domingo, 22 de janeiro de 2012


Como de costume, te avistei da minha janela. Dessa vez, vi o seu rosto e me perguntei se o tempo também passou tanto pra mim também. Será que o tempo pesa sobre os meus olhos tanto quanto sobre os seus?
Tenho medo do tempo e das possibilidades implacáveis de que se reveste. Tenho medo de que o tempo seja como o mar e suas ondas, que arrastam corpos vivos e os devolvem mortos - quando devolvem, se é que devolvem. Tenho medo. Esse medo que parece maior que o meu corpo,  medo que é a corda bamba na qual me equilibro: acho que não sobrevivo ao abandono, acho que o abandono é a face oculta da  própria vida.


***

Tempo, tempo, tempo, senhor tão bonito, por favor, espere que eu invente a máquina da reinvenção. Eu quero ser a mesma e também outra, outra, outra , outra, muitas outras.

Um comentário:

Inaie disse...

eu tambem quero ser eu mesma e quero ser outras. e aos 40, sinto o peso do tempo e suas batidas na porta!