segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia D

Vi na tevê - e depois no blog da minha xará - que o  Instituto Moreira Salles decidiu fazer um evento para comemorar o aniversário do meu, do seu, do nosso Drummond ( quem não gosta do Drummond é... feio =p). Se ele fosse vivo, teria 109 anos, e eu juro que daria um jeito de caçá-lo onde estivesse só pra dizer : " Que bom que eu falo português e posso te ler". O IMS instituiu que hoje, 31 de outubro, é o Dia D, D de Drummond,e propôs que as pessoas desse mundão gravassem vídeos recitando algum poema do Carlos e enviasse pra lá pro site deles.

Eu, a pior  recitadora de poemas que já pisou no planeta ( como vocês poderão perceber no vídeo abaixo, não estou fazendo charme), fiquei acanhada de enviar vídeo pro site do IMS, então decidi que vou comemorar o aniversário do nosso Drummond por aqui no Fina Flor mesmo. Cês perdoem o meu não talento pra ler em voz alta  qualquer  coisa que seja, ouçam  o poema que escolhi e entrem na brincadeira também.





quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Você me estendia a mão, e eu percorria com o indicador cada uma das linhas da palma; linhas tão diferentes das minhas: longas, vermelhas, vincadas. Eu olhava sua palma e sabia que a mão era sua, reconhecia os pelos dos seus braços. Mais que isso: tocava aquele pedaço da sua pele como quem conquista territórios.

Há anos, em noites espaçadas, você está nos meus sonhos. Já tocou no meu cabelo e sorriu, já foi embora num trem, já morreu e me fez acordar chorando. Os sonhos dos quais você faz parte são sempre vívidos. Neles, sei da sua presença porque ela tem cheiro e textura – é uma presença tão forte que me confunde depois que acordo. Será que sonhei ou estou lembrando?

É sempre sonho. Das lembranças suas que trago comigo, nenhuma corresponde à mão que você me estendeu. A bem da verdade, mal trago lembranças. Você simplesmente se infiltra no meu cérebro, e eu me vejo obrigada a reinventar os símbolos e sinais que te cercam para que seja sempre um prazer reencontrá-lo.  Até breve.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Crianças estranhas

Meus alunos do sexto ano são muito esquisitos. E eu, pessoa normal que sou, levei muito tempo pra entendê-los. Nossas aulas não estavam funcionando, e eu ficando desesperada, duvidando da minha capacidade, querendo me jogar do alto de uma ponte. Daí que comecei a sacar qual é a desse povo do sexto ano: eles querem é exercício pesado, questões hard, tudo o que tiver de mais difícil nesse mundo da gramática.

Essas crianças são meio tradicionais, viu? Não querem saber de aula animada, de jogos, de professora explicando exercício. Sabe o que funciona com eles? Páginas e páginas de exercícios difíceis, acompanhadas da promessa de um teste. Juro! Não estou sendo irônica. As aulas começaram a dar certo depois que adotei o sistema " matéria hoje, teste amanhã". Meu colega de Ciências já havia sacado que o método daria certo, então deu a dica pros outros professores. Eu acreditei nele e tô me dando bem.

Obviamente, o que chamamos de teste não é teste. Dou os exercícios, explico bem rapidinho ( eles gostam é de descobrir sozinhos como é que se faz), eles fazem as questões, eu corrijo e passo teste em dupla com consulta e com direito a tirar dúvida com a professora. Isso não é teste,né, vocês e eu sabemos disso, mas meus alunos acreditam piamente que estão sendo avaliados e se jogam na atividade.  O que me deixa mais besta é  que TODOS sentam e fazem a atividade. Não preciso me preocupar em dividir as duplas, em mandar os mais bagunceiros sentarem, a paz reina nos dias dos testes.  E acreditem em mim: o menino mais chato, encrenqueiro e pirracento é sempre o primeiro a acabar. Melhor ainda: ele fica atrás dos colegas, enchendo o  saco, colocando pressão e, de quebra, dando uma ajudinha.

O negócio é tão sério ao ponto de uma das alunas dar gritinhos e saltinhos quando aviso que é teste. Hoje perguntei pra ela a razão de tanta felicidade ao ouvir a palavra " teste" e obtive a seguinte resposta: " Eu  amo teste, professora!". A carinha dela ao pronunciar essas palavras foi a mesma  que a  Dona Florinda faz quando vê o Professor Girafales. Juro.

P.S.: Quando eu era aluna, a palavra " teste" me dava dor de barriga.



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cronópios:esse é o meu clube


 Faça como se estivesse em sua casa

"UMA ESPERANÇA construiu uma casa e colocou-lhe um azulejo que dizia: Bem-vindos os que chegam a este lar.
Um fama construiu uma casa e não colocou azulejo nenhum.
Um cronópio construiu uma casa e seguindo o hábito colocou no vestíbulo diversos azulejos que comprou ou mandou fabricar. Os azulejos eram dispostos de maneira a que se pudesse lê-los em ordem. O primeiro dizia: Bem-vindos os que chegam a este lar. O segundo dizia: A Casa é pequena mas o coração é grande. O terceiro dizia: A presença do hóspede é suave como a relva. O quarto dizia: Somos pobres de verdade, mas não de vontade. O quinto dizia: Este cartaz anula todos os anteriores. Se manda, cachorro."


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A foto saiu fora de foco

"Um cronópio vai abrir a porta da rua e ao enfiar a mão no bolso para pegar a chave que tira é uma caixa de fósforos; então este cronópio fica muito aflito e começa a pensar que se em vez da chave ele encontra os fósforos, seria terrível que o mundo se houvesse deslocado de repente, e então se os fósforos estão no lugar da chave, pode acontecer que ele ache a carteira de dinheiro cheia de fósforos, e o açucareiro cheio de dinheiro, e o piano cheio de açúcar, e o catálogo do telefone cheio de música, e o armário cheio de assinantes, e a cama cheia de roupas, e as jarras cheias de lençóis, e os bondes cheios de rosas, e os campos cheios de bondes. Assim este cronópio fica horrívelmente aflito e corre para se olhar no espelho, mas como o espelho está um pouco de lado, o que ele enxerga é o portaguarda-chuvas do vestíbulo, e suas desconfianças se confimam e ele desata a soluçar, cai de joelhos e junta suas mãozinhas nem sabe para que. Os famas vizinhos acodem para consolá-lo, e também as esperanças, mas passa-se muito tempo antes de que o cronópio saia de seu desespero e aceite uma xícara de chá, que olha e examina muito antes de beber, não vá acontecer em lugar de uma xícara de chá seja um formigueiro ou um livro de Samuel Smiles."





(Julio CortázarHistórias de Cronópios e Famastrad. de Glória Rodriguez. RJ: Civilização Brasileira, 1983)







Cês já leram Histórias de Cronópios e  Famas? Leiam agora, leiam já. 



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O dia de hoje esteve abafado e pegajoso. E eu sentada no quarto, diante do notebook, sentindo umas gotinhas  de suor crescendo no meio das costas. Eis que em algum momento me lembro daquele degrauzinho da porta de entrada , tão perfeito pra se sentar. A casa em que moro tem um daqueles quintais grandes e arejados e  um pé de acerola enorme impede que sol escalde o chão. A tarde pode ser das mais abafadas, que não tem problemas,  meu quintal não tá nem aí. Ele é sempre fresco.

Desde que comprei o notebook, tinha  por hábito  levá-lo pro degrau da porta ( pra desespero da minha vó. Ela diz  que quem senta no batente da porta da rua recebe tudo de ruim que vem de fora. Se houver mesmo esse tudo de ruim, prefiro acreditar que ele bate em mim e se  dissipa - ou vira coisa boa.). Quando Spock veio morar aqui em casa, tive de desaprender esse hábito porque meu cachorrinho não dava paz. Ele roía o cabo do note, roubava o modem do 3g e escondia no meio das cobertas dele, achava que dava pra colocar aquelas suas patinhas de leão no teclado. Era um inferno. Ou eu tomava a  fresca , ou tomava conta do Spock. Preferi ajeitar a mesa no quarto e ficar sempre aqui, especialmente agora que não tenho 3g nem roteador. Aprendi o hábito da mesa, da cadeira, do quarto.

Mas hoje me deu vontade de sentar no batente, então peguei o note e  sentei. Um ventinho simpático veio confirmar a minha teoria de que meu quintal é um tanto especial. Fiquei um tempo digitando, digitando, até que bateu a saudade. E eu ,que nunca achei que ser possível sentir saudade de cachorro, morri de saudades. Eu quis, hoje à tarde, que o meu Spockinho estivesse por perto pra roer meu chinelo novo ou bater aquelas patonas na tela do notebook. Queria vê-lo correndo pelo quintal atrás de galhos de planta como se fossem monstros perigosíssimos. Queria  dizer, inultimente, pra ele que, se puxasse o cabo do notebook mais uma vez, eu iria prendê-lo na varanda. 

Trocava fácil a fresca do degrau pelas mordidinhas do meu cachorrinho mais gatinho!

domingo, 23 de outubro de 2011

Não existe amor pra mim

É a essa conclusão que chego. E chego a ela porque cansei de acreditar que as coisas bonitas dos filmes, que os suspiros bonitos dos livros , que as músicas de amor foram feitas para mim. Não, não há amor pra mim. Existe pra uns. Tem gente que diz saber o que é amor; eu acredito nelas. Tem gente que diz não saber, e eu também acredito nelas. Porque, de fato, há a categoria dos não amáveis, dos não amantes; eu pertenço a ela. Pra nós, aqueles pra quem não existe amor, o amor nunca vem. Pois é, não virá!

Tenho vontade de fazer uma circular, avisando para cada um dos não amantes que é melhor desistir. Não, meu bem, não vai vir. O amor não vai aparecer por mágica, não vai  tropeçar em você num dia de chuva, não vai estender a mão quando você passar distraído. Não, o amor não virá.

Já é tarde, feche sua janela, deite-se, mas não chore. Não vale a pena.

***
A Zizi está ERRADA:


Quero virar estrela também







Tô aprendendo a me apaixonar pela Bethânia. Deusdocéu.


sábado, 22 de outubro de 2011

Da série  Músicas para rasgar o peito  com elegância.

 Chorar em companhia da Luiza é mais legal:



Adele é o melhor lugar- comum  que existe:


Closer é uma desgraça, né? E essa música também:




Aceito sugestões.




Minha Clarice

Gosto ainda mais dela quando apoio suas páginas  no meu travesseiro e ouço a voz que inventei pra ela dizendo:

" Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então, são lágrimas suaves, de uma tristeza legítima à qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto de nossa dor mais profunda." ( Quando chorar em A Descoberta do Mundo)

Todo mundo diz isso, mas eu só ouço a minha Clarice tão querida.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

" No corpo nu da constelação"


"When was the last time you thought of me?
Or have you completely erased me from your memory?
I often think about where I went wrong,
The more I do, the less I know"







" Ao vento frio
De um lugar qualquer"



Adam e público cantando em uma só voz me fazem sorrir.

"Fingers trace your every outline

Paint a picture with my hands
And back and forth we sway
Like branches in a storm
Change of weather
Still together when it ends"
( sunday morning)

Juliana ' s Anatomy

Acho que a vida só faz mesmo um pouco de sentido  quando se tem uma amiga que sabe exatamente o que você quer dizer com " não quero encontrar ninguém", que sente a mesma  necessidade  que você de usar o mesmo brinco por semanas  a fio e te empresta música pra trilha sonora das crises que você não quer explicar.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Escandalosamente



Roubei do facebook do André. Ele deve ter roubado de alguém.

E quando a coisa mais legal que você faz  é pegar a sombra preta brilhosa da prima e fazer uma máscara dos Incríveis?

( E depois descobre que não tem demaquilante)

***


Mentira! A coisa mais legal que eu fiz  hoje foi  ouvir o coração do meu mais novo parente através de um aparelho de ultrassom. Teoricamente, eu deveria ter visto a cara, os pés e o pênis do menino, mas, convenhamos, quem além dos pais  e do médico consegue ver alguma coisa na ultrassonografia? Se o médico diz que tem uma criança ali, eu acredito e ponto. Quase uma questão de fé.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Como nascem os bebês


Minha prima vai ter um bebê, vocês sabem. A espera por um bebê causa muita comoção em todos que cercam o casal que fez a criança.  Vinícius tem sido um assunto e tanto nos últimos tempos. Um dos que andam mais interessados no bebê que está por vir é o afilhadinho de 4 anos da minha prima, um menino muito engraçado, dono de uma voz absurdamente deliciosa de se ouvir. Dia desses, ele nos presenteou com o melhor relato de um parto que eu já vi. Saca só.

Toda vez que o menino vê minha prima arrumada pra sair , ele pergunta: “ Tia, você vai tirar o Vinícius?” Numa dessas vezes, ele explicou que as crianças nascem assim: o  médico pega uma tesoura bem grande, corta a barriga da mãe, tira o bebê, que sai todo sujo lá de dentro. Aí, o médico limpa o neném com várias toalhinhas , ele fica limpinho e pode ir pra casa. Muito simples!

Sempre que ouço esse relato fico preocupada com o tamanho da tesoura. O que seria uma tesoura bem grande? A tesoura, porém, não parece preocupar o afilhadinho da minha prima. Ele está mesmo interessado nas várias toalhinhas e deixa a dica: “ Tia, não esquece de comprar várias toalhinhas senão o neném vai ficar sujo”. Tão ouvindo, futuras mamães?  Suponho que minha prima já tenha colocado esse item na listinha de coisas fundamentais pra sobrevivência do bebê. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Hoje. No refeitório.Eu ia passando pela fila dos alunos do sexto ano, quando uma delas me enlaçou pela cintura, encostou a cabeça no meu ombro, suspirou: " Ai, professora!". Fui pega de surpresa, mas devolvi o gesto na medida que aquele suspirinho pedia. Passei a mão no cabelo dela e quis saber o porquê de tanto desamparo. 

" Cólica, professora!".  Não era só cólica, eu sei. Eu queria  que essas crianças fossem personagens do conto de fadas que eu escreveria  se pudesse. Todas as tramas seriam felizes.



E confesso: queria ser igualzinha a minha aluna. Eu, agora, também laçaria um abraço pra mim. Sou bem menos corajosa.





Chego na dentista e ouço: " Juliana, esse tempo tá ótimo pra extrair um siso."

(O tempo ao qual a dentista se referiu é esse de chuva gelada e nuvens  escondendo o céu. Estamos sem céu nesse momento no Rio de Janeiro.)

Eu respondo: " Não, não. Eu tenho que me preparar pra arrancar dente. Não é horrível, mas também não é assim, chegar e arrancar."

Dentista devolve: " Ah, mas você nem sofreu tanto assim. Você até foi lá ver o Drummond naquela semana."

Explico: na semana em que arranquei o siso ( quatro dias depois), fui passear com as minhas amigas paulistas por Copacabana. Elas tiraram aquelas tradicionais fotos com a estátua do Drummond , fotos essas que  foram devidamente postadas no meu facebook. Minha dentista está no meu facebook.

Vou abandonar o facebook AGORA. Como é que vou continuar fazendo drama pra dentista? Como?

domingo, 16 de outubro de 2011

O filme é uma bobagem sem tamanho, Mallu Magalhães me dá um soninho, mas eu bem gostei dessa daqui:


Para e olha pra mim
Para e deixa pra lá
Deixa eu entrar em você por algum olhar
Deixa eu gostar de você
Teus medos posso curar
Deixa eu levar tua vida pra outro lugar
Para e olha pra mim
Vê que já basta olhar
Deixa eu plantar um carinho no teu peito inquieto

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Bauzinho

Abri devagarinho o baú das memórias amadas e doídas. Pra espantar o medo, me armo de desejo. Estendo meus dedos delicadamente e toco o  corpo suave do passado. Meus dedos tremem ; nunca foram dedos muito firmes, coitados. O ar aperta pesado os músculos que expandem o meu peito. Tudo dói de tão cheio. Mas eu prefiro assim.

Cansei do vazio.  Quero me apoderar de mim, deslizar desejosamente pra dentro e tomar posse do que é meu, só meu. Devagar e pra sempre.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011



Hoje  é dia de uma porção de coisas; dentre elas, aniversário do Cristo Redentor. A Globo encheu  o saco  com essa comemoração. A semana inteira anunciaram-se shows, missas e não sei mais o quê. E eu, pra colaborar com a comemoração, decidi sonhar com o Cristo. No meu sonho, o  Redentor ficava em cima de um prédio, vivia envolto em névoa e tinha cara de monstro. Ó que bonito!

Gosto muito do Redentor. Sempre que passo por um lugar de onde é possível avistá-lo, dou uma erguida no olhar e acho muito maneiro que ele esteja lá. Como quase todo mundo, suponho, nem me lembro de associá-lo a Jesus. Sempre me espanto quando a Arquidiocese do Rio reclama do uso indevido da imagem religiosa. Mas se for pensar direitinho, o rosto suave e os braços convidativos combinam bem mais com Jesus do que aquelas imagens assustadoras que aterrorizaram a minha infância. Minha salinha de catecismo tinha uma imagem apavorante de Jesus, daquelas bem ensaguentadas, que me rendeu muitos pesadelos.

Estive no alto do Corcovado  duas vezes apenas;custa muito caro visitar o Redentor.  A vista lá de cima é absurdamente linda, mas concordo com o Tom Jobim e com a minha amiga Gis:  o melhor lugar pra se deslumbrar com o Rio de Janeiro é a janela do avião. Conheço nada desse Brasil  ( do mundo, menos ainda), mas fico sempre feliz porque, pra chegar em casa depois das viagens, tenho de  planar sobre o Rio.

( Sabe o que é muito bonita visto lá de cima? A Igreja da Penha. Ela sempre foi conhecida por suas escadarias, mas ultimamente esteve na moda por conta da pacificação do Complexo do Alemão. Toda iluminada, lá do alto, também é uma coisa linda.)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Qualquer coisa de intermédio

Gosto de ser eu mesma. Gosto mesmo. Mas só por hoje -e por ontem, e talvez por todas as semanas que virão-, eu queria ser outra, uma outra qualquer. Menos eu.


#Sá-CarneiroFeelings

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Chegadas e Partidas


Não daria conta jamais.









  Acho que nunca senti saudades na vida.
Passei pros meus alunos do sexto ano uma redação com o tema " Se eu fosse professora ou professor, minha aula seria..." No mínimo dez linhas ( eles tentam me enganar escrevendo com uma letra gigante, mas eu boicoto as letras hiperbólicas. Não tem negociação, bebê!), pode escrever o que quiser. Não é a primeira vez que faço essa atividade.Em 2009, quando trabalhei numa pequena sucursal da CAOS S/A, passei a mesma redação e chorei horrores enquanto lia o que aqueles alunos escreveram. Eu não gostaria de ser aluna daqueles possíveis professores. As aulas deles - e desses meus atuais alunos - seriam pavorosas, permeadas de gritos, muitas cópias do Hino Nacional, proibições mil e até alguns castigos físicos.

Enquanto as crianças comparam a figura do professor à de um carrasco, as pessoas que estão fora da escola têm um ideal mais bonito. Quantas e quantas vezes já ouvi que meu trabalho é muito lindo porque posso mudar a vida de alguém! Outra boa também é ouvir as pessoas reclamando de seus empregos e desejando arranjar uma vaguinha de professor pra descansar do estresse. Claro, professor tem uma carga horária tão simpática. Olha que legal que é ficar em casa lixando as unhas enquanto todo mundo trabalha 8h por dia.Entre a visão cruel dos meus alunos e a idealização romântica das pessoas que não pisam numa escola há 15 anos, fico com a dos meus alunos. Ops, calma lá, não aprovo o que eles dizem. Tenho um compromisso diário de não deixar que o poder que passa algumas horinhas nas minhas mão  suba à cabeça e me leve a humilhar crianças. É que meus alunos têm a escola como parte de suas vidas e sabem muito bem que esse modelão bonito de sala de aula não funciona pra todo mundo ; não funciona pra quase ninguém, eu especulo.

A pressão sobre o trabalho que exerço é muito grande. É uma pressão desumana , eu diria. Porque os alunos esperam que o professor ensine e dê a eles valores e limites que os pais e a família não conseguem dar. A família, outra instituição excessivamente cobrada ( a sociedade funciona de um jeito, mas a gente espera que os pais sejam capazes de criar seus filhos de outro), espera que o professor ofereça todos os subsídios pra que a criança se dê bem na vida. E todo mundo vê filmes e novelas sobre escola e espera que o professor seja o fodão, que aula seja libertadora, que os uniformes sejam iguaizinhos aos que o pessoal de Rebelde usa.

Eu tenho muito claro na minha cabeça que  não sou sacerdote. Não escolhi ser padre, não sou salvadora de almas, a sala de aula é meu ambiente de trabalho. Não tenho o menor pudor de dizer isso. Saio da escola, volto a ser só Juliana e ponto final ( e preciso deixar isso bem claro mesmo, especialmente pros alunos que moram perto da minha e se acham no direito de patrulhar o tamanho dos meus shorts). No entanto, apesar de todo esse trabalho que faço na minha própria cabeça,  minhas colegas e meus colegas de trabalho(Silvio Santos feelings) são pessoas; e pior,  são pessoas que não têm autonomia, não se sustentam, não são ouvidas tantas vezes. E por trás de uma pessoa dessas, daquela mais perturbada e irritante, da mais abusada e bagunceira, tem uma história. E essas histórias não ficam do lado de fora do portão. Tantas vezes, essas pessoas não dão conta de deixar seus problemas em casa ( assim como você e eu  não conseguimos) , e cabe a mim administrar os conflitos que surgem quando essas histórias resolvem vir à tona. Nossa, é facílimo lidar com 30 adolescentes e suas histórias, muito fácil mesmo( eu tenho o privilégio de só ter 30 alunos numa sala. A realidade das escolas públicas não é essa.).

Essa semana, me vi diante de três adolescentes, em situações diferentes, que estão lutando como podem  pra não serem engolidos pelas circunstâncias. Minha vontade é convidar todo mundo que diz que os adolescentes de hoje são todos uns idiotas vagabundos, que os professores são outros idiotas incompetentes, que escola pública  é lugar de baderna pra ficar nos nossos lugares. Seria um reality show dos bons.Depois de uma semana na  sala de aula, como aluno e professor, eu adoraria saber a opinião de quem assiste a  filmezinho americano e  acha que já sabe de tudo. 

E o que mais dói no coração é que parece que os alunos e as famílias esperam da escola um amparo que não podemos oferecer.  Eu tô cansada dessa  impotência. E adoraria pedir pros meus alunos fingirem que são  feitos de papelão - ou personagens da Malhação.

P.S.: Esse post é puro desabafo, logo perdoem qualquer atentado às boas regras de redação e gramática, por favor.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

E Juju vai ao cinema (ou não)

Adoro ler dicas de cinema em blogs. Eu não dou as minhas próprias diquinhas de filmes aqui porque tenho péssimo gosto. Se chamo alguém pra ir ao cinema e escolho o filme, é furada na certa. Se eu for no cinema com vocês, escolham o filme , por favor. Tenho medo de filme de terror,  não sou nada cult, me iludo com as resenhas publicadas nos jornais, fico enjoada com 3d ( dois óculos numa cara é demais pra mim), tenho a maior dificuldade de ficar 2 horas sentada olhando pra um lugar só. Gosto mesmo é de assistir  a filmes em casa, no aconchego do meu lar e com domínio do controle remoto, assim posso  pular as partes chatas ou ver o final antes.


Toda essa lenga-lenga é pra fingir que tô  escrevendo uma resenha sobre o novo filme do Justin Timberlake. Estou fingindo mesmo porque meus argumentos para convencer as pessoas a assistir ao filme se resumem em Juuuuusssstttiiiiin! GA- TI-NHO! Ok, eu sou uma mulher de 27 anos, não deveria achar homem gatinho. Eu deveria dizer que Justin Timberlake é um lindão, um homão, um tesão, mas não. Eu acho o Justin  gatiiiinho mesmo. Gente,  que são aqueles clipes rebolativos dele? Eu não gostava daquele cabelo da época do N' Sync, portanto , graças a Deus, ele cresceu e eu também, e agora posso ver  filmes em que o traseiro dele  aparece. Ok, vou parar! Vai que tem algum menor de idade lendo esse post. Que fique bem claro  que o novo filme do Justin é muito maneiro, para além das diversas aparições do traseiro, da barriga, da boca, dos olhos do moço. É sim!

Amizade Colorida é uma comédia romântica divertida, um tantinho ousada e fofa.  Dois amigos resolvem que transar só por diversão. Os dois tão sozinhos mesmo. Qual o problema de  ficarem de vez em quando? Nem preciso dizer não vai dar lá muito certo, né? O enredo é só isso mesmo, mas não subestime o filme. Você dá muitas risadas, fica encantadinha, suspira pelo Justin e fica acreditando que  o amor é possível. Delicinha! 

Pra terminar, quero declarar que a partir de hoje, só fico amiga do Justin Timberlake e de mais ninguém. Eu mereço ser bem relacionada assim.


P.S.: O filme tá nos cinemas, mas eu vi no computadodor. Nunca tinha baixado filmes - por dois motivos: minha internet antiga não permitia e , apesar de todo aquele papo do primeiro parágrafo, tela grande e pipoca são uma diversão. Baixei dessa vez porque eu tava meio triste, precisando de uma comediazinha romântica, não ia dar tempo de ir no cinema e voltar a tempo pro trabalho, então me rendi. Mas vocês podem ir ao cinema ver Amizade Colorida. Justin na tela grande é bem melhor!=)



P.S.2: Eu fico imaginando a Borboleta lendo esse post. Vou ali, Lu, esconder minha cabeça embaixo do travesseiro de tanta vergonha. Se eu prometer assistir à mais nova aquisição da minha mãe, A Malvada, você continua lendo este blog?

Acabou

Fim do meme. Ufa! Livro que quero ler? Um só?

Tão na fila ( só não sei quando lerei ):

A Rainha do Castelo de Ar - o terceiro volume da série Millennium;
Espere a Primavera, Bandini - comprei um edição vira-vira da Saraiva, na qual esse livro vem junto com Pergunte ao Pó. Ambos de John Fante.
Fazes-me falta, da Inês Pedrosa.
Crime e Castigo- falta comprar a edição maneira que a Rita indicou.





segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Adoro as personagens de filme que dizem que foram zé-manés na escola.  Morro de inveja e sinto peso do fracasso.Sou uma zé-mané ainda hoje.

O livro que alguém leu pra mim

Ninguém nunca leu pra mim, nem quando eu era criança.  E um dos maiores medo que tenho é que, algum dia, seja necessário. Morro de medo de ficar cega. Não gosto nem de falar. Imagina o que é ler  sozinha a  vida toda e não poder mais.  Desses medos gigantes e irracionais.Eu tenho mais medo ainda porque sei que não teria a menor fibra  pra aprender braille, pra me reinventar.

É isso,  nunca leram pra mim, até agora. Se alguém quiser... =)


domingo, 2 de outubro de 2011

Combo: love story e aquele que sei de cor

Eu já ia me esquecendo do meme... 

Minha história de amor favorita? Só me vem à cabeça agora Raul e Saul, do conto Aqueles Dois, do Caio Fernando Abreu. Juro que eu já chorava com o Caião bem antes de ele virar conselheiro sentimental no facebook.  



Ah, sim, se não estou enganada, o conto está em Morangos Mofados. Nesse mesmo livro, há contos melhores, mas meu coração se encantou muito pelo Raul e pelo Saul.

***

Livro que sei de cor? Piada! Não sei nem o número dos meus celulares de cor. Mas finjamos que algum dia decorei alguma coisa na vida, ok? Eu já soube de cor ( não sei mais) a cena de amor entre Jesus e Madalena em Evangelho segundo Jesus Cristo. E não, não fiquei apavoradamente assustada com o livro, apesar de ser cristã. É só ficção. Das boas. Ô livro bom!


Sou eu, sou , sou eu

Amostra sem valor

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém. 
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível: 
com ele se entretém 
e se julga intangível. 

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu, 
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito, 
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu, 
não pesa num total que tende para infinito. 

Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida 
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo, 
nesta insignificância, gratuita e desvalida, 
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.




Taí um poema que justifica todos os blogs diarinhos do mundo. 

sábado, 1 de outubro de 2011

Meu nome é Juliana. Sou adulta. Dou aulas numa escola. E, desde de 1998, eu quero ser que nem ela:




Eu ainda me lembro da letra de Ojos Así, gente!