Há um tempo,eu fiz
este post, brincando a respeito do nojo que tenho de palito de fósforos. De vez em quando, recebo um comentário de pessoas que chegam até aqui por causa do Google. Se você colocar no Google a expressão " nojo de palito de fósforo", o primeiro link que aparece é o do post que citei. Além de comentários, já recebi e-mails também e acho legal quando alguém comenta sobre o assunto.
Eu sempre tive nojo de palitos de fósforo. Sei que não tem muito sentido ter vontade de vomitar diante de um pequeno pedaço de madeira, mas quem disse que tudo tem de ter um sentido aparente. Não tenho a menor ideia se esse tipo de nojo recebe um nome especial, se é uma transtorno específico. Eu vivi por muito tempo sem nem desconfiar de que precisava prestar atenção naquela necessidade enorme de lavar as mãos sempre que usasse o fósforo. Só fui ficar mais atenta quando fiz tratamento pra ansiedade.
Durante um ano e meio, fiz terapia cognitivo-comportamental pra aprender a lidar com o TAG - Transtorno de Ansiedade Generalizada. Fui me cuidar depois de sofrer pra caceta, porque a ansiedade generalizada é um troço que detona a tua vida, mas você fica achando que aquela bagunça toda é culpa sua. Em algum momento do tratamento, a psicóloga se interessou pelas milhares de manias que eu tinha - ou tenho, não sei, já não me importo tanto com as minhas maniazinhas de estimação. Lembro que tive de responder a uma infinidade de perguntas e relatar comportamentos que pudessem ser incomuns. Acho que ela estava querendo investigar um possível TOC, mas , graças a Deus, as minhas manias têm permanecido num limite saudável. Só o nojo do palito de fósforo chamou a atenção da psicóloga, daí dedicamos algumas sessões do tratamento a isso. No consultório, pela primeira vez na vida ( acreditem se quiserem; riam se quiserem tb. =p ), peguei num palito sem morrer de nojo e fui me dar conta de que o palito de fósforo é limpinho. No dia a dia, eu tinha tanto nojo que nem olhava direito pro palito. Era pegar a caixa, acender o fogo, jogar o palito imediatamente no lixo e lavar as mãos. Se não houvesse como lavar, servia passar a mão num pano de prato, numa toalha, na perna da calça mesmo. Se eu não limpasse a mão depois de tocar no palito, ficava com aquela ideia obsessiva de que a minha mão estava imunda. Outro problema era comer perto de uma caixa ou de um palito de fósforo. Houve uma época em eu que entrava na cozinha e já ia escondendo a caixa atrás de alguma coisa porque não conseguia comer enquanto a caixa estivesse à vista.
Hoje em dia, quase 4 anos depois do tratamento, ainda sou ansiosa e tenho nojo de palitos de fósforo, mas tenho muito mais controle sobre esses problemas. Palito de fósforo não é o meu objeto favorito. Tenho uma habilidade incrível pra enxergá-lo onde quer que esteja. Acho que fogões com acendedor elétrico são lindos de morrer ( porém o daqui de casa é daqueles tradicionais). Mas não escondo mais caixas, não acho que o palito vai pular dentro do meu prato na hora do almoço e não lavo mais a mão ao tocar nele. Em épocas de mais ansiedade, sinto o nojo aumentar um pouco, mas sempre me lembro do exercício feito na terapia: pegar o palito e ver que não tem nada de nojento dele.
Algumas pessoas que deixaram comentário e mandaram e-mail comentaram que enfrentam dificuldades sociais por conta desse nojo. Eu nunca tive problemas e sempre fiz piada disso. Não era algo que me causava prejuízo no dia a dia, mas uma menina me contou que evita comer na casa das pessoas porque não tem certeza de se o cozinheiro lavou a mão depois de usar o palito. Eu entendo perfeitamente como é se sentir assim. A ansiedade me causou problemas parecidos e o tratamento psicológico fez maravilhas por mim.Como eu disse antes, não tenho nenhuma informação específica sobre o assunto. A psicóloga com quem me consultei nunca tinha conhecido alguém que sentisse nojo de palito de fósforo. Não há na internet nada sobre assunto, tanto que meu post bobo é o primeiro link que o Google oferece. Dando uma de palpiteira, cheia de boa intenção, eu acho que seria legal se as pessoas que estão sofrendo muito por conta desse problema procurassem ajuda profissional. Tem muito médico e psicólogo competente por aí. E , às vezes, é preciso tão pouco pra gente sofrer menos, né? Eu fiz terapia cognitivo- comportamental no Departamento de Psicologia Aplicada da UFRJ. Fui atendida por uma estagiária muito competente que me ajudou muito, muito mesmo. Há várias universidades que oferecem o mesmo serviço por um custo muito pequeno. Se alguém se interessar, vale a pena.
Pra terminar, reforço mais uma vez que não sei nada sobre o assunto; tenho somente a minha experiência pessoal. De qualquer modo, quis escrever esse post porque, já que o Google manda o pessoal que pesquisa sobre o assunto pra cá, pode ser que essa minha experiência seja útil pra alguém.Vai que... =)