segunda-feira, 13 de junho de 2011

" Danço eu , dança você"

" A solidão é a profundeza última da condição humana. (...) O homem é nostalgia e busca de comunhão. Por isso, cada vez que sente a si mesmo, sente-se como carência do outro. (...) Estamos condenados  a viver sozinhos,mas também condenados a ultrapassar a nossa solidão (...), que é  a própria condição da nossa vida. Ela [a solidão] surge pra nós como uma prova e uma purgação, ao fim da qual a angústia e a instabilidade desaparecerão.
(...) 
Pedimos ao amor - que, sendo desejo, é fome de comunhão, fome de cair e morrer tanto quanto de renascer - que nos dê um pedaço da verdadeira vida, da morte verdadeira. Não lhe pedimos a felicidade, nem o repouso, mas sim um instante, apenas um instante, e vida plena, em que os contrários  se fundam, e vida e morte, tempo e eternidade compactuem."

( Trecho de A Dialética da Solidão, de Octavio Paz)


***


"Solidão é lava que cobre tudo"
(Verso de  Dança da Solidão)

Um comentário:

Peterson Quadros disse...

Ju,
Que pérola foi o seu texto. Muito além dos brincos que se perdem, gostei da história, do encontro, da relação com São Paulo, das lembranças que emanam dos objetos.
Sobre a dialética da solidão, tenho um outro olhar, que me foi apurado não por Octavio Paz, mas sim por Heidegger. Ele coloca a angústia como condição única do ser poder realmente se conhecer. Bom, obrigado pelos textos e uma semana feliz!