sábado, 11 de junho de 2011

Há semanas venho usando o mesmo  brinco, umas perolazinhas baratinhas adquiridas numa loja da 25 de março. Eu adoro brincos. Só não tenho um monte deles porque sempre perco  - SEMPRE -, então me vejo obrigada a me livrar daqueles que não têm mais o par.Dói no coração jogar brinquinhos bonitinhos na lata do lixo, viu? No dia em que for moda usar uma argola somente numa das orelhas - feito pirata-, terei muitas opções. Enquanto isso, sigo jogando fora brincos que me são muito queridos,mas que já não cumprem o seu papel. 

De todos os brincos que perdi, as perolazinhas da 25 de março foram os que mais lamentei. Passei uns dois dias revirando a casa atrás delas.Depois tive de me conformar. Fazer o quê? Perdeu, perdeu. Obviamente, eu poderia voltar na lojinha em que comprei as pérolas. Seria engraçado ver novamente o vendedor da 25 de março que reconfigurou minha percepção acerca do modo como pronuncio a palavra " merda". Disse esse vendedor simpático que o povo do Rio de Janeiro diz merrrrrda com mais gosto e mais marra por causa do jeito como pronunciamos esse " r". e eu, de vez em quando, me pego a dizer esse merda cheio de sabor.Eu também poderia comprar outras pérolas de mentira em qualquer camelô ou lojinha de bijuteria perto de casa. Seria ainda mais barato, porque, afinal, economizar com passagem de avião ou ônibus é sempre bom,né?

Mas eu não comprei novas pérolas. Eu as reencontrei. Sim, elas não estavam perdidas; estavam muito bem - guardadas, quase escondidas. E eu fiquei toda  feliz ao revê-las, e ainda mais feliz ao colocá-las na orelha. Há semanas que elas estão aqui presas nas laterais da minha cabeça. Daqui só saem quando não tenho opção. Nessas ocasiões, elas cedem lugar ao brincos grandões e argolas levinhas que combinam bem mais com as proporções do meu corpo. Porém trato de acomodá-las em algum lugar seguro o suficiente, do qual não poderão escapar sozinhas.

Ora, mas o que têm de tão especial pérolas adquiridas por modestos 5 reais numa lojinha da 25 de março? Essas perolazinhas são especiais, têm um diferencial: trazem o consigo o poder de carregar consigo lembranças boas de dias extraordinariamente bons. Não tenho certeza, mas acho que elas estavam nas minhas orelhas no dia 12 de junho do ano passado, o melhor dia dos namorados que já tive. Causa uma certa estranheza quando digo que passei de 12 de junho de 2010 comendo pizza e batendo perna numa rua cujas lojas estavam fechadas com uma amiga. Pois é,  lojas e pizzas serão lojas e pizzas sempre. As lojas da Oscar Freire e a pizza  marguerita ( a melhor pizza de marguerita do mundo) da cantina do Bexiga continuam no mesmo lugar, no entanto Jaqueline e eu nunca mais poderemos voltar àquela noite  em que nos divertimos feito criança, deslumbradas com a vizinhaça do nosso hotel, com os pés ardendo depois  de percorrer meia cidade ao longo do dia, com a barriga doendo de tanto rir da análise apurada acerca dos casais que sentaram  perto da gente enquanto comíamos a melhor pizza marguerita existente ( gente, não é exagero!).Como não podemos voltar no tempo, as perolazinhas servem pra me lembrar de que aqueles dias de junho exisitiram.

3 comentários:

Cíntia Mara disse...

Ju, eu te entendo perfeitamente, viu! Posso ter centenas de brincos, colares, pulseiras e etc, mas sei onde e quando comprei a maioria deles. Vários tem significados especiais, nem uso tanto, mas estão guardadinhos :-)

Falando nisso, lembro de Curitiba toda vez que uso o colar que você me deu, rs.

Lia disse...

Juuuuuuuuu doce feito algodão doce!!!! ^^

Adorei... que coisa fofa!

Maeve Rêgo disse...

e eu gosto muito das argolas grandes. Mas tenho essa amiga que quando nos abraçamos quase sempre fico sem orelhas. Passou a ser piadinha interna: "abraço de perder argolas"


hoje eu -tmb- adoro brinquinhos de pérolas

^^