quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Colo de madrinha





Minha prima vai ter um bebê. Esse bebê ganha muitos presentes. Dentre esses presentes, está um macacão que traz no peito a seguinte frase: " Melhor que mamadeira quentinha só o colo da madrinha". Esse presente foi dado por mim, e essa informação é fundamental para que se entenda o comentário feito pela mãe do bebê ao ver  a roupinha: " Tadinho do meu filho. Se depender do colo da madrinha, vai tomar um porre de mamadeira desde novinho."

Vejam bem, não sou uma madrinha de primeira viagem. Tenho uma certa experiência nesse ramo, embora não possa garantir que a experiência  tenha me trazido eficiência e talento no desempenho do cargo. Há 11 ano sou madrinha da minha prima de 17 anos. Quando esse laço  foi estabelecido entre nós, eu era adolescente ainda e ela nem sabia ler direito, portanto nunca fui daquelas madrinhas tradicionais, que dão presentes caros e moram em casas onde a gente passa as férias. O máximo que fiz ao longo desses anos foi ajudar com trabalhos da escola  e dar conselhos que não foram ouvidos.

Vinícius, o bebê que está pra nascer, porém, há de exigir de mim outros atributos. Saber resolver equações de segundo grau não terá nenhuma serventia na relação que vai existir entre nós, pelo menos não por enquanto. E ando bem preocupada porque não quero ser responsável por  provocar traumas permanentes no menino. Será que corro o risco de sofrer alguma sanção do ministério das madrinhas caso jamais pegue o meu afilhado no colo antes que ele complete seis meses de vida? O primeiro e único recém- nascido que segurei no colo foi um priminho do Vinícius que veio cear conosco nesse natal, e só peguei o menino porque me desafiaram. Cumpri o desafio com louvor: segurei o menino por 10 segundos, devolvi pro colo da mãe e fugi pras montanhas pro banheiro. Ninguém teve coragem de me obrigar a levar a criança pro banheiro.

Bebês pequenos parecem enguias. Duvido que tenham ossos. Fico muito intimidada na presença desses seres que não fazem nada alem de defecar, vomitar e chorar. Dizem que vômito de bebê novinho faz bem pra pele, mas eu prefiro hidratantes industrializados. E aqueles pescocinhos, meu deus? O grande mistério da humanidade não tem nada ver com cura de doenças fatais ou sexo dos anjos; mistério de verdade está nos mecanismos que permitem que pescocinhos tão molenguinhos sustentem um cérebro, um crânio, um monte de sangue e tudo mais que a gente tem na cabeça. Eu bem desconfio  de que as cabeças do bebês vivem se despregando e rolando pelo chão ( chãos alcochoados, tá?),mas os pais jamais contam isso pras outras pessoas. E eu, uma das pessoas mais desastradas de que se tem notícia, prefiro manter uma distância saudável de corpinhos tão frágeis.

 Crianças pequenas e suas coluninhas invertebradas nunca foram um problema pra mim até então. A criança com quem mais convivo só passou a ir com a minha cara depois que aprendeu a andar, e eu juro que sou muito legal com crianças que não precisam de colo. Perguntem só pro  meu priminho quem é a prima favorita dele. Bem, é melhor não perguntar, não, porque ele vai dizer que prefere a mãe do Vinícius porque ela  tem um carro e um marido que sabe soltar pipa. Ok, mas que fique claro que eu sou uma boa pessoa, uma madrinha razoável e tenho um coração bom . O meu único problema é que sou uma madrinha sem colo. Buá! Buá!

O que eu faço, pessoal? 

4 comentários:

Rita disse...

Aconteça o que acontecer, não tente apertar a cabeça no pescoço molenga como se fosse um parafuso. Por favor.

bj
Rita

Deise Luz disse...

Hahahaha desculpa, mas eu ri muito da sua angústia.

Bom, não sei se posso dar conselho, mas posso falar da minha experiência. Minha sobrinha tem seis meses e, sim, eu consigo segurá-la e dar colo desde quando ela tinha pouco mais de um mês. E te entendo muito, porque antes disso eu morria de medo. Até hoje, quando minha mãe me vê com ela no colo, fazendo cócegas, jogando pra lá e pra cá, ela diz "um dia desses Deise tinha medo de pegar...". Então é isso, eu fui perdendo o medo com o passar do tempo, talvez aconteça com você também.

mila disse...

Meu afilhado tem 10 anos agora e é meu orgulho. Menino inteligente, (melhor da turma) mas bem crianca, nada metido a adultinho (detesto) magrelo, avoado e meio desastrado, cheio de "por quês?", nenhum comentário escapa a sua curiosidade... Todo mundo diz q ele é igual a mim quando crianca, e que eu me lembre, é bem verdade!
A mãe dele teve gravidez de risco e na época eu estava com 16 anos, férias de julho me mudei pra casa dela pra ajudar nos afazeres domésticos. No dia do nascimento eu tava lá de acompanhante da parturiente. Chegou aquele pedaco de gente branquinho, fofinho e eu não tive dúvidas: peguei! Eu sou Felícia, instinto de apertar coisas fofas, pego mesmo, aperto mesmo... sem medo!
nâo sou muito fã de criancas não... só do meu afilhado. Mas como eu não ia gostar de um carinha que sou eu escritinho?
Ah! E sem esquecer de mencionar que tive a inenarrável honra de trocar a primeira fralda dele =P

Priscila disse...

Oi Ju, eh a Pri do blog de AX, vim te visitar por aqui :-)

Deixe contar um pouco da minha experiência como madrinha: hoje que meu afilhado tem quase 6 anos a gente se dá super bem, brinca mto, ele é um menino alegre como devem ser os da sua idade, tira fotos comigo, super falante.

Mas até ter uns 4 anos ele era super envergonhado (isso pq sou a melhor amiga da mãe dele), não ficava direito no colo de ninguém a não ser dos pais, estranhava todo mundo - fez um escândalo na igreja no dia do seu batizado!
Acho que isso tb é pq ele só começou a ir pra escolinha depois dos 4 anos - apesar dos pesares, penso que é melhor a criança ir logo cedo pra escolinha, desinibe mais.

Enfim, passava por todas as angústias que vc relatou. Mas vejo que, com o passar do tempo, o mais importante não é se a criança ia no seu colo, era sorridente com vc, mas qto de amor vc dedicou a ela, seja mostrando uma coisa simples pra ela, seja ajudando a montar um brinquedo, seja ensinando e aprendendo com aquele serzinho maravilhoso.

Bjos