domingo, 6 de novembro de 2011

Hoje revi umas pessoas que não via há muito tempo. Elas ainda fazem parte o convívio da minha mãe, então , por tabela, nunca saíram do meu imaginário - por assim dizer, por falta de palavra melhor. Minha mãe fala da fulaninha, do fulaninho, dou risada, gosto de todos eles ainda, mas tão lá longe na vida deles e eu aqui na minha.Daí que hoje encontrei esse pessoal e eu tava assim: recém-desperta, cara um pouco inchada, olhos sumidos na cara inchada, short, camiseta, cabelo cheirando a condicionador e as mesmas argolas que uso todos os dias há anos. Cheguei,cumprimentei todos que conhecia  e parei do lado de uma das amigas da minha mãe , uma pessoa muito legal mas de quem nunca fui íntima. Parei do lado dela e disse "Oi, Fulana!". Ela , bem-educada, respondeu: "tudo bem , querida! E você? ". Cinco segundos depois, ela me olhou com mais cuidado e disse: " JULIANA! Há quanto tempo! Nossa, se eu te visse na rua, não te cumprimentaria!" E ficou me olhando prestando atenção, pra ter certeza de que não tava falando com a pessoa errada.

E eu fiquei lá sorrindo pra ela, me sentindo estranha. Como assim não me cumprimentaria na rua? Que diferença há entre a Juliana que ela conhecia e essa que eu vejo todos os dias no espelho? Vim pela rua pensando: agora, estou mais gorda e uso óculos. Bem, os óculos, pra variar, estavam em casa e a gordura não chegou a transmutar tanto assim o meu rosto. Ou será que transmutou sim e eu que não me dou conta? Se eu tivesse pintado o cabelo como eu pretendia, tudo bem, mas meu cabelo tá o mesmo. Tenho menos espinhas e mais verrugas sebáceas ( aquelas que costumam aparecer no rosto de pessoas negras que não usam protetor solar devidamente), mas é a mesma  cara, eu acho. Aí fiquei surtando aqui.

E justo nessa semana eu tava pensando numa situação vivida por uma amiga: ela foi reencontrar uma pessoa que tinha sido importante por muito tempo, por quem ela tinha alimentado mil expectativas e , ao rever a pessoa, teve a confirmação de que o  tempo e as mudanças não são inofensivos. A história da minha amiga reavivou o maior medo que eu tenho: o de me perder das pessoas, de me tornar irreconhecível ( e não reconhecer) pra quem  faz parte da minha vida. Sempre me lembro de O Império do Sol ( já viram? Christian Bale pequeno, Spielberg exercitando seu talento pra manipular nossa pieguice.), quando o menino reencontra os pais mas não os reconhece de primeira; ele só reconhece a mãe depois de tocar nela. Na verdade, vi Império do Sol há muito tempo e tenho péssima memória, portanto a descrição da cena pode não corresponder à realidade, mas o meu medo tá lá naquela cena.  

Mudanças são necessárias e inevitáveis, é óbvio É a vida,não tem jeito, não adianta a gente querer se esconder embaixo da cama e fingir que nada vai mudar. Elas acontecem até mesmo quando a gente acha que tá parado no tempo e no espaço, até mesmo pra pessoas que se esforçam pra ser sempre as mesmas. A gente pode se iludir achando que tem o controle, mas não tem. NÃO TEM. NÃO TEM. NÃO TEM. Repito pra mim mesma, pra ver se eu aprendo.


 P.S. direcionado: Pessoas que eu amo e leem este blog, por favor, nunca mudem e andem com fotos minhas no celular , para não me estranharem.

3 comentários:

Karine disse...

Eu confesso que as mudanças me incomodam. Tanto físicas como emocionais ou sei lá mais o que. Custa-me acostumar-me a elas. Mas, essas sao coisas da vida e inevitáveis.

Gostei daqui. Te sigo!
Um beijo e feliz semana!

Felipe Fagundes disse...

Eu tenho "mudançafobia". DETESTO mudar qualquer coisa, sou muito apegado a minha rotina. Infelizmente não há como parar o tempo, a gente cresce, envelhece e vamos ter que mudar de qualquer jeito.

Adorei o post (como sempre)

Cíntia Mara disse...

Engraçado que comigo acontece o contrário. O que eu encontro de gente que me viu pela última vez há 10, 15 anos e ainda me reconhece. E com toda a minha "antissocialidade", fico frustrada por não ter mudado tanto.