segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Holiday book ( ou seja lá o que isso signifique...)

Confesso: tô enjoando desse meme, viu? Ô, trocinho trabalhoso, mas vamu lá.

Outra categoria que meu inglês incrível não alcança: Holiday Book. Pra não me perder nessa empreitada memística, sigo me guiando pelas respostas da Rita.

O livro que vou citar como aquele pra se ler num feriadão prolongado, deitada na rede, aos sons de passarinhos ( ai, que saudade que  me deu da " minha" varanda em Búzios... Já posso me teletransportar?) também poderia ser o que mais reli e aquele que é um guilty pleasure ( ah, prazer culpado , eu sei o que é! Oba). Cês já ouviram falar de A Canção do Mar, do Pat Conroy?



A primeira vez que esbarrei nesse livro foi lá pelos 9  anos de idade, nos tempos em que minha mãe assinava o Círculo do Livro. Eu bem sabia que os livros que eu podia comprar estavam na sessão infantojuvenil, mas o que eu queria mesmo era ler os livros de gente grande. Na leva dos livros cobiçados, estavam O Evangelho Segundo Jesus Cristo, do Saramago, e o Canção. Nessa época, eu fiz uma peça na escola sobre a Páscoa e todo uma série de dúvidas religiosas nasceram dali. Eu queria entender direitinho como era aquele negócio de morrer e ressuscitar. Minha mãe me deu , então, um daqueles Novos Testamentos com linguagem mais acessível distribuídos por missionários. Obviamente não entendi metade do que estava escrito lá, mas foi assim que eu passei a me interessar pelas questões espirituais. Ah, sim ,tá, mas o que é que isso tem a ver com o Canção do Mar? Explico: o resuminho que aparecia na revista dizia que o livro contava a história de uma rapaz católico cuja  esposa judia havia se matado. Pra se recuperar da perda, o cara vai pra Itália e aprende a refazer todo o seu destino. Ou seja: tinha judeu, tinha católico,logo interessava pras minhas incursões pelo mundo das religiões. Somente  uns 10 anos mais tarde, fui descobrir que o livro que eu cobiçava era um grande dramalhão.

Canção do Mar não é um primor. Tem  todos os clichês do mundo, a começar pelo católico casado com a judia.Tem amor entre melhores amigos, fuzileiro naval hipócrita, rapaz disfarçado de padre, Segunda Suerra Mundial, Auschwitz, Vietnã, político conservador corrupto, crise de meia idade, criança prodígio. Tudo no melhor estilo Sidney Sheldon mandou lembranças. É dramalhão mesmo. Toda uma vibe The O.C. Cês viam The O.C.? Eu AMAVA. Enfim, mas voltemos. É isso: Canção do Mar não é uma obra prima, mas tem o Jack. Ah, meu querido Jack!

Pois é, o narrador e protagonista do livro é o meu grande amigo de infância, Jack McCall. Gente, eu realmente me tornei amiga do cara. Esse livro veio parar na minha mão numa época difícil, no auge das crises de ansiedade, e Jack se tornou o melhor amigo que eu podia ter. Ele sentia tudo o que eu também sentia. Claro que nenhum amigo meu protestava contra o Vietnã, nem meu pai me espancava na infância, mas eu entendia a profunda solidão que Jack carregava consigo. Jack era ( e sempre será) o meu bff.

Pra vocês terem uma noção do meu grau de envolvimento com o livro, durante um tempo, cismei que um rapaz que estudava comigo tinha a mesma cara do Jack. O menino era aluno de filosofia,  tinha todo um visual meio década de setenta e ... não há argumentos lógicos pra minha obsessão. Quando bati o olho no cara, achei que Jack tinha se materializado  pra bater papo comigo. Também pudera, eu lia o danado do livro feito uma louca dia e noite, nos intervalos da aulas, no ônibus. Bem,acho que é melhor mudar de assunto. Daqui a pouco, vocês vão achar que ,num belo dia de novembro, ataquei o cara, contratei um empalhador e coloquei o corpo do meu colega de turma aqui bem ao lado do meu computador,né? Não se preocupem! Nunca nem cumprimentei o sósia do Jack. Acho que nunca nem ouvi a voz dele, porque, ô, pessoa calada! Ficava sempre no fundo da sala, lendo algum daqueles livros chiques que o povo da filosofia lê. E eu no meu cantinho, lendo furiosamente o meu Canção do Mar.

P.S.: Sinto que esse post tá muito bem redigido ( #not), mas deem um desconto, por favor! Foi difícil vencer a preguiça.


Um comentário:

Palavras Vagabundas disse...

Com tanto clichê junto me deu vontade de ler, rs
bjs
Jussara