quarta-feira, 1 de junho de 2011

Brincando de resenhar - Escritores da Liberdade.

Assisti ontem com os alunos ao filme Escritores da Liberdade. Obviamente, eu já havia assistido em casa algumas vezes, mas nada se compara a brincar de sessão de cinema na escola. O primeiro desafio é escolher um filme que sirva pro seu objetivo e que , ao mesmo tempo, seja interessante pras pessoas que vão assistir. Quando avisei  na aula seguinte que  teríamos um filme, uma pequena rede de apostas começou ,e os mais cotados foram Bruna Surfistinha e Velozes e Furiosos 5.  Mal sabem eles que ando com umas ideias  que envolvem debates, estereótipos, papéis sociais e Velozes e Furiosos, mas isso é papo pruma outra vez.


Escritores da Liberdade, em parte , é um daqueles típicos filmes americanos sobre escola. Fórmula: ambiente hostil, pessoas hostis, situações hostis. Daí há uma guinada e a hostilidade é superada e todos são felizes para sempre. A gente conhece bem esse tipo de filme. No entanto, reduzir Escritores a um filme bobo seria deixar de considerar a belíssima história que é contada por ele. O filme retrata como que se deu a interação entre uma professora branca  e um grupo de alunos oriundos de grupos sociais e raciais distintos dentro de uma sala de aula. O roteiro é baseado em fatos reais. A professora Erin Gruwell e seus alunos são de carne e osso, e talvez isso torne o filme mais emocionante. Eu fiquei arrepiada ao ver o depoimento da verdadeira Mrs. G e dos verdadeiros Escritores da Liberdade.

Erin Gruwell é  uma mulher branca , idealista e determinada, que se vê diante do desafio de dar aulas numa turma que reúne adolescentes pobres,  membros de gangues, que já passaram por situações que Erin nem imagina que possa existir. Esperta e sensível, ela descobre uma maneira de se aproximar dos alunos, de acabar com os conflitos em sala de aula e também de ensinar. Erin percebe que seus alunos têm muito a dizer, mas não sabem como. Então, ela oferece a eles um meio de se expressar : os alunos da turma 203 recebem cadernos nos quais podem registrar seus pensamentos, desejos, medos.  E dá certo! Muito certo! Não me atrevo a dizer como porque tenho certeza de que vou acabar contando o que não devo. Não esperem graaaaandes supresas, mas mesmo assim  elas existem. Posso adiantar, no entanto, que a história é tão envolvente que você se pega de coração apertado, torcendo muito pelos personagens e querendo ter uma professora igualzinha a Mrs. Gruwell. Fora que Hillary Swank está lá, interpretando aquela professora com tanta dignidade e fofura que  no fim você também quer dar um abraço nela.  Resumindo: assistam!

Bem, eu sou péssima com esse negócio de resenhas pra blogs, mas decidi comentar algo sobre filme porque a culpa é maior que eu.  Uma das tarefas dos meus alunos será escrever uma resenha bem bonitinha sobre Escritores, e eu , muito hipocritamente, disse que emitir opinião sobre filmes e livros não é um bicho de sete cabeças. Ai, hipocrisia dos professores. Vou te contar!Noooossa, acho muito difícil escrever sobre um filme ou um livro que tenha me empolgado, de modo  que o texto seja claro e que ao mesmo tempo nenhum spoiler escape.

Igualmente difícil é assistir ao filme exercendo o papel de Tia Juliana. Como faz pra não xingar naquele momento mais indignante? Como faz pra não dançar quando tocam aquelas musiquinhas legais ( Escritores tá cheinho de músicas  que te fazem  balançar automaticamente os quadris. A trilha sonora é assinada pelo Will.i.am.)?  E , pra completar, os alunos que estavam sentados perto de mim ficaram envolvidos a tal ponto que não paravam de me perguntar o que iria acontecer, ficavam antecipando cada cena. Um dos garotos queria me contar sobre um filme parecido que ele tem no computador, e eu querendo prestar atenção no que estava vendo...

Concluindo ( ó eu usando aquelas palavrinhas mágicas que a gente ensina pra aluno de pré-vest que precisa enlouquecidamente de um macete pra encerrar uma dissertação.=p) acho que os alunos gostaram; vou descobrir mais tarde na aula. Acho que quem gosta de chorar rios e ainda ver a Hillary Swank vai amar. Eu virei fã da Erin Gruwell.


P.S.: Vejam os extras do DVD e , se ainda restar paciência, ouçam aos comentários do  diretor e da Hillary. Sou a única pessoa por aqui que ouve os comentários do diretor?

P.S.2:  Fãs de Grey ´s Anatomy,  se servir de incentivo, Patrick Dempsey está nesse filme. 

4 comentários:

Palavras Vagabundas disse...

JU,
gosto demais desse filme e gostei da resenha, mas...mais curiosa eu fiquei em saber o que seus alunos acharam, depois me conta.
bjs
Jussara

Peterson Quadros disse...

Eis que Junho chegou. Fiquei feliz só pela sua empolgação com o mês do seu aniversário. Ju, professora sim, tia não! Bom, a sua resenha ficou ótima, além de interativa. Legal do seu post é que me senti participando do seu planejamento. Abraços e nos conte o desfecho. Quero também saber se eles gostaram...

Cheshire cat disse...

Hahaha, mas se aprimeira coisa que eu vi foi a carinha bonita do Patrick Dempsey no fundo da imagem!

Juliana disse...

ih, ju, os alunos AMARAM. Vou comentar depois.

Peterson, eu uso o Tia Juliana com um certo tom de ironia, pra dar uma desmistificada nessa imagem iamaculada do professor. De qualquer modo, os alunos do sexto ano me chamam muito de tia, e eu não vejo problema. O importante é a gente ter consciência de que o nosso papel não pode ser " infantilizado", nem deixar que se esqueçam que professor é uma profissão como outra qualquer.
Eu adoro mesmo aniversário! Sou uma animada. Se pudesse faria umas cem festas!

Cheshire, o cara aparece em sgundo plano, mas a única coisa que tu vê é a cara bonita dele, né? kkkkkkk
Eu nem acho que ele seja isso tudo... É impressão minha ou a cara dele é torta! kkkkkkkkkk

Obrigada pelos comentários, pessoas!