segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Irregularidade

E quando o último capítulo do livro é melhor que o livro inteiro? Tão melhor, tão mais bonito que você nem se lembra mais do que leu na página anterior ao início dele. Tão melhor que você tem vontade de mandar um e-mail pro autor sugerindo que o capítulo entre numa antologia de melhores contos. Tão bonito que recupera toda fé e  admiração que você deposita em quem escreveu.

Porque ler um livro irregular de um autor incrível é uma experiência estranha. Você começa com as expectativas lá no alto, tem toda certeza de que vai se embasbacar umas dez mil vezes ao longo da leitura. Aí passa por aquele momento de estranheza. Peraí, tem algo errado! Peraí, é isso mesmo? Aí, você vai lendo  com um medinho da próxima página, só não fecha os olhos ao longo dos parágrafos porque livro irregular não é igual a filme irregular.  Como o livro não é uma merda total -é somente irregular-,você passa por momentos de respiro. Ufa! É irregular, mas tem uma estrutura linda. O enredo é estranho, mas a danada dessa mulher sabe colocar as palavras no lugar certo.

Mas a verdadeira diferença entre um livro porcaria e um livro não tão bom de um autor incrível está naquele momento inesperado em que você espia por uma frestinha do tecido do texto e lá está tudo aquilo pelo que você esperou ao longo de 200 páginas. Aí você fica de olho arregalado, sente o nó no peito que só os textos bonitos provocam e  grita: " Eu sabia! Eu sabia!Eu sabia!"

Um comentário:

Felipe Fagundes disse...

Eu sei o que é isso! Depois que a gente lê a parte BOA nem se lembra mais do resto e o livro fica irregularmente perfeito *-*