quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

" É o mesmo para todos: a gente se casa, ama ainda um pouco, trabalha. Trabalha tanto que se esquece de amar.(...) Com a ajuda do cansaço, ele deixara correr as coisas, tinha-se calado cada vez mais e não cultivava na  jovem mulher a  ideia de que era amada. Um homem que trabalha, a pobreza, o futuro lentamente fechado, o silêncio das tardes em redor da mesa - não há lugar pra paixão num tal universo. Provavelmente, Jeanne tinha sofrido. Contudo , ficara: acontece que se sofre muito tempo sem saber. Os anos tinham passado. Mais tarde, ela partira. Na verdade, não partira só. 'Gostei muito de você, mas agora estou cansada...Não me sinto feliz por partir, mas não é necessário ser feliz pra recomeçar' "

Excerto de A Peste, de Albert Camus, editora Abril Cultural, p.66

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