segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O dia de hoje esteve abafado e pegajoso. E eu sentada no quarto, diante do notebook, sentindo umas gotinhas  de suor crescendo no meio das costas. Eis que em algum momento me lembro daquele degrauzinho da porta de entrada , tão perfeito pra se sentar. A casa em que moro tem um daqueles quintais grandes e arejados e  um pé de acerola enorme impede que sol escalde o chão. A tarde pode ser das mais abafadas, que não tem problemas,  meu quintal não tá nem aí. Ele é sempre fresco.

Desde que comprei o notebook, tinha  por hábito  levá-lo pro degrau da porta ( pra desespero da minha vó. Ela diz  que quem senta no batente da porta da rua recebe tudo de ruim que vem de fora. Se houver mesmo esse tudo de ruim, prefiro acreditar que ele bate em mim e se  dissipa - ou vira coisa boa.). Quando Spock veio morar aqui em casa, tive de desaprender esse hábito porque meu cachorrinho não dava paz. Ele roía o cabo do note, roubava o modem do 3g e escondia no meio das cobertas dele, achava que dava pra colocar aquelas suas patinhas de leão no teclado. Era um inferno. Ou eu tomava a  fresca , ou tomava conta do Spock. Preferi ajeitar a mesa no quarto e ficar sempre aqui, especialmente agora que não tenho 3g nem roteador. Aprendi o hábito da mesa, da cadeira, do quarto.

Mas hoje me deu vontade de sentar no batente, então peguei o note e  sentei. Um ventinho simpático veio confirmar a minha teoria de que meu quintal é um tanto especial. Fiquei um tempo digitando, digitando, até que bateu a saudade. E eu ,que nunca achei que ser possível sentir saudade de cachorro, morri de saudades. Eu quis, hoje à tarde, que o meu Spockinho estivesse por perto pra roer meu chinelo novo ou bater aquelas patonas na tela do notebook. Queria vê-lo correndo pelo quintal atrás de galhos de planta como se fossem monstros perigosíssimos. Queria  dizer, inultimente, pra ele que, se puxasse o cabo do notebook mais uma vez, eu iria prendê-lo na varanda. 

Trocava fácil a fresca do degrau pelas mordidinhas do meu cachorrinho mais gatinho!

4 comentários:

Júuh . disse...

Menina, a minha cidade vai pegar fogo! no mínimo! sério! tá impossível, e minha mãe mandou arrancar a árvore que fazia sombra na porta da minha casa, agora o solzão bate de frente, pro meu desdespero!

mas tá, falando do spock me bateu a saudade da minha cachorrinha Brisa. ela era mais que uma companheira!

;)

Miriam disse...

Oi, Ju,

Achei linda a tua crônica. Queria ter tbm um jardim especial como o seu...

Ju, quem sabe está na hora de vc adotar outro amigo peludo? Nunca irá substituir o Spock, mas preencherá o vazio que ele deixou.

beijos da Miriam e lambidas da Carlota, minha poodle pestinha.

Fabiane Ariello disse...

Om, que bonitinho... Deu até pra sentir a brisa e a saudade do seu Spock.

Felipe Fagundes disse...

Minha casa também tem um quintal com um pé de acerola - e um MONTE de outras frutas, umas que eu até desconheço. É quase uma floresta particular.

Infelizmente, eu também tenho um histórico ligeiramente grande de cachorrinhos para sentir saudade :-/