sábado, 31 de dezembro de 2011

Querido 2011,



Eu queria que tivesse sido melhor; eu deveria ter feito com que fosse muito melhor. Não fui capaz de abandonar medos, não fui capaz de assumir meus desejos, houve dias em que a angústia me soterrou. Fiz escolhas erradas, gastei mais do que devia, me fiz de vítima.

No entanto, você, querido 2011,  me estendeu um leque de oportunidades, tal qual um tabuleiro de baiana, e  pude escolher as alegrias que eu quis. Mais tarde, às 23h59, quando eu olhar pro céu mais bonito do mundo, vou me lembrar do quanto seus 365 dias foram generosos comigo.

Obrigada.

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2012, pode vir com tu-do!

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Resoluções? Só uma: nunca usar calças de couro como as do Ross. (Não entendeu? Como assim você não sabe quais foram as resoluções de Ano Novo do Ross?)


Planos pra 2012: Alguns. Dentre eles, voltar a comer brócolis, cenoura e iogurte todo dia porque tô com saudade de ter cabelo sadio e pele que não precisa de maquiagem.

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Pessoas queridas que aparecem por aqui, sou adepta de querer o bem das pessoas todos os dias, mas  já que o calendário tá aí nos convidando a fazer desejos, eu aproveito pra  desejar, sabe, as maiores, as mais possíveis, as  mais- mais -mais felizes, as melhores coisas da vida pra vocês.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Só não vai ter bolo





Hoje é o aniversário do Fina Flor. Dois anos. Oba! Se há dois anos você me dissesse que eu teria um blog, eu te diria que sua cabeça não funciona direito. Eu achava que blogs eram uma bobagem inventada por gente desajustada que foge de psicólogo. Eu podia jurar que blog e divã são a mesma coisa. Ah, essa divertida arte de pagar a língua.Nesses dois anos, o blog tem sido muitas coisas pra mim ,mas ainda não substituiu a minha analista querida.

Tem dias em que o Fina Flor é o meu HD externo. Quero lembrar de uma música maneira, venho aqui e tenho certeza de que encontrarei o vídeo. Às vezes, finjo que o blog é um daqueles sotãos de filme americano e me escondo em seus espaços silenciosos. De vez em quando, releio algumas postagens e acho que sou um grande gênio, que tudo o que tá escrito é lindo demais. Acontece muito de eu reler e querer deletar tudo e me perguntar pra que eu sento na frente do computador pra escrever tanta bobagem. Na maior parte do tempo, só entro aqui pra olhar as atualizações do meu blogroll. Na primeira postagem que fiz aqui, defini o que o Fina Flor significa pra mim e ainda não mudei de ideia.  Este blog é uma janela. Daqui , eu olho prum mundo que se estende por horizontes além daqueles que vejo da janela do quarto onde escrevo. Daqui, eu aceno e vocês aparecem  pra  bater papo,tomar um capuccino imaginário, tagarelar e sorrir. Às vezes, deito a cabeça no parapeito e alguém até faz um afago.

Escolhi o nome Fina Flor depois que vi um logotipo lindo de uma produtora num folder do CCBB. Achei o nome tão lindo que nem me toquei que poderia soar pretensioso. Afinal, Fina Flor , além de ser uma flor delicada, também é uma expressão para indicar algo que é o suprassumo. Mas, no fundo, essa segunda acepção também cabe aqui: o Fina Flor tem sido tantas vezes o lugar onde guardo o melhor de mim.

O resumo da ópera é o seguinte: adoro o meu blog e adoro que vocês apareçam por aqui. Espero que continuem aparecendo em 2012. 

P.S.: eu andei brincando com o layout do blog. Tava muito enjoada daquelas tuilpas do título e queria passar o aniversário de roupa nova.Não sei ainda se gosto desse novo; ainda não é isso que quero, sabe! Mas, por agora, tá valendo!  

Se tiverem alguma sugestão, tô aceitando.

P.S. 2: eu troquei de  novo o plano de fundo de novo. Deixei o blog aberto e fui na cozinha pegar água. Quando voltei, olhei a tela lá da porta e pensei: pô, que troço feio é aquele? Era o Fina Flor.

Continuo não amando, continuo aceitando sugestões.






terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Rita, a rebelde

Tão lembrados daquele sorteio revolucionário que eu fiz? Tão lembrados que a Rita foi a grande sortuda? Tão? Tão? Então, deixe-me falar mais da Rita. Ela escreve o blog  A Estrada Anil. Já leram? Não? Não sabem o que tão perdendo. Lá tudo é lindo: os posts são lindos, as crianças da Rita são lindas, o cabelo da Rita nas fotos que ela posta é lindo. (Rita, acho que seu cabelo é de diva!). Aparentemente, a Rita é um doce, sabe. Mas só aparentemente, porque , na verdade, a Rita é uma rebelde. Claro que eu já  desconfiava da veia subversiva da Rita, afinal ela nunca respeitou as regras dos memes que postou. Rita transgride as leis dos memes sem culpa nem dó ; e pior: usa de palavras doces pra nos convencer que quebrar as regras é o melhor a ser feito. 

Bem, eu já devia ter desconfiado de  que a Rita  também quebraria as regras do meu sorteio...  Assim que soube do resultado, Rita, a rebelde, entrou em contato comigo, prometendo pensar no nosso presente. Alguns dias  se passaram,  até que  recebo este e-mail:


Baby, eu escolhi, MAS, prestenção.

EU SEI das regras do "concurso", mas eu sou a maior quebradeira de regras da blogosfera, vide memes. Então: eu escolhi um presente que eu daria pra você, tipassim, é o que eu adoraria ganhar também, é algo que sei que vou comprar pra mim já já, já cantei o marido pra ele me dar de natal, essas coisas. ALÉM DISSO, todas sabemos da gastação que é essa época do ano. Só que eu não queria mudar o presente por causa do preço, porque eu escolhi pensando na qualidade, etc etc etc. ENTÃO eu quero quebrar a regra e dizer que você compre o dito cujo pra você e pronto. Só isso. MAS TEM DE COMPRAR MESMO, pra deixar pelo menos parte da regra valendo, hahahaha! Ou seja, eu oficialmente, diante deste cartório gmail libero você de enviar o presente pra mim, todas assinam. Dito isto, o presente é:



Eu tenho Breve História de Quase Tudo, do mesmo autor, e amo demais. Ando paquerando esse livro desde que vi na livraria, há algumas semanas. Ele é seu presente. :-)

Eu ia fazer um post, mas acho que é melhor você fazer, né? Então é isso.

beijocas
Rita

E qual foi a minha resposta? Aceitei, claro, porque  não sei argumentar, porque desisto fácil , porque o cartório Gmail me pareceu muito sério. Aceitei sim ,mas não antes sem contrargumentar. Enviei pra ela a minha contraproposta: 

Ah, Rita,  olha só, entendi direitinho a sua quebração de regra, MAS não me conformo de não te dar nada de presente. Então tenho uma contraproposta.Você já leu O Filho Eterno, do Cristovão Tezza? Eu estou quase terminando  esse livro e, mais de uma vez, fiquei especulando o que você diria sobre o livro. Minha contraproposta é: te dou  O Filho Eterno e ,pra que você não se preocupe com a gastação, te envio o meu exemplar. Dar um livro de que gosto muito pra alguém é o presente que mais me agrada. Será como se eu estivesse enviando um pouquinho de mim pra você. Topas?



Então, foi assim que se deram as negociações entre mim e Rita, a rebelde. Muito em breve enviarei O Filho Eterno  ( Que livro, gente! Que livro!) pra  Rita  , e já comprei o  livro que ela escolheu. Confesso que senti um medinho ao ver o titulo, mas o medo caiu por terra  assim que  comecei a pesquisar sobre Em casa. Agora que já li todo o capitulo dedicado à breve história da cozinha me apaixonei de vez. Cês sabiam  que o milho é o primeiro alimento completamente fabricado pelo homem? Ou que vendedores de cereja  dos séculos passados lambiam seus produtos para deixá-los mais brilhosos? 

P.S.: A Rita ta achando que vai receber só um livrinho em casa. Rá! Veremos!Veremos!





Adeus,fungos malditos!




Tenho que falar do presente que a Rita escolheu, mas nada agora pode ser tão importante quanto o fato de que MEU OUVIDO ESQUERDO VOLTOU A FUNCIONAR. Desculpem a caixa alta, mas o tamanho da letra equivale ao tamanho da minha felicidade. Ficar sem ouvir direito já tava me enlouquecendo. De início, não tava muito preocupada, achei que só a lavagem daria conta de desobstruir o canal auditivo. Nada! Fui numa médica  que  passou o remédio errado e fez lavagem sem examinar antes. A surdez que achei que estivesse curada voltou um mês depois, acompanhada de um zumbido insuportável. Não sei o que é pior: não ouvir ou ter um constante barulho de televisão velha dentro da tua cabeça.




Semana passada, depois de tentar marcar consulta com 3 otorrinos diferentes, encontrei uma otorrino atenciosa, que se interessou em perguntar se eu tomava remédios, quis saber qual era o meu emprego e ainda olhou o ouvido com cuidado antes de  tacar água la dentro. Hoje, depois de uma semana de antibióticos, uma boa parte dos fungos foram pro céu dos fungos. Gente, eu mal acreditei no tamanho da gangue de fungos que se apossara  do meu pobre ouvidinho! Erc!Ainda não posso comemorar totalmente porque é preciso usar o remédio por mais um tempo, lavar o cabelo com cuidado e manter distância do mar. Mas não tem problema, contanto que eu continue ouvindo direitinho.





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Resumo de Natal





O Natal desse ano foi muito diferente. Além de passar 15 horas no escuro (  para a Light, todo meu amor) e no calor ( gostaria de lembrar que moro no Rio de Janeiro) e ganhar um livro no amigo oculto da família 
(em 27 anos, foi a primeira vez que decidiram me dar algo de que realmente gosto), não senti a menor vontade de ser um duende do Papai Noel. 

Sempre fui uma entusiasta do Natal, daquele tipo que atende o telefone cantarolando Noite Feliz e pendura guirlanda até no box do banheiro, mas dessa vez não rolou. Os fungos continuam me impedindo de ouvir, fez um calor pavoroso no sábado, depois choveu horrores,  as mulheres decidiram relatar seus partos ao longo da madrugada escura, o cunhado da minha prima me perguntou umas vinte vezes por que ainda não me casei, o pernil não tava gostoso. Se  ao menos eu gostasse de  rabanadas... Todo mundo tava dizendo que as rabanadas eram a melhor coisa da noite.

Não comprei presentes pra ninguém, não pude usar meu rímel novo (maravilhosa Light) e  perdi o post de Natal menos amargurado porque faltou luz enquanto eu escrevia (eu já disse que amo a Light?).  Já no finalzinho do dia 25, achei que seria legal ver Simplesmente Amor. Tava lá naquela cena em que o Hugh Grant manda transferir a Natalie quando a luz faltou pela milésima vez em 24 horas. Dá pra ser feliz quando a luz acaba antes de o Colin Firth aprender português?


Nem a Aline Barros e  o Paulo Victor ( alguém ainda se lembra dele?) conseguiram me animar. Uma criança cantando a mesma música por 3 dias deveria animar a gente, né?


Que venha o drama " onde vou passar o Réveillon?".

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O Rei e eu

E se eu disser que no domingo passado fui a um show incrível? E se eu disser que o show incrível  foi desse cara aí na foto?



Ok, não dá pra ver quem é o cara. Nós - minha mãe e eu - sentamos longe ( somos pobrinhas) e a minha câmera é modesta.

Então continuemos : e se eu disser que a banda do cara é incrível, que a iluminação do show é incrível, que o público que lotou o Maracanãzinho  forma o coro mais afinado do mundo?

E se eu disser que o show do sábado foi cancelado e que o show do domingo atrasou uma hora e ninguém reclamou?E se eu disser que chorei  de o rímel borrar ouvindo Detalhes e que Jesus Cristo pode ser uma música bem apoteótica?

Vocês acreditam em mim ou acham que estão lendo o blog errado? Ei, sim, sim, eu ainda sou a Juliana e esse é o Fina Flor. E eu AMEI  o show do Roberto Carlos.Continuo não sendo fã do Rei, mas agora entendo a paixão que ele desperta. Aquele show é uma declaração de amor de um artista ao seu público. Roberto Carlos é cafonaço, canta as mesmas músicas há milênios, tava rouco e gripadão? Sim, mas  assim que ele entra no palco cantando Emoções, a gente tem a certeza de  que o ingresso valeu cada centavo. O show é lindo, delicado, vibrante, emocionante. O cara faz um show por ano, mas faz O show. 

Gente, e a banda? Que banda! Que banda! Que banda! 

Que show! Que show! Que show!


P.S.: Só eu acho Detalhes a coisa mais linda do mundo, apesar de ser uma grande rogação de praga? Pô, o cara já começa com " Não adianta nem tentar me esquecer". Deus me livre, né? =p








terça-feira, 20 de dezembro de 2011

" O povo que lê meu blog..."


Já decidi. Vou largar dessa vida de me relacionar com as pessoas  fora da internet e só terei como amigos de verdade as pessoas que leem esse blog. Você são as pessoas mais legais que conheço, pessoas que acham que a minha voz é fofa. A única coisa que eu posso fazer diante de tal opinião a  respeito  do som que sai das minhas cordas vocais é amar cada um de vocês pra sempre.

Quando os atendentes de telemarketing não quiserem falar comigo porque a Juliana com quem querem falar tem mais de 18 anos, eu direi :  " O povo que lê o meu blog me leva a sério e acha minha voz fofa."

Quando meus alunos disserem que minha voz estridente incomoda, eu direi: " O povo que lê o meu blog acha minha voz fofa."

Quando um cara ligar pro meu celular, perguntar três vezes se é a Juliana mesmo que tá falando e disser que a minha voz... hã. ... bem... é mais... adulta pessoalmente, eu direi: " O povo que lê meu  blog  acha minha voz fofa".

Quando tudo isso acontecer de novo, vocês serão  o meu apoio.


domingo, 18 de dezembro de 2011

E o presente vai pra...

Bem, eu já sei quem vai escolher o meu presente de Natal. Se alguém aí quiser saber também, vai ter que assistir ao videozinho.Já vou avisando que tenho voz sexy, muita habilidade com câmeras e nunca gaguejo. Tô pensando em ser apresentadora de tevê, inclusive.




O nome da pessoa sorteada aparece  em 2mim 28s.




Pessoa sorteada, tô ansiosíssima pra saber o que você quer ganhar!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011



Eu já disse aqui que pessoas sofrendo por amor me comovem. Bem, acabo de descobrir uma nova categoria de sofredores que parecem cães deixados na chuva: pessoas reprovadas na prova de direção - aquela do DETRAN, sabe, que te dá uma carteira de motorista.

Pior: estive hoje com uma pessoa que está sofrendo por amor e foi reprovada na prova do DETRAN. Suponho que a metáfora do cãozinho abandonado não dê conta de tanto sentimento de fracasso. Nem chocolate nem presente de Natal dão jeito, suponho.


Estou lendo este livro:





E não consigo falar nada a respeito dele. Bem, até consigo. Imaginem o que é receber ininterruptos soquinhos no estômago. É isso que você sente a cada página virada. 

Um soquinho no estômago não dói, mas tente imaginar 20 soquinhos por segundo.


É um livro que não te dá descanso, nem tempo pra chorar vc tem. O nó na garganta é constante.

 A sinopse é simples : um cara de 28 anos, imaturão e pretensioso, acaba de ser pai de um menino com Síndrome de Down. Considere que a criança nasce em 1980, esqueça o significado da palavra pieguice, pense num escritor fodão. É só  o começo, bem comecinho mesmo.

Ainda vai ter presente

Aviso ao pessoal que quer ganhar presente: vou adiantar o sorteio, tá? É possível que eu esteja passeando na semana do dia 28, então vou fazer o sorteio no dia  18/12. Certo?



Se alguém ainda quiser participar, basta clicar aqui ou na caixa vermelha aí na barra lateral.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Posso pedir que vocês me amem, me mimem, me deem presentes, me chamem de linda, nunca me rejeitem, me façam sorrir, façam um morango ao leite pra mim e participem dos conselhos de classe no meu lugar?

Posso?

Obrigada.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Retrospectiva

Tal qual o paraíso


Ah, os céus do Sul!


 O país mais divertido do mundo


Muito gatinho



Tá aqui porque acho bonita


São Paulo revelou a minha verdadeira face
( se bem que eu prefiro ser o último biscoito)



Onde repousa o meu coração


" ó, Minas Gerais/ ó, Minas Gerais"

Formosa cidade


 17 again


Santo céu  



Meu confidente mais bonito


2011 tem sido generoso comigo.



Please, don´t stop!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Eu nasci no Rio e moro desde sempre na  região metropolitana, portanto não tenho sotaque. Não, não tenho nenhuuuuuum sotaque. Quem foi que disse que a gente aqui tem sotaque?  Essa coisa de não ter sotaque, às vezes, torna a minha vida difícil porque sou daquelas pessoas que não entendem uma palavra do que as pessoas de outros estados falam. Da última vez que vi minha amiga mineira Débinha, fiquei achando que ela era maluca porque usava a palavra " bolsa" como xingamento. Bolsa? Como assim " bolsa" é uma ofensa? A pobre da Débora precisou dizer umas vinte vezes a mesma coisa até que eu  sacasse que ela estava falando BOSTA.

Há uns anos, tive um aluno que era meio mineiro e meio paulista - nascido no interior paulista e criado no interior mineiro. O cara era a pessoa mais participativa da aula, mas passava metade do tempo falando pro quadro, pra paredes, pros colegas que dormiam na aula porque eu não entendia quase nada do que ele dizia. O menino era afoito, tinha resposta pra tudo e era a razão de toda ansiedade que eu sentia antes das aulas. Eu cheguei a  desenvolver técnicas de leitura labial  só pra não precisar admitir pro rapaz que eu não conseguia acompanhá-lo. Ora, eu ia dizer o que pra ele? Fala devagar porque eu  sou essa pessoa que nunca colocou os pés fora do Rio de Janeiro, não convivo com ninguém de outro estado e  preciso urgentemente conhecer as outras pessoas do meu país? Nunca, né? Sou alienada, mas tenho um orgulho ferrenho.

Nessa mesma época, tive um  aluno da Bahia e um outro do Maranhão. O maranhense achava que eu tinha cara de baiana. Aliás, ele me chamava de baianinha. O cara da Bahia achava aquilo uma afronta porque,pra ele, eu podia ser tudo menos baiana. O menino ( não consigo me lembrar do nome dele de jeito nenhum) , recém-chegado de Ilhéus ( como é possível que eu me lembre da cidade do cara, mas não me lembra do nome dele) estava adorando estar no Rio de Janeiro, usava uma camiseta do Cristo Redentor, mas não se conformava com o sotaque desse povo carioca. Certa vez, ele veio me dizer que me achava gente boa e tal, mas que não aguentava minha aula porque eu dizia " oraçõexxxxxxxx surbordinadaxxxxxx". Ele me disse isso com a cara contorcida de nervoso. E eu ainda fui abrir a boca pra dizer que eu nem tinha tanto sotaque, que aquele jeito de falar que ele tava imitando era muito estereotipado. Pra que fui dizer aquilo? Com a minha doce ingenuidade, despertei a ira do moço. Daquele dia em diante, o menino passou a levantar a mão na aula toda vez que eu dizia algo que parecia " carioquês".  

Me lembrei desses alunos antigos porque, hoje mais cedo, tive de pedir pra minha aluna paulista do sexto ano ( ela está morando no RJ há 2 meses) pra que repetisse devagar o que tinha acabado de dizer. Ela repetiu , mas acrescentou desolada: " Ai, professora, eu tô perdendo o meu sotaque! Tô começando a falar como vocês, e eu não quero porque, quando eu for visitar minha família, eles vão achar que eu virei carioca. Vou lutar contra isso!". Ok, as palavras que ela usou não foram exatamente  essas, mas juro que ela disse " vou lutar contra isso".

Tá vendo por que estudar variação linguística é importante? Tá vendo por que é importante que as pessoas me convidem pra conhecer seus estados ( quiçá, seus países) a fim de que eu não tenha mais dificuldade de entender o que meus alunos  dizem?






segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

" Ouça o barulhinho que o tempo no seu peito faz"

Acho que há muitos modos de saber que o tempo tá passando, que é dezembro novamente.

Olho no espelho e vejo o meu cabelo cheio de pontas. Melhor: sinto as pontas do meu cabelo roçando minhas costas na altura das omoplatas.

Olho pra barriga da minha prima e vejo que Vinicius já ocupa um espaço bem grande no mundo.

Assisto, pra não fugir à tradição do meu fim de ano, à décima temporada de Friends, e cada vez mais a câmera que Chandler usa pra tirar foto do Ross bronzeado parece obsoleta.

Corrijo as provas e já tenho certeza de quem não vai ser mais meu aluno.

Ergo a cabeça pra espiar o meu mural de fotos ( tão adolescente com seus imãs de bicicletas e corações) e vejo  o sol de janeiro no Arpoador, o céu estonteante de Curitiba, as paredes de pedra do restaurante de Ouro Preto, as muitas poses ao lado da Bardot em frente ao mar de Búzios, o meu bronzeado refulgindo no metrô paulista.

Mas certeza absoluta de que o tempo passou tive agora. Uma voz grossa me chamou no portão - uma voz que eu não reconheci. Fui lá ver. Era um dos meus alunos do ano passado, daquela turma da qual sempre sinto saudades. Ele é meu vizinho e sempre joga bola aqui na rua; a bola sempre cai no meu quintal e eu sempre tenho que me levantar pra devolvê-la. Hoje, meu ex-aluno e vizinho, que eu vejo todo dia, abriu a boca pra me agradecer pela bola devolvida e disse na sua voz grossa de adolescente: " Valeu, Ju!". Ju. Cheio de intimidade. Feito gente grande.

Eu não queria ,mas preciso dizer, gente: vi esse moleque de fraldas!

Tô velha?


Vem, vai ter presente!

Tá faltando uma porção de gente na listinha de aniversário.



Clique aqui.

Pedro cantando pra mim






domingo, 4 de dezembro de 2011

sábado, 3 de dezembro de 2011

A pessoa com que mais falo no telefone embarca amanhã pra uma temporada de três meses em Viena.  Ela tá indo ser feliz, vai reencontrar o amado, vai sentir frio, vai usar casacos pesados. Só de olhar os casacos que ela tá levando, já senti um frio congelar todos os ossos do meu corpo. Deusmelivre, deusmelivre, deusmelivre!Eu acompanhei os planos pra essa viagem, torci muito por ela, se eu pudesse teria financiado cada centavo que será gasto nela. Nos últimos meses, aprendi onde fica o consulado  austríaco no Rio de Janeiro, aprendi que certidões de casamento devem ser traduzidas, aprendi que cabelos congelam e quebram. É muito divertido estar por perto de alguém que vai pra longe pela primeira vez.

Quando a pessoa com quem mais falo no telefone disse a outras amigas próximas que iria passar 3 meses na terra do marido, elas tiveram uma reação completamente diferente da minha. As outras meninas só sossegaram ao saber que há uma passagem de volta comprada e marcada. A minha mais loquaz interlocutora volta perto do carnaval - o do Brasil, e não o de Viena, como uma das nossas amigas fez questão de enfatizar. Eu, ao contra´rio das outras, não me preocupei com o retorno e  estive todo o tempo achando essa viagem o máximo, mais um episódio de uma história tão bonitinha. Fiquei ainda mais animada ao me lembrar que Viena é a cidade pela qual Ethan Hawke perambulou em Antes do Amanhecer.

Mas aí veio dezembro, chegou o dia em que fui lá desejar boa viagem e deixei de ser a fã número dessa viagem - ainda sou fã, mas larguei o papel de incentivadora. Dar tchau pra pessoa com quem mais falo no telefone  me deu uma pontadinha no coração. São só 3 meses. O que são 3 meses? Quantas vezes já fiquei 3 meses sem ver os amigos? Skype existe ( embora eu o odeie). Deixa de ser boba, Juliana! Essa pontadinha no peito é bobagem! Toma jeito! Tem gente que vai morar em outro país e nem por isso os amigos se matam. Aliás, ninguém tá se mudando! Sabe quantos dias cabem em 3 meses? Essas frases em itálico representam as falas do meu lado racional, mas de verdade tô aqui pensando assim: Com quem eu vou olhar vitrines nesses 3 meses? Com quem eu vou fazer comentários maldosos nesses 3 meses? Vou errar o caminho da casa de quem nesses 3 meses? Quem eu vou " oprimir" nesses 3 meses? Pra quem eu vou ligaaaaaaaaaaaar? Buáááááááá

Ah,  eu tô ... não é triste, nem preocupada, nem... eu só tô. Tem nome pra esse sentimento? Como é que as pessoas aguentam morar longe uma das outras?