quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Combo: lágrimas e risadas

Faltou tempo ontem, então hoje  serão dois livros em um post : o primeiro que me fez chorar e aquele que me faz rir.

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Eu achava que não saberia dizer qual foi o primeiro livro que me fez chorar, mas aí eu fui na Bienal e esbarrei com o tal que me fez desidratar severamente durante dia e dias, lá nos finais dos anos 90. Conhecem o Pedro Bandeira? Conhecem a Isabel e o Fernando? Conhecem A Marca de um Lágrima?



Segundo uma pesquisa realizada por mim mesma, tendo como público as minhas amigas, dez em cada dez pessoas que hoje estão na faixa dos 20 leram ( choraram com) A Marca de uma Lágrima. Dez em cada dez (mais uma vez, considerando  as minhas entrevistadas) se apaixonaram pelo Fernando. Uma em cada dez, tinha certeza de que Isabel era ela. Isabel era eu, sabe. Que nem Madame Bovary era o Flaubert. Simples assim!

O enredo: Isabel é uma cdf que se acha feia e escreve coisas bonitas. Ela tem uma amiga gata, a Rosana. Ambas, Isabel e Rosana, se apaixonam pelo primo gato da Isabel, o Cristiano. Acreditando piamente que não tem a menor chance com o primo gato, Isabel escreve lindas dramáticas e açucaradas  cartas de amor para o Cristiano, para que a Rosana assine e entregue como se fossem dela. Tão reconhecendo essa história de algum lugar? É isso mesmo, vocês têm razão, Pedro Bandeira brinca de reinventar Cyrano de Bergerac.

Por que eu chorava?  Precisa explicar? Quem aos 13 anos não teve uma paixão não correspondida? Quem aos 13 anos não escrevia poemas de amor? Quem aos 13 anos não se acha feiosa? ( Eu sempre me lembro disso quando vejo minhas alunas chegarem na escola, às 7h da manhã,com 5 quilos de maquiagem na cara).

Meu exemplar também não mora mais na minha estante. Dei de presente pra minha afilhada quando ela tinha 13 anos. Nem preciso dizer o que aconteceu depois que ela leu, né?

P.S.: Eu não me  esqueci de falar do Fernando, não! É que pra conhecer ( e se apaixonar por ) Fernando tem que ler o livro. Ou ter 13 anos outra vez.

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Vamos à segunda parte do combo: o livro que me faz rir.

Vale falar do livro que estou lendo? Comprei anteontem na Bienal, por uma pechincha ( esse já é um motivo pra eu dar risadas), e vim no ônibus me segurando pra não morrer de rir: A Palavra que Veio do Sul, da Lívia García- Roza.


Já tinha lido um livro e um conto da Lívia antes; ambos me deixaram encantada e risonha. Prometi que leria tudo da Lívia a partir de então, daí  não pude deixar de trazer pra casa o romance narrado por uma menina cuja mãe astróloga e arrasada por uma paixão virtual e o pai deslumbrado disputam sua guarda na justiça. Estão lá solidão, amor, insegurança, instabilidade, a dor de crescer. E também um personagem lindo, pelo qual já estou apaixonada, o seu Wanderley. Quando terminar de ler, eu falo mais do seu Wanderley e do livro.

" Quando ela acordar vou perguntar se foi Urano que cruzou a nossa casa.Uma vez tivemos que sair correndo porque ele ia passar. Seu Wanderley estava lá. Sempre vem se consultar.Nesse dia, tive que dizer: vem, seu Wanderley... Urano vai derrubar tudo! Parece que são trombadas e mais trombadas, as nuvens se embolam e saltam  sobre o arco- íris até as cores se apagarem  num ponto escuro do céu."


3 comentários:

Palavras Vagabundas disse...

Ju,
obrigado pelo texto!
Espero que tenha se saido melhor que eu na Bienal, eu sai falida, rs
bjs
Jussara

Cíntia Mara disse...

Ain, A Marca de Uma Lágrima é tão lindinho.
Você foi à Bienal na quarta, né? Nem pra me avisar, eu também fui :|
Nunca ouvi falar dessa Lívia, mas gostei da dica.

Bjos

Felipe Fagundes disse...

Mais um consenso entre nós, eu também adorei "A Marca de uma Lágrima". Mas é óbvio que não foi o romance que me fisgou no livro (muito menos o tal do Fernando ¬¬) e sim a parte do mistério de quem tinha matado a mulher. E aquele negócio de "Linamarina" me deixou doido rs