domingo, 25 de setembro de 2011

Com o amor nas mãos

Dessa vez, vou trapacear um pouquinho. Quando fui checar que item deveria postar hoje, o primeiro livro que veio à minha cabeça foi Nas tuas mãos, da Inês Pedrosa. Foi com certeza o melhor livro que li nos últimos tempos - pelo menos, o livro mais bonito, delicado, bem-escrito que li em muitos e muitos meses. No entanto, o meme é bem específico: tenho que apontar o melhor livro que li NESTE ANO. Daí que fui checar as datas e descobri que li Nas tuas mãos ano passado. Ah, mas quer saber, burlarei as regras desse meme que só me dá dor de cabeça e faz com que eu me sinta meio burrinha, tá! 



Agora que infringi as leis do meme, devo admitir que foi um crime em vão porque não sei escrever sobre Nas tuas mãos. Não sei escrever, não sei falar, nem balbuciar. Nas tuas mãos é um livro que só sei sentir  e sentir. Conheço cada umas das impressões que as palavras da Inês deixaram em mim, posso reviver o sem -fim de sentimentos que as imagens lindas provocaram, ainda tenho medo de me reconhecer no discurso das cartas da Natália. Em noites solitárias, vou lá reler o diário da Jenny. Em horas de melancolia, retorno ao mais bonito álbum de fotografias que posso imaginar e tento não temer o destino dos amores da Camila.

Inês Pedrosa é portuguesa e, se bem me lembro das maravilhosas aulas sobre a literatura de Portugal que tive na faculdade, escrever sobre a história de indivíduos portugueses é também um exercício para a compreensão da história do país. Lá estão, portanto, nos discursos, nos corpos e nas histórias das personagens a ditadura, as guerras coloniais, a África, os cravos de abril, a modernidade fascinante e repulsiva.

Nas tuas mãos é um livro sobre o amor, um livro cheio de amor. Amores fraternais, maternais, não ortodoxos. Amores que não negam sua semelhança com ódio, que não perdoam, que morrem sob a luz e a força de raios celestes. Sobretudo, esse é um livro sobre pessoas que aprendem uma dolorosa lição: é da natureza do amor ser incontrolável.

Sei bem que lágrimas são uma medida inexata para se avaliar a qualidade de um livro, mas cabe registrar que , em diversos pontos da leitura, precisei parar porque os óculos ficavam salgados e embaçados. As lágrimas brotavam porque as histórias de Jenny, Camila e Natália são lindas e também porque a escrita da Inês é de arrancar o ar do pulmões.

A Fabiane uma vez deixou um comentário aqui no blog dizendo que  Inês Pedrosa é amor. Definição perfeita, Fabi. 

***











Nenhum comentário: