de calabresa, McChicken,  trakinas de morango, mas meu nescauzinho gelado  - ainda que meio aguado -  é sagrado.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Você não sabe se tem a razão, mas agiu exatamente como achou que deveria agir. 

Você  tem sempre o cuidado de não tornar o que já é difícil complicado.

 Você agiu de acordo com o que pensava e tem argumentos coerentes - dos quais não abre mão de jeito nenhum - para justificar sua atitude.

Daí questionam a sua postura, dizem que no seu lugar teriam feito diferente, as melindres que você pretendia evitar caem bem em cima da sua cabeça. E agora? Cadê os seus argumentos que estavam aqui? O gato comeu a sua língua?

O gato nunca come a sua língua porque você responde, mas nunca do jeito certo. O gato prefere achar que seu cérebro é novelo de lã e bagunça tudo.

P.S.: Em segunda pessoa, é mais legal e posso fingir que sou menos imbecil.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

" Danço eu , dança você"

" A solidão é a profundeza última da condição humana. (...) O homem é nostalgia e busca de comunhão. Por isso, cada vez que sente a si mesmo, sente-se como carência do outro. (...) Estamos condenados  a viver sozinhos,mas também condenados a ultrapassar a nossa solidão (...), que é  a própria condição da nossa vida. Ela [a solidão] surge pra nós como uma prova e uma purgação, ao fim da qual a angústia e a instabilidade desaparecerão.
(...) 
Pedimos ao amor - que, sendo desejo, é fome de comunhão, fome de cair e morrer tanto quanto de renascer - que nos dê um pedaço da verdadeira vida, da morte verdadeira. Não lhe pedimos a felicidade, nem o repouso, mas sim um instante, apenas um instante, e vida plena, em que os contrários  se fundam, e vida e morte, tempo e eternidade compactuem."

( Trecho de A Dialética da Solidão, de Octavio Paz)


***


"Solidão é lava que cobre tudo"
(Verso de  Dança da Solidão)

sábado, 11 de junho de 2011

Há semanas venho usando o mesmo  brinco, umas perolazinhas baratinhas adquiridas numa loja da 25 de março. Eu adoro brincos. Só não tenho um monte deles porque sempre perco  - SEMPRE -, então me vejo obrigada a me livrar daqueles que não têm mais o par.Dói no coração jogar brinquinhos bonitinhos na lata do lixo, viu? No dia em que for moda usar uma argola somente numa das orelhas - feito pirata-, terei muitas opções. Enquanto isso, sigo jogando fora brincos que me são muito queridos,mas que já não cumprem o seu papel. 

De todos os brincos que perdi, as perolazinhas da 25 de março foram os que mais lamentei. Passei uns dois dias revirando a casa atrás delas.Depois tive de me conformar. Fazer o quê? Perdeu, perdeu. Obviamente, eu poderia voltar na lojinha em que comprei as pérolas. Seria engraçado ver novamente o vendedor da 25 de março que reconfigurou minha percepção acerca do modo como pronuncio a palavra " merda". Disse esse vendedor simpático que o povo do Rio de Janeiro diz merrrrrda com mais gosto e mais marra por causa do jeito como pronunciamos esse " r". e eu, de vez em quando, me pego a dizer esse merda cheio de sabor.Eu também poderia comprar outras pérolas de mentira em qualquer camelô ou lojinha de bijuteria perto de casa. Seria ainda mais barato, porque, afinal, economizar com passagem de avião ou ônibus é sempre bom,né?

Mas eu não comprei novas pérolas. Eu as reencontrei. Sim, elas não estavam perdidas; estavam muito bem - guardadas, quase escondidas. E eu fiquei toda  feliz ao revê-las, e ainda mais feliz ao colocá-las na orelha. Há semanas que elas estão aqui presas nas laterais da minha cabeça. Daqui só saem quando não tenho opção. Nessas ocasiões, elas cedem lugar ao brincos grandões e argolas levinhas que combinam bem mais com as proporções do meu corpo. Porém trato de acomodá-las em algum lugar seguro o suficiente, do qual não poderão escapar sozinhas.

Ora, mas o que têm de tão especial pérolas adquiridas por modestos 5 reais numa lojinha da 25 de março? Essas perolazinhas são especiais, têm um diferencial: trazem o consigo o poder de carregar consigo lembranças boas de dias extraordinariamente bons. Não tenho certeza, mas acho que elas estavam nas minhas orelhas no dia 12 de junho do ano passado, o melhor dia dos namorados que já tive. Causa uma certa estranheza quando digo que passei de 12 de junho de 2010 comendo pizza e batendo perna numa rua cujas lojas estavam fechadas com uma amiga. Pois é,  lojas e pizzas serão lojas e pizzas sempre. As lojas da Oscar Freire e a pizza  marguerita ( a melhor pizza de marguerita do mundo) da cantina do Bexiga continuam no mesmo lugar, no entanto Jaqueline e eu nunca mais poderemos voltar àquela noite  em que nos divertimos feito criança, deslumbradas com a vizinhaça do nosso hotel, com os pés ardendo depois  de percorrer meia cidade ao longo do dia, com a barriga doendo de tanto rir da análise apurada acerca dos casais que sentaram  perto da gente enquanto comíamos a melhor pizza marguerita existente ( gente, não é exagero!).Como não podemos voltar no tempo, as perolazinhas servem pra me lembrar de que aqueles dias de junho exisitiram.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Quase uma Becky Bloom - parte 2

Vamos usar de honestidade neste blog. Eu não vou ler Crime e Castigo. Eu tentei; juro que tentei. Inté levei o exemplar velhinho e encardido da biblioteca da Escola na mochila hoje. Tentei ler enquanto tomava café da manhã. Tentei ler no ônibus. Tentei ler durante uma reunião chatíssima da qual fui obrigada a participar.Enfim, não vou ler. Um dia, quem sabe, talvez.... Dostoiévski volta pro banco de reservas!

Para que o autodesafio literário não afunde, farei uma substituição: o livro de julho passa pra junho e, em julho, lerei " O Morro dos Ventos Uivantes". Mas antes eu preciso desgrudar do livrinho que comprei essa tarde. Poxa, um livrinho que custava 15 reais, promoção do dia dos namorados, precisava ser comprado, ainda que tenha o pior título do universo: " O Noivo da Minha Melhor Amiga". E não  é que não consigo desgrudar do danado do livrinho? Não consigo! Aliás, estou aqui dividida entre preciosas  reflexões a respeito dos conceitos de melhor amiga ( porque, né, obviamente, mulheres não são amigas de outras mulheres. Tão óbvio e natural isso, oras!) e de noivo da melhor amiga e vontade de perguntar pra mocinha do livro se ela já ouviu falar em psicoterapia e complexo de inferioridade.

Na verdade, na verdade, sucumbi a essa liquidação de dia dos namorados porque estou frustradíssima. Toda vez que entro na livraria do shopping, é pra namorar O Ano do Dilúvio, mas 59 reais é uma cifra que minha natureza muquirana não consegue assimilar.  Enquanto isso, sigo com meu livrinho de 15 reais, cujo final já deduzo desde já, mas tuuudo bem! Lidar com a frustração comprando um livro baratinho é permitido, não é?

P.S.:  O título veio com um " parte 2" incluído porque em algum momento já fiz um post com esse mesmíssimo nome, só não sei quando. 


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Para os que queriam saber se os alunos gostaram do Escritores da Liberdade:

 meu dvd já esteve na casa de cinco alunos;
 um rapaz baixou o filme da internet, assistiu várias vezes, passou pra mulher e pros filhos, a esposa levou
 uma cópia pra professora dela, a filha levou uma cópia pra professora dela;
 uma menina encomendou o Diário de Anne Frank ( livro que é lido pelos alunos do filme) na internet;
 atendendo a pedidos,montei uma lista de filmes sobre o Holocausto (com a ajuda da Luciana);
 também atendendo a pedidos, acabei mudando o foco das atividades e levei trechos do Diário pra sala de  
 aula;
 duas falas do filme viraram piada numa das turmas.


 É claro que nem todos ficaram enlouquecidamente empolgados. É claro, também, que nem todas as atividades foram devidamente feitas.  Mas , no fim, o saldo foi bem positivo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Preguiça de terminar

Está ocorrendo em passos lentos, porém constantes, uma faxina das boas nas estantes e reentrâncias do meu quarto. Como resultado,  desencavei livros que foram descaradamente abandonados.  Peguei As Meninas, da Lygia Fagundes Telles, tirei marcador que estava entre as páginas 32 e 33  e , de repente, me deu aquela sensação de " putz! eu não termino esmo nada que começo!" Pra me redimir comigo mesma e dar cabo de leituras que largeui pelas avenidas da cidade chamada Preguiça de Terminar, decidi lançar um autodesafio literário. Escolhi 7 livros, aqueles que ainda me apetecem muito, e vou ler um por mês.  Depois de ler, venho aqui contar pra vocês.



O livro de junho já tá escolhido desde maio. Faz uma semana que tô encarando Crime e Castigo. Não consigo passar da décima página, mas, com jeitinho,vai. 

Em julho, vou terminar A Casa do Sono, do Jonathan Coe. Tem 390 páginas, li 159.

Em agosto, encararei A Garota dos Pés de Vidro, de Ali Shaw. Tem 287 páginas, li 117.

Em setembro, será a vez de As Meninas, da Lygia. Li 67 de 260 páginas.

Outubro será o mês de Mongólia, de Bernardo Carvalho. Tá sem marcador, então vou ter de recomeçar.

Novembro me reservará Orgulho e Preconceito, da Jane Austen. Eu li quando era teenagerzinha e nunca mais consegui reler. Vou ter de recomeçar também.

Em dezembro, vou pegar Senhora , de José de Alencar. Também sem marcador.


Update: meu ano estava com dois "agostos".  Pra ficar certinho, eliminei Servidão Humana, seguindo os conselhos da Jussara.

Alguém aí tá com coragem de deixar a preguiça de terminar de lado?
"Sinto vontade escrever e quero aliviar o meu coração de todos os pesos.- O papel é mais paciente do que os homens -. Era nisso que eu pensava muitas vezes quando, nos meus dias melancólicos, punha a cabeça entre as mãos e sem saber o que havia de fazer comigo. Ora queria ficar em casa, ora queria sair e, a maior parte das vezes, ficava-me a cismar sem sair do lugar. Sim, o papel é paciente!"

( Trecho de O Diário de Anne Frank)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A primeira vez

Eu não sabia onde colocar os pés.

Eu não sabia como ajustar os braços.

Eu não sabia que acessórios de peso podiam arrancar suspiros profundos.

Eu não sabia que solas do pé e cotovelos também ficam dormentes.

Eu não sabia que a diferença entre direita e esquerda seria tão fundamental.

Eu não sabia que  flexionar os joelhos facilitaria tudo.

Eu não sabia que os músculos da minha barriga  podiam tremer tanto.


Hoje estive, pela primeira vez em toda minha vida, numa academia de ginástica (fiz hidroginástica há um tempo numa academia, mas nunca tinha ultrapassado os limites da piscina).Este dia precisa ser registrado.O povo daqui de casa tá quase montando um bolão pra tentar adivinhar quanto tempo minha prima, o marido dela  e eu suportaremos aqueles instrumentos de tortura disfarçados de aparelhos de ginástica.

Façam suas apostas vocês também! 

Ah, será que posso levar um livrinho pra esteira?


P.S.:Por falar em livros, peguei Crime e Castigo na biblioteca. Acho que dessa vez vai!

Não quero sambar

Acreditem! Ainda há gente que canta essa chatice pra mim:



Já sei como responder. Vou fazer uma camiseta assim:

                                Copiei daqui.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

It gets better

Assisti a este video e achei legal:

Depois um amigo me mostrou este vídeo, e eu tive uma crise de choro:

Chorei porque sou uma alienada. Porque no meu mundo, nesse universo pequenininho no qual me locomovo, não faz sentido que pessoas se matem ( ou sejam mortas) porque não são aceitas.Eu sou alienada. Na minha cabeça de alienada,  a palavra " aceitar" não tem o menor sentido, porque me parece que tem a  ver com necessidade de aprovação. Ninguém nesse mundo precisa da minha aprovação para o  que quer que seja, especialmente pra amar, se apaixonar e desejar. 

 O primeiro vídeo me fez pensar nas pessoas incríveis que conheço que poderiam fazer parte dele. O segundo vídeo me fez chorar porque, pela primeira vez, me dei conta de que essas mesmas pessoas já sofreram um bocado e ainda têm medos que não podem ser dimensionados por mim. Obviamente, eu leio os jornais, sei que todos os dias muitas pessoas são vítimas de homofobia. Muitas pessoas morrem simplesmente porque  sua vida afetiva não condiz com o modelo aceito como padrão. Muitas pessoas. Só que eu nunca tinha parado pra pensar ( acreditem, eu nunca tinha pensado de fato) que  gente que eu amo corre risco de ser machucada, agredida e morta exatamente pelo mesmo motivo.

Na minha visão limitada, bastava que eu não compactuasse com piadas imbecis, com discursos crueis,  bastava não voltar  a especular sobre a afetividade e a identidade alheias como eu costumava fazer antigamente, e estaria tudo bem.  E , ingenuamente, fico achando que não responder à pergunta "aquela sua amiga é lésbica?"  evita necessariamente que ela receba o peso dos estereótipos e  do preconceito. Mas eu vivo num mundo no qual é legítimo ofender, ferir , xingar  pessoas. Eu tô aqui vivendo, enquanto adolescentes se matam porque não aguentam mais humilhação e violência.

É injusto, é triste e, pior, eu só parei pra me dar conta ao assistir a um vídeo que foi capaz de me fazer dar nome e rosto  a uma realidade que tá aí na minha cara e eu nunca parei pra prestar atenção. Um choque de realidade não faz mal a ninguém, né? Eu me sinto meio idiota escrevendo sobre isso. Afinal em que planeta eu vivo? Mas eu quis mostrar esses vídeos aqui de qualquer modo. Não sei se campanhas como " It gets better" surtem efeito realmente, mas ,se servirem pra dar senso de realidade a pessoas como eu, já tá valendo.

P.S.: Acho que é meio óbvio, mas não custa acrescentar: todo mundo tem o direito de falar o que quiser, no entanto se aquilo que eu digo incomoda outra pessoa  - E A OUTRA PESSOA DIZ QUE TÁ OFENDIDA-, basta não dizer mais. Simples. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Brincando de resenhar - Escritores da Liberdade.

Assisti ontem com os alunos ao filme Escritores da Liberdade. Obviamente, eu já havia assistido em casa algumas vezes, mas nada se compara a brincar de sessão de cinema na escola. O primeiro desafio é escolher um filme que sirva pro seu objetivo e que , ao mesmo tempo, seja interessante pras pessoas que vão assistir. Quando avisei  na aula seguinte que  teríamos um filme, uma pequena rede de apostas começou ,e os mais cotados foram Bruna Surfistinha e Velozes e Furiosos 5.  Mal sabem eles que ando com umas ideias  que envolvem debates, estereótipos, papéis sociais e Velozes e Furiosos, mas isso é papo pruma outra vez.


Escritores da Liberdade, em parte , é um daqueles típicos filmes americanos sobre escola. Fórmula: ambiente hostil, pessoas hostis, situações hostis. Daí há uma guinada e a hostilidade é superada e todos são felizes para sempre. A gente conhece bem esse tipo de filme. No entanto, reduzir Escritores a um filme bobo seria deixar de considerar a belíssima história que é contada por ele. O filme retrata como que se deu a interação entre uma professora branca  e um grupo de alunos oriundos de grupos sociais e raciais distintos dentro de uma sala de aula. O roteiro é baseado em fatos reais. A professora Erin Gruwell e seus alunos são de carne e osso, e talvez isso torne o filme mais emocionante. Eu fiquei arrepiada ao ver o depoimento da verdadeira Mrs. G e dos verdadeiros Escritores da Liberdade.

Erin Gruwell é  uma mulher branca , idealista e determinada, que se vê diante do desafio de dar aulas numa turma que reúne adolescentes pobres,  membros de gangues, que já passaram por situações que Erin nem imagina que possa existir. Esperta e sensível, ela descobre uma maneira de se aproximar dos alunos, de acabar com os conflitos em sala de aula e também de ensinar. Erin percebe que seus alunos têm muito a dizer, mas não sabem como. Então, ela oferece a eles um meio de se expressar : os alunos da turma 203 recebem cadernos nos quais podem registrar seus pensamentos, desejos, medos.  E dá certo! Muito certo! Não me atrevo a dizer como porque tenho certeza de que vou acabar contando o que não devo. Não esperem graaaaandes supresas, mas mesmo assim  elas existem. Posso adiantar, no entanto, que a história é tão envolvente que você se pega de coração apertado, torcendo muito pelos personagens e querendo ter uma professora igualzinha a Mrs. Gruwell. Fora que Hillary Swank está lá, interpretando aquela professora com tanta dignidade e fofura que  no fim você também quer dar um abraço nela.  Resumindo: assistam!

Bem, eu sou péssima com esse negócio de resenhas pra blogs, mas decidi comentar algo sobre filme porque a culpa é maior que eu.  Uma das tarefas dos meus alunos será escrever uma resenha bem bonitinha sobre Escritores, e eu , muito hipocritamente, disse que emitir opinião sobre filmes e livros não é um bicho de sete cabeças. Ai, hipocrisia dos professores. Vou te contar!Noooossa, acho muito difícil escrever sobre um filme ou um livro que tenha me empolgado, de modo  que o texto seja claro e que ao mesmo tempo nenhum spoiler escape.

Igualmente difícil é assistir ao filme exercendo o papel de Tia Juliana. Como faz pra não xingar naquele momento mais indignante? Como faz pra não dançar quando tocam aquelas musiquinhas legais ( Escritores tá cheinho de músicas  que te fazem  balançar automaticamente os quadris. A trilha sonora é assinada pelo Will.i.am.)?  E , pra completar, os alunos que estavam sentados perto de mim ficaram envolvidos a tal ponto que não paravam de me perguntar o que iria acontecer, ficavam antecipando cada cena. Um dos garotos queria me contar sobre um filme parecido que ele tem no computador, e eu querendo prestar atenção no que estava vendo...

Concluindo ( ó eu usando aquelas palavrinhas mágicas que a gente ensina pra aluno de pré-vest que precisa enlouquecidamente de um macete pra encerrar uma dissertação.=p) acho que os alunos gostaram; vou descobrir mais tarde na aula. Acho que quem gosta de chorar rios e ainda ver a Hillary Swank vai amar. Eu virei fã da Erin Gruwell.


P.S.: Vejam os extras do DVD e , se ainda restar paciência, ouçam aos comentários do  diretor e da Hillary. Sou a única pessoa por aqui que ouve os comentários do diretor?

P.S.2:  Fãs de Grey ´s Anatomy,  se servir de incentivo, Patrick Dempsey está nesse filme. 

Junho, 01

Junho, minha gente! Junho!

Eu sei que vocês têm calendário, mas me deixem celebrar a chegada do mês mais bonito, ok? Claro que estou arranjando pretexto para iniciar com os leitores desse blog o mesmo processo pelo qual todos os meus amigos  passam. É conhecer a pessoa um pouquinho melhor e já começo:  junho é um mês especialíssimo, o vigésimo sexto dia dele , então, é quase Natal. O meu Natal! Esquecer disso acarreta consequências gravíssimas pra sua vida. Já houve relatos de que as pessoas que pronunciaram: " ju, seu aniversário é em juLHo, né?" viraram pedra...

Sim, eu tenho bem mais que 10 anos de idade -beeeeem mais-, só que um velho hábito se mantém desde os idos dos anos 90: eu faço contagem regressiva pro meu aniversário. Vamu lá! Faltam...  ei, não criemos pânico! Eu só tava brincando. A contagem regressiva é silenciosa, agora que não tenho mais agendas coloridas e adesivos de bolinhos e velas. Pouparei vocês! =p

Mas, galera, é junhooooooo! Iupiii! =)