quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A festa é nossa!

 Uma das minhas grandes frustrações com esse mundinho dos blogs é o fato de eu jamais ter ganhado uma promoçãozinha sequer. Leio uma porção de blogs sobre livros, alguns deles fazem milhares de promoções, eu me inscrevo nas que me interessam. Agora perguntem se eu já ganhei um marcadorzinho de página. Não, não ganhei nada.  Isso é muito frustrante, vocês nem imaginam! Buá, buá! Ok,mas em vez de choramingar, decidi matar dois coelhos com uma cajadada só. ( Expressão terrível essa, né? Pobres coelhos!) 

Em dezembro, mais especificamente em 18 de dezembro, o Fina Flor vai fazer dois anos (o  tempo passa, o tempo voa) e mesmo aniversários de blogs não devem passar em branco. Daí eu pensei cá com meu botões que  eu bem poderia  dar um jeito de comemorar o aniversário do blog e ainda saciar esse meu desejo de ganhar uma promoção. A ideia inicial  era a de sortear alguém pra me dar um presente pelos 2 anos de blog. Ideia incrível,né? Também acho, mas não quero ser acusada de ser uma mimada que só pensa em si, então decidi ser legal e comemorar o aniversário do blog assim:

  Vou sortear uma pessoa que receberá um presente do 
Fina Flor.



Mas, Ju, que presente é esse que você vai dar? Então, eu vou dar o presente, mas quem vai escolher o que quer ganhar será a sorteada ou o sorteado. Isso mesmo! A pessoa sorteada terá de pensar em alguma coisa que gostaria de receber e eu mando o carteiro entregar na casa dela.

Mas vai poder escolher qualquer coisa? Qualquer, qualqueeeer coisa não, né? O presente tem de custar até 50 reais ( os nossos patrocinadores são muquiranas) e deve caber numa daquelas caixas que os carteiros entregam na casa de gente. Será legal se o presente estiver disponível num desses sites que nos irritam e não cumprem os prazos de entrega. Odeio Submarino, Americanas, Saraiva e cia, mas eles facilitariam muito a minha vida. 

E o que o  seu desejo obsessivo de ganhar  promoções tem a ver com isso? Huuumm, a melhor parte! Sabem o presente que a sorteada ou o sorteado escolher pra si? Então, vou comprar um igualzinho pra mim também. Ou seja, ao escolher um presente pra si, a pessoa também estará escolhendo algo pra mim, portanto aconselho que pensem com carinho no que vão querer, hein? 

Juuuuuuuu, mas o que eu posso escolher que tenha ver comigo e com você?  Não sei! Essa tarefa é sua!

Quem estiver afim de participar ( na verdade, todo mundo tá intimado a participar) terá apenas de deixar um comentário neste post, dizendo que topa. É importante que o comentário seja neste post porque senão corre o risco de eu esquecer de alguém,ok?

O sorteio será no dia 18/12, e a pessoa sorteada terá 1 semana pra dar sinal de vida. Se ela não se manifestar, eu faço um novo sorteio.


Combinado? Tô aguardando o seu comentário!



segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Há um tempo, a Luciana fez um post celebrando a beleza da palavra " morena". Ela usou daquele seu imenso acervo de coisas conhecidas ( Luciana conhece de um tudo, meu Deus) e citou um monte de morenas do nosso cancioneiro popular. O post é todo lindo e delicado, mas  lê-lo só me evocou a antipatia que tenho pela palavra " morena" e suas flexões.

Quando você é uma mulher negra, com um tom de pele que lhe permite passar incólume por xingamentos delicados e edificantes como macaca, crioula, suco de pneu, o " morena" parece ser a alcunha confortavelmente usada por homens galantes, amigos elogiosos, conhecidos simpáticos. A vida toda fui morena, moreninha - este último usado pra enfatizar que o meu nariz, as maçãs do meu rosto, meu cabelo não garantem que eu seja encaixotada junto com as morenas de cabelo liso e  nariz afilado. Quando alguém me chama de morena, tenho vontade de dizer : " Meu bem, você não enxerga bem? Eu sou preta!". Bem, a vontade dá e passa porque , em geral, o morena vem acompanhado de uma boa vontade, né? A pessoa tá ali querendo amenizar o peso que " negra" tem. O problema não é essa coisica minúscula envolvendo somente eu e a pessoa que me chama de morena, né?Então, o  máximo que cheguei a fazer até hoje foi dizer: " pode dizer que eu sou negra. Não tem problema. Não vai me ofender, não  é ofensa."

Eu sei que existe um monte de gente séria lutando seriamente contra o racismo. Eu, sinceramente, tenho até vergonha, às vezes, de  dizer qualquer coisa no dia 20 de novembro ( foi ontem e eu nem lembrei. Quer dizer, eu sei  perfeitamente quando é o dia da consciência negra, mas fiquei perdida e  no tempo e só fui prestar atenção que hoje era  dia 21 porque uma aluna me disse. Imaginem quantas vezes já perdi compromissos por conta desse meu apreço pelo calendário. rs) porque  sou daquele tipo de pessoa muito preocupada com meu próprio umbigo na maior parte do tempo. Sou até relativamente consciente de muitas questões importantes desse país, mas em geral me preocupo mais com o  que vou falar na análise, sabe. Então, poxa, quem sou eu pra falar qualquer coisa? O que eu vou dizer ? Eu, que vivo na minha bolha de alienação e me habituei a esquecer que cor tinge o maior órgão do meu corpo?

É, mas quando eu ouço um morena desses da vida, eu me lembro de que nasci num país RACISTA, me lembro de que a minha pretensa despreocupação acerca da cor da minha pele, da geografia do meu corpo é pura balela, sabe. Quantas e quantas vezes eu e uma amiga fomos as únicas negras em um shopping chique? Quantos negros havia nas minhas turmas na faculdade? Quantos negros havia naquele voo de avião além de mim? Quantas vezes morri de medo do cara negro sentado do meu lado no ônibus ( e só fiquei tranquila depois de ver um livro didático na mochila dele ou notei as manchas de trabalho na roupa)? Quanto trabalho dá comprar maquiagem pra passar na minha cara? Quanto trabalho dá convencer as pessoas de que um homem negro é gatiiiinho? Quanto trabalho dá se segurar pra não bater em cabelereiro que não gosta do meu cabelo "duro"? Quanto trabalho deu pra assimilar que meu cabelo não precisa ficar amarrado o tempo todo?

 Morena é uma ova, sabe! Moreninha é o cac***! Eu sou negra, preta, crioula, até macaca se quiser ofender e ser preso, mas morena não. Morena é eufemismo.


***

Leiam este post aqui no Groselha News


***

Suponho que o Blogger tenha devorado esse post e um outro porque eu não apaguei e acho (e espero) que ninguém mais tem a senha do blog. E não é a primeira vez que isso acontece.

Escrevi esse post num dia em que me disseram que racismo existe porque os próprios negros são racistas e complexados. Ouvi essa pérola de uma pessoa por quem sempre tive muita admiração e a decepção foi enorme. Mas ,de certa forma, é bom ter decepções desse tipo porque a gente se acomoda na nossa bolhinha.

sábado, 26 de novembro de 2011

Eu, leitora 2

Dando continuidade à série " Eu, leitora".

Cês também têm uma vergonhazinha de deixar comentário nos blogs? Eu tenho. Sou a tímida dos comentários. Eu leio o post, adoro, fico pensando nas coisas legais que pessoa escreveu, escrevo um comentário gigantesco, apago o comentário gigantesco e saio sem dizer nada. Ou me limito a dizer " adorei o post!".

Eu sei , não faz sentido.


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ringtone


Eu, leitora

Vocês também leem os seus blogs favoritos com aquela vontade imensa de que  aquela pessoa que escreve seja sua amiga de verdade?

Às vezes, tenho que me conter pra não deixar um comentário assim: " eu prometo fazer bolinhos e capuccino, se você vier aqui na minha casa e falar pessoalmente essas coisas legais que você escreve".

Acho que vou tentar um dia. Vai que dá certo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A surdinha e o caladão



Eu estive surda de um ouvido durante os últimos cinco dias, mas agora já voltei a ouvir.  Tudo começou com uma gripona que me derrubou, passou pra um incômodo no ouvido esquerdo e culminou na angustiante sensação de ter um tampão pulsando dentro da cabeça. Hoje , por fim, consegui arranjar um horário  numa Otorrino, encarei uma sala de espera cheia de bebês fazendo exame da orelhinha ( não me perguntem o que é) e acabei com os ouvidos cheios de água morna e o atestado de que meu ouvido esquerdo é muito pequenininho.  Passei os últimos dias pesquisando freneticamente sobre surdez e pedindo a Deus que realmente  que o meu organismo fosse somente um grande produtor de cera. E é isso mesmo: meu ouvido tava cheio de cera e com uma pequena inflamação.

Se bem que a surdez temporária tem seu charme. Quando aquela pessoa chatérrima estiver falando, você pode posicionar o ouvido tampado pro lado dela e fazer cara de " ahan, claro, como isso é interessante!". Eu experimentei e me fez muito bem.

***

Pra terminar, a enquete do dia:

Eu tenho uma amiga. Essa minha amiga conheceu um cara bo-ni-to, ga-ti-nho, ar- ru- ma-di-nho, tipo assim, muita areia pro caminhãozinho dela. Como se não bastasse tanta formosura, o moço descobre o telefone da minha amiga, o moço convida minha amiga pra churrascos e sorvetes, o moço é bo- ni- to. Minha amiga manda reforçar esse aspecto da bonitice do moço.

Daí que a minha amiga sai por aí a passear com o moço e passa  metade do tempo pensando: chato, chato, chato, chato, meu deus, chato. É que o sujeito não fala, sabe! Não fala. Não emite opinião, não inicia um assunto, não defendeu o time dele quando minha amiga disse que odeia o Flamengo. Dá pra entender?

Bem, minha amiga quer saber: o problema  é do moço cuja língua foi comida pelo gato ou da minha amiga que parece ter se acostumado com os  tagarelas-malucos-estranhos dessa vida?

Dê a sua opinião, que eu conto pra minha amiga.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ressignificando o face

Eu nunca imaginei que anunciar pras pessoas que você saiu do facebook causasse tanta comoção. Te olham com cara de espanto e perguntam: " Por quê?". Sinto vontade de dizer a verdade: é que eu não sei brincar de facebook. Eu sinto inveja das fotos bonitas que as pessoas postam, tenho ciúmes dos meus amigos jantando com outros amigos que eu não conheço, checo as notificações de 5 em 5 minutos, já tive vontade de chorar porque vi a felicidade alheia estampada em letras garrafais. Sou humana e invejosa, essa é a verdade.Mas não posso dizer uma coisa dessas,né? Tenho uma reputação a zelar ( tenho sim, tá?), daí conto sobre o dia em que entrei na sala de aula e os alunos tavam comentando minhas fotos de Ouro Preto ( eu nem tinha alunos no face), e acrescento que alunos ruins armaram uma fofoca idiota com fotos de dois colegas meus que quase deu merda de verdade. A reação imediata das pessoas é tentar me ensinar todos os macetes de segurança disponíveis no face. Aí eu tenho que dizer que não , não quero gastar energia bloqueando aqui, bloqueando acolá para que gente chata não veja as fotos bonitinhas que exponho.

Mas ( mas de novo) o facebook aprisiona a gente, sabia? Qual é o meio mais fácil de "subir" mais de 100 fotos e torná-las acessíveis pra 14 pessoas? Qual é? Qual é? Eu tinha muito simpatia pelo Picasa, mas o Google agora enfia tudo naqueles malditos círculos do Google Mais, e eu nem sei como fui parar nesses círculos - e nem quero saber. Daí achei mais fácil voltar pro facebook. E acabei por descobrir que o facebook tem poderes mágicos. Minha antiga conta está devidamente encerrada há umas duas semanas, mas o facebook ainda reconhece todos os e-mails que tentei cadastrar. Sabe  o hotmail, aquele que nunca uso, nunquinha mesmo? O facebook conhece. Ok, beleza, fiz um novo e-mail e me cadastrei. Bem, aí veio o segundo impasse: o facebook se recusou a me deixar usar o meu último sobrenome. Meu último sobrenome , que estava lá no outro perfil, não foi aceito; o face insistia em dizer que eu não era aquela Juliana. Ok, depois de uma grande crise de identidade, me rendi ao meu segundo sobrenome e,voilá, volto a ser o mais novo membro do facebook e posso postar as 100 fotos.

A minha nova conta tá toda blindada, adicionei somente as pessoas com que me relaciono de verdade e compartilham coisas que me interessam, postei as 100 fotos que eu queria sem me preocupar com quem vai ver. De, sei lá, 250 amigos, sobraram uns 25. E eu tô amando essa impopularidade.  Pelo menos agora não vou morrer de inveja dos conhecidos que  viajam pra Paris no fim de semana.

Até quando? =p

sábado, 12 de novembro de 2011

My Girl

Se passar a noite de sábado com a minha amiga Vada é derrota, quero morrer perdedora:




Só a Vada me entendeu durante anos. Também já fui ao médico certa de que teria poucos meses de vida. Até os 13 anos, eu tive certeza de que  ia morrer do mesmo câncer que matou o meu avô. Daí , um dia, finalmente, meu pai me contou que o câncer tinha sido na próstata.


E eu bem queria uma bicicleta com fitinha penduradas no guidom.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Brincando de Resenhar

Enquanto lia os primeiros dois terços de Trabalhos de Amor Perdidos,do Jorge Furtado, preparava mentalmente o post animadíssimo que escreveria sobre o livro. Os dois primeiros terços do livro são tão, tão legais que você fica querendo que o trânsito engarrafe, que  a amiga que marcou contigo atrase, que o sono não chegue.  Estive muito apaixonada por Trabalhos até a página a 161. Muito apaixonada.O enredo do livro é livremente inspirado na peça homônima de Shakespeare. Não conheço a peça, então não sei o quanto o livro se aproxima dela. Trabalhos é narrado por Robin, o ator e diretor brasileiro desempregado que ganha uma bolsa de estudos em Nova York, oferecida por um  instituto que incentiva projetos que possam atrair leitores para Shakespeare. Robin ( a explicação dada no texto pra esse nome é uma forçação de barra sem fim, mas tudo bem, dos males o menor) pretende montar uma peça cujas as falas são piadas extraídas das  tragédias e comédias que o Shakespeare escreveu. É uma ideia maluca, o próprio narrador admite, mas alguém no tal do instituto aprovou o projeto e lá se foi o Robin pra Nova York estudar. 

O autor do livro é o roteirista de Meu Tio Matou um Cara e O Homem que Copiava.  O estilo narrativo de Jorge Furtado salta aos olhos no livro. Um narrador afiado, autodepreciativo, consciente da presença do leitor, um  pouco adultescente , esse é o Robin - um bobo (em vários sentidos, de acordo até com o Shakespeare. Ele não se chama Robin à toa). O escritor sabe criar empatia entre leitor e narrador. Já no primeiro capítulo, você vira amiga de infância do Robin. Ao longo da narrativa, você tem certeza de que Robin poderia ser você. Isso porque, apesar de ser bolsista de um instituto especializado em Shakespeare e estar cercado por colegas que sabem tudo do dramaturgo, Robin não domina seu objeto de estudo, e eis uma boa sacada do livro. Trabalhos de Amor Perdidos faz parte de uma coleção em que autores escrevem narrativas baseadas nas peças de Shakespeare ( ideia boa  pra caramba, né? Tô doida pra pegar Sonho de uma Noite de Verão) e a proposta parece ser mesmo a de  apresentar Shakespeare prum público que não sabe muito sobre ele. Robin é um leitor apaixonado que vai apresentando Shakespeare pra nós e vamos sabendo mais sobre as peças à medida que ele próprio vai se relacionando com os colegas um tanto estranhos do instituto.Eu não sei nada de Shakespeare. Li Sonho de uma Noite de Verão diversas vezes e Otelo, Macbeth e Hamlet uma vezinha só. Dessas três, a que mais me marcou foi Macbeth, mas estou longe de saber trechos ou de lembrar de detalhes. Trabalhos me fez ter vontade de saber tuuuuudo sobre toooodas as peças. Tô aqui me odiando porque não sei onde foi parar minha edição de Otelo. Quase que peguei a versão adaptada de A Megera Domada na biblioteca da escola hoje.

Um outro ponto que adorei no livro foi a pequena ( ou grande, não sei. Vai que  o cara fez um trabalho brilhante nesse sentido, e eu que não tenho estofo pra sacar todas as  referências) discussão sobre as traduções das peças. O fato de não dominar o inglês constitui uma dificuldade pro trabalho do Robin, justamente porque piadas são elementos difíceis de ser traduzidos. Robin fala bastante de humor, comédia, faz muita piada de si mesmo, desmitifica personagens praticamente canonizados, brinca um bocado e a gente se pega dando risadas homéricas no metrô, na fila do banco. Uma delícia!

Então, eu gostei MUITO dos dois primeiros terços do livro. Gostei pra caramba. Aí foi chegando o final e o encanto se perdeu um pouco. Não que tudo tenha virado uma grande porcaria, longe disso. A parte final é bem legal, mas eu não entendi como o 11 de setembro e a paranoia de um casal de malucos foi parar na trama, uma abordagem exploração desnecessária de um determinado momento histórico.  A mim, pareceu forçação de barra.  Mas,apesar disso, não me arrependi nem um pouquinho de ler esse livro delicinha. As risadas que dei  e as coisas legais que aprendi sobre Shakespeare compensaram o final.

Leiam! Leiam! Leiam! E venham me contar depois.

P.S.:  E até conheci essa lindeza de música aqui :




"I'll be your mirror
Reflect what you are in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you are home
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you"



Update: Já disse por aqui mais de mil vezes que não sou boa com resenhas, mas dessa vez me superei. Já dei uma ajeitadinha na bagunça generalizada que aprontei no último parágrafo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Os vizinhos aqui do lado são conhecidos por suas festas barulhentas. Minha vó e a nossa vizinha de frente adoram acompanhar todos os acontecimentos dos festejos, no melhor estilo paparazzi na entrada do casamento dos artistas. Anteontem teve festa, ninguém - nem os convidados nem nós- dormiu. Dalva de Oliveira em ritmo de funk ( isso mesmo! Bandeira branca, amor! Não posso mais), padre Marcelo Rossi, Tati Quebra-barraco, Tim Maia ( meus vizinhos são pessoas ecléticas) berrando nos ouvidos a noite toda.

Daí que ontem de tarde, minha vó foi lá na casa da vizinha de frente saber se alguma coisa legal e escandalosa aconteceu depois das 2h da manhã, hora em que a minha vó decidiu, em vão, tentar dormir. Minutos depois, volta ela, toda animada com bolo e lembrancinhas  da festa na mão.

- Juliana, olha aqui que docinhos bonitinhos!

Eu olhei e fiquei boaquiaberta.Como é que eu ia dizer pra minha vó aquilo não eram docinhos bonitinhos? O que eu vou dizer? O que eu vou dizer?

- Vó, isso aí ( eu gaguejei, fiquei com a bochecha quente, quis morrer) são pintos (sim, pênis) de chocolate. 

Ela deu uma risada.

- Eu sei. Só queria ver o que você ia dizer.

Posso com isso? Posso?

domingo, 6 de novembro de 2011

Hoje revi umas pessoas que não via há muito tempo. Elas ainda fazem parte o convívio da minha mãe, então , por tabela, nunca saíram do meu imaginário - por assim dizer, por falta de palavra melhor. Minha mãe fala da fulaninha, do fulaninho, dou risada, gosto de todos eles ainda, mas tão lá longe na vida deles e eu aqui na minha.Daí que hoje encontrei esse pessoal e eu tava assim: recém-desperta, cara um pouco inchada, olhos sumidos na cara inchada, short, camiseta, cabelo cheirando a condicionador e as mesmas argolas que uso todos os dias há anos. Cheguei,cumprimentei todos que conhecia  e parei do lado de uma das amigas da minha mãe , uma pessoa muito legal mas de quem nunca fui íntima. Parei do lado dela e disse "Oi, Fulana!". Ela , bem-educada, respondeu: "tudo bem , querida! E você? ". Cinco segundos depois, ela me olhou com mais cuidado e disse: " JULIANA! Há quanto tempo! Nossa, se eu te visse na rua, não te cumprimentaria!" E ficou me olhando prestando atenção, pra ter certeza de que não tava falando com a pessoa errada.

E eu fiquei lá sorrindo pra ela, me sentindo estranha. Como assim não me cumprimentaria na rua? Que diferença há entre a Juliana que ela conhecia e essa que eu vejo todos os dias no espelho? Vim pela rua pensando: agora, estou mais gorda e uso óculos. Bem, os óculos, pra variar, estavam em casa e a gordura não chegou a transmutar tanto assim o meu rosto. Ou será que transmutou sim e eu que não me dou conta? Se eu tivesse pintado o cabelo como eu pretendia, tudo bem, mas meu cabelo tá o mesmo. Tenho menos espinhas e mais verrugas sebáceas ( aquelas que costumam aparecer no rosto de pessoas negras que não usam protetor solar devidamente), mas é a mesma  cara, eu acho. Aí fiquei surtando aqui.

E justo nessa semana eu tava pensando numa situação vivida por uma amiga: ela foi reencontrar uma pessoa que tinha sido importante por muito tempo, por quem ela tinha alimentado mil expectativas e , ao rever a pessoa, teve a confirmação de que o  tempo e as mudanças não são inofensivos. A história da minha amiga reavivou o maior medo que eu tenho: o de me perder das pessoas, de me tornar irreconhecível ( e não reconhecer) pra quem  faz parte da minha vida. Sempre me lembro de O Império do Sol ( já viram? Christian Bale pequeno, Spielberg exercitando seu talento pra manipular nossa pieguice.), quando o menino reencontra os pais mas não os reconhece de primeira; ele só reconhece a mãe depois de tocar nela. Na verdade, vi Império do Sol há muito tempo e tenho péssima memória, portanto a descrição da cena pode não corresponder à realidade, mas o meu medo tá lá naquela cena.  

Mudanças são necessárias e inevitáveis, é óbvio É a vida,não tem jeito, não adianta a gente querer se esconder embaixo da cama e fingir que nada vai mudar. Elas acontecem até mesmo quando a gente acha que tá parado no tempo e no espaço, até mesmo pra pessoas que se esforçam pra ser sempre as mesmas. A gente pode se iludir achando que tem o controle, mas não tem. NÃO TEM. NÃO TEM. NÃO TEM. Repito pra mim mesma, pra ver se eu aprendo.


 P.S. direcionado: Pessoas que eu amo e leem este blog, por favor, nunca mudem e andem com fotos minhas no celular , para não me estranharem.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Livrinhos

Minha mãe vai me matar. Minha mãe vai me matar. Minha mãe vai me matar. 

Tudo bem! Morrerei feliz.

Quando arrumei as estantes de livro daqui de casa, fiz uma aposta  com a minha mãe, perdi e o castigo seria só comprar livros depois de comprar uma estante nova. A promessa durou duas semanas, porque fui pra Bienal e trouxe 5 livrinhos. Depois, precisei comprar a série Millennium - eu precisava mesmo, apesar de ainda não ter me animado muito pra engatar  terceiro; tava muito baratinha nas Lojas Americanas.

Também tinha prometido pra mim mesma que só compraria algum livro depois de terminar os que adquiri na Bienal. Espere a Primavera , Bandini tá pela metade; tô amando, mas vamos combinar que é um livro que deve ser lido em dias ensolarados e sob efeito de um excelente estado de humor. Não sei que nome dar à atmosfera do livro. Decadência? Melancolia? Desgraceira nossa de cada dia? É um livro cinza. De qualquer modo, não me importa se  Espere a Primavera é danado de bom. Nada me faria resistir à feirinha de livros. Existe aqui  em Nova Iguaçu e no Rio ( não sei se a  feira vai pras outras cidades da região metropolitana), uma feira de livros baratíssimos, promovida por livreiros que querem dar cabo dos seus estoques. A tal da feira roda a cidade do Rio ( sei que ela passa pelo Largo do Machado, por Campo Grande, pela Central e pela Cinelândia) e, de vez em quando, vem parar aqui pertinho de mim. Não tenho como resistir, entendem?  Passei no banco, peguei exatos 20 reais e decidi que não pagaria caro por nada. Não paguei. Voltei pra casa com:

Mistérios, da Lygia Fagundes Telles. - Li faz tempo, na época da faculdade, e não podia deixar de comprar. O exemplar em excelente estado estava saindo por DOIS REAIS. Vocês também comprariam.

Trabalhos de Amor Perdidos, do Jorge Furtado. - Vocês devem conhecer a coleção Devorando Shakespeare. Autores brasileiros bem legais pegam as peças do Shakespeare e escrevem romances inspirados nelas. Na época do lançamento, eu fiquei de olho no livro da Adriana Falcão, inspirado em Sonho de uma Noite de Verão. Não me lembro por que nunca comprei. Hoje tive de trazer o livro do Jorge Furtado; me custou 3 reais.

Bridget Jones : No Limite de Razão - Me condenem, taquem pedras, não me importo. ADORO a Bridget Jones! Vi um dos filmes ( não me lembro qual), não gostei,mas o primeiro livro me deu dor na barriga de tanto que ri. Vamos ver o segundo. Comprei por 3 reais também.

O Silêncio da Chuva, do Luiz Alfredo Garcia -Roza - Sei nada desse autor, só que ele é marido da divina Lívia Garcia- Roza e que já ganhou um monte de prêmios. Comprei, por 3 reais, pra matar a curiosidade.

Ofensas Pessoais, do Scott Turow. - Outro autor do qual nada sei. Imagino que seja best seller porque sempre vejo seus livros na vitrines com preços estratosféricos. Nunca li esses romances de tribunal. Vamos ver se fiz uma boa escolha... Esse foi o livro mais caro: 5 reais. 


Agora só preciso encontrar um lugar pra guardar minas novas aquisições, um lugar bem longe das vistas da minha mãe.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Está aberta a temporada de amigo oculto. Já participei do  primeiro sorteio. Esse grupo de amigos que já realizou o sorteio faz o amigo oculto do qual eu mais gosto. É uma zona pra organizar, escolher uma data pra entrega é mais difícil que invadir o Pentágono, trocamos 156 mil e-mails e tem sempre alguém que chega de última hora, a mas a gente se diverte tanto depois que compensa. Eu sempre ganho os presentes mais legais, por isso adoro esse amigo oculto.

Daí que essa noite sonhei com o site do amigosecreto.com, que utilizamos pro sorteio. No sonho, eu via o nome da pessoa que tirei e ficava toda feliz. Hoje, ao entrar no site pra saber quem eu tirei, lá estava a mesma página que vi no sonho. Ou seja, já posso ganhar dinheiro prevendo o futuro.

Começa assim: um dia sonho com amigo oculto; no outro, sonho com os números da loteria. Tenho certeza!