sábado, 29 de dezembro de 2012

A escolha de Felipe

Quando pensei nos presentes do sorteio desse ano, tinha em mente justamente celebrar as relações que se estabelecem a partir dos blogs - relações essas que merecem todo um estudo  de caso, eu acho. Porque, oras, você escreve, alguém lê, você lê, alguém escreve, e a gente fica com a sensação de que aquela pessoa que lê e aquela pessoa que escreve são próximas, chegadas. Quantas e quantas vezes eu já não contei pra alguém uma história que li em blog sem dizer que tinha lido num blog? Quantas vezes comprei um livro só porque alguém leu antes e mim e escreveu sobre ele no blog? Aliás, quando minha amiga me perguntou que livro ela deveria pedir no amigo oculto do trabalho, sugeri Pequena abelha sem pestanejar só porque o Felipe, a Rita e a Juliana gostaram. Deveria existir uma nomenclatura mais adequada pra essas interações, algo que fosse além de blogueiro e leitor. Vocês não são meu leitores, poxa! São alguma coisa mais que isso, né? Não sei o quê, mas são. Rá!

Assim que soube que tinha sido sorteado, o Felipe começou a saga em busca do presenteado perfeito. Ele pegou o espírito da coisa e achou que a pessoa sorteada devia ser escolhida de uma forma bacana. Primeiro, ele teve uma ideia mirabolante que me fez dar graças a deus por ele ter desistido; em seguida, ele me contou que tinha pensado em fazer uma escolha óbvia e mais uma vez eu achei ótimo que ele tenha desistido; por fim, ele decidiu e fez uma escolha pra  lá de simpática. Pois bem, vou deixar o Felipe contar pra vocês:


Quando eu disse para a Ju quem seria a pessoa escolhida e o porquê dessa minha escolha as palavras fluíram naturalmente mas agora que preciso revelar ao mundo (sintam o drama) estou me sentindo naquele comercial antigo do CCAA em que as palavras fogem e só o SORRY fica pra trás (muito drama). Mas vamos tentar, com calma.

LILIAN DO CAFOFO, O PRESENTE É SEU!

Pronto, falei.
Por quê? Bom, porque a Lilian é uma das pessoas mais engraçadas do Twitter e sempre me diverte com seus comentários ácidos ou não tão ácidos assim. A Lilian não pode ser descrita exatamente como fofa, porque ela é braba. Mas uma braba legal. Daquelas que botam a boca no trombone quando tem que botar. Uma braba que é louca por viagens, livros, cadernos enfeitados e que merece um presente de natal atrasado por também ser uma mãe não oficial do F.Harquimedes.

E não tem "rabudice" nenhuma nisso, Lilian, o presente é seu porque você é você. Feliz Natal atrasado!

Lílian, adorei a escolha do Felipe. 

Agora, eu tô ferrada! Dois presentes, duas pessoas que escrevem blogs que eu adoro. Onde foi que eu amarrei meu burrico?



quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Happy Birthday





O blog completa hoje 3 anos. Um recorde, eu acho.  Desisto tão facilmente das coisas que 3 anos são quase uma era geológica. E eu continuo gostando muito, muito dessa minha janelinha  virtual.  Ainda tenho umas crises com a " cara" do Fina Flor; eu queria tanto que ele fosse um blog legal de ler e de se ver; morro de inveja dos blogs visualmente bonitos que existem por aí, mas tudo bem. O Fina Flor tem uma aparência modesta,  no entanto eu gosto dele mesmo assim. 

Pra fazer uma coisa diferente nessa data, pensei  em dar uma remexida no arquivo e mostrar  5 posts de que mais gosto.  Não sei se são posts bonitinhos, populares, legais; são apenas os que mais gosto de reler. Não tenho muito o hábito de reler o blog. Aliás, isso fica bem claro diante da quantidade absurda de erros de digitação e de gramática nos posts de um modo geral. Tenho preguiça de reler, quero logo postar, aí tenho que ficar consertando depois. Reler também pode gerar um acesso de autocrítica um tanto dramático. Já houve vezes de eu pensar em apagar os posts todos. Quanta bobagem junta, meu deus! Vou deletar  tudo isso! Exagero pouco é bobagem, né? Pois bem, os posts a seguir são aqueles que passam pelo crivo da preguiça e da autocrítica, aqueles que espio de vez em quando.

O favorito de 2010: A receita do meu salgadinho preferido

Já contei pra vocês que adoro joelhos, né? Não aqueles que ficam no meio da perna, que  permitem que a gente ande e  que carregam as marcas das travessuras infantis. Desses, eu não sou fã,não? As articulações do corpo são funcionais e fundamentais,mas não são bonitas. Continua aqui.

O favorito de 2011:  Houve quem achasse que era um post de uma mulher apaixonada, mas  não é. Quem me conhece um pouquinho mais saca de cara a quem esse post é direcionado.

Você nos acostumou mal. Em algum momento lá no passado, você decidiu, sem querer, que a sua arma pra se garantir nesse mundo seria a doçura. Açúcares e afetos acostumam e viciam. Nessa vida tão cheia de gente doída e maluca, é quase um bálsamo esbarrar com você por aí, com esse seu riso fácil, seu humor delicinha e sua cara  boa de boa gente. Daí que é muito fácil te querer por perto, daí  que é muito facinho, facinho se acostumar com tanta mansidão, enquanto o mundo lá fora é tão inóspito. Continua aqui.

O outro favorito de 2011: Tão, tão a minha cara. Acho que é o meu favorito de todos.

Sutileza é coisa pra se admirar, eu acho. Tão lindo quem sorri macio, escuta quieto, nunca agride, nunca devasta, nunca descamba com tudo. Bonito isso de respirar antes de falar, de reagir na mesma medida da ação recebida, de pensar, só pensar um pouquinho antes; um cadinho de pensamento já basta... Continua aqui.

O favorito de 2012: Caí de amores pelo O Grande Gatsby e gosto do post que fiz sobre ele. Aliás, adoro "brincar de resenhar", mas tenho sempre preguiça.

Eu tentei. Juro que tentei não me apaixonar pelo O Grande Gatsby. Segui a leitura com cautela, tal qual uma garota que se aproxima do menino que todas as amigas amam. Eu não queria cair no engodo de uma paixão calcada somente no amor alheio. Queria me apaixonar por conta própria. E aconteceu: estou completamente apaixonada pelo livro. Acabo de tomar assento ao lado das tietesContinua aqui.

O outro favorito de 2012: O sentimento que motivou o post não é legal, mas acho que o texto ficou bacana.

Eu carrego por aí uma mochila enorme e, às vezes, ela me parece a metáfora da solidão que me bate no meio da manhã. A solidão se entranha nas horas das manhãs foscas e me invade por dentro, como água rompendo represa. Sento, abro um livro, mexo no celular, como meu iogurte, bem ali ao meu lado, o mundo acontece e eu olho. Continua aqui.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O perdão

Não sou a pessoa favorita do Vinícius. Ele gosta bem mais da minha mãe, dos outros primos dele, da minha tia que mima bebês. Não sou boa com bebês, não sei diverti-los, falo alto. Vinícius vive se assustando com as minhas risadas repentinas. Mas ele não me odeia. Ele me conhece, sabe que posso ser uma boa aliada quando a mãe dele o coloca no berço, se joga nos meus braços se os braços que o seguram são menos confortáveis que os meus. Deu pra sacar? Uma simpatia que é quase amor.

Mas de uns dias pra cá, Vinícius não queria me ver nem coberta de mucilon. Bastava que eu chegasse perto pro menino chorar. A mãe dele me pedia pra segurá-lo um pouquinho, e o menino esperneava irritadíssimo.  Perdi a conta das vezes que o moleque virou a cara pra mim.  Muita rejeição! Estávamos todos intrigados. Nunca serei a primeira alternativa na hora de trocar fraldas, mas ninguém cogitaria a possibilidade de me tachar de madrinha má. 

Pois bem, decidi chegar no menino e tratá-lo de igual pra igual.  Cheguei pertinho dele e perguntei: " Eu te fiz alguma coisa, chuchu? Se eu fiz, me desculpa! Você me desculpa?" Sério. Perguntei mesmo. Seja porque tava muito bem alimentado no colo da mamãe, seja porque me entendeu e me perdoou, Vinícius me agraciou com um dos seus apertões  em volta do meu pescoço - que gostamos de achar que são abraços - e voltou a alguma das suas tarefas habituais, do tipo esfregar a chupeta no chão, ou coçar o dentinho que tá nascendo, whatever.

Juro que foi assim.


Caicó

Olha, eu acho Milton Nascimento chato, chato, chato ( ok, eu estou preparada pra receber as pedradas; tô com o meu escudo aqui), mas essa moça me deixou completamente embasbacada:


Deusdocéu!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

"Eu adoro gente, conheço todo tipo, mas faço amigos em marcha lenta. Porque nos afetos eu sou um tipo de pessoa que gosta de tudo que árvore gosta: solidez, raízes profundas, fidelidade. Então não dá tempo de fazer muitos amigos, porque não dá tempo de cuidar deles. Faço um amigo por ano, em média."

copiei daqui.


Vou imprimir e entregar como cartão de apresentação. 
Paulo Victor foi o maior presenteado da noite. Uns três caminhões legais,  jogos pro PS3, tacos de beisebol ( de plástico), cesta de basquete (em miniatura), carrinho de colecionador e O Pequeno Príncipe. O livro foi dado por mim. Ele não queria, ligou aqui pra casa umas 30 vezes pra deixar bem claro que ele já tem livros o suficiente, mas eu dei o livro mesmo assim.  Embrulhei junto com a cesta de basquete pra amenizar o impacto, mas dei.  Este é o meu jeito de contribuir pra formação de novos leitores. Rá!

Enquanto abria os presentes, Paulo Victor saltitava e dizia, claramente emulando algum personagem do Discovery Kids: " Sou um menino muito sortudo! Muito, muito sortudo!"

***

As  festas de família sempre foram um peso.Anos e anos, desde que me entendia por gente, me sentindo deslocada, odiando tudo, esperando que uma nave alienígena viesse me buscar pra aventuras interplanetárias. Um saco, um tédio, quero morrer. Até que um dia a analista perguntou: " Já tentou fazer com que seja mais leve?" Louca, né? Leve? Rá! Leve? Humpf! Claro que eu duvidei da sanidade da analista! Doida, doida essa mulher. Leve? Rá! Leve? Humpf. Mas mesmo assim resolvi tentar. E naquele esquema de tentativa e acerto, ontem tive uma confirmaçãozinha de que meu projeto de leveza tem dado certo. Eu já sabia que tava dando certo há anos, mas feedback externo é legal. Minha tia sentou do meu lado e veio perguntar se eu vou viajar no ano novo - justamente a tia que me disse uma vez que nunca passou um ano novo longe da família porque é assim que tem que ser. Bobagem dela, né? 

Bobagem minha também, mas a pergunta da minha tia foi uma espécie de presente de natal pra mim.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Holly Night





Feliz Natal, Charlie Brown!


Eu tava desanimadíssima, aí decidi caçar músicas de Natal pra tocar mais tarde na ceia. Resultado: estou aqui girando e cantando pelo quarto.  Pra entrar no clima da festa, resolvi  parar de enumerar as desgraças e simplesmente pensar na comida boa que vou comer à meia- noite e nas pessoas pra quem vou ligar. 

Além do mais, adoro o fato de que Jesus nasceu.


***

E tem rabanadas, né? Não como rabanada porque açúcar e canela não rolam pra mim, mas fazer rabanada é coisa mais divertida do mundo.  Rabanada boa é aquela que causa muita sujeira; leite e ovo batido respingados no chão; farelo de pão no avental.  Natal feliz é sinônimo de fazer rabanadas.

***


Vem cantar também, gente:












quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Extra! Extra! Extra!

Eu tinha combinado que  faria  o sorteio amanhã,  20/12, mas decidi descumprir o combinado. Não sei onde tava com a cabeça quando marquei o sorteio pra amanhã. Essa semana tá pedreira, quinta e sexta serão dias especialmente ocupados, então decidi sortear de uma vez.

Pois bem, eu já sei quem vai ter a imensa e incrível honra de ganhar um presente. 



O nome da pessoa sorteada aparece em 2 min 33s.

P.S.: Ah, e  prometo não ficar chateada com as risadas que vocês darão às minhas custas.


Queria ter escrito ontem pra registrar o dia certo, mas  o cansaço me venceu. Cansaço. Cansaço. Muito cansaço. No dia de ontem, chegou ao fim um período de muito cansaço. Ainda não veio o alívio total porque as burocracias tão atadas aos meus pés ainda, mas, ó, o pior já passou.

 Falo da escola e dos alunos sempre muito amorosamente por aqui - e falo com verdade. Apesar da dureza de algumas relações difíceis, das pressões, da falência do sistema, há ternura e um certo encantamento permeando a sala de aula. Esses sentimentos me dão vontade de escrever, por isso o Fina Flor parece o blog de uma professorinha fofa e feliz. E eu gosto desse olhar açucarado; não quero perdê-lo. Meu maior medo é o de perder a capacidade de olhar pras pessoas com quem trabalho com doçura, especialmente pros adolescentes. Porque só muito afeto dá conta de aliviar a chatice e o trabalho que é lidar com muitos adolescentes ao mesmo tempo. Um adolescente já é difícil, imaginem 30/ 35 no mesmo espaço por horas seguidas. Pois é.

E eu tava acostumada com a ternura, com a doçura, com os sorrisos, com a cara feia e minha pose de durona que surtiam efeito. Nesses poucos anos de trabalho, tive todos os problemas que os professores enfrentam, obviamente, mas vou aprendendo a lidar com eles. Tô mais cascuda. Mas nunca antes eu tinha precisado lidar com hostilidade, maldade e até uma certa dose de crueldade. E, olha, não é legal.  É infinitamente menos que legal. De início, recorri à minha capacidade de compreensão. Eu sou uma pessoa bem compreensiva - e nem sempre isso é bom. Sempre entendo os dois lados, sinto pena, não morrerei por falta de empatia. Daí escolhi ser compreensiva: é difícil se adaptar a mudanças, as transições são complicadas, eles são meninas e meninos, vai dar tudo certo. É, não deu. A empatia foi vencida pela complexidade da situação, e, pela primeira vez, nesses anos como professora, a doçura escapou de mim. Houve um dia - e lembro bem que dia foi esse - em que parei, sentei e pensei: "não dá!". E foi bem assustador. Ora, sempre tinha dado, eu sempre entendia, no fim, as coisas se ajeitavam, eu conseguia sorrir e balançar carinhosamente a cabeça no final do ano. Dessa vez, não houve afeto, não houve doçura. Meu estoque de gentileza e educação se esgotou, e eu fiquei desamparada. Descobri que há batalhas nas quais a gente não pode e não deve lutar, ainda  tenha sido convidada a guerrear. Não era uma questão de gostar ou não gostar daquelas pessoas - eu já tinha não gostado de outros alunos tantas vezes antes. Pela primeira vez, eu não queria estar de jeito nenhum com aquelas pessoas que estavam levando, ao último patamar, a imaturidade de quem não entende que a  vida não é como a gente quer.


Meninas e meninos adolescentes são pessoas, a gente esquece.  Pessoas são capazes de muitas coisas - boas ou ruins. Um grupo pode influenciar positiva ou negativamente. Um grupo pode potencializar o que a gente tem de bom e de ruim. Até esse ano, eu tinha conseguido equilibrar essas variáveis todas no meu trabalho, mas, dessa vez, não deu. E eu não tiro dessa situação nenhum sentimento que não seja o de alívio. ACABOU. E minha ternura não ficou na estrada/ não ficou no tempo presa poeira.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

De castigo

  1. Não devo odiar conselho de classe.
  2. Não devo odiar conselho de classe.
  3. Não devo odiar conselho de classe.
  4. Não devo odiar conselho de classe.
  5. Não devo odiar conselho de classe.
  6. Não devo odiar conselho de classe.
  7. Não devo odiar conselho de classe.
  8. Não devo odiar conselho de classe.
  9. Não devo odiar conselho de classe.
  10. Não devo odiar conselho de classe.
  11. Não devo odiar conselho de classe.
  12. Não devo odiar conselho de classe.
  13. Não devo odiar conselho de classe.
  14. Não devo odiar conselho de classe.
  15. Não devo odiar conselho de classe.
  16. Não devo odiar conselho de classe.
  17. Não devo odiar conselho de classe.
  18. Não devo odiar conselho de classe.
  19. Não devo odiar conselho de classe.
  20. Não devo odiar conselho de classe.

Sabem quando a gente é aluna e fica achando que conselho de classe é aquela reunião na qual os professores comem pizza e se divertem reprovando o maio número de alunos possível? 

Então, não é assim.


" Escrevo com as mãos atadas. Na concretude imóvel do meu quarto, de onde não saio há longo tempo. Escrevo sem poder escrever e: por isso escrevo. De resto não saberia o que fazer com esse corpo que , desde sua chegada ao mundo, não consegue sair do lugar. (...) Não falo de aparência física, mas de um peso que carrego nas costas, um peso que me endurece os ombros e me torce o pescoço. (...) Um peso que não é todo meu, pois já nasci com ele. Como se toda vez em que digo 'eu' estivesse dizendo 'nós'.

Um sopro me paralisa. Uma espécie de fardo. Pesado. Mais do que isso: bruto, acimentado, capaz de me tirar todas as possibilidades de movimento, amarrando  as articulações uma à outra (...). Não que eu seja uma pessoa triste. Não se trata de ser ou não ser feliz, mas de uma herança que trago comigo e da qual quero me livrar. Nem que para isso tenha que correr riscos sem medida, nem que pra isso tenha de me desfazer de tudo que construí até hoje, de tudo que acreditei ser a minha vida."

Do livro que mal comecei a ler e que já tá apertando a boca do meu estômago:
A Chave de Casa, da Tatiana Salem Levy.

Essa danada escreve lindo demais.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Último dia

Liberei o uso das câmeras e dos celulares pra que todos pudéssemos tirar fotos. Eu queria tirar fotos pra que, mais tarde, quando os nomes de todos eles sumirem da minha memória, eu possa ainda me lembrar da nossa convivência. Aprovados, aliviados, animados, tão jovens. Em algum momento entre posicionar a câmera e disparar o flash, senti um nó na garganta. Obviamente, não deixei que o nó escapasse pelos olhos ou coisa que o valha. Professoras não choram no último dia; professoras saltitam de felicidade no último dia, fazem a dança da liberdade, agradecem ao universo pelas aprovações alcançadas. Em vez de chorar, tão açucarada que sou, tirei fotos e fotos e posei pra outras tantas com o meu melhor sorriso.

Mais tarde, no ônibus, olhando as fotos todas no cartão de memória, fiquei me perguntando por que aqueles retratos de adolescentes escandalosos me comoveram tanto. A resposta estava ali mesmo, mais adiante, no cartão de memória. Sábado aconteceu o amigo oculto mais esperado. Meses de e-mails, preparações, especulações, buscas por presentes que culminariam numa tarde leve e feliz. Somos uns 15. Quase todos estudaram juntos, quase todos estivemos na mesma escola, todos temos um vínculo que remete a tempos em que os presentes  de amigo oculto eram feitos com giz de cera e cartolina. Somos adultos hoje. Alguns têm novas famílias, alguns dirigem  carros e motos, todos têm conta no banco e  salário, nossos presentes não são mais manufaturados, uma de nós está do outro lado do oceano. Mas guardamos algumas semelhanças com as meninas e meninos que fomos. Somos ainda um tanto parecidos com meus alunos e suas poses juvenis. Fazemos um estardalhaço pra posar pra fotos coletivas, fingimos ousadias em fotos bobas, cantamos o refrão que só quem esteve no encontro do ano passado vai entender. Olho pras fotos dos meus alunos e me dou conta dos anos que se passaram desde o primeiro amigo oculto. E nós temos planos pro futuro: faremos  amigo oculto via holograma, se for necessário. Com eles e por eles, sem esforço, sem cobranças, só porque a gente tá junto, eu ouço as minhas risadas e me reconheço; eu falo um tom acima e acho bom; meu corpo fica mais leve.




segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"Quem te conhece/ não esquece jamais"


antes de ler: eu sempre namoro  a pieguice, mas devo avisar que o  nível de açúcar desse post atingiu a estratosfera.


A Jussara pediu num comentário do post anterior que eu falasse mais  de Tiradentes. Pois bem,  um pedido de Jussara é uma ordem por aqui. Um post sobre Tiradentes faz parte  dos meus planos desde que coloquei os pés em casa, mas , ó, o cansaço anda me vencendo. Além disso, os efeitos de Tiradentes são de ordem tão abstrata que não sei se sou capaz  de me fazer entender, mas vou tentar.

Os dois últimos meses foram pesadinhos. Novo trabalho, novas escolas, novas pessoas, choques de realidade, adaptação. Eu ando cansada e precisando de amor. É que não cabe entrar em detalhes aqui no blog, mas imaginem filme americano sobre escola complicada; então, é por aí - ou talvez pior, porque eu não tenho talento pra heroína de película de superação. Mas, por outro lado, eu tô feliz comigo, com o modo elegante e razoavelmente equilibrado como estou lidando com as novidades. As coisas se ajeitam, a gente encontra saídas e soluções, tudo se acerta. E mais: meu trabalho é o meu trabalho, eu sou eu - duas coisas bem distintas. É importante ter isso claro na minha cabeça, porque aí eu me lembro de que não tô no mundo pra arrastar correntes e bolas de ferros. 

No entanto, apesar do razoável equilíbrio,  ando cansada, contando nos dedos os dias que faltam pro fim do ano. Ainda é novembro por aqui, como vocês sabem. Aí decidi usar os poderes que a idade adulta nos oferece: fui pra Tiradentes tomar capuccino. Estávamos minha amiga e eu no shopping, procurando um capuccino decente e não achamos. Virei pra ela e disse: "Vamos pra Ouro Preto tomar aquele capuccino bom?" Ela topou, Ouro Preto se transformou em Tiradentes, ela reservou a pousada que tinha as fotos mais bonitas, eu fiz uma mala com  3 blusas, uma calça, um vestido e fomos. Nós não esperávamos de Tiradentes nada além de um capuccino decente. E , vejam bem, há um mundo de significados nesse desejo por capuccino. Não somos tão frívolas assim.

Eu estou aqui no Rio de Janeiro, vocês sabem, na região metropolitana  de uma das maiores cidades do mundo. Nascer e viver  no Rio e nas cidades da região metropolitana significa muitas coisas, dentre elas carregar uma certa truculência disfarçada de despojamento. Somos despachados, caras de pau, gostamos de sol e praia, andamos de chinelo no shopping, mas não somos gentis. Eu não vejo gentileza em mim nem nos meus conterrâneos. Daí cheguei em Tiradentes saturada desse modo de ser, aterrada pela dureza das relações difíceis num espaço problemático como a escola e fui abraçada ( não consigo encontrar outra palavra) por aquela cidade silenciosa, mansa, delicada. Tudo em Tiradentes é delicado: as casas, as ruas, os aromas que escapolem pelas portas dos restaurantes, as lojinhas de lembrancinhas, as pessoas. As pessoas de Tiradentes encheriam o Profeta Gentileza de orgulho. Você chega e um mundo de simpatia se despeja sobre você. As vendedoras das lojas não te olham feio porque você não quer comprar o paninho de prato da loja. Os garçons não jogam os pratos na tua mesa.  E mais: uma cidade tão pequena, num período de baixa temporada, pode dar conta de se lembrar de duas mulheres um tanto barulhentas e encantadas que já passaram umas dez vezes naquela esquina em menos de 2 horas. Recebi mais bom-dia nos 3 dias que passei lá do que nos últimos dois meses.


Tiradentes é pequenina -  8 mil habitantes, segundo a moça da chocolateria. E linda. O sol derrama uma luz  diferente sobre aqueles prédios antigos. O céu da noite é uma absurdo de estrelado; as estrelas parecem mais baixas e eu , uma romântica admiradora de estrelas, fiquei contando todas elas. E há tanto silêncio que se ouvem grilos na rodoviárias, o barulho da chuva, o som da própria respiração na hora de dormir. A gente está  aqui acostumada com o grande, o enorme, o barulhento, aí vem Tiradentes e te dá a beleza da miudez.




 Há também o capítulo especialísssimo das comidas: nunca comi tão bem. Do espetacular pão de queijo da pousada, passando pelo estupendo tutu ( e baratíssimo) do Bar do Celso e chegando ao feijão tropeiro do Restaurante do Padre, não comi nada que não fosse MUITO BOM. Ah, claro, encontramos o capuccino que queríamos: decente, decentíssimo, o melhor que tomei até hoje. O capuccino perfeito é servido numa loja especializada em rocamboles tão bonitos que quase me fizeram reconsiderar a minha aversão a doce deleite. 



Tiradentes me deu a chance de sentar na praça, numa noite quente  e estrelada, e planejar festas hipotéticas.  Me deu a vista  do sol se escondendo todo laranja e lindo naquele céu de nuvens densas. Me deu risadas e  uma pizza FABULOSA, sem hora marcada pra voltar, sem buzinas e apertos. Me deu a lembrança das moças legais da loja cheirosa que me ensinaram um macete pra fazer render o sabonete que comprei. Tiradentes me deu o presente da delicadeza.

 E eu já tô cheia de saudade.

Muita saudade.





terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Vem, vai ter presente!

E chegou aquela época do ano em que me faltam tempo, engenho e arte: escolas, provas, notas, os detestáveis conselhos de classe, o inferno na Terra, minha cabeça vai explodir. Dezembro chegou, e eu nem percebi. Bem, mas esse post não é pra falar do peso que o último mês do ano deposita sobre minhas costas. Esse post tem como objetivo cumprir uma tradição: Dezembro é mês de presente no Fina Flor. Viva! Oba!

Vamos lá! Como é impossível mandar o Papai Noel bater na porta de todo mundo que aparece por aqui, 

vou enviar um presente para uma das pessoas que lê o Fina Flor




 Para tanto, usarei um método incrivelmente inovador de sorteio no dia 20/12. Você, você mesmo, que está aí lendo considere-se convocadíssima (o) a deixar um comentário neste post, dizendo que é claro, lógico, óbvio que você quer participar do sorteio. Mas, ô, Juliana, como é que vou participar de um sorteio se nem sei o que será sorteado? Peraê que eu explico no parágrafo seguinte. Vamos lá!

Depois de pensar, pensar, pensar e não ter nenhuma ideia brilhante, decidi que o presente desse ano será o imenso e incrível  prazer de receber um presente escolhido por mim. Olha que maravilha! Ano passado, a sorteada teria de escolher o seu próprio presente, que também seria o meu presente, lembram? Mas a fórmula não deu muito certo. A Rita burlou as " regras" e acabou que escolhi o presente dela. Dessa vez, vai ser assim:  eu faço o sorteio, eu escolho o presente! Rá, como tô mandona! Mas, pra que vocês não digam que sou totalitarista, achei por bem conceder algum poder ao sorteado.Então, vai ser assim: a pessoa sorteada, além de ganhar presente, vai escolher alguém para ganhar um presente também. Ai, Juuuu, que máximo! Posso escolher a minha mãe? Não,quer dizer, pode... Ai, melhor explicar direito.  A pessoa sorteada deve indicar alguém  para ganhar um presente escolhido por mim, mas a pessoa indicada tem que ser alguém que tenha um blog ou leia blogs. Qualquer um que tenha blog, qualquer um que que leia blog? Você vai poder indicar qualquer pessoa que escreva em qualquer tipo de  blog ( não precisa ser leitor do Fina Flor, nem precisa ser um blog que eu conheça) ou alguém que goste de blogs. Um sorteio, dois presentes, simples assim.


Ajeitando tudo:

1- Vou sortear uma pessoa pra ganhar um presente. As chances de que algum de vocês receba um livro é gigantesca, viu!

2- A pessoa sorteada escolherá  uma outra pessoa, blogueira ou leitora de blogs, para a qual eu também enviarei um presente. A pessoa indicada não precisa ser leitora do Fina Flor e nem precisa ter um blog, mas precisa estar na blogosfera de algum jeito.

3- Deixem um comentário NESTE POST dizendo que querem participar do sorteio.

4- Sorteio no dia 20/12. A sorteada ou o sorteado deve entrar em contato até o dia 30/12. Se não houver nenhum sinal de vida dentro desse prazo, refaço o sorteio.

5- Peço aos leitores silenciosos  e àqueles que não têm blog que deixem um e-mail ou o twitter, para que eu possa avisar se forem sorteados.

6- O sorteio vale pra pessoas que moram no Brasil e fora dele, viu?



Acho que é só. Espero que  dê certo! Tô esperando os comentários de vocês, hein!


Inscrições encerradas!




"I hate to go"









sábado, 1 de dezembro de 2012

A cidade delicada

Tiradentes me enche de amor com suas ruas lindas, sua comida boa e cheirosa, sua luz suave, sua gente tão gentil, seu silêncio.

Tão linda, tão delicada.

Não quero ir embora.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Preguiça. Preguiça. Preguiça. Muita preguiça.

A maior preguiça do mundo é minha.  Eu deveria ganhar um prêmio por isso.

domingo, 25 de novembro de 2012

Tal qual Otelo

Se gênios da lâmpada existissem  e um deles viesse me visitar, eu imediatamente saberia o que pedir. Seu Gênio da Lâmpada, me livra desse fardo que é o ciúme; um coração leve e livre é o que eu mais desejo. Obrigada. Sou ciumentíssima, confesso. Sempre confesso. E não me orgulho. Ciúme não é bom, não é bonito e dói - como dói. Uma pessoa ciumenta, por mais elegante, educada, equilibrada que seja, nunca respira macio; o ciúme acelera as coisas dentro da gente, descamba com tudo, ainda que silenciosamente. Odeio ciúme, odeio ser ciumenta. Mais uns dez anos de análise pra mim.

Daí que semana passada Paulo Victor veio aqui pra casa. Paulo Victor ama passar feriados aqui em casa. Tem o vídeo game do marido da prima, tem a rua tranquila pra soltar pipa, tem os mimos e surpresas da vovó, tem o meu celular e seus jogos retrô. Paulo Victor não acredita que eu jogava PacMan quando era criança. Na verdade, suponho que ele nem consegue acreditar que já fui pequena  como ele, mas enfim. Junto com Paulo Victor, veio também Vinícius e sua mãe. Quer dizer, Vinícius e a mãe moram mais perto, tão sempre aqui, mas,quando Paulo Victor vem, Vinicius e a mãe vêm mais. Paulo Victor adora que eles venham, gosta de morder a barriga de Vinícius, fica todo besta quando Vinícius, do alto dos seus 9 meses de vida, se joga no colo dele. Eu entendo, eu também fico. Mas de uns tempos pra cá, o elétrico e adocicado  Paulo Victor não tem sido tão adocicado assim quando Vinícius tá por perto. O doce vira mau humor dos brabos, e de vez em quando escapa um " ninguém tira foto minha", " Ju, me pega no colo também", " eu cheguei e ninguém falou nada". Uma chatice. Aí minha mãe matou a charada: Paulo Victor tá  com ciúme do Vinícius! Como é que eu nunca tinha pensado nisso? Justo eu, tão cheia de ciúme, não tinha me dado conta de que a chatice era o modo de dizer " ei, não tô me sentindo amado o suficiente!".

Me peguei aqui tentando achar um jeito de explicar pro Paulo Victor que não é preciso se sentir menos amado porque outra pessoa chegou. Que  a gente ama muitas pessoas ao mesmo tempo. Que amor não precisa de advérbios de intensidade nem comparações. (bem, essa do advérbio é furada porque Paulo Victor mal sabe o que é uma sílaba.) Que bebês deixam a gente meio deslumbrado, mas que meninos de 6 anos são ainda mais interessantes, com suas piadas, suas tiradas, suas descobertas, sua energia infindável. Que Vinícius é de uma lindeza sem fim, mas cansa, irrita, dá preguiça tanto quanto meninos de 6 anos que choram pra não tomar banho. Que, oras, o nome disso que ele sente é ciúme  - o mais descabido dos sentimentos. 

Como eu sou hipócrita, vejam só. Quero que um menino de 6 anos entenda aquilo que  nunca me ocorre  quando me pego chafurdando no  esse amor não basta, a minha parcela de amor é sempre a menor mesmo, vou me trancar aqui e nunca mais amar ninguém. Meus 28 anos não me tornam mais esperta; os 6 anos de Paulo Victor não tornam os sentimentos dele menos lícitos.  Como é duro ser gente, às vezes!


domingo, 18 de novembro de 2012

Brincando de resenhar

Vou pouco ao cinema porque tenho preguiça. Mas era feriado, o amigo disse que o filme era bonito, tinha companhia, então fui. Não estava nos meus planos  gostar de Gonzaga - De pai para filho , mas eu  gostei. E, olha, tive de esperar os créditos acabarem, os espectadores todos saírem, antes de levantar após o término do filme. Pensei em me esconder embaixo duma poltrona daquelas até que os meus lábios desinchassem. Não conheço ninguém que chore com elegância, mas eu me supero. O choro intenso detona com a minha cara: os olhos pequenos somem ainda mais, o beiço incha, fica enorme mesmo, coça. Uma calamidade. O danado do filme me desidratou.

Gonzagão é um continente imenso nos domínios da minha memória afetiva. Aos cinco anos, eu formava com ele e minha vó um trio improvável. Ele na vitrola, minha vó no tanque, e eu com meu microfone imaginário, girando e dançando pra minha plateia imaginária. Sempre estive no Rio de Janeiro, nascida, criada; eu abro a boca e todo mundo sabe de onde eu vim, no entanto, as lembranças da minha infância remetem a uma saudade que Gonzagão inventou pra mim. Eu cantava um Sertão que nunca vi. Morria de pena do Assum Preto, cujos olhos foram furados, sem nem saber o que era um Assum Preto. Levei anos pra entender do que Asa Branca, a música mais linda do mundo, falava. Gonzagão, muito antes de ser o Rei do Baião, é um rei pra mim. Deu pra sacar o nível de amor? Muito amor. Mas eu não sabia nada do Gonzagão de carne  e osso, não tinha ideia de como era  a relação dele com o filho; Gonzagão era só o moço com chapéu legal na capa do disco de vinil.

De  pai pra filho não é um filme primoroso. Já li em algum lugar que a película ( ai, que chique!) beira o dramalhão, é didática demais, parece novelão. Concordo, na medida que meu nulo conhecimento de cinema permite concordar, mas quem liga pra didatismos e defeitos quando uma história linda tá sendo contada? Bem, talvez "linda" não são seja o adjetivo adequado, " humana" me parece mais certeiro. O filme faz  mais que nos apresentar a trajetória de um pop star; De pai pra filho mostra as entrelinhas da relação fundamental entre um homem e seu filho; relação essa que não pode ser negada, ainda que se estabeleça na ausência. A gente conhece o Gonzaga homem, o seu passado, as suas escolhas, os seus erros, tudo aquilo que vai determinar os caminhos do relacionamento dele com o filho. E não há como não sentir empatia por dois homens que viveram do jeito que souberam viver, frutos de suas épocas, iguaizinhos a mim e a vocês. Não há também como  não se emocionar com o amor que um sente pelo outro, com a  dureza que permeia essa relação, com a maturidade que permitiu que esses dois homens aprendessem a seguir juntos.



Ô, gente, vão ver o filme. Não sei se vocês vão morrer de chorar como eu, mas duvido que não vão ficar tocados  pela história. Pros chorões, aconselho passar na farmácia antes e comprar um lencinho de papel. Alguém aí já viu?



P.S.: Eu fiquei particularmente arrepiada com a representação da relação do Gonzagão com o pai e com o modo como a música Respeita Januário foi inserida no filme. Olha, os olhos embaçaram de um jeito...


Update
Só pra quem viu o filme:



sábado, 17 de novembro de 2012

 Eu já sabia que o show dela era bom, mas, ó, os vídeos não fazem jus.Essa danada me mata de inveja e encantamento, desde sempre, com tanta lindeza:


domingo, 4 de novembro de 2012

Skype, meu amor

Já declarei mais de uma vez neste blog minha aversão ao Skype. Pois bem,  venho por meio deste post declarar o inverso. Não posso seguir detestando o Skype, desde que ele possibilitou que uma tradição de fim de ano se mantivesse: Silvana e eu olhando e comentando, JUNTAS, possíveis presentes pros nossos amigos ocultos. Ano passado, andamos pelo Saara ( não é o deserto, gente!) entrando e saindo de lojas que vendem Havaianas. Esse ano, ela lá no quarto dela na Áustria, eu aqui no meu quarto do Brasil, espiamos, JUNTAS, as vitrines virtuais das lojinhas que vendem itens divertidos e fofos pra enfeitar casas.

O mesmo esquema, a mesma empolgação e as mesmas risadas ( e menos dor na panturrilha, claro!)

A internet faz a gente feliz, né?

***

Eu queria é ter podido filmar a cara da minha vó ao ver a Sil no Skype pela primeira vez. A mais perfeita ilustração praquela frase : " nunca pensei que fosse viver pra ver algo assim."


sábado, 3 de novembro de 2012

Ontem, morreu um vizinho meu, um moço mais ou menos da minha idade. Nós não tínhamos nenhuma intimidade, duvido que ele lembrasse do meu nome, é possível que a gente tenha participado das mesmas brincadeiras quando crianças, não sei. Uma morte absolutamente inesperada, acidente de motos. Minha tia contou pra minha vó ao telefone. Enquanto elas conversavam e eu só ouvia as exclamações de espanto da minha vó, tentava deduzir de quem elas tavam falando. Em nenhum momento, pensei nesse moço - em parte, porque eu mal me dava conta de que ele estava ali, na casa quase ao lado; em parte , porque a gente não espera que motoqueiros prudentes se acidentem. Me peguei dizendo, feito uma velhinha: é por isso que odeio motos. Nada me apavora mais que motos, e o temor só aumenta.

Quando a gente  mora há muito tempo num lugar, nem percebe o quanto sabe dos vizinhos, do cara da padaria, da dona do mercadinho, do dono do bar. Por mais que não se tenha nada a dizer para eles, querendo ou não, se tem o que dizer sobre eles. Ontem, antes de dormir, involuntariamente, fui fazendo um inventário da vida do moço do acidente de  moto: me lembro do uniforme da escola em que ele estudou, o tio dele colocou os vidros da janela aqui de casa, a mãe dele era mesária da sessão onde voto, andei de ônibus inúmeras vezes com a esposa dele. E nesse processo de remontar essa história de vizinhança compartilhada, me lembrei de que é de um dos aniversários dele uma de minhas lembranças mais significativas.

Eu não como doce ( chocolate não entra na categoria doces, ok?), consequentemente não como bolo. Pois é,  não gosto de bolo. Agora, imaginem o que é ter 5 , 6 anos de idade e não gostar de doces. Toda criança gosta de doce, eu não gostava de doce, logo...  E nada era mais torturante pra mim que festas de aniversário. Melhor: nada era mais torturante que o momento do parabéns! Eu morria de ansiedade e de medo de chegar aquela hora em que um pedaço daquele bolo apareceria na minha mão. Veja bem, eu sabia que bolos não eram bombas prestes a explodir, a ansiedade advinha especialmente do ensinamento que a minha querida vó me enfiou goela abaixo: NUNCA, JAMAIS, RECUSE um bolo de  aniversário. SOB HIPÓTESE NENHUMA, diga pras pessoas que você não quer o bolo porque não gosta do bolo. É falta de educação, é feio, é o fim do mundo. E lá vinha eu pra casa com um bolo todo amassado na mão, um bolo que eu jamais comeria, cheio de glacê, eca! Detesto glacê.

Olha, levei anos pra quase superar isso. Ainda hoje, nos aniversários, fico um cadinho tensa - um cadinho menos, mas ainda fico - e agradeço aos céus o fato de ser adulta e poder dizer não,não quero. Quando me perguntam se tô de dieta, digo logo, marcando território, deixando bem claro pra minha vó, que NÃO, EU NÃO GOSTO DE BOLO. É tão bom dizer : não gosto, não quero, obrigada, mas que festa boa a sua, hein! Melhor ainda, é comemorar meus aniversários sem bolo. Mas, Juliana, as outras pessoas comem! Não quero saber das outras pessoas. Pra que bolo? Serve torta salgada? Uma amiga já me disse que serei realmente feliz no dia em que eu oferecer um desses bolos fofinhos que eu faço ( desculpem a falta de modéstia, tá?) aos meus convidados, o meu bolo, batido à mão como eu gosto,  com um sorrisão na cara , num 26 de junho desses que estão por vir. Quem sabe? A gente faz terapia pra essas coisas, né?

Mas o que tem a ver o moço da moto e os bolos que não comi? Foi num aniversário desse rapaz, provavelmente há mais de 20 anos, que me dei conta pela primeira vez que odiava trazer o bolo que eu não ia comer pra casa. Não me lembro da festa, nem sei por que exatamente fui convidada, mas fecho olhos hoje e mais uma vez atravesso o portão da casa dele com aquele bolo melecado de glacê na mão, contrariada e irritada. Como são peculiares os caminhos que a memória da gente percorre!

Lamento muito a morte desse meu vizinho. Lamento por ele, pela família, pela esposa, pelo vazio que ele deixa no mundo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Queria escrever um monte de coisa, mas tô tão cansada que até pra piscar dói. Vim aqui rapidinho pedir a vocês, caros leitores, que me amem um pouquinho hoje - só um pouquinho já basta - porque, ó, a chapa tá quente, parceiro.


sábado, 27 de outubro de 2012

Presente de natal

Tô aceitando muito uma dessas daqui, hein:




Eu  ainda sinto  peninha do Smelly Cat e tenho  I´ll be there for you como toque do meu celular.


Nada é mais não atraente do que um homem que faz discursos. Certo, muitas coisas são mais não atraentes que isso, eu sei. Mas se o cara é todo ótimo, perfeito e discursador, todos os adjetivos positivos caem por terra imediatamente. Não importa se tudo que ele diz faz sentido, não importa se  você compartilha daquelas convicções muito coerentes, não importa se a voz dele é bonita como o canto das sereias. Meu pensamento vagueia por  campos de margaridas azuis todas as vezes que o discursador começa com " Veja bem, eu acho que..."

***

Todo um fim de semana focado em um único objetivo: comer um sanduíche.


***

Ainda estou lendo Emma. Tinha dado um tempo, mas agora voltei. A cada página, fico mais apaixonada pelo livro. Muito, muito, muito amor mesmo!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Os favoritos

Já tenho uma turma favorita. Eles são tão barulhentos, escandalosos,  irritantes, indelicados quanto os outros, mas têm um não-sei-o-quê  que me faz ter mais vontade de trabalhar nas quartas e quintas. Eles são engraçados e fazem umas coisas engraçadas que me arrancam risadas inoportunas e me surpreendem. A gente não se esquece de como é ser tão jovem, mas fica achando que esses novos jovens são muito diferentes do que fomos. No entanto, prestando atenção, tão lá os mesmos índices, as mesmas necessidades e delícias.

Esses meus alunos, como os outros da mesma idade, detestam quando os chamo de " criancinhas bonitinhas", mas não me deixam esquecer que a caneta que uso pra dar visto nos cadernos tem de ser a cor de rosa. Professora, a caneta amarela é da outra turma! A nossa é a rosa! Vou trazer uma caneta pra senhora. Há entre eles uns meninos bem terríveis, cujos nomes já decorei de tanto que chamo, peço, grito, mas também são desses meninos algumas das  melhores notas, algumas das ideias mais legais. Eu sou bagunceiro, mas não sou burro! Quase todos falam mais alto do que o necessário, mas um silêncio ensurdecedor enche a sala quando coloco qualquer coisa no quadro. Saio da sala cansada de ir de mesa em mesa porque as dúvidas são muitas, as perguntas são muitas e todos querem ser atendidos ao mesmo tempo. Ainda não tenho o dom da ubiquidade, gente!Calma aê! Tá xingando a gente, professora?

E há os amores - e os amores merecem um parágrafo só pra eles. Da minha posição privilegiada lá na frente da sala, vejo os olhares melosos que ninguém mais percebe. Esses adolescentes parecem cínicos tantas vezes, mas são uns românticos também.Dia desses,  parei do lado de um deles, o danado não tinha começado a ler o texto. Chamei, chamei e nada. Fui procurar o alvo do olhar dele: era a menina do cabelo estonteamente bonito sentada mais adiante. Quando me notou, o moço, marrento e metido a aluno difícil, disfarçou a cara de peixe morto, mas eu já tinha visto. Rá! E sorri pra ele, cheia de uma cumplicidade que ele odiou. E esse é só um dos apaixonados da turma.




quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Ouvi de uma menina de 13 anos: " Eu não vou fazer porque você tá pedindo, vou fazer porque eu quero. Eu só faço o que eu quero." Eu ri. Não devia, mas ri. Não gargalhei; foi um riso fraco, tão cansado quanto as outras partes do meu corpo. Um riso que a menina não entendeu. O objetivo dela era me afrontar; ela tem 13 anos, afrontar figuras de autoridade faz parte do pacote.

Eu ri porque a fala dela é tão carregada dessa ilusão besta que a gente gostaria de ter: a de viver pro nosso desejo.Também estava nos meus planos fazer só o que eu quero. Nossa! Acordo todos os dias certa de que só o que eu quero me importa. Mas, né, nem preciso dizer nada. 





segunda-feira, 22 de outubro de 2012



Eu carrego por aí uma mochila enorme e, às vezes, ela me parece a metáfora da solidão que me bate no meio da manhã. A solidão se entranha nas horas das manhãs foscas e me invade por dentro, como água rompendo represa. Sento, abro um livro, mexo no celular, como meu iogurte, bem ali ao meu lado, o mundo acontece e eu olho. Gosto do mundo, nada me apetece mais que devorar o mundo, mas aí eu presto atenção, ouço as indelicadezas, ouço as não bondades, ouço umas palavras pras quais não tenho escudo. Eu não tenho escudo pro mundo. O mundo me afeta - pro bem e pro mal- de tal modo que me pergunto se vale a pena expor minha pele calejada de amores e delicadeza. Sou mundana - que  fique claro- , muitíssimo mundana, mas gosto mais da maciez e dos vínculos. Acho tão difícil estar e não estar, ser e não ser, confiar e não confiar.

A alternativa é essa solidão que me pesa nas costas e faz um vinco na minha testa.

***

"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
(...)

Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,e o beijo tácito, e a sede infinita."
( Amar - Drummond)

Paixonite

A combinação simpatia + ótimo humor + sorriso de aquecer o coração + 1,80m + voz bonita devia ser proibida, eu acho.

sábado, 20 de outubro de 2012

Sempre aviso às pessoas que elas tão um cadinho enganadas: pareço fofa, mas não sou. Reconheço que tenho  voz fofa, bochechas fofas, gesticulo fofamente com as mãos, meu sorriso é de uma fofura que até me espanta quando o vejo nas fotos.Mas eu, euzinha, o conjunto da obra, não sou fofa.

E se eu andasse por aí com uma camiseta assim: " Não sou fofa. Sou pseudofofa" ? Seria bom? Daria mais certo? Evitaria os problemas que a fofice presumida acarreta de vez em quando?

Ou eu deveria simplesmente dizer " dane-se você que achou que eu fosse o que eu não sou e se ferrou"?



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Prazer, Emma Bovary

Eu cresci ouvindo minha vó dizer que odeia gatos. Gato é bicho chato, bicho que traz doença, bicho egoísta. Pobres gatos! Mas se por um lado sempre ouvi esse discurso de repulsa, por outro, a prática é bem diferente. Tivemos duas gatas aqui em casa, Miau e Shakira ( sem comentários sobre os nomes, por favor), e muitos gatos passaram por esse quintal, onde sempre houve uma vasilha de água e um restinho de comida pros gatos sem dono. 

Semana passada, apareceu no portão de casa uma bolinha de pelos, magrela e esfomeada,  tão pequena que cheguei a tropeçar nela. O vizinho do lado arranjou uma vasilhinha com ração, eu botei uma vasilhinha com água, e a pobre da gatinha esfomeada parou de miar feito uma louca e nos deu um pouco de paz. Daí veio feriado, passei quatro dias fora. Quando voltei, a gatinha esfomeada já tinha novas acomodações: uma caixinha forrada, vasilhas de comida e água e o rato de brinquedo que comprei pro Paulo Victor. Sim, um rato pra fazer companhia, tadinha. Tudo isso na varanda da minha casa, perto da máquina de lavar.

Minha vó jura que a gatinha magrela é uma hóspede, mas eu achei por bem não manter um ser sem lenço sem documento aqui em casa. Nossa " hóspede" precisava de um nome e sobrenome, né? Depois de muitas especulações, chegamos a um consenso, e eis que lhes apresento Emma Bovary  (Emminha pros íntimos):


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Se você se chama Juliana, não tem o direito de falar nada a respeito do nome de ninguém. Juliana é o"Maria" da minha geração. Darei a vocês dez segundos pra que possam calcular quantas Julianas vocês conhecem? 10.9.8.7... Viram? Vocês conhecem pelos menos umas 3 Julianas. Uma coisa que uma Juliana aprende cedo na vida é não ter exclusividade.

Feita toda essa introdução dramática, vamos ao que eu queria dizer mesmo: Por favor, futuros mães e pais,existem muitos nomes possíveis pra seus filhos, muitos mesmo.  Por favor, o mundo não precisa mais de Mateus, Lucas, Gabriéis , Pedros, Jéssicas. Facilitem a vida dos futuros professores dos seus rebentos.

Fiz um pequeno apanhado dentre os meus novos alunos adolescentes:

2 Andrews - Um em cada turma. Nunca sei quem é de qual turma.

5 Jéssicas -  " O nome dela é Jéssica/ eu já falei pra vocês/ Ela é a coisa mais linda / que Deus pôde fazer"

12 Pedros - Tem Pedro Henrique, Pedro Ivo, Pedro Miguel, Pedro só Pedro.

Aproximadamente 15 Anas - Tem Ana de todo tipo- Clara, Luiza, Helena, Paula, Letícia.

Uns 500 Gabriéis- Todos os meninos de 12 anos desse mundo têm nome de anjo, meu Deus! Hoje, na dúvida, chamei um menino de Gabriel e adivinhem... Acertei.

4 Carolines

5 Mateus

1 Sandy

Sim, uma das minhas alunas se chama Sandy. E devo dizer que, como uma digna representante da geração dig dig joy, é incrível estar lá fazendo a chamada e de repente chamar por uma Sandy. 




quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Livrinho

Lembram que eu reclamei uma vez que nunca ganhava sorteios? Essa falta de sorte até inspirou o sorteio de aniversário do blog. Então, já posso parar de reclamar. Há um tempo a ganhei chocolates belgas da Luana; hoje acabou de chegar o livro que a minha xará sorteou:







Vou começar a reclamar que a minha conta tá no vermelho, que meu coração tá vazio,  que nunca estive em Paris... Vai que funciona!

Dar aula pro sexto ano significa querer estourar um tímpano pra não ter de ouvir " ele pegou meu lápis" mil vezes a cada hora. Mas também significa ganhar beijinho na bochecha na hora da saída.

Smack!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

E quando esfregam um ato falho na sua cara? Olha...

Descanso dos barcos



Quando avisto os barcos descansando no mar, o vento gelado da tarde entrando pelos buraquinhos do meu casaco, penso que tô na profissão errada. Meu ofício deveria ser o de pescadora. Eu jogaria a rede e seria um grande arrastão. Não haveria salário melhor.

( Mentira! Não como peixe nem frutos do mar, tenho pavor de água fria, sou obcecada pelo protetor solar. Mas sou do mar. Sou dos desenhos rasbicados na areia, sou da espuminha das ondas, sou das estrelas feitas de raio de sol. Sou de girar só pro  vento  brincar com o meu vestido.)

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Eu, rejeitada

Tô num emprego novo, escolas novas, alunos novos. Mas no fim do ano letivo? Sim, no fim do ano letivo! Não perguntem. Antes de mim, havia uma outra professora: fofa, legal, colorida. Daí eu cheguei, sem aviso, sem preparações, e conheci a face adolescente da rejeição. Uma parte dos alunos começou a gritar o nome da antiga professora, a outra parte marchou pra direção a fim de obter mais explicações. Quando a coordenadora veio, eu já tinha convencido os que gritavam o nome da professora de que ela não os havia rejeitado, que eu não era uma terrível usurpadora, que burocracia faz parte da vida, acostumem-se. A palavra da coordenadora deu a acalmada final, e eu consegui trabalhar.

Eu entendo os alunos. Estive com a professora fofa, legal e colorida por uma horinha e tô aqui lamentando a falta de oportunidade de me tornar melhor amiga dela.  Além do mais,  a sala de aula  é resultado de uma rede afeto, afinidades e troca - pro bem e pro mal. Substituição de professor  parece com   a saída de um ator do seu seriado favorito. O cara vai embora fazer carreira no cinema, matam o personagem dele e os fãs levam um tempo fazendo campanha no site da emissora até que se acostumam.

( agora, vou dizer pra vocês: sou sensata, descoladinha e tal, mas não deixei de me sentir um cocozinho diante do olhar desconfiado daquele monte de adolescentes.)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Não só, mas também

Mas esse blog tá uma macambuzice só, né? Credo! Assim vocês todos vão sair correndo e achar que eu não faço outra coisa a não ser chorar. Eu choro sim, mas no meu cantinho porque tenho uma fama de má a defender. Mentira! Choro no meu cantinho porque a vida não para e a gente tem que ser alegre e triste de acordo com a demanda. Há umas coisinhas tristes acontecendo, mas há as alegres também. Como sempre.

Pra espantar esse clima de arrastar de correntes, com vocês ( especialmente pra @tiapaula), aquele que sempre me faz alegre:


Não dá pra ser infeliz depois de ouvir o Mika. Não dá! Dança aê, gente! Tem que dançar mesmo, hein!








Angústia que é angústia aparece às 3 da manhã de um dia em que você precisa dormir bastante.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Não é mau humor. É tristeza. Porque a minha amiga vai morar longe e eu não quero que ela vá. Ok, somos adultas, eu tenho 28. Ela vai pra um lugar bonito, ela vai pra ser feliz, mas eu tô nem aí. Se houvesse uma votação, um plebiscito: ela vai ou fica? Eu votaria no fica.Não quero saber que vai ser legal, que ela é amada, que é um mundo novo. Não quero. E cada vez que alguém diz: " Que maneiro, que legal!'. Vou ficando mais triste, e a minha tristeza é raivosa. Parece cara feia, má vontade, impaciência, mas é tristeza. Uma tristeza engraçada porque não é uma partida definitiva, não é a morte, não é irreversível. Mas é. Tá aí. 

Ela vai pra tão longe  e eu não sei o que fazer com os bônus do meu celular.  Meu celular tem bônus diários que não são o bastante pra nossas conversas. A gente detona os bônus do celular e termina o papo no telefone fixo, rapidinho, porque se deixar... Ela disse que vai me ligar, mas DDI não é bônus de celular. O skype não é o meu celular. 

Ela vai pra tão longe e eu não dou conta de dizer tchau. Provavelmente, não vou dizer nada. Ou direi algo como " se eu pudesse, eu arrancaria o seu braço, assim nós teríamos um pedaço de você  pros momentos de saudade." Se eu disser algo assim, ela vai rir e dizer que uma fala como essa é típica de mim - uma fala simpaticamente opressora. E ainda que eu não diga nada, ela vai saber que a ausência dela vai doer como o diabo. Meu celular sentirá falta dela todos os dias. Os bônus do meu celular vão se acumular e vencer.

Minha saudade é antecipada. Ela ainda não foi. Ela vai voltar. Mas minha saudade chegou antes porque é uma saudade vidente, uma saudade que antevê o tempo em que tudo será mais definitivo.É uma saudade precoce e raivosa.

E nem dou conta de escrever mais porque as lágrimas tão grudando os meus cílios e a tela tá parecendo um borrão.



Quer me deixar pu-tís-si -ma? Me diga que eu não posso/devo sentir o que eu tô sentido.

Gente que finge que sente o que não sente só porque não pode/deve sentir deveria ser infeliz sozinha.

( eu não sou muito dada a palavrões, mas "putíssima" é uma palavra ótima! Muito eufônica, eu acho!)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Por não saber dizer adeus






"So kiss me and smile for me
tell me that you'll wait for me
hold me like you'll never let me go
'Cause I'm leaving on a jetplane,
don't know when I'll be back again,
oh babe I hate to go
I hate to go..."

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Item essencial de sobrevivência: saco de papel pra colocar na cabeça em horas como essa.

Quando foi que me tornei essa pessoa que acha todo mundo chato, feio e bobo?

(claro que vcs, queridos leitores, não se incluem nessa categoria,neam?)

sábado, 29 de setembro de 2012

Sing a song

Fiz esse meme há muuuuito tempo e deu vontade de repetir. Pra variar, vou burlar as regras e postar mais de um item por vez. Vamos lá.

1- Minha música favorita:

Uma das favoritas. Porque minha mãe vivia cantando essa quando eu era menininha. Freud tem todas explicações.

                                                      Conto de Areia - Clara Nunes

2- Aquela de que menos gosto:

Tocava sem parar nas festas de família na década de 90. Tomei trauma. Ódio define.

Cigana- Raça Negra

3- Aquela que me deixa feliz:

De um lindeza! Adoro o Zeca.


Uma prova de amor - Zeca Pagodinho
4- Aquela que me deixa triste:

Marisa é chatínha, mas essa música é a solidão materializada.

Alta Noite - Marisa Monte

5-Aquela que me faz lembrar alguém:

Me faz de lembrar de como conheci algumas das pessoas que me fazem muito feliz.

Because - The Beatles

To be continued