quinta-feira, 28 de julho de 2011


Eu tenho 27 anos, vocês sabem. Tinha medo dos 27 – um medo infundado, vindo lá de umas lembranças engraçadas da infância-, mas o medo virou pó no instante em que descobri que cada qual tem a sua história, e a minha tem sido tão animada ultimamente, essencialmente porque assim eu tenho querido que seja. Dar um jeito de se divertir é uma escolha, e talvez eu seja mais leve do que imagino.

Dia desses, minha dentista me perguntou quantos anos eu tinha. Acabei de fazer 27, respondo. Daí ela me diz que tenho cara e sorriso de menina e contorce a cara com o peso dos 27. Você parece ter menos, ela acrescenta. Eu não disse pra ela, mas bem que pensei: tudo bem ter 27, 37, 47, 67, de preferência chegar aos 97. Eu gosto de ter nascido no inverno de 1984. Eu gosto de ter tido 17 anos em 2001.Em 2001, eu ia pra escola,  tinha todas as crises do mundo, me achava apavorantemente feia, tinha um amor que nem sabia que era de verdade e era apaixonada por um calouro do Raul Gil.

Dias atrás, minha amiga me ligou pra fazer convite : ô, Juju, vamos no show do André Leono. Nem hesitei. Quando eu tinha 17, André Leono era o segundo homem dos meus sonhos (só não era o primeiro colocado no ranking de homens dos meus sonhos porque esse lugar já era ocupado por David Duchovny. Ai!) e a razão de eu querer ir pra escola nas segundas- feiras estava diretamente ligada ao fato de que todas as minhas amigas também assistiam ao Raul Gil e todas suspiravam violentamente pelo moço. Segunda- feira era o dia de discutir  a performance do nosso cantor favorito.

Ontem, dez anos depois, estive no show do moço. Claro que eu tinha certeza de que seria legal. Minhas amigas estavam lá – uma que também teve 17 em 2001, outra que ficou toda feliz  em saber que outras moças do mundo suspiravam  feito ela, até eu, que ela nem sabia que existia naquela época - , tinha pastel bom, é julho, estou de férias. Então, eis que o André  entra no palco, começa a cantar e nossos corações  disparam violentamente.  Minutos depois, ele – com sua voz que ainda é linda – começa a cantar a música da época “em que nós conhecemos” (palavras dele! Ai!) e  os corações que estiveram disparados minutos antes, agora já pulsam todos em algum lugar pra além do limite espacial dos nossos corpos. Sonho realizado. A menina de 17 anos que fui desejou  tanto  ver o André de pertinho.  Era aquela menina quem estava lá ontem, recebendo de presente das mãos dessa Juliana de 27 a satisfação de um desejo que sempre foi das duas.

Bem, eu já estive no show do Gilberto Gil – meu amor maior-, ando desdenhando da Maria Rita porque não agüento mais  Samba Meu, já estive pertinho do Herbert Viana ( um pertinho meio longe, mas tá valendo), mas ontem , ai, ontem... Sabe o que é querer muito uma coisa, daí depois esquecer, ter outros sonhos, realizá-los e de repente se ver diante daquele sonho antigo, mais simples do que os outros que você  até  já realizou e ser tão  feliz por causa dele? É mais ou menos por aí.

Ontem, eu  estive toda feliz porque tenho 27 e porque tive 17.

Ai, gente, eu até tirei uma foto com o André. =)

Sus- pi- ros.

4 comentários:

mila disse...

E kd a foto? Posta!!!

Luciana Nepomuceno disse...

você é linda.

E kd a foto? Posta!!(2)

Fabiane Ariello disse...

Que bonitinha!! :D

Lia disse...

Nosssa Ju, que texto lindo!!!! Adorei,essa comparação das idades.

bjs