sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A favorita

Hoje é dia do autor favorito. Fácil. Margaret Atwood.

Difícil é escolher o meu favorito dela. Bem, não que eu tenha lido todos os livros que a Margaret escreveu. É que os três que li são tão fantásticos, me tocaram tanto que  fico com a certeza  de que ela é a melhor, sabe? A MELHOR.

Lá em 2001, numa época em que  eu frequentava  o sebo mixuruca aqui de Nova Iguaçu, encontrei Olho de Gato e A Vida antes do Homem à venda por 2 reais cada. Comprei porque estava barato e as capas eram lindas. Acabei conhecendo a minha querida Lesje - minha melhor amiga ficcional. Conhecer Lesje em 2001, quando eu ainda era adolescente, me fez entender a mulher que eu sou hoje. Lesje antevia a adulta de mentira que eu seria.  Lesje é o meu consolo. Ainda nessa época, também conheci a Elaine e algo me diz que,daqui a alguns anos, entenderei perfeitamente tudo o que ela sentia.Porém, a mulher da Margaret que mais me comoveu, pela qual mais torci, pela qual ainda torço é a Offred. Eu lia a história dela e repetia o mantra " Espero que ela esteja bem. Só isso." Porque a sobrevivência de Offred é a sobrevivência de todas nós, eu acho.

Vocês estranharam o nome da Offred? Pois deveriam porque Offred não é nome. Tudo o que  eu queria era saber o nome dela. Acho que vocês também deveriam querer saber o nome dela. Todo mundo deveria ler cada linhazinha de O Conto da Aia.  Prometem que vão ler um dia?




Como resumos não são a minha praia, peguei  um emprestado deste site:

"A história de 'O Conto da Aia', da canadense Margaret Atwood, passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes – tudo foi queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito à defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no Muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Para merecer esse destino, não é preciso fazer muita coisa – basta, por exemplo, cantar qualquer canção que contenha palavras proibidas pelo regime, como 'liberdade'. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead. (...) 


As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado – há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Uma catástrofe nuclear tornou estéril grande parte das pessoas, de modo que as mulheres férteis agora são preciosidades. Transformadas em aias, elas são entregues a algum homem casado do alto escalão do exército e obrigadas a fazer sexo com eles até engravidar. Portanto, a cada mês, menstruar é fracassar. E quando elas engravidam, dão à luz e amamentam a criança por alguns meses, sendo que o bebê é propriedade do casal que as escravizou. Após o período de amamentação, elas são entregues a outro homem e passam pelo mesmo martírio novamente, agora com outro nome; Offred é "of Fred" - "de Fred", "pertencente ao homem chamado Fred". Ao longo da vida, uma aia pode ter vários donos e, portanto, vários nomes: Ofglen, Ofcharles, Ofwayne..

Continua aqui.


Agora, com a palavra, Offred:


" Estou em desgraça, o que é o oposto de graça. Deveria me sentir pior quanto a isso. Mas me sinto serena, em paz, impregnada de indiferença.Não permita que os bastardos reduzam você a cinzas. Repito isso pra mim mesma, mas não me transmite nada. Seria a mesma coisa que você dizer: Que não haja ar; ou: Não seja."

Um comentário:

Aline M. Gomes disse...

Como "conheci" ela apenas este ano quero ler mais para ter 1 opinião mais bem fundada. Mas com certeza qdo lembro do conto da aia, tenho calafrios.