Acho que há muitos modos de saber que o tempo tá passando, que é dezembro novamente.
Olho no espelho e vejo o meu cabelo cheio de pontas. Melhor: sinto as pontas do meu cabelo roçando minhas costas na altura das omoplatas.
Olho pra barriga da minha prima e vejo que Vinicius já ocupa um espaço bem grande no mundo.
Assisto, pra não fugir à tradição do meu fim de ano, à décima temporada de Friends, e cada vez mais a câmera que Chandler usa pra tirar foto do Ross bronzeado parece obsoleta.
Corrijo as provas e já tenho certeza de quem não vai ser mais meu aluno.
Ergo a cabeça pra espiar o meu mural de fotos ( tão adolescente com seus imãs de bicicletas e corações) e vejo o sol de janeiro no Arpoador, o céu estonteante de Curitiba, as paredes de pedra do restaurante de Ouro Preto, as muitas poses ao lado da Bardot em frente ao mar de Búzios, o meu bronzeado refulgindo no metrô paulista.
Mas certeza absoluta de que o tempo passou tive agora. Uma voz grossa me chamou no portão - uma voz que eu não reconheci. Fui lá ver. Era um dos meus alunos do ano passado, daquela turma da qual sempre sinto saudades. Ele é meu vizinho e sempre joga bola aqui na rua; a bola sempre cai no meu quintal e eu sempre tenho que me levantar pra devolvê-la. Hoje, meu ex-aluno e vizinho, que eu vejo todo dia, abriu a boca pra me agradecer pela bola devolvida e disse na sua voz grossa de adolescente: " Valeu, Ju!". Ju. Cheio de intimidade. Feito gente grande.
Eu não queria ,mas preciso dizer, gente: vi esse moleque de fraldas!
Tô velha?
3 comentários:
Mais uma em crise nesse fim de ano?????
Não tô em crise,não!
Deu saudades de OP! =(
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